Maria Adelina Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo, contou, em entrevista ao Jornal AUDIÊNCIA, que acredita e que luta pela união da Freguesia. A presidente falou ainda sobre as festas locais e sobre os projetos que pretende incrementar.

Maria Adelina Pereira, quais são as certezas e os seus objetivos para a Freguesia de Arcozelo?

Desde o princípio que este executivo, que tomou posse, tem como pretensão, realmente fazer algo que até aqui não era feito, que era dinamizar a freguesia, era unir a Freguesia e criar uma certa identidade, porque é algo que também se cria com o tempo. Nós, hoje, somos uma freguesia que tem muita população, que veio para cá viver e que já não tem as raízes da terra, mas é preciso juntar estas pessoas todas e era preciso criar eventos, criar momentos de encontro destas pessoas todas, quer de um lado, quer do outro, para sentirem que pertencem a uma terra na qual existem todos os serviços necessários e para a qual também é preciso contribuir, porque nós, às vezes, estamos muito habituados a exigir tudo e não fazemos nada pela terra e nós precisamos todos de trabalhar em conjunto, porque só assim é que as coisas resultam. Portanto, a nossa preocupação desde a primeira hora foi, de facto, unir a Freguesia e para unir a Freguesia é através de eventos, é através da parte cultural, da parte desportiva, da parte de lazer e é por aí que nós temos de começar a juntar as pessoas. Neste momento estamos, de facto, com essa união e estamos a ver os resultados desse investimento e neste momento temos muitos voluntários, que ofereceram os seus serviços, que trabalham e que nos apoiam imenso. Tem sido esta a nossa grande aposta, não esquecendo a parte das obras e dos jardins, pois há algumas coisas que temos vindo a arranjar, a recuperar. A nossa primeira intenção está realizada e agora estamos a partir para outros voos, mas a cultura, o desporto e o lazer são partes muito importantes da Freguesia e em qualquer Freguesia deve ser assim e são importantes porque é aí que as pessoas se encontram, se criam laços de amizade, que se criam afetos e isso é fundamental no dia-a-dia das pessoas.

A educação e a ação social também são, para além da cultura, do desporto e do lazer, pilares importantes para a Junta de Freguesia de Arcozelo. Que medidas estão a ser implementadas nestas áreas?

Quanto à educação, nós damos um grande apoio às escolas sempre que nos é solicitado qualquer tipo de arranjo urgente e necessário nós resolvemos o problema. Nós participamos em tudo o que nos pedem e também pressionamos junto da Câmara Municipal de Gaia para aquilo que é preciso fazer e para, realmente, as coisas correrem melhor. Nós tentamos, também, que haja uma colaboração das escolas com a Freguesia, por exemplo, nós, no Natal, temos uma relação muito próxima e damos sempre uma pequena ajuda e uma oferta aos alunos do 1º ciclo e pré-escolar e se pudermos fazemos uma festa, para que a Freguesia esteja presente nas festividades de Natal. O ano passado começamos e eu acho que teve um certo sucesso, pelo que vamos continuar a pedir o auxílio das escolas para adornarem as rotundas do centro e tivemos duas rotundas que foram enfeitadas por duas escolas, uma pelo Agrupamento de Escolas Sophia de Mello Breyner e outra pela Escola Secundária Arquiteto Oliveira Ferreira. Portanto, também procuramos que as escolas façam parte da comunidade. Nós estamos sempre a tentar ligar as escolas à Junta de Freguesia. Na parte da ação social, nós também colaboramos imenso com o Centro Social e sempre que nos solicitam qualquer coisa nós estamos presentes para ajudar, para colaborar em eventos que eles têm organizado, até para angariação de fundos, porque eles querem comprar uma nova carrinha, também comparticipamos com dinheiro, portanto, nós estamos constantemente a arranjar soluções para tudo aquilo para que nos procuram. Nós estamos a trabalhar e a ver se conseguimos, porque o atual edifício onde se encontra a Junta de Freguesia, está juntamente com o Centro Social, e isso será uma das obras que eu gostaria de ver feita, é que a Junta de Freguesia saísse do Centro Social e que o edifício ficasse inteiramente para o Centro Social, de forma a que se pudesse construir um lar e um centro de dia e um centro de convívio, algo mais agradável, com mais espaço e com todas as condições necessárias, e também estamos a trabalhar nesse sentido. No que concerne a ação social, nós temos uma boa relação com os Bombeiros Voluntários e com todas as associações e procuramos trazer as associações até nós também, explicando que estamos numa dinâmica de que todos têm de trabalhar, de que todos têm de colaborar uns com os outros, mas tem de haver esforço também por parte de cada associação e, portanto, há aqui um dar e receber e, neste momento, estamos, de facto, virados para isso. Agora estamos também a preparar, de facto, as obras que virão a seguir. Já algumas coisas foram feitas, alguns jardins já foram arranjados, mas estamos no bom caminho. As grandes obras, vamos pegar nelas agora, estão os projetos a ser feitos para depois começarmos a lançar as obras.

