Fábio Carvalho, nascido na Matriz da Ribeira Grande, foi ordenado padre no passado dia 30 de junho, pelo Bispo da Diocese de Angra e Ilhas dos Açores, D. João Lavrador. A Missa Nova realizou-se a 7 de julho, também na igreja que o viu crescer. Em setembro o Pe. Fábio Carvalho abraçará as paróquias de Castelo Branco, Capelo e Praia do Norte, na ilha do Faial.

 O AUDIÊNCIA esteve à conversa com o único padre ordenado em 2019, para perceber de onde surgiu o interesse pelo sacerdotismo.

         

Que percurso teve até ir para o seminário?

Toda a minha vida foi feita, até ir para o seminário, na Matriz. Desde pequeno tinha este chamamento para ir para o seminário, mas devido à vergonha, ao receio e com medo da reação dos meus pais nunca dei esse passo. À medida que fui crescendo, este chamamento também foi-se escondendo.

Fui crescendo… estudei até ao 10.º ano e comecei a trabalhar. [A dado momento] decidi estudar durante a noite e tirar o 12.º ano, pois queria um emprego melhor. Nessa altura decidi continuar a minha vida, casar… com 26 anos fui convidado a fazer um Corsilho de Cristandade e foi aí que voltou ao de cima esse chamamento. Saí do Corsilho e inseri-me em vários movimentos aqui da paróquia. No entanto, sentia que necessitava sempre algo mais. Foi nessa altura que senti que necessitava de algo mais. Falei com o pároco aqui da Matriz, decidi abandonar o trabalho em que estava há 10 anos e seguir para o seminário.

 Ou seja, com 26 é que tomou a decisão. Qual foi a reação dos seus pais?

 Apanhei-os de surpresa. Uma das ‘asneiras’ que cometi, e arrependo-me, foi o facto de não ter sido eu o primeiro a dizer-lhes que ia para o seminário. Souberam por outras pessoas. Felizmente apoiaram-me, ainda me apoiam, foram e são um dos pilares importantes desta minha caminhada.

Sempre se envolveu na vida religiosa da comunidade?

Até ao crisma, pode dizer-se que sim. Depois do crisma, como qualquer jovem na sua adolescência, decidi afastar-me um pouco. Vinha à missa, mas não com a mesma regularidade. Mas sempre frequentei a comunidade e o culto.

Regressava cá nas férias, enquanto estava no seminário, mas agora regressou de outra forma, para celebrar a Ordenação e a Missa Nova e concluir esta fase da sua vida. Qual é a reação das pessoas, tendo em conta que ainda hoje em dia as pessoas ainda sentem um grande carinho e admiram os padres?

 Vejo que [tornar-me padre] é uma grande alegria para mim mas também para a comunidade que me viu crescer. Quando D. João, o nosso bispo, disse que a Ordenação seria cá (normalmente acontece na Sé de Angra mas como eu era o único a ser ordenado, seria possível), foi uma grande alegria porque conseguia ter os meus amigos, a minha família e a comunidade toda envolvida.

 É uma grande alegria para o Fábio ver a comunidade envolvida nesta festa.

 Sem dúvida. É uma grande alegria. Temos a comunidade envolvida no coro, por exemplo e [a comunidade] também apoiou a receção dos 20 seminaristas que cá estiveram.

 O que é que estas duas missas envolvem em termos logísticos?

A partir do dia 30 houve várias atividades com os seminaristas… na segunda fizemos uma visita pelos museus do concelho, na terça-feira tivemos uma eucaristia e um almoço-convívio com os idosos na Santa Casa, na quarta-feira tivemos um almoço convívio nas Caldeiras da Ribeira Grande, à noite fomos ao tríduo de Santo António, na quinta-feira tivemos missa e almoço-convívio com a Santa Casa, na sexta-feira eucaristia e vigília na ermida de Santa Luzia. No dia 7 foi então a Missa Nova.

O que é que se sente quando esta responsabilidade lhe é acrescida?

Nervos, acima de tudo. Não sabemos aquilo que vai acontecer.

O que é que sente que pode fazer pela comunidade?

 Um dos meus objetivos será fazer o que o Papa Francisco diz: ter uma igreja de portas abertas e um pastor com cheiro a ovelhas; ter a proximidade, estar incorporado na comunidade e estar sempre aberto e disponível para escutar, para ajudar e para pegar naquilo que for necessário.

 É importante um padre não se envolver apenas na vida religiosa da comunidade?

 Sem dúvida que é importante o padre incorporar-se em toda a vida da comunidade porque se queremos a igreja cheia, é preciso irmos ao encontro deles e não esperar que sejam eles a vir ao nosso encontro.

O que é que um padre pode fazer para chamar pessoas para a comunidade religiosa?

Proximidade, humildade e simplicidade acima de tudo.

 O que é que o Fábio espera dos próximos anos da sua vida?

 Muito trabalho, acima de tudo.

 Que mensagem deixa aos jovens, à semelhança do Fábio, sentem vergonha para seguir o chamamento.

 Acima de tudo, o que costumo dizer em relação à vocação (e digo-o em tom de brincadeira) é que gosto muito de compará-la a uma laranja: enquanto não saborearmos não sabemos… para mim pode ser muito doce, para outra pessoa pode ser amarga. É importante sermos nós a saborear a laranja. Na vocação, é importante sermos nós a experimentar e arriscar. Mais vale irmos e acabarmos por desistir, do que ficar toda a vida na incerteza do “se”. Não tenham medo de arriscar.

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