Além de presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, Jaime Vieira é também deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores cargo que assumiu com orgulho e que admite que tem beneficiado tanto a vila a que preside como o próprio concelho.

Contudo, em entrevista ao AUDIÊNCIA, Jaime Vieira confessa que acaba por existir, por parte do Governo Regional, “uma dualidade de critérios em algumas atribuições de alguns subsídios” às Juntas de Freguesia. Por esse motivo, o presidente tem lutado e pedido apoios para manter viva uma das terras mais características da Ribeira Grande, a vila de Rabo de Peixe, com uma população que chega, quase, aos 10 mil habitantes.

Apesar das dificuldades, o autarca garante estar satisfeito por ter sido reeleito com maioria absoluta e tem já vários projetos para os próximos três anos.

 

Foi o vencedor do Troféu AUDIÊNCIA 2017 para presidente da Junta de Freguesia. O que representou para si?
Para mim, essencialmente, resultou o reconhecimento daquele que é o papel de um autarca de freguesia. Logicamente que isto só foi possível devido a uma comunidade que me tem apoiado e devido ao facto de que as pessoas que me rodeiam tudo têm feito para que eu também possa trilhar, da melhor maneira possível, o meu trabalho. E este reconhecimento também só foi possível porque temos à frente do Jornal AUDIÊNCIA uma pessoa de grande valor e uma pessoa perspicaz que, no pouco tempo que aqui está, junto da nossa comunidade, tem vindo a reconhecer também aquilo que são as diferentes mais valias inseridas nas diversas localidades. E digo isso porque, mais do que o alcançar do troféu, da distinção, foi também o reconhecer que é preciso quem, muitas vezes, reconheça o trabalho quer dos autarcas, quer das diversas associações, para que essas mesmas pessoas e associações possam também perceber que, ao trabalharem, estão a trabalhar para uma comunidade e que há outros que assim também o distinguem. Para mim foi um motivo de grande regozijo e de uma grande alegria poder ser distinguido, uma vez que na região autónoma, e não só, existem diversos autarcas que também mereciam esse prémio, tal como eu o consegui. Porque a maior virtude de um presidente de Junta é estar ao serviço de uma comunidade e, neste sentido, acho que todos nós já somos vitoriosos por estarmos a abraçar tamanho desafio que, com poucos recursos, tentamos fazer muito mais. E este prémio não é mais do que isso, o reconhecimento do trabalho de um autarca.

 

Como é ser presidente de Junta da maior freguesia do arquipélago dos Açores?
Acima de tudo, é estar num desafio e estar num palco onde, para brilhar, é preciso ser-se igual a si próprio. Ser autarca numa vila como a de Rabo de Peixe é um desafio enorme, é como estar à frente de muitas Câmaras Municipais, atendendo ao volume do trabalho, às pessoas e, sobretudo, à carga emocional que provoca. Ser presidente de uma Junta de Freguesia já é difícil, ser presidente de Junta de Freguesia de uma vila como a de Rabo de Peixe, que abarca quase 10 mil pessoas, o desafio ainda é maior. Mas, para mim, quando assumi essa candidatura há oito anos, foi o dar o passo seguinte rumo àquilo que era trabalhar sempre em prol da comunidade. Toda a minha vida sempre fui uma pessoa ligada aos movimentos sociais, e, neste sentido, acho que estava na altura de dar o passo, e o passo era poder estar na linha da frente, poder estar naqueles que decidem o que pretendíamos para Rabo de Peixe. E é neste sentido que continuo a dizer que é extremamente dignificante ser presidente de Junta da Freguesia de Rabo de Peixe e é com enorme paixão que estou a encarar todo esse trajeto, dizendo que, para mim, tem sido um enorme orgulho ser presidente desta enorme vila que é Rabo de Peixe.

 

É essa paixão que faz com que os rabopeixenses lhe deem tão confortável maioria absoluta?
Acho que aquilo que se passou nas últimas eleições não foi mais do que uma reciprocidade muito grande, ou seja, um carinho muito grande entre ambas as partes. O poder executivo liderado por Jaime Vieira, e também a outra parte, que é a população de Rabo de Peixe. E quando existe essa reciprocidade, mas também cumplicidade entre essas duas partes, dá o resultado final que é vencer as eleições. Ganhar por mais ou menos 10 não daria importância ao valor, o que tem importância é o acreditar e saber que olham para esse executivo como um executivo que devia ter mais uma oportunidade, a qual agradeço, do fundo do meu coração, a todos aqueles que fizeram com que fosse possível continuar à frente dos destinos dessa enorme Junta de Freguesia.

