O Salão Nobre do edifício da Junta de Serzedo, recebeu, no dia 17 de outubro, o ato de instalação dos novos órgãos autárquicos de Serzedo e Perosinho. Após as votações, os discursos foram, maioritariamente, direcionados para a continuidade do apoio da Câmara no que “inda falta fazer” nas freguesias. No entanto, João Morais não se poupou de um ataque direto ao Jornal AUDIÊNCIA, acusando-o de tentar denegrir a sua imagem e afirmando que o órgão tem “pouca credibilidade e visibilidade”.

 

 

A Cerimónia de Tomada de Posse dos Órgãos Autárquicos eleitos para o mandato 2021-2025 da União de Freguesias de Serzedo e Perosinho aconteceu no dia 17 de outubro, no Salão Nobre do edifício da Junta de Serzedo. Depois da vitória do Partido Socialista na noite de 26 de outubro, João Morais assumiu, novamente, a liderança da União de Freguesias. Após a tomada de posse dos 13 membros da Assembleia, Ana Silvina, presidente cessante da Mesa da Assembleia de União de Freguesias, dirigiu algumas curtas palavras ao salão, completamente cheio. Além de agradecer aos membros que a acompanharam na caminhada, dirigiu também algumas palavras de incentivo aos que chegaram ao órgão autárquico: “somos cidadãos de Serzedo e Perosinho e somos cidadãos do mundo, pelo que nos cumpre assumir as nossas responsabilidades”. Depois da sua declaração, entregou a condução da cerimónia ao presidente João Morais.

Na simbólica cerimónia, João Morais nomeou os nomes que iriam a votação para lhe fazerem companhia no executivo. Ana Silvina, Manuel Bronze, Patrícia Santos e Claúdio Melo foram a sufrágio e acabaram por ser eleitos com nove votos a favor e com quatro votos em branco. Para a Mesa da Assembleia da União de Freguesias de Serzedo e Perosinho, foram eleitos, com oito votos a favor e cinco em branco, Marina Ferreira, para o cargo de presidente, Sandra Cavadas para 1º Secretária, e Luís Pedro Silva para o cargo de 2º Secretário.

Aberto o período das intervenções, foi Manuel Pais Freitas, da CDU, que tomou a palavra em primeiro lugar. “É justo afirmar que do último ato eleitoral para os órgãos autárquicos, com a eleição de um representante da CDU, saiu uma Assembleia da União de Freguesias de Serzedo e Perosinho mais plural, mais democrática, uma Assembleia onde mais gente se poderá sentir representada”, afirmou. O único mandato da CDU em Serzedo e Perosinho garantiu ainda que votará “favoravelmente em iniciativas, venham elas de onde vierem” desde que as mesmas visem a melhoria de vida da população. e que, do nosso ponto de vista, contribuam para uma melhoria das condições de vida das nossas populações.

José Manuel Couto, que encabeçou a lista da Aliança Democrática, deixou uma palavra aos que não conseguiram ser eleitos: “que todo o seu empenho e vontade de servir a causa publica não esmoreçam nestes tempos tão complicados que vivemos”. O membro da Assembleia afirmou que o partido vai ser reivindicativo pelo que representar um desenvolvimento para as freguesias, afirmando que “em Democracia é tão importante estar no poder, como na oposição”.

Manuel Quintas, do PS, lembrou que a equipa é maior do que os que gora assumem funções da Assembleia e pediu a João Morais que não se esquecesse de todos os que, mesmo não estando ali, queriam ajudar e contribuir para o bem de Serzedo e Perosinho. O membro da bancada do PS dirigiu-se ainda a Eduardo Vítor Rodrigues, declarando que “nem tudo, nestes oito nos, foi feito, por força das circunstâncias, mas peço, em nome de Serzedo e Perosinho, que possa vir a ajudar as duas freguesias”, indo mais longe dizendo que “gostaria que nos ajudasse a fazer aquilo que ainda não foi feito”.

Marina Ferreira, presidente eleita da Assembleia de Freguesia de Serzedo e Perosinho, também afirmou estar certa de que “Serzedo e Perosinho poderá continuar a contar com o apoio da Câmara Municipal de Gaia na realização de projetos estruturantes”. A eleita disse que o resultado de João Morais era prova e reconhecimento da obra já feita, bem como confiança pelo que ainda não foi feito. No final do seu discurso, pediu para que o órgão que dirige fosse um exemplo de Democracia e funcionasse com “seriedade, honestidade, rigor e sentido de missão”.

