O Seminário Internacional “Migrações, Envelhecimento e Diásporas: Desafios e Perspetivas” decorreu no Auditório do Laboratório Regional de Engenharia Civil, em Ponta Delgada. Promovido pela Universidade dos Açores, o certame contou com a participação de José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores, José Andrade, diretor regional das Comunidades, Susana Mira Leal, reitora da Universidade dos Açores, Pedro Nascimento Cabral, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, e Teresa Medeiros, presidente da Comissão Organizadora, entre especialistas, de diferentes proveniências científicas.
O Auditório do Laboratório Regional de Engenharia Civil, em Ponta Delgada, foi o palco do Seminário Internacional “Migrações, Envelhecimento e Diásporas: Desafios e Perspetivas”, que contou com a participação de 13 especialistas, de diferentes proveniências científicas.
Coorganizado pelo Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade dos Açores, Brock University, University of British e Seneca Polytechinc do Canadá, e a Universidade de Coimbra, o certame contou com a participação de José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores, José Andrade, diretor regional das Comunidades, Susana Mira Leal, reitora da Universidade dos Açores, Pedro Nascimento Cabral, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, e Teresa Medeiros, presidente da Comissão Organizadora.
Ao longo do evento, que marcou o encerramento do projeto de investigação “Identidades e Trajetórias de Vida de Pessoas Idosas Emigrantes Açorianas no Canadá (Identidades 65+)”, foram discutidos os processos de envelhecimento e as migrações nas sociedades contemporâneas, em geral, e na sociedade açoriana, em particular, assim como analisado o impacto das migrações e o envelhecimento populacional, particularmente no contexto da emigração açoriana para o Canadá e os Estados Unidos. Os debates abordaram os contornos da emigração açoriana, particularmente para o Canadá e os EUA, e as suas implicações na identidade cultural, nas dinâmicas sociais e na economia da região.
Presente na ocasião, José Carlos Teixeira, professor catedrática na University of British Columbia, no Canadá, e membro a equipa do projeto “Identidades e Trajetórias de Vida de Pessoas Idosas Emigrantes Açorianas no Canadá (Identidades 65+)”, afirmou ao AUDIÊNCIA, que “65% de todos os portugueses que vivem no Canadá são de origem açoriana, presentemente e segundo os dados estatísticos dos Censos do Canada, temos cerca de 450 mil portugueses, dos quais 60 a 65 mil são de origem açoriana e isso é muito importante”.
Revelando que fez a sua tese de mestrado em Montreal e a de doutoramento em Toronto, o docente da University of British Columbia admitiu que “tenho uma grande paixão e tenho acompanhado de perto a evolução dessas mesmas comunidades. Hoje vou falar precisamente sobre a estrutura e a evolução da comunidade açoriana em Toronto, a tal 10ª ilha açorina que nós construímos na cidade, que é a mais multicultural do Canadá e uma das mais multiculturais do mundo e nós temos os açorianos como componente fundamental deste mosaico cultural de um país que adotou a política de multiculturalismo nos anos 70. Portanto, a comunidade açoriana está bem integrada, já temos três gerações e a quarta já começa a aparecer. 50% são de primeira geração, precisamente nasceram nos Açores, os outros nasceram fora dos Açores. É uma comunidade que tem tido um impacto muito importante a nível social, cultural, político e até mesmo económico. Nós criámos um network de comércio, clubes, associações e escolas que é invejável e para onde fomos marcamos a nossa presença, deixamos a nossa marca e os açorianos, neste sentido, têm desempenhado um papel fundamental na América do Norte, Estados Unidos e Canadá”.
As intervenções foram inauguradas por Teresa Medeiros, docente da Universidade dos Açores e presidente da Comissão Organizadora do projeto “Identidades e Trajetórias de Vida de Pessoas Idosas Emigrantes Açorianas no Canadá (Identidades 65+)”, que fez questão de salientar que “este evento trata-se de um seminário multidisciplinar, que junta historiadores, psicólogos, sociólogos, economistas, linguistas, escritores, professores, juízes, geógrafos e artistas”.
