Já se respira um pouco de normalidade, Graças a Deus! O objectivo governamental quase foi atingido na sua totalidade, e cerca de 60 por cento da população americana está vacinada. Embora se tema a variante Delta, e o que dela possa surgir, as pessoas quase vivem como se nada tivesse acontecido. As praias e os parques estão cheios de gente. Já foram registados afogamentos, mas ao que parece, ainda não houve alarmes sobre tubarões brancos perto das praias do Cape Cod, como nos anos anteriores. Cafés, bares e restaurantes tentam ligar as locomotivas a todo-o-vapor, mas há falta de braços para alimentá-las de carvão. Infelizmente a vaca leiteira ainda dá de mamar a muita malandragem, e a culpa é do sistema.

 

Senhor Santo Cristo dos Milagres saiu à rua

Já o Senhor Santo Cristo dos Milagres de Fall River saiu à rua em procissão, este ano mais cedo do que habitualmente. Claro que os festejos foram reduzidos aos actos de fé dentro do majestoso templo e às duas tradicinais procissões nas artérias circundantes, ficando a parte profana limitada à aquisição de comidas e guloseimas em forma de “take-away”. Uma adição ao associativismo nas procissões do Senhor Santo Cristo de Fall River lembrará para sempre o segundo ano da pandemia. Pela primeira vez um grupo de estudantes, trajados de capas pretas participou nos cortejos, e tudo indica que se trada do nascimento de uma nova tradição, por estas bandas, tal e qual se faz em São Miguel. É muito bom observar as segundas gerações seguir os passos dos pais, mantendo as tradições que a sua gente trouxe das ilhas.

Por falar em São Miguel, as festas da paróquia deste arcanjo, localizada a Norte da mesma Cidade dos Fusos (há quem a chame “dos teares”, mas preferimos chamá-la “dos fusos”, ou “fuseira”, porque os americanos dizem que Fall River é a “spindle city”), foram agendadas para 15 dias antes das suas datas habituais e, pelos vistos terão todas as componentes tradicionais. Costumam ter lugar no primeiro fim de semana de Agosto, tal como a grande festa madeirense de New Bedford, que devido às suas dimensões, esteve longe de ser pensada a sua realização este ano; e o mesmo podemos dizer das Grandes festas do Espírito Santo de Fall River. As duas maiores festas portuguesas fora de Portugal.

Portugal foi, e ainda está sendo, comemorado pelo seu dia em algumas localidades da Nova inglaterra. Várias mordomias do Espírito Santo, sem massas de gente movimentar, e respeitando as regras impostas, este ano deram alguns sinais de vida. Enfim. Há planos a médio prazo para sermos normais outra vez. Porém, ainda não se fala em convívios regionais, e achamos que estes ajuntamentos devem acontecer depois de completarmos 2021, cantando vitória sobre o Covid-19. Estamos esperançados que as variantes do maldito vírus se mantenham controladas, e vamos experimentar viver a vida com aquilo que ela tem de melhor.

O 4 de Julho foi a celebração de duas independências: a velha, que foi liderada por George Washington; e a nova, que os “Pasteurs” do século XXI conduziram. Deus abençoe a América, todo o Mundo e toda a Gente. Assim seja!

O quadragésimo aniversário da Cidade

No meio da riqueza de acontecimentos que o mês de Junho nos proporcionou e que Julho nos está a proporcionar, não nos passaram despercedidas as celebrações do quadragésimo aniversário da elevação da Vila da Ribeira Grande à categoria de Cidade. Apesar do estado pandémico que se vive na ilha, que tanto tem condicionado as suas gentes, há sempre aquelas ocasiões para as auto-proclamações. Parabéns são devidos, porque o programa foi muito bem elaborado, fazendo com que cada actividade destacável tivesse o seu pelouro e distinção merecidos. Até mesmo diferentes dias entre elas para impor mais solenidade aos autos. Assim, sem dúvidas, mostra mais acção, e não deixa de ser campanha gratuita. Afinal, com máscara ou sem ela, este ano teremos eleições. Muito bem! Viva a Casa das Cavalhadas, viva o Largo de São Pedro, viva a Casa das Associações, viva isto, viva aquilo e viva aqueloutro!!!

Parabéns aos nossos amigos Fernando Maré e Mário Moura, pelos magníficos trabalhos imprimidos. Não vemos nem tão cedo a hora de desfolhar os livros destes dois ilustres ribeiragrandenses. Devemos dizer que estamos familiarizados com o Nascimento de uma Vila, mas nada melhor do que sentir o cheiro do papel novo com tinta fresca trazendo o ducíssimo perfume do mofo da Ilha.

Um forte aplauso para os três indivíduos e para a organização, que foram condecorados com a medalha de ouro na sessão solene. Devemos salientar que foi uma boa escolha, digamos, uma homenagem mais do que justa a quatro grandes ribeiragrandenses. Parabéns, Carlos Eduardo de Sousa Arruda Teixeira, Maria Luísa de Amaral Tavares, Urânia Borges Pereira e Clube Desportivo de Rabo de Peixe.

 

   O Homem das Capelas

O Jacinto das Capelas, que completou 64 anos no passado mês de Janeiro, ainda muda o óleo todos os dias. O patrão, por sua vez, coitado, já nem pode com as botas, e arrasta o seu corpo pela oficina com a ajuda de uma bengala. Já conta com oitenta e quatro, e dizem que no seu tempo era rijo como o tabaco da Maia. Quem viu mister Joe Levec um mês antes da pandemia e agora com ele se encara, dirá que, realmente, um ano faz uma grande diferença na vida das pessoas magoadas por matéria psicológica. Até o próprio Jacinto, que sempre lhe foi um empregado fiel, tem sofrido com as suas dores. Não é fácil suportar a perda de dois membros da família num espaço de quatro meses. A pandemia roubou-lhe um irmão e um cunhado. Na verdade, nem o Jacinto nem o Joe têm necessidade de trabalhar, mas o homem das Capelas diz ao franco-americano que não se trata de trabalho, mas sim de uma terapia espiritual, porque enquanto vai mudando o óleo a vida lhe vai sorrindo. Uma boa recomendação, sem esquecer que a vida tem de ser ser vivida em cada dia como se cada um fosse o último dela. Para nós também é muito triste ver mister Joe Levec de rosto pesado, sem um pingo de ânimo. Por isso lhe sugerimos na passada quinta-feira a fazer também umas mudanças de óleo. Assim, passaria, tal qual como o Jacinto, a assobiar todas as vezes que viesse ao escritório entregar as chaves dos carros prontos a rodar mais cinco mil milhas. Para nosso espanto, prometeu-nos considerar a sugestão. Oxalá que não lhe passe pela cabeça a ideia de despedir o Jacinto das Capelas, porque agora só lhe faltam cinco meses para se reformar. Além disso, não será nada fácil encontrar um bom empregado. Chegámos ao ponto das companhias terem de oferecer um bónus de entrada aos novos empregados que vão admitindo, e de gratificar os velhos na casa por lhes arranjar trabalhadores. Tudo isso por causa da maldita pandemia e da vaca leiteira que ainda vai sustentando muita gente.

Fico-me por aqui. Haja saúde!

 

São Pedro da minha Terra,

Estou na Nova Inglaterra

C’o a Ribeira ao coração.

Por isso digo aos meus filhos

Para evitar sarilhos

Mesmo que tenham razão.

 

Se esta crise passar

Tratarei de viajar

Sem haver quem me comande.

Será grande a alegria

de viver sem pademia

Na minha Ribeira Grande.

 

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