João Morais, presidente reeleito da União de Freguesias de Serzedo e Perosinho, também afirmou que “muita coisa ficou por fazer” e que conta com o apoio Eduardo Vítor Rodrigues e da Câmara para concretizar projetos como um pavilhão e um auditório. “Peço que se vire um pouquinho para nós porque nós merecemos muito mais do que aquilo que temos tido”, disse o autarca, que também não se esqueceu de destacar os projetos imateriais que aconteceram nestes oito anos.

“Queremos e pedimos o auditório para a rua das coletividades, a urbanização de Brandariz, que foi prometida para o final deste mandato e está em fase de conclusão, a Rua das Alminhas, o parque multigeracional de Serzedo já em fase de arranque, e, talvez a que está a preocupar mais a comunidade, a Rua de São Mamede em Serzedo, que já está contratualizada e devidamente cabimentada”, foram alguns projetos referidos por João Morais, que também referiu questões como o MOB+, a viatura elétrica ao abrigo do programa Juntas Mais Verdes, entre outros. “Se todas estas obras, ou parte delas, já estivessem concluídas conforme o previsto, estaria hoje, sem qualquer dúvida, a competir com as freguesias que tiveram s vitorias mais expressivas”, concluiu o presidente de Serzedo e Perosinho.

Albino Almeida, presidente da Assembleia Municipal de Gaia, disse apenas algumas palavras à sala repleta, mas relembrou, essencialmente, que acabamos de passar por um período de crise pandémica. “Eu percebo que tudo o que é realização física faz sentido, mas acho que a realização social, socorrer as pessoas, não as deixar morrer, multiplicar o SNS, foi bem mais importante para que possamos estar aqui os que estamos e não menos. Isto também devemos a esta forma de fazer política em Gaia”, expôs o autarca.

No final, Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, elogiou o sentimento de João Morais querer sempre mais, mostrando insatisfação constante, afirmando que isso é importante para “evoluir na vida”. “A Câmara Municipal estará sempre convosco”, disse o edil gaiense que, no entanto, explicou que, por muito que perceba os desejos individuais de cada Junta, prioriza “tudo aquilo que nos beneficie como comunidade e que é pensado pra o concelho sem excluir ninguém”, dando o exemplo das escolas, da ação social e do apoio a arrendamento. “Presidente João Morais, pode contar com o município, como sempre, para, de uma forma equilibrada e justa, ir mais longe”, afirmou Eduardo Vítor Rodrigues, que também se mostrou disponível para apoiar o processo de desagregação das freguesias, caso elas o queiram.

 

O ataque ao AUDIÊNCIA

No seu discurso, Manuel Quintas, já havia referido que “alguma comunicação social local tentou, várias vezes, de várias formas, denegrir a tua imagem”, dirigindo-se ao presidente João Morais, afirmando, inclusive, que “não conseguiram porque quem tem princípios não tem de se preocupar e é respeitado por toda a gente. Foi isso provado no dia das eleições”.

Mas foi o discurso de João Morais que atacou diretamente o Jornal AUDIÊNCIA, acusando-o de tentar denegrir a sua imagem, referindo-se a uma investigação levada a cabo por este órgão de comunicação, sobre dinheiro que, mensalmente, o autarca, alegadamente, recebia de outros dois membros do executivo. “Uma nota final para a Comunicação Social. Obrigada pela vossa presença, pedindo, contudo, que façam um trabalho sério, competente e honesto e que não tentem destruir as pessoas a qualquer preço, como tentou fazer o AUDIENCIA”, disse o presidente, e continuou “servindo-se de pessoas de Serzedo e Perosinho, que por eventuais motivos de frustração e/ou porque nada fizeram ao longo dos suas vidas, tiveram e continuam a ter palco para continuar a escrever ou dar entrevistas”. João Morais foi mais longe e referiu o conjunto de entrevistas aos candidatos, em período de campanha eleitoral, levada a cabo por este jornal, como um mau trabalho. “Uma delas [entrevista] colocando o cabeça de lista da Aliança Democrática deslumbrado porque me recusei a participar neste trabalho, no espaço destinado aos quinze candidatos do PS, fazendo-o já sentir-se no meio da lista de vencedores. Um trabalho que em nada dignificava o jornal, pelo contrário, apenas contribuiu para reduzir a já pouca credibilidade e visibilidade deste órgão de comunicação. Péssima iniciativa do jornal, pior o comportamento do candidato”, referiu. O autarca terminou com uma frase com a qual o Jornal AUDIÊNCIA só pode concordar: “Não vale tudo no jornalismo, na política ou na vida”.

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