 

Rabo de Peixe é uma freguesia que anda sempre nas notícias. Umas vezes por bons motivos, algumas vezes nem tanto. Temos várias situações, neste momento, a ferver em Rabo de Peixe, como a COFACO, sempre com o temor de que algo possa acontecer semelhante ao que aconteceu no Pico, a situação dos pescadores, onde na assembleia legislativa regional tem sido um porta voz ativo. Qual é o seu ponto de vista sobre estas situações?
A COFACO, e o que aconteceu no Pico, que já tinha acontecido no Faial, leva-nos sempre a pensar e obriga-nos a estar alerta ao que se tem passado. Aliás, aquilo que se passou recentemente no Pico é uma situação que, de certa forma, nos poderia ter acontecido a nós, e digo isso porque quando surgiu a hipótese de aumentar o parque de estacionamento para contentores por parte da COFACO, quando foi solicitado metade do campo do Clube Desportivo de Rabo de Peixe, ficou no ar a ideia de que eles poderiam fazer uma manobra desse género. E ainda bem que tomamos a decisão certa porque, numa primeira instância, o que estava em causa era a mão de obra, a capacidade empregadora daquela unidade fabril, e a decisão que tomamos de vender o campo de futebol veio também permitir que estivessem salvaguardados os postos de trabalho existentes nesta unidade fabril e, acima de tudo, acreditar que esta unidade fabril, a COFACO de Rabo de Peixe, ainda vai continuar por muitos anos. Há quem, de certa forma, lance alguns alertas para estarmos atentos a essa situação, há algumas movimentações que nos fazem estar em alerta, mas aquilo que quero ressalvar é que, para nós, o emprego e a satisfação das pessoas com a COFACO esteve sempre em primeiro lugar, e foi por causa disso que tomamos as decisões que tomamos, na altura, de vender o campo de futebol para que pudéssemos salvaguardar aquele emprego existente mas também a possibilidade de aumentar esta mesma capacidade empregadora por parte da COFACO. Relativamente à questão dos pescadores de Rabo de Peixe, sendo essa, a principal atividade económica desta vila, já que temos quase 100 embarcações, representamos a nível de mão de obra mais de 50 por cento dos Açores, e isso faz com que tenhamos de estar atentos aos passos que esses pescadores estão a atravessar. Nem sempre algumas medidas do Governo Regional vão ao encontro daquilo que os pescadores locais defendem, e que nós acreditamos, porque é um setor que é preciso mimar, é preciso estar atento, para que consigamos, realmente, ser uma mais-valia para a região. Porque, por um lado, temos o mar, do outro temos a terra, ou seja, a agricultura e as pescas, juntamente agora com o turismo, têm de ser o garante da sustentabilidade económica da nossa região. E é neste sentido que todos os passos que têm de ser dados relativamente à pesca temos de o fazer percebendo que, no universo dos Açores, existem realidades diferentes de pesca para pesca, e aquela pesca que se passa em Rabo de Peixe tem especificidades muito próprias e que, possivelmente, têm de ser tomadas algumas medidas para salvaguardar essa mesma especificidade.

 

Voltando à COFACO, depreendo que um eventual e hipotético fecho seria um desastre para Rabo de Peixe, daí que foi preciso pedir sacrifício ao Clube Desportivo de Rabo de Peixe. Foi por isso que a Junta se atravessou?
Exatamente, porque nós estávamos a prever a hipótese, e não gosto muito de falar disso, porque do outro lado temos uma ilha vizinha com pessoas a passarem grandes dificuldades devido ao fecho dessa unidade fabril, mas, na altura, tentando também adivinhar ou percebendo aquilo que viria nos próximos tempos da COFACO, sacrificamos e o Clube Desportivo de Rabo de Peixe, e todos os seus dirigentes, têm sido heróicos em, passados dois anos, não terem campo e manterem a estrutura em pé- Como já foi dito, foi sacrificar uma parte para que outra, extremamente importante, que é a do emprego, porque a empresa emprega mais de 180 pessoas de Rabo de Peixe, pudessem continuar a ter emprego. Logicamente que isso custou, perdemos numa área, o desporto ficou um bocadinho aquém das nossas expetativas, principalmente a nível da equipa sénior e da formação que também se sentiu um pouco prejudicada porque, efetivamente, não é fácil andar com a casa às costas. Mas também é preciso não esquecer que depois da tempestade vem sempre a bonança, e acho que, mais tarde, e esperamos nós num futuro recente, o Clube Desportivo de Rabo de Peixe voltará a ter casa, e aí as coisas voltarão à normalidade. Agora, prevendo aquilo que seria um desastre para a nossa vila, o fecho daquela unidade fabril, defendemos, e muito bem, digo eu, vender aquela infraestrutura à COFACO, para salvaguardar o emprego existente naquela unidade fabril.

