Desde que tomou posse dos destinos da Junta de Freguesia de Arcozelo, Maria Adelina Pereira assumiu como compromisso unir e envolver a população da terra que a viu nascer. A presidente contou, em entrevista ao AUDIÊNCIA, o seu masterplan, que contempla um plano para a revitalização da zona central de Arcozelo e tem como principal objetivo engrandecer e dinamizar a Freguesia de Arcozelo.

 

 

Como é que os arcozelenses estão a lidar com esta situação pandémica, que está relacionada com a disseminação do novo coronavírus em Portugal e no mundo?

No princípio foi muito pior, porque as pessoas tiveram de fazer uma rutura com a forma de viver que tinham até aí. As pessoas tinham a liberdade de irem para a rua, de irem ao café, de estarem com as pessoas e, de um momento para o outro, viram-se coagidas a ter de perder essa liberdade, principalmente os mais velhos, a terem de ficar em casa. Foi um bocadinho angustiante, eu acompanhei muito de perto todas essas situações, porque apesar de também estar um pouco mais recolhida, andei sempre pela Freguesia e tinha o pessoal a trabalhar, porque os nossos trabalhadores estavam no campo, estavam na terra e eu achei sempre que deveria estar, nem que mais não fosse, para dar algum apoio psicológico e moral às pessoas, que também estavam com o mesmo problema que as outras. Pronto, no início foi assim, um bocadinho pior, mas nós, lentamente, fomos tentando resolver e entretanto fomos criando uma série de suportes e de algumas respostas, que pudessem ajudar as pessoas e estivemos a trabalhar em parceria com a Câmara Municipal de Gaia, que também em conjunto connosco foi dando algumas ajudas. Entretanto, passado esse tempo pior, fomos progressivamente voltando à normalidade. Mas, as pessoas aceitaram muito bem e não tivemos ninguém que tivesse tomado atitudes de desespero e de incumprimento, porque as pessoas foram acatando sempre aquilo que foi dito. Para além disso, tivemos o cemitério fechado, assim como fechamos a Capela da Santa e a Loja durante aquele período e isso para as pessoas é, ao fim e ao cabo, um sítio de encontro, contudo a população compreendeu, recebeu e aceitou bastante bem. Depois, fomos desconfinando, como se tem vindo a fazer e, neste momento, os serviços estão todos a funcionar. Todavia, é evidente que aqui a secretaria nunca fechou, teve algumas regras, mas nunca fechou e fomos dando apoios. Depois surgiram os apoios de dar cabazes a pessoas que estão com alguns problemas económicos e continuamos ainda nessa senda, entre outros apoios que contemplavam a entrega de compras e medicamentos em casa das pessoas. Enfim, os apoios que nos foram sendo solicitados, nós fomos dando respostas a todos eles, com um corpo de voluntários, que também se ofereceram e que estiveram a telefonar para as famílias, também para saberem se elas precisavam de alguma coisa, principalmente para os mais idosos, e fomos dando esse apoio que nos foi sempre pedido. Neste seguimento, alguns voluntários ainda continuam a trabalhar, porque agora as necessidades já são menores. Posso dizer-lhe que foi um período um pouco triste, mas foi-se conseguindo ir dando apoio e estando a acompanhar.

 

No seguimento do apoio que referiu, que está relacionado com a entrega de cabazes às famílias mais desfavorecidas, acredita que o número de solicitações aumentou a par da taxa de desemprego, ou manteve-se constante?