Assegurando que “há, no século XXI, uma pluralidade de sentidos das migrações, dos envelhecimentos e das diásporas”, a presidente da Comissão Organizadora garantiu que, “como investigadora e psicóloga preocupam-me as emigrações e imigrações por extrema necessidade, por desespero por parte dos refugiados e requerentes de asilo. Preocupam-me ainda mais quando são populações de risco ou em risco e de grande vulnerabilidade, potenciadas quando os migrantes têm problemas de saúde física, psicológica e com perturbações de stress pós-traumático, sem lugar de pertença, perdidos na sua identidade”.
Seguidamente, foi Susana Mira Leal, reitora da Universidade dos Açores, quem tomou a palavra, sublinhando que “este seminário trata de temas muito presentes na nossa atualidade e que, por isso, são muito relevantes e significativos. (…) Espaços como este, de seminário e investigação, são fundamentais para se pensar estas realidades complexas e multidimensionais, para se partilhar reflexões, experiências e para materializar aquilo que são as perceções certas, ou menos certas, de cada um de nós”.
Para a reitora, “os movimentos migratórios são uma constante da humanidade, também aqui nos Açores, e também são uma constante ao nível do nosso friso cronológico” e “num mundo extremamente conectado, como é o de hoje, nós testemunhamos também julgamentos populacionais cada vez mais complexos, mais exigentes, mais críticos do ponto de vista da sustentabilidade social, económica e, também, altamente gravosos do ponto de vista humanitário”.
Neste seguimento, também Pedro Nascimento Cabral, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, foi convidado a intervir, salientando que “a nossa diáspora multiplica a nossa açorianidade nos quatro cantos do mundo, alavancando a nossa cultura até aos lugares mais remotos do globo. Os nossos emigrantes, de que tanto nos orgulhamos, são agentes fundamentais para a divulgação da nossa cultura e identidade como povo dos Açores”.
Na ocasião, o edil frisou, ainda, que “vejo na realização deste congresso internacional um importante contributo ao conhecimento das perspetivas que temos para potenciar a nossa ligação à diáspora, ampliando as ligações históricas e afetivas, mas, também, ajudando a preservar a nossa cultura, a nossa língua, para que não se perca a memória de onde viemos e quem somos”.
Segundo o autarca, “é fundamental que possamos criar ainda mais oportunidades de inclusão, garantindo que quem escolhe os Açores como ‘casa’ possa prosperar e contribuir ativamente para a sociedade. A diversidade que acolhemos enriquece o nosso tecido social e económico”.
Os discursos foram encerrados por José Manuel Boleiro, presidente do Governo Regional dos Açores, que destacou a relevância de uma nova realidade demográfica, onde os seniores desempenham um papel cada vez mais ativo na sociedade. “Hoje temos juventude no envelhecimento”, asseverou, evidenciando que “muitos cidadãos idosos possuem uma capacidade e dinamismo notáveis, participando de forma ativa na vida social, económica, intelectual e em atividades de voluntariado”.
De acordo com o governante, “a compreensão desta composição demográfica é fundamental para o desenvolvimento de políticas estratégicas em áreas cruciais, como a solidariedade, saúde, educação e, particularmente, na promoção de uma vida ativa na reforma”.
Para além da questão do envelhecimento, José Manuel Bolieiro enalteceu a importância vital da imigração como um fator de equilíbrio demográfico nos Açores, ressaltando que a imigração “tem sido crucial para colmatar os desafios demográficos nos Açores. (…) Os imigrantes que escolhem as nossas ilhas têm dado um contributo inestimável, trazendo não apenas equilíbrio populacional, mas também uma riqueza intercultural que é parte integrante da nossa história”.
Por conseguinte, o presidente do Governo Regional dos Açores apelou ainda à necessidade de se encontrar soluções que aproveitem as oportunidades oferecidas pela nova demografia e pelas migrações. “Temos de desenvolver políticas que partam de uma compreensão sólida da nossa realidade demográfica e migratória, orientadas para garantir um futuro sustentável para os Açores, onde todas as gerações possam contribuir para o nosso desenvolvimento coletivo”, concluiu o governante.