O que contemplam essas grandes obras que referiu? Quais são os projetos que se encontram em carteira?

Grandes obras assim um pouco audacioso, para aquilo que temos em mente, mas eu acho que as pessoas têm que ver aquilo de que a terra necessita e depois ir tentando concretizar. Portanto, neste momento, como eu já referi, nós precisamos de um edifício para a Junta de Freguesia, precisamos de um edifício para a GNR, porque o atual está em muito más condições. Nós também queremos construir um auditório, porque não temos nenhum, queremos abrir a Avenida João Paulo II até ao Espírito Santo, temos o Parque de Manutenção que vai ser renovado e que vai fazer crescer uma zona onde, se calhar, se vai fazer um parque de caravanismo e também estamos a trabalhar isso. Nós também queremos dar continuidade ao Passadiço até ao Espírito Santo, que, realmente, foi uma obra muito interessante para a Freguesia, pois trouxe mesmo muita gente de fora e mobiliza centenas de pessoas diariamente. Portanto, todas estas obras, neste momento, estão a ser estudadas em projeto, para depois vermos de conseguimos lançar algumas delas de imediato, mas está tudo a ser trabalhado quase ao mesmo tempo, daí chamarmos a isto um masterplan, precisamente por acabarmos por ir buscar uma série de obras, portanto é um conjunto de obras que estão a ser pensadas, para podermos começar o Centro Cívico de Arcozelo na zona do Parque das Merendas e ir até ao outro lado, à beira da Igreja Matriz antiga, pois foi, de facto, ali que começou o centro. Neste momento, o que nós estamos a tentar é que haja, de facto, uma ideia, um objetivo para se realizar.

A Junta de Freguesia de Arcozelo tem realizado e apostado em eventos detentores de grande impacto cultural e social. Pode falar-me sobre alguns deles e sobre a importância dos mesmos?