Não, não é superior e até em alguns casos baixou, não significativamente, mas baixou. Houve um aumento logo com o confinamento e nós também tivemos o apoio das Vicentinas, que também têm estado a colaborar connosco. Nós, no início, fizemos uma reunião com as Vicentinas, com o Centro Social, com os Bombeiros, enfim, com as entidades que podiam, de alguma forma, dar algum contributo a tudo aquilo que fosse surgindo e tudo isto, em conjunto com a Câmara Municipal de Gaia, que também tem colaborado imenso com a Freguesia. Posso dizer-lhe que, depois dessa subida inicial, os cabazes têm estado mais ou menos constantes. Portanto, tem havido aqui um trabalho conjunto que, de facto, tem resultado bem. Aquilo que nos era pedido inicialmente era, de facto, um apoio a nível de refeições e também tivemos o serviço de refeições, que eram fornecidas pela Câmara e que nós distribuíamos pelas pessoas. Por isso nós vamos fazendo as coisas em função daquilo que nos é solicitado, nós não vamos dizer que temos de fazer isto, porque imaginamos na nossa cabeça que é preciso ou porque nós queremos, em concreto, publicitar-nos dizendo que estamos prontos a ajudar, porque as pessoas sabem que podem ligar-nos no surgimento de alguma necessidade, por exemplo, no caso de compras, pontualmente também surgem situações relacionadas com a compra de medicamentos em que as pessoas necessitam e não têm dinheiro, ou para o pagamento de consultas ou para a realização de exames, coisas muito pontuais e as pessoas já sabem que podem recorrer à Junta de Freguesia e nós, dentro daquilo que conhecemos, porque também conhecemos bastante bem a população, vamos dando esse apoio. De uma maneira geral, nós estamos aqui para as pessoas. Ainda agora, por exemplo, nesta esta altura, no seguimento do que eu referi anteriormente em relação ao facto de termos aqui uns voluntários que telefonavam para as pessoas, para saberem se estão sozinhas, se precisavam de alguma coisa, nós percebemos que havia um ou outro idoso que estava mais só e agora estamos a fazer e temos dois voluntários a fazer isto, que é chamadas para saber se pretendem aderir à teleassistência, para que possam comunicar em caso de necessitarem de alguma coisa. Até agora, já aderiram cerca de dez pessoas à teleassistência, mas de uma maneira geral são coisas assim pontuais, conforme as necessidades. Portanto, nós não notamos que houvesse assim necessidades muito grandes, porque também estamos a falar de uma Freguesia que, em termos sociais, está já um bocadinho acima da média. Como tal, existem aqui menos necessidades, do que eu posso reconhecer que existam noutros sítios, agora, é evidente que existem sempre, mas nós vamos tentando controlar e saber o que é que se pode fazer e dentro daquilo que se pode fazer a Junta de Freguesia vai dando esse apoio.

 

Devido à pandemia, a Junta de Freguesia teve de cancelar a Colónia Balnear e o Passeio Anual da Terceira Idade. De que forma é que vai compensar a população, nomeadamente os idosos? Equaciona a realização de outro tipo de iniciativas?

Quanto ao passeio da terceira idade, nós, em conjunto, mais uma vez, com a Câmara Municipal de Gaia, estivemos a equacionar várias hipóteses, mas eram todas elas muito complicadas, porque uma vez que é sempre um número muito grande de pessoas, há sempre uma dificuldade muito grande, a começar pelo transporte das pessoas de um lado para o outro, a seguir pelo convívio, que é isso o que se pretende com os passeios e, com todas as regras e restrições, acaba o convívio e não se conseguia fazer. Portanto, tivemos que cancelar, mas pensamos em várias hipóteses, contudo todas elas acabavam na tal questão do convívio, porque para estarem isolados uns para casa lado, distanciados uns dos outros, não tinha graça nenhuma e, portanto, isso acabou por ser posto de lado. Está-se a pensar agora em dar, se calhar, qualquer coisa aos idosos, ainda está a ser pensado, não será igual, mas é uma compensação para que eles sintam que não estão esquecidos. Da nossa parte, aqui da Junta de Freguesia, nós temos tido esse contacto constante com as pessoas e sempre que podemos entramos em contacto com elas, damos uma palavra de conforto e dentro daquilo que nós é pedido, nós vamos fazendo. Agora, nós sabemos que o ideal era de outra forma, mas não existe a possibilidade de fazer o passeio e é uma pena, porque as pessoas gostam e o que realmente as pessoas gostam é de se abraçarem, de conversarem e estarem próximas e quanto mais idade as pessoas têm, mais necessidade têm desse tipo de atitudes e, portanto, é muito complicado, porque pensamos já em várias coisas, mas é sempre difícil, porque depois chegamos a um ponto em que já não controlamos coisa nenhuma e, portanto, entre uma coisa e outra está, em primeiro de tudo, a segurança e temos de ter algum cuidado, para que as coisas, que não têm corrido tão mal assim, não corram piores. Por isso, nós temos estado a gerir isto da melhor forma, para que as coisas continuem a correr o melhor possível.

