Desde cedo que Tânia Creador foi tendo contacto com a música, principalmente através dos seus familiares que eram músicos. O gosto por esta arte foi crescendo, chegado ao momento em que Tânia constituiu uma banda, “Sombras da Noite”. Finda esta experiência, decidiu continuar e apostar numa carreira a solo nos Estados Unidos da América, onde se dedica ao género de música ‘pop latino’. O AUDIÊNCIA entrevistou a artista, que contou como está a realizar o sonho que tem desde criança.

 

 

 

 Em primeiro lugar, peço que nos conte um pouco sobre a sua infância.

Sou a segunda de cinco irmãos. Nasci no hospital da Ribeira Grande e vivi até aos seis anos na Ribeira Seca. Depois fui viver na vila de Rabo de Peixe até emigrar. A minha infância foi como a de qualquer um. Gostava de brincar e de ir à escola e cresci com os meus avós maternos e com os meus irmãos.

 

A música sempre a acompanhou na sua vida?

Em casa lembro-me de pegar em objetos como o comando da televisão ou a escova do cabelo e fazia passar por um microfone para estar a cantar no meu quarto… assim fui gostando da música, e também venho de uma família que tem talento para a música.

A música sempre esteve presente na minha vida. Desde criança que ouvia a minha avó materna a cantar, ela gostava muito de cantar nas festas do Espírito Santo da nossa vila.

Como todos sabem, Rabo de Peixe é uma terra que faz muitas festas no verão. Convivi com essas lindas festas, via muitos artistas que vinham cá atuar e assim fui tomando gosto e sonhava também cantar. E cá estou eu a realizar o meu sonho de infância.

 

Quando soube que queria cantar de forma profissional?

Cantei num grupo que se chamava “Sombras da Noite”. Era constituído por cinco elementos, todos nós familiares: duas primas e um irmão eram os dançarinos, e eu e o meu irmão fazíamos as vozes. Gostei tanto da experiência que decidi ter uma carreira musical profissional a solo.

 

Com que idade emigrou? Vem com alguma frequência a São Miguel?

Emigrei para o Canadá em 2016, onde estive seis meses. Depois voltei a São Miguel e voltei a emigrar, mas para os Estados Unidos da América, onde pretendo ficar, casar e ter a minha carreira musical.

Venho a São Miguel sempre que posso. A última vez que visitei a nossa terra foi em dezembro de 2019.

 

Porque emigrou? Estava à procura de algo que aqui não havia?

Emigrei porque sempre sonhei um dia viver no estrangeiro, num país que desse mais segurança a uma carreira artística. Escolhi os Estados Unidos porque o meu companheiro vive cá, em Nova Inglaterra, e assim resolvi vir viver com ele.

 

Consegue viver apenas da música ou tem outra ocupação?

Como sabemos, não é fácil viver só através da música, por isso nós artistas temos que ter outro plano. Eu sempre trabalhei em hotelaria, mas o que mais gosto de fazer é estar em cima de um palco a atuar.

 

Como ocupa o seu tempo atualmente?

Atualmente trabalho e estou sempre atarefada com coisas da minha carreira, para além dos ensaios duas vezes por semana. Nos meus tempos livres gosto de jantar fora, de passear e fazer compras.

 

Este está a ser um ano diferente, devido à COVID-19. Mas cerca de quantos concertos faz por ano? Por onde costuma atuar?

Faço entre nove e 10 concertos por ano. Nos Açores já atuei em São Miguel, Terceira, Graciosa e Santa Maria; também atuei na França e no Canadá.

Devido à COVID-19 já cancelei três concertos este ano aqui nos Estados Unidos, e parece que vai ser um ano difícil para os artistas. Só espero que esta pandemia passe rapidamente, para que todos possamos voltar à nossa vida normal.

 

Tem originais? Quem compõe o que canta?

Sim, tenho 10 temas originais. Trabalho com a empresa Lalala Records, de Portugal, e os meus temas foram todos feitos lá. Atualmente faço as minhas atuações com músicas originais.

 

Que sonhos tem relacionados com música?

Sempre sonhei editar um CD, e graças a Deus esse sonho vai realizar-se este ano. Também sempre sonhei atuar com uma banda atrás de mim e já estou a trabalhar nesse sentido. Se tudo correr bem [tendo em conta a atual situação vivida devido à COVID-19], será pela passagem de ano, caso contrário, será para 2021.

 

Qual o tema que mais a marca por algum motivo?

“Amor é loucura” é a música que mais me marca. Adoro todas as minhas canções, mas esta é especial porque foi uma letra que fiz para a pessoa que mais amo, o meu namorado.

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