Quando nós entramos, nós tínhamos aqui uma Feira de Artesanato que já estava, como eu costumo dizer, moribunda. Eu vi que vinha pouca gente à feira e procurei saber, junto dos vendedores, o que é que eles achavam sobre as datas e sobre a feira em si. No que concerne a data tinha de ser aquela, porque eles já tinham outras feiras mais atrativas do que esta para vir para cá. Após ouvir todos os vendedores percebi que a Feira não tinha futuro, então pensamos em criar um novo evento que atraísse mais pessoas e que fosse uma marca de Arcozelo. Entretanto encontramos o INAC de Famalicão, começamos a conversar e iniciamos a montagem do evento. Fizemos uma programação. Portanto, isto cresce para nós e cresce para a escola. O CUPULA foi uma criação para Arcozelo. A primeira edição foi um sucesso, contou com a presença de muita gente, incluindo de fora, com filas intermináveis para assistir aos espetáculos e foi uma aposta completamente ganha. Este ano achamos que era um desperdício ficar só por um fim de semana e, então, consideramos em alargar para dois fins de semana, com programação a decorrer durante a semana. Está a ser um sucesso e temos tido sempre a casa cheia. Fizemos alguns espetáculos durante a manhã para as crianças, também levamos o circo ao Centro Social, ao Centro de Dia e eu acho que, mais uma vez, conseguimos que toda a população aderisse a este evento. Os alojamentos estão a ser dados todos por pessoas da terra, de forma gratuita, portanto os artistas vêm e ficam alojados em casas particulares e nós não gastamos dinheiro com o alojamento. Nós também temos tido o apoio do Piaget, que nos tem cedido umas salas, que também servem de camaratas. As barraquinhas presentes no Parque das Merendas pertencem a associações e servem refeições num ambiente de festa, porque junta-se, no mesmo espaço, as pessoas que são daqui, as que vêm de fora e os artistas. Depois temos tido também a colaboração dos jovens que estão aqui a fazer voluntariado, sendo que, neste momento, este evento é, de facto, o mais impactante, mas tivemos outro evento antes, que decorreu de 4 a 8 de setembro, denominado “Ar D´Jazz”, que foi um sucesso e vai ser para continuar. Foi muito agradável e as pessoas gostaram muito, porque com estes eventos nós também temos feito com que as pessoas de Arcozelo usem o Parque das Merendas, porque o Parque das Merendas estava a ser usado só pelas pessoas de fora que vinham aqui para merendar, porque as pessoas de cá pouco usavam. Temos o folclore, nós tivemos dois festivais de folclore organizados pelos dois Ranchos de Arcozelo, que também trouxeram muita gente de fora. Temos tido, também, as festas na terra, com as quais colaboramos em tudo aquilo que precisam. Tivemos as Lazy Sessions, que realizamos pelo segundo ano consecutivo e que também é algo que criamos desde que entramos e que contemplavam uma programação composta por eventos ligados à realização de exercício físico durante as manhãs e por momentos musicais e de teatro durante as tardes. Para além disso, tivemos o Passeio Anual Sénior, em julho, para Arcos de Valdevez, com uma parte cultural e de conhecimento, porque eu acho que isso é muito importante. Também participamos nas Marchas de São João, algo que já não acontecia há alguns anos, e as roupas que levamos nas Marchas foram todas feitas, numa das parcerias que temos com as pessoas, pelas voluntárias. Portanto, tem sido uma atividade constante e temos, praticamente, todos os meses algum evento que vai acontecer. Eu acho que temos conseguido movimentar a Freguesia e temos criado uma dinâmica muito interessante na Freguesia, porque nós temos tentado ir a todos os lados. No que respeita as obras, nós estamos agora a trabalhar nelas. Já recuperamos a Avenida João Paulo II, porque estava dentro da garantia e tentamos acionar a garantia para recuperar a rua, que já estava gasta. Por nossa iniciativa, por termos andado a pressionar, a Escola Oficina Oliveira Ferreira também estava a cair e está a ser agora reabilitada. Há jardins que já foram, também, arranjados, como o da Rotunda de Miramar, vamos agora arranjar outra em Vila Chã e, entretanto, há uma série de projetos que estão a ser feitos e eu estou à espera que eles saiam cá para fora, para podermos começar a ver a obra. As ruas também estão a ser pensadas, porque nós temos ruas com algum desgaste que precisam de ser arranjadas e também estamos a pressionar a Câmara Municipal para que isso seja, realmente, resolvido. Eu acho que o trabalho está a ser feito com consciência e com muito empenho e com muita vontade de ver obra realizada. Esta é a minha terra, é a terra que me viu nascer e eu quando vim para aqui foi mesmo para ver obra feita e é isso o que eu estou a pretender fazer, coisas que engrandeçam a terra e que façam com que Arcozelo passe a ser falado não só pela Santa, mas também por aquilo que temos e por aquilo que podemos oferecer a quem vier cá e é essa a ideia destas obras. Nós somos um grupo de trabalho com muito empenho, com muita vontade de fazer coisas, que está atento e a nossa recompensa com este trabalho é, de facto, começar a ver as coisas a aparecerem, ter o gosto de ouvir as pessoas a dizerem que está bonito, que está bem e que é um bom trabalho e é essa a recompensa que nós queremos, é, de facto, fazer coisas que vão ao encontro das necessidades de todos os arcozelenses.

Esta Freguesia é banhada pelo oceano atlântico, através da Praia da Aguda, da Praia de Mar e Sol e da Praia de Miramar. Na sua opinião, qual é a relevância da conquista destas três bandeiras azuis?

É com muito orgulho que temos tido as bandeiras azuis. Nós estamos sempre atentos e estamos sempre a solicitar, junto da Câmara Municipal de Gaia, apoio para a resolução de eventuais problemas que surjam, para que, realmente, as pessoas gostem de frequentar as nossas praias e eu acho que nós temos feito um trabalho interessante. Também tem havido festa na praia, a praia também tem estado com festa, com o ZEE Festival, na Praia da Aguda, que é um evento que traz muita gente. Nós estamos atentos àqueles que gostam incondicionalmente e àqueles que gostam menos, porque lhes traz algum transtorno, mas procuramos que as pessoas se sintam bem e que não existam tantos atritos entre aqueles que gostam e os que têm de suportar. Já temos propostas para a edição do próximo ano, com o objetivo de arranjarmos soluções, com o objetivo de irmos ao encontro dos desejos de todos e, portanto, estamos atentos a estes pormenores todos, a tudo aquilo que nos vai chegando, que nos vai aparecendo e damos apoio a tudo aquilo que chega até nós.

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