 

Também outros eventos detentores de grande impacto social e cultural, como é o caso dos inúmeros festivais folclóricos, das festas populares, do Festival Ar d’Jazz, das Lazy Sessions e do Cupula Circus Village tiveram de ser anulados. Que consequências têm estes cancelamentos tanto para a Junta de Freguesia, como para a população?

Eu espero que não tenha muitas consequências e que seja apenas durante este ano e que nós, para o ano, possamos agarrar outra vez nesses eventos todos. É evidente que para nós, Arcozelo, foi um bocadinho mau isto, porque há aqui eventos que nós implementamos pela primeira vez desde que cá estamos. Portanto, há aqui eventos como o Cupula e o Ar d’Jazz, por exemplo, que são coisas que começaram há pouco tempo, como tal também ainda não são uma tradição e isso é mau numa altura destas, em que estamos a tentar consolidar esse tipo de eventos e, de um momento para o outro, acontece uma quebra abrupta e é um bocado difícil perceber como é que as pessoas vão reagir, como é que vai decorrer o recomeço, porque vai ser como um começar quase de novo. Nós já estamos a trabalhar no Cupula, que é, de facto, a marca deste executivo, digamos, e que queríamos que ficasse como marca de Arcozelo, por isso estamos a trabalhar nesse sentido, assim como estamos a trabalhar no Ar d’Jazz que, não sendo uma iniciativa diretamente nossa, porque é proposta por uma associação, mas nós damos muito apoio e continuaremos a dar, mesmo os festivais de folclore, as Lazy Sessions, são tudo eventos com os quais nós colaboramos e as Lazy Sessions são organizadas pela Junta de Freguesia, mas são tudo iniciativas que tinham uma sequência e que, para nós, foi, assim, uma quebra abrupta, que nos põe um pouco sem saber muito bem como é que isto vai evoluir, mas a vida é feita destas coisas e nós temos de ir aguentando estes tempos, com a expectativa de que para o ano será melhor, de que teremos mais força para recomeçar tudo e para abrir as portas a tudo e de que teremos, de facto, um bom período de festejos, para até festejarmos com mais alegria.

 

As obras em Arcozelo não pararam com a proliferação da covid-19. Que projetos relevantes foram concretizados? Algum foi totalmente descartado?