 

Apesar de um ano difícil para o Clube Desportivo de Rabo de Peixe, o final acabou por ser feliz…
Foi um final feliz nos dois aspetos. Foi um final feliz porque conseguimos a manutenção num ano, como já foi dito, particularmente difícil, atípico, porque aquilo que se passou nunca era imaginado por nós num futuro recente. Nada fazia prever que este ano iriamos estar a lutar para não descer de divisão, ficando no 5º lugar do campeonato da Liga MEO. Isto é fruto também de uma data de situações que aconteceram, por parte da Federação Portuguesa de Futebol, em tentar, novamente, reajustar os campeonatos, e esse reajustamento nunca mais acaba. Por outro lado, também não houve por parte das nossas associações um salvaguardar ou, de certa forma, colocar um ponto de interrogação naquilo que seriam as diretrizes ou os regulamentos desta prova. Logicamente que nós, e as equipas que conseguiram a manutenção, depois acabaram por descer de divisão, porque num passado, e todos nós somos culpados disso, estávamos longe de prever que essa situação ia acontecer, que era a descida em massa das equipas do campeonato da Liga MEO. Outro aspeto muito positivo foi a vitória na Taça de S. Miguel, vitória histórica, não só pela obtenção do troféu mas, tratando-se do adversário que tínhamos, com outro andamento, outra dinâmica, uma equipa profissional, também já foi referido pelo Operário Clube Desportivo que foi, de certa forma, a humildade a ganhar o jogo, e aí demonstramos todo o nosso valor e ficou provado que o campeonato da Liga MEO, para nós, poderia ter sido encarado de outra forma se certas situações não acontecessem, e refiro-me à perda dos três pontos na secretaria que nos custou a engolir, e que ainda nos soa como injustiça.

 

“Mais importante do que ser de Rabo de Peixe é a Ribeira Grande estar representada na Assembleia Legislativa dos Açores”

Foi o facto de Rabo de Peixe ser a principal freguesia dos Açores e de reunir vários contextos, sociais, culturais, em todas as áreas, e ser também uma freguesia a exigir uma atenção redobrada que o levou a se candidatar a deputado da Assembleia Legislativa Regional?
Acima de tudo, penso que precisávamos de ter uma representação, e o concelho da Ribeira Grande precisava de ter uma representação na Assembleia Legislativa Regional. Na altura, e atendendo também à importância de Rabo de Peixe em todo o cenário político, social e económico, chegou-se ao entendimento, por parte de muita gente, que o Jaime Vieira seria realmente uma mais valia nesta fase. Fui eu como no passado foram outros, e no futuro outros serão. Aquilo que nos interessa, mais do que saber se é da freguesia a, b ou c, é que a Ribeira Grande tinha, e tem de estar, cada vez mais representada nos órgãos de decisão, ou naqueles que, de certa forma, também têm uma opinião de poder fazer representar o nosso concelho. Digo claramente que mais importante do que ser de Rabo de Peixe é a Ribeira Grande estar representada e nesta situação começou-se novamente a falar da Ribeira Grande na Assembleia Legislativa dos Açores, coisa que nos últimos quatro anos não se ouvia. No passado já houve várias personalidades a representarem o concelho da Ribeira Grande, e futuramente haverá também outras pessoas que irão defender. O que interessa é ter uma representação da Ribeira Grande na Assembleia Legislativa dos Açores, isto é que é fundamental, independentemente depois de quem é a pessoa que lá está.

 

Mas essa situação tem ajudado ou prejudicado Rabo de Peixe?
Essa situação logicamente que tem colaborado, e muito, para proteger a nossa terra. Estamos mais próximos de quem decide, há diversas conversas nos bastidores, nos corredores, e fora isso há também o nome de Rabo de Peixe a ser defendido, muitas vezes, na Assembleia Legislativa dos Açores. Já o fizemos muitas vezes relativamente à questão social, à questão das pescas, e no próximo plenário haverá, por exemplo, a situação da Escola Rui Galvão de Carvalho, onde o presidente de Junta atual, e deputado regional, poderá falar em primeira voz com conhecimento de causa relativamente àquelas questões que são de Rabo de Peixe. Eu acho que, todo o trabalho que era feito pela Junta de Freguesia, pelo presidente da Junta de Freguesia antes de ser deputado regional, em nada prejudicou, muito pelo contrário, tem trazido mais valias por tudo o que disse.

