António Araújo teve a ideia e as edições Desassossego aventuraram-se com ele. Foi assim que nasceu a coleção Literatura de Viagens, uma coletânea de livros, que tende a crescer, onde os leitores têm o prazer de viajar pelo mundo, sem saírem de casa. A coleção teve início com a obra “O Leopardo-das-Neves”, de Peter Matthiesse, e com o título “O Odor da Índia”, de Pier Paolo Pasolini. Mais tarde, incorporou a coleção o livro “Grande Viagem pelo Império Romano”, de Marcus Sidonius Falx, e “A Sombra Infinita de César”, de Lawrence Durrell. O Jornal AUDIÊNCIA entrevistou o curador desta coleção, para perceber o porquê do gosto pela literatura de viagens, como surgiu esta parceria com a Desassossego e sobre o que podem os leitores esperar desta coletânia.

 

 

Quem é o António Araújo? Fale-nos um pouco de si…

Sem querer fugir à pergunta, quase me apetece dizer, como no Frei Luís de Sousa, «romeiro, romeiro, quem, és tu? – Ninguém». Para o que importa, sou alguém que propôs às edições Desassossego lançarem uma coleção de livros de viagens, seguindo excelentes exemplos de outras editoras, como a Tinta da China e a Quetzal. E por isso aqui estamos!

 

Como surgiu a oportunidade de se juntar às edições Desassossego e dirigir a coleção Literatura de Viagens?

Já tinha editado um livro da minha autoria na Saída de Emergência, o que me deu a oportunidade e o privilégio de ficar amigo do Luís Corte Real e da sua equipa. Não foi preciso muito, nada mesmo, para convencê-los a abraçarem este projeto.

 

O que mais lhe agrada nesta temática da literatura de viagens?

Talvez o óbvio: ver o mundo pelos olhos de outrem, pelos olhos de alguém que sabe descrever lugares, situações e pessoas de uma forma que nos faz estar lá, num exótico que até pode estar à nossa porta.

 

Qual foi o primeiro livro que leu deste tema e que o fez criar este gosto?

É muito difícil responder, mas as leituras infantojuvenis de Júlio Verne e, sobretudo, de Emilio Salgari ajudaram muito…

 

A coleção Literatura de Viagens iniciou-se com os livros “O Leopardo-das-“Neves” (Peter Matthiesse) e “O Odor da Índia” (Pier Paolo Pasolini). Porquê estas escolhas?

Pareceram quase óbvias: Pasolini é um grande escritor, intelectual, cineasta, e o livro «O Leopardo-das-Neves» é um clássico dos clássicos da grande literatura de viagens – era quase um escândalo não ter sido ainda editado entre nós!

 

O que podem esperar os leitores desta coleção?

Podem esperar grande literatura sobre lugares distantes, visitáveis por poucos, mas imperdíveis para todos.

 

Que conselho daria aos jovens que ainda não têm o gosto pela leitura?

Que façam uma pausa nos telemóveis e nas redes sociais.

 

Quais são as suas perspetivas para o futuro, no mundo da literatura?

Pela resposta à pergunta anterior, as perspetivas de leitura, talvez, não sejam muito animadoras. Mas as perspetivas da literatura, são otimistas, sem dúvida. Veja-se a quantidade e qualidade de novos e jovens autores que surgem todos os anos!