Durante a proliferação da covid-19 nós continuamos, de facto, os trabalhos mais ou menos rotineiros, que estão relacionados com os jardins e pequenas obras, pelo que tudo isso foi sempre feito dentro de uma certa normalidade e com todos os cuidados. Também estivemos a preparar, durante esse período, condições para que existissem condições de segurança no momento da abertura, por exemplo, da Capela da Santa, onde criamos uma espécie de uma caixa enorme em cima do túmulo, para que as pessoas não tocassem e não beijassem o mesmo, para haver algum cuidado e evitar qualquer tipo de contaminação. Por outro lado, fizemos um restauro na Loja da Santa, que estava a precisar de ser arranjada. Portanto, tudo continuou numa vida mais ou menos normal, para que estivesse tudo impecável no momento da abertura. Portanto, tudo isso foi feito. Nós temos um masterplan e foi um período muito intenso, para adiantar os projetos, para reunirmos e trabalharmos nos projetos que temos em mãos e, portanto, foi um trabalho sempre muito veemente e nunca paramos. A Câmara Municipal, que está a trabalhar no masterplan em parceria connosco e que nos tem ajudado a fazer todo o trabalho do processo de projetos, deu a oportunidade a que fossemos discutindo, através de reuniões presenciais ou via online, para que o projeto estivesse praticamente estabilizado, agora temos de partir para outros patamares e passar para os projetos de especialidade, para sabermos custos, enfim, o procedimento normal para as obras públicas. Portanto, foi um período de muito trabalho, nesse sentido, assim como também foi um período para continuarmos a reabilitar uma série de ruas, que estavam um bocadinho más e nós, já tínhamos começado esse trabalho, mas aproveitamos para fazer um levantamento das ruas mais interiores que, ao fim ao cabo, estavam muito deterioradas e pedimos a colaboração da Câmara, também para nos ajudar na execução destes trabalhos e, neste momento, estamos com 25 ruas que vão ser reabilitadas e são ruas interiores em que, ao contrário de muitas ruas de passagem que são muito grandes e cuja reabilitação implica o arranjo e a preparação de muitas infraestruturas, estas apenas necessitavam de alcatrão para ficarem transitáveis e essas podia a Junta fazer diretamente e então resolvemos fazer esse levantamento e praticamente todas as ruas interiores, que estavam em alcatrão e que estavam, de facto, bastante furadas, estão ainda a ser reabilitadas. Depois a Câmara assumirá, noutra fase, a reabilitação de outras ruas de maiores dimensões e que exigem um trabalho mais técnico. Também já está em procedimento a Urbanização do Espírito Santo, a Rua João Villaret e a Rua das Quebradas, que também são ruas que precisam de ser reabilitadas, lá está, mais trabalho para a Câmara esforçar-se e fazer ainda neste mandato e estamos a aguardar que, a qualquer momento, se realizem estes trabalhos. Portanto, nós não paramos, de facto, e estivemos atentos a estes pormenores todos, que para nós são importantes. Para além disso, foi restaurada a Escola da Aguda, vai ser agora a de Miramar também restaurada e temos andado a acompanhar esses processos todos, para além disso a Escola Sophia de Mello Breyner está pronta, portanto temos vindo a acompanhar todos esses processos.

 

A popularmente conhecida como Santa Maria Adelaide ou apenas Santinha de Arcozelo desperta a devoção de muitos portugueses e estrangeiros, que visitam a Capela onde estão guardados os seus restos mortais. A Capela, para além de ser um ponto de atração e de crença, também é um ponto de receitas muito elevado. A que se destinam esses rendimentos?

É evidente que a Santa Maria Adelaide é um ícone de Arcozelo e a qual nós respeitamos muito, tal como respeitamos a crença das pessoas que cá vêm e vem cá muita gente. É evidente que, com o andar dos tempos, as coisas já não são, atualmente, aquilo que eram aqui há uns anos atrás, em que vinha muito mais gente. De qualquer modo, a Capela da Santa Maria Adelaide continua a ser um local de culto, continua a ser um local onde as pessoas fazem as suas promessas com as suas dádivas e continua a ser isso tudo, agora, durante este período baixou imenso, com a suspensão das excursões, e, neste momento, as visitas são feitas por pessoas que vêm em carros familiares, por pessoas que moram aqui perto e vêm a pé ou de autocarro, mas de carreira, mas mais gente local. De facto, há receitas e as receitas são sempre encaminhadas mais para a área social. Nós procuramos, desde que entramos e julgo que anteriormente também era feito assim, mas desde que entramos nós estabelecemos que era uma verba importante para dar às entidades socias, quer seja o Centro Social, quer sejam os Bombeiros, quer seja a comparticipação de eventos, ou seja, há a comparticipação sempre da parte social e depois também temos um certo valor que é despendido com a assistência na Capela e que está associado à existência de funcionários, porque há uma despesa bastante elevada também pelo facto de termos pessoas que permitam termos a Capela sempre aberta. Para além disso, o trabalho que fazemos de solidariedade, de assistência social e até cultural, é essencialmente com o dinheiro que a Santa recebe e que gere essas receitas. Para além disso, nós gostaríamos de organizar o Museu e de fazer um trabalho que permita contar uma história, porque há realmente uma história depois da morte dela e há uma grande história a ser contada e nós gostaríamos de fazer esse tratamento. Nós prometemos, quando viemos, que iriamos mexer Arcozelo, foi para isso que eu vim, porque achei que Arcozelo podia fazer mais, podia ser mais e eu acho que temos vindo a mexer com Arcozelo. Só com muita dedicação é que temos conseguido fazer uma série de coisas. O Museu é, de facto, um assunto que eu queria ver muito bem tratado, porque realmente há testemunhos, há coisas muito interessantes, que eu acho que são de valorizar e de pôr à vista de todos. Portanto, eu gostaria de ver o Museu mais alargado e nós estamos a conseguir resolver o problema com a Federação do Folclore Português, porque o terreno da Federação era da Junta de Freguesia e nós fizemos um acordo com eles em que demos o terreno em troca de uma parte do edifício que já está edificado, portanto, neste momento, a coisa está encaminhada, de tal maneira que nós vamos ficar ali com uma parte do edifício, mas é evidente que não está acabada e eu acho que seria ali um sítio bom para nós fazermos o tal Museu, porque é muito maior e tem muito mais espaço. Há essa ideia, mas, para já, ainda estamos à espera de termos as coisas todas definidas para o fazermos.

