Na Hungria uma pessoa pode ser presa se for encontrada a ajudar refugiados a preencher os formulários de legalização de entrada no País, em Itália não foi permitida a acostagem em qualquer porto de navios com refugiados, outros países europeus começam a levantar obstáculos relativamente ao acolhimento de refugiados.

Só este ano o número de vítimas mortais já ultrapassou as 1000 pessoas e um novo relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, ACNUR, dá conta de pelo menos 220 refugiados mortos, vítimas de naufrágios na costa da Líbia, só na última semana, enquanto tentavam atravessar o mar Mediterrâneo.
Actualmente e de forma oficial, há três navios de socorro a civis a operar ao largo da Líbia, País de momento de onde partem grande parte dos que querem chegar à Europa e só este ano a Guarda Costeira da Líbia já fez chegar à costa mais de oito mil refugiados.

Apesar destes esforços, é cada vez mais difícil salvar vidas no Mediterrâneo e na semana passada uma embarcação de madeira com cerca de 100 passageiros acabou por naufragar, só cinco sobreviveram, foram resgatados pela Guarda Costeira da Líbia e levados para o hospital de Trípoli, onde se encontram a receber tratamento médico.

Os cadáveres das vítimas mortais estão a ser recolhidos pelas autoridades no mar ou nas praias, onde acabam por dar à costa e a alguns quilómetros desse local, também na semana passada, uma outra embarcação teve o mesmo destino e das mais de 130 pessoas a bordo do barco de borracha, pelo menos 70 não sobreviveram.

A onda de refugiados, porém, não surge somente da Líbia, mas também da Síria, Afeganistão, Somália, Iraque, Sudão e Chade, sendo impossível determinar quando esta desgraça global terá um fim.

As guerras que ocorreram e ocorrem nesses países visam a exploração dos seus recursos naturais e a procura de novas posições geoestratégicas pelas fortes potências capitalistas comandadas pelos Estados Unidos e com a prestimosa ajuda da União Europeia via NATO, assim derramando o sangue dos povos e criando «exércitos» inteiros de pessoas desenraizadas, refugiados e imigrantes.

«Estas mortes são uma lembrança de que as guerras e pobreza continuam a levar as pessoas a escolher fugas desesperadas, que lhes custam as poupanças de uma vida, a sua dignidade e, em muitos casos, até à própria vida», apontou o alto-comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, numa cerimónia de homenagem aos milhares de refugiados que morreram na busca de asilo.

Os Estados Unidos anunciaram na noite desta terça-feira passada, 19 de Junho, a sua saída do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, tendo alegado que os seus esforços para «reformar», leia-se colocá-lo às suas ordens, o órgão sediado em Genebra foram em vão. “Nenhum país teve a coragem de participar da nossa luta”, comentou a embaixadora, chamando o Conselho de «hipócrita» ao lidar com assuntos mundiais, tais como o «preconceito crónico contra Israel», que o diga o povo palestiniano sempre alvo de repressão, morte, invasão e ocupação das suas terras.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, lamentou a saída de Washington, dizendo que «preferiria que os EUA permanecessem no Conselho dos Direitos Humanos» e, apesar de vários países criticarem a decisão, Israel elogiou a medida. «O Conselho de Direitos Humanos há muito tempo é um inimigo daqueles que têm colocado o coração nos Direitos Humanos do mundo», disse Danny Danon, embaixador de Israel na ONU sem corar ou pestanejar e demonstrando uma profunda hipocrisia.

O presidente Trump resolveu separar pais e filhos, imigrantes mexicanos, mandando colocar 2.300 crianças em centros de detenção fronteiriços e afirmando que as instalações são as «mais bonitas que as pessoas já viram», mas com os protestos da comunidade internacional recuou na medida e assinou uma ordem executiva para não permitir que as crianças voltassem a ser separadas dos pais.

Aliás, este problema já existia em 2014 com Barack Obama que manteve famílias com menores em centros de detenção especiais até serem presente a Tribunal, situação que foi contestada por um juiz federal da Califórnia que concluiu existir violação da lei, pois os menores não podem ser mantidos em estabelecimentos semelhantes aos prisionais.

Seguramente muitos de nós ainda não esqueceram os campos de concentração nazis para onde foram conduzidos milhões de seres humanos e separados os pais dos filhos e que foram para as câmaras de gás ou fornos crematórios, tudo obedecendo a uma mentalidade racista e xenófoba que pare ter criado raízes.

Na última década, os Estados Unidos têm apoiado silenciosamente grupos de oposição na Nicarágua, ajudando-os a organizar resistência contra o popular presidente esquerdista do país, Daniel Ortega.

As autoridades dos EUA esperam que os grupos de oposição no país criem um novo movimento político que possa derrotar Ortega nas eleições ou pressioná-lo para renunciar ao poder. Temem que, sem o seu apoio, a oposição a Ortega permaneça fraca e dividida, tornando impossível que alguém desenvolva uma campanha política bem-sucedida contra o presidente da Nicarágua.

Depois de o governo da Nicarágua ter aprovado uma série de reformas moderadas no programa de segurança social do país, em Abril, os opositores de Ortega organizaram uma série de protestos que, rapidamente, se tornaram violentos e dando origem a vítimas mortais, cenário idêntico ao acontecido na Venezuela.

Os Estados Unidos têm, historicamente, desempenhado um papel de mão de ferro na Nicarágua. No início do século 20, os marines dos EUA ocuparam o país por duas décadas e quando os fuzileiros navais saíram, na década de 1930, entregaram tudo à família Somoza, que governou a Nicarágua, com o apoio dos EUA, dos anos de 1930 a 1970 com regime repressivo e de cariz fascizante.

No final dos anos 1970, os Sandinistas derrubaram a ditadura de Somoza, apoiada pelos EUA, numa revolução popular. Após a revolução, Ortega liderou um novo governo, que começou a atribuir mais recursos à educação e aos cuidados de saúde, ajudando a aumentar a alfabetização e a reduzir a mortalidade infantil.

É este resumidamente o panorama a nível global que começa a preocupar os povos amantes da Paz, da Liberdade e da Democracia, situação que nos convoca para a atitude de não baixarmos os braços e lutarmos contra o inimigo comum que de novo mostra as suas garras, aproveitando as cedências de países com governos permeáveis ao populismo.

As práticas que agora causam justa comoção e revolta, nomeadamente no continente europeu, não são exclusivas da Administração dos EUA, pois as políticas da União Europeia, que o eixo franco-alemão pretende agora aprofundar com o desenvolvimento do conceito de «UE fortaleza» é igualmente desumana, selectiva e exploradora, tal como é patente na sua opção de financiar o retorno/expulsão e a criação de campos de retenção, nomeadamente em países terceiros, como na Turquia, na militarização da questão migratória, na usurpação de elementos fundamentais da soberania nacional, com a criação de uma «polícia» e a imposição de uma política de asilo ao nível da UE ou na política de selecção de imigrantes, o conhecido cartão azul, de acordo com as necessidades do grande capital como vem sendo prática comum.

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