 

Alguns colegas seus, eleitos pelo PSD, queixam-se de discriminação negativa por parte do Governo Regional. O facto de ser deputado regional impede que isso aconteça para Rabo de Peixe porque têm-no pela frente. É isso?
De certa forma, aquilo que os meus colegas dizem não deixa de ser verdade. Há uma dualidade de critérios em algumas atribuições de alguns subsídios, que todos nós sabemos o que tem vindo a acontecer. Agora, o que eu acho relativamente à questão colocada, é que não é só Rabo de Peixe que fica mais protegido, ficamos todos. Eu ali não represento apenas Rabo de Peixe, represento o concelho.

 

Mas enquanto deputado regional, se algo correr mal entre o Governo Regional e a freguesia de Rabo de Peixe, têm que o ouvir logo no parlamento.
Exatamente. Fica logo ali em primeira mão.

 

 

Em que pé estão as relações com a Câmara Municipal da Ribeira Grande?
Ao longo de todos os anos do nosso mandato, temos tido uma relação muito boa com a Câmara Municipal da Ribeira Grande. Uma relação institucional perfeita, em que temos vindo a assistir, cada vez mais, dia para dia, por parte da Câmara Municipal também, sempre uma instituição atenta às nossas ambições e tem sido um dos principais parceiros, se não o principal parceiro, da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe. Logicamente que, perante o panorama que se atravessa, ter pessoas à frente de uma instituição como a Câmara sensíveis, de uma grande ligação àquilo que são as preocupações das pessoas, faz com que tudo seja mais fácil. E a relação da Junta de Freguesia tal como, penso eu, de todas as Juntas de Freguesia do concelho, tem sido de uma grande cordialidade e de um respeito mútuo, porque só assim faz sentido estar na política, trabalhando para as pessoas e tentando resolver os seus problemas. Neste sentido, como costumamos dizer, temos vindo a encontrar na Câmara Municipal e em todo o seu elenco camarário, o parceiro ideal para podermos resolver todos os problemas que têm vindo a aparecer.

 

Não quer o Governo Regional para parceiro?
Eu quero e preciso do Governo Regional como parceiro, aliás, disse que a Câmara Municipal era o principal parceiro da Junta de Freguesia devido também à proximidade ao poder local, entende as nossas preocupações, e o Governo Regional, logicamente, que umas direções mais que outras, temos tido sempre a cordialidade e temos encontrado do Governo Regional, sempre que solicitado, ao menos ouvem-nos, uma ou outra situação podem não resolver aquilo que pretendemos, mas é como lhe disse. Há direções regionais com quem temos tido oportunidade de trabalhar, e trabalhar bem. Há outras que precisávamos de muito mais e era preciso, por parte do Governo Regional, e de outras direções regionais, uma atenção especial para Rabo de Peixe, que não temos vindo a ter. Mas vamos continuar a trabalhar, precisamos do Governo Regional para cumprir os nossos objetivos, aliás, não podia fazer sentido se não tivéssemos o Governo Regional também como um grande parceiro da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe.

 

Qualquer português já ouviu falar de Rabo de Peixe. Numa altura em que o turismo invade os Açores, e nomeadamente a ilha de S. Miguel, o que é que um turista pode encontrar em Rabo de Peixe?
Acima de tudo, o turista, ao procurar o nome de Rabo de Peixe leva sempre em primeiro lugar com este nome. Rabo de Peixe é um nome apelativo. O facto de, muitas vezes, ser conectado com algo de negativo, faz com que haja curiosidade das próprias pessoas em vir visitar Rabo de Peixe. Ou seja, o nome de Rabo de Peixe é um nome que vende. Em segundo lugar, ainda recentemente tivemos aqui um intercâmbio com jovens de Martinica, que levaram quase 24h para chegar aos Açores, e onde apresentamos uma daquelas que será uma das nossas grandes apostas para o turismo, que é a ligação ao mar. Visitaram o estaleiro naval, ficaram a conhecer como é que se constrói um barco de boca aberta, um barco cabinado, de seguida fomos ao porto de pescas, subimos a um barco, fomos navegar, tivemos duas horas no mar, vimos a costa toda da Ribeira Grande e é isso que temos para oferecer. Tirando isso, também temos para oferecer aquilo que é um dos nossos grandes atrativos que considero que é único na região que são as grandes Festas do