 

A Maria Adelina Pereira falou sobre o masterplan, que visa a revitalização da zona central de Arcozelo. Neste seguimento, quais são os projetos com os arcozelenses vão poder contar num futuro próximo?

O masterplan é a requalificação do Centro Cívico de Arcozelo, que vai começar junto à sede da Federação de Folclore Português, onde vai haver uma rotunda e vai haver uma ligeira mudança de piso, para que se perceba que isto não é uma rua só de passagem, mas marca a entrada no centro de Arcozelo. Onde se encontram as lojinhas vamos construir um auditório e as lojinhas vão passar para a Alameda, junto ao Cemitério. O atual edifício da GNR vai abaixo, tal como vai abaixo o quiosque que está ao lado e vamos abrir uma avenida que vai até à Cabelte. O jardim que existe ao lado do atual edifício da GNR vai ser mantido e vai ser a entrada para o novo edifício da Junta de Freguesia. O novo edifício da GNR vai localizar-se atrás do edifício da Junta de Freguesia. Para além disso, o Centro Cívico de Arcozelo vai ficar dotado de um parque de estacionamento, que vai dar possibilidades de estacionamento quer para a GNR, quer para a Junta de Freguesia, quer para os outros serviços. O Centro Social vai ser aumentado, a Rua do Ribeiro vai ser alargada, porque vai ter um parque de manutenção, vai ter um parque de merendas, vai ter um parque para cães e vai ter um parque para caravanas, com saída para a Rua do Espírito Santo. No atual parque das merendas, vai existir um parque temático, que a Câmara está a querer implementar em todas as Freguesias. A Alameda vai ser restruturada e nós queremos continuar com o Passadiço de Arcozelo até ao Espírito Santo. Tudo isto representa o tal masterplan. Os projetos para o Centro Social, a Junta de Freguesia, a GNR e o Auditório já estão praticamente prontos. Para além disto, também temos as obras das ruas principais numa próxima fase. Eu acho que se tem feito um trabalho interessante, pelo menos com muita dedicação, com muito amor, com muita paixão e que está a resultar.

 

A educação, a saúde, o desporto, a cultura e a ação social são pilares identitários Arcozelo. Quais são as apostas que a Junta de Freguesia tem feito nestas áreas?

Na parte da educação, que é uma coisa que me diz muito, porque eu venho da educação, nós temos dado todo o apoio que nos é solicitado e sempre que nos é pedida qualquer coisa, nós tentamos resolver. Se não conseguirmos de todo resolver, então sim, pedimos ajuda à Câmara Municipal e estamos insistentemente a questionar a Câmara para proceder a um arranjo ou a qualquer outra situação que surja. Portanto, nós estamos sempre em cima do acontecimento e sempre que nos é solicitada alguma coisa nós estamos lá, apoiamos, damos soluções, enfim, estamos sempre nessa ordem. Quanto à área do desporto, nós também estamos sempre disponíveis e ao Sporting Clube de Arcozelo, que é a entidade que gere o desporto aqui em Arcozelo, também damos o apoio necessário e o apoio que nos vai sendo solicitado e dentro daqueles subsídios que eu há bocado falei que são gerados das receitas da Santa Maria Adelaide, que nós distribuímos pelas entidades, também damos ao Sporting Clube de Arcozelo. Portanto, tudo aquilo que nos pedem nós, dentro do possível, vamos sempre solicitando e estamos sempre a fazer ligações com a Câmara Municipal nas várias áreas. Ainda agora o voleibol de praia precisava de umas redes e nós estamos a tentar que isso seja executado. Portanto, há aqui uma ligação constante para podermos dar respostas àquilo que nos vai surgindo. Na parte social é a mesma coisa, também tudo aquilo que o Centro Social nos pede, nós tentamos proporcionar. Nós, desde que entramos para aqui, tomamos a decisão de dar isto ao Centro Social, porque o Centro ficaria aqui muito melhor, do nosso ponto de vista, e eu acho que depois das obras vai ficar aqui uma coisa muito gira. Nós, desde a primeira hora, aliás na nossa campanha, dissemos isso, que íamos entregar isto ao Centro Social, porque achamos que é um sítio ótimo, que vai dar dignidade ao Centro, porque o terreno que havia para o Centro era lá atrás e eu acho que ficava muito escondido. O Centro Social, sempre que nos solicitou algo, nós ajudamos e também é contemplado pelo subsídio da Santa Maria Adelaide, portanto, tudo aquilo em que nós, enquanto instituição pública, podemos colaborar, se é para o bem de todos, nós estamos aqui para isso, porque é essa a nossa função, é sermos facilitadores, não só ajudando de alguma forma monetária, mas também facilitando a vida a estas entidades, que também fazem parte da vida da Freguesia. Como tal, estamos aqui prontos e vamos colaborar em tudo aquilo que pudermos para que o Centro seja também uma realidade. Relativamente à cultura, nós procuramos fazer várias coisas e dentro daquilo que nós consideramos que foi uma lufada de ar fresco está a criação de uma Academia, à qual nós não chamamos sénior, é uma Academia de Artes e é de Artes porque vai ter ali toda uma série de disciplinas, com apetências para coisas diversas. Nós não pusemos nomes, nem seniores, nem jovens, porque achamos que a Academia é para todos, é para aquelas pessoas que estiverem disponíveis, que gostem e que queiram, porque isto de estarmos a separar as coisas para jovens e as coisas para seniores eu acho que não funciona, porque em vez de juntarmos as pessoas estamos quase a dividi-las e eu não gosto cá de divisões, gosto de tudo misturado, não gosto de coisas sectárias, eu gosto de ver a mistura, porque eu acho que é na mistura e na socialização de uns com os outros, que nós vamos conseguir melhorar as pessoas e eu acho que quando a população convive com todo o tipo de pessoas vai ser diferente e vai ser melhor. Eu estive na área da educação e isso ajudou-me muito a perceber as coisas e eu acho que, cada vez mais, temos de juntar as pessoas e na Academia das Artes foi isso o que nós pretendemos, isto é, a socialização entre pessoas de todas idades. A Academia das Artes foi inaugurada o ano passado, nós temos uma série de disciplinas e, neste momento, tivemos de fechar, porque algumas das atividades que nós tínhamos só podiam ser realizadas presencialmente, por isso nós fechamos e estamos a pensar reiniciar e reabrir a Acadima em outubro deste ano, com alguns cuidados. A Academia foi, realmente, uma aposta interessante que fizemos, as pessoas gostaram e estão a aderir bastante.

 

Relativamente à abertura da época balnear, que na Praia da Aguda iniciou mais cedo, no passado dia 1 de junho, em comparação com as restantes praias gaienses, que inauguraram a época balnear no passado dia 27 de junho, quais foram as medidas adotadas com o intuito de proteger os banhistas e atrair novos visitantes?

A época balnear aconteceu na Aguda mais cedo e nós fizemos tudo aquilo que era preciso ser feito em parceria com a empresa Águas de Gaia, que esteve sempre a dar o seu apoio e a ajudar na integração de todas estas regras. Nós, este ano, tínhamos um problema que adveio do facto de o Restaurante Neptuno ter ardido e estar fechado, pelo que não tínhamos apoio ali à praia. Entretanto, conseguimos que eles fizessem um pequeno arranjo de uma forma provisória e que abrissem para dar algum apoio à praia e realmente conseguiu-se e está aberto e, portanto, dentro daquelas questões todas que foram impostas está a funcionar. Na parte da outra praia, que é a Praia do Bar do Senhor José, que era um local muito conhecido, também temos ali um problema já há alguns anos, porque está um processo em tribunal e o Bar está fechado, mas, este ano, como havia a necessidade de ter alguém a vigiar a praia, conseguimos que um senhor instalasse lá um contentor, onde serve bebidas e presta algum apoio à praia e nesse sentido e que também ele próprio fosse um concessionário pontual, neste momento, em relação à praia, porque a Praia da Aguda é mesmo ali, não é na zona na baía, porque aí é a Praia dos Pescadores, só que as pessoas gostam muito daquela naquela zona lá a água é mais calma. Conseguiu-se isso e entretanto nessa zona dos pescadores, que não é concessionada, a Junta e a Aguas de Gaia paga ao nadador-salvador para lá estar, já precisamente para dar esse apoio, no caso de surgir qualquer problema, porque nós estamos atentos a isso e estamos a tratar disso. Portanto, tudo aquilo que nos foi solicitado, mais uma vez nós temos estado a cumprir. Também colaboramos na requisição de uma mota de água para os Bombeiros, para poderem fazer o salvamento. Portanto, temos estado em contacto com estas entidades todas e em colaboração umas com as outras temos feito o trabalho que nos tem sido solicitado. As nossas bandeiras azuis foram renovadas, o que é ótimo, é bom para todos nós, é bom para a Freguesia, como é evidente, é bom para toda a costa termos bandeiras azuis e é evidente que é um orgulho, é sinal de que nos preocupamos com o ambiente, de que estamos atentos às necessidades e que queremos, realmente, cada vez mais que todos os anos as bandeiras azuis sejam atribuídas, porque é bom sinal, é sinal de que o trabalho está a ser bem feito, que tem havido cuidados, de que as pessoas podem usufruir dos momentos de lazer em tranquilidade e em segurança e isso é bom para todos. É de facto muito bom e mais até numa altura destas, em que está tudo em desconfinamento e agora todas as pessoas querem ir para a praia.

 

Relativamente às próximas eleições autárquicas, já tomou uma decisão? Quais são os seus objetivos?

Não, ainda não tomei decisão nenhuma, mas tenho andado a pensar, porque o apoio à família tem sido muito pouco, uma vez que eu quando me meto nestas coisas estou sempre inteira, nunca divido metade para cada lado, nem consigo. Estou sempre nas coisas de corpo inteiro e isso às vezes traz-me alguns problemas. Depois, também, eu sinto que também preciso de descansar. Portanto, neste momento eu ainda não sei. De facto, existem aqui muitos projetos a serem realizados. Eu estou a ponderar e depois logo vemos. O que me interessa é que, essencialmente, Arcozelo ande para a frente, que seja uma terra de que se fale pela positiva, porque há qualquer coisa de diferente, porque Arcozelo é uma terra muito bonita. Eu sou um bocado suspeita para falar sobre isso, mas considero que sim, acho que é uma terra muito bonita, acho que tem muitas condições, também acho que é uma terra que teve sorte no sítio onde está colocada. Não houve tanta mão humana a fazer aquilo que se devia ter feito, mas eu acho que o facto de Arcozelo estar localizado no sítio que está, com praia, com a parte rural, temos aqui, no fundo, uma variedade que é quase a variedade que o país tem, ou seja, temos tudo aqui e depois em termos de qualidade de vida, em termos de serviços, em termos de industria, porque mesmo não tendo uma área industrial, temos muita indústria, o que dá emprego, porque Arcozelo não é só um dormitório. Depois, temos uma zona mais virada para ruralidade, uma zona mais para a praia, para o lúdico, temos por exemplo uma zona como Miramar, uma zona mais calma, temos a Aguda com mais agitação, temos a Granja, onde eu acho que temos de dar um empurrãozinho para voltar a ter o glamour que já teve. Depois a parte rural também é muito interessante. Portanto, eu acho que é uma terra que tem tudo para brilhar, para mostrar o que tem, para ser, de facto, um sítio agradável. Para além disso, também estamos próximos de tudo, pois estamos naquele meio, nem estamos em cima da cidade, mas também não estamos tão afastados. Eu acredito que nós estamos, de facto, num sítio privilegiado e, portanto, eu acho que temos tudo para ser uma terra que se destaque e eu tenho muito orgulho na minha terra, gosto muito de ser de Arcozelo. Eu nasci aqui, a minha vida foi sempre toda aqui, tanto os meus pais e os meus avós, nós somos todos de cá e eu gosto muito da minha terra. Eu acho que tem potencialidades, as pessoas também são muito simpáticas, são muito acessíveis e já temos uma população, lá está, já muito misturada, já não existem só os da terra, existem os da terra, os que vieram e os que ficaram, que dão aqui outra vida à Freguesia, mas é gira esta dinâmica, esta mudança, esta quantidade de pessoas que vêm de novo e que se associam à própria terra e que começam a gostar do que cá existe e de fazerem parte. Eu acho que isto é interessante, de maneira que eu não sei, vamos ver o que o futuro nos reserva, vamos indo e vamos vendo, mas eu acho que se tem feito um bom trabalho, um trabalho muito interessante, tem havido muita proximidade com as pessoas, eu atendo toda a gente, toda a gente tem o meu número de telefone, eu respondo a toda as pessoas. Por isso, tem havido um trabalho muito próximo, intenso e com muita vontade e com muita paixão, isto tudo por parte de toda a equipa, porque a equipa toda tem sido excecional, mesmo sendo de idades diferentes, a equipa está toda unida e tem feito um trabalho mesmo muito interessante, de maneira que vamos ver o que é que surge, mas, para já, ainda não tenho decisão nenhuma.

 

Que mensagem quer deixar à população?

Relativamente à mensagem, o que eu posso desejar a todos os arcozelenses é que esta fase termine o mais rapidamente possível, que possamos encontrarmo-nos todos outra vez para festejarmos, porque eu acho que a vida tem de ser uma festa, mesmo com muitos problemas, mesmo com as amarguras que vão surgindo a todos nós, mesmo às vezes porque não se tem aquilo que se quer, mesmo economicamente, mas eu acho que há uma coisa tem de existir, que é alegria de viver. Tem de haver alegria de viver, temos que criar objetivos e de trabalhar em função desses objetivos e, portanto, às vezes, essa alegria de viver passa por um encontro, passa por uma palavra que ouvimos sem estarmos à espera, passa por um sorriso que é dado de uma pessoa à outra e, portanto, eu acho que nós temos de encontrar, no dia-a-dia, forças que nos são transmitidas entre uns e outros numa palavra, num abraço, num gesto de ternura, num sorriso, enfim, em todas essas coisas e essas coisas só se fazem vivendo. Portanto, aquilo que eu mais desejo é que, de facto, isto termine o mais rapidamente possível, para todos nos encontrarmos e quando eu digo fazer uma festa, a festa é a festa do dia-a-dia, é a festa do encontro, a festa do convite que se recebe e isso é que é a importância das coisas, é relativizar às vezes um bocado os problemas. Eu digo sempre às pessoas com quem convivo que nós temos de relativizar os problemas e depois vamos chegar à conclusão de que aquele que parecia o maior problema do mundo acaba por não ser tão importante e tão grave e que até conseguimos dar a volta. De maneira que é isso que eu posso dizer às pessoas, que isto passe depressa e que nos possamos encontrar, abraçar, beijar, voltar a rir e essa é que é a grande festa. A festa é isto, a festa da vida, a festa de todos os dias, do dia-a-dia, de uma palavra amiga, é isto que é preciso e é isto que faz com que a vida seja mais agradável. As pequenas coisas da vida são as que nos fazem mais felizes e eu espero que os arcozelenses sejam muito felizes, que gostem do trabalho e que saibam apreciar e usar o trabalho que se tem vindo a fazer, porque nós, enquanto cá estivermos, vamos fazer o melhor que pudermos e soubermos. Eu espero que sejamos pessoas felizes e amigas umas das outras e que haja mais amor entre as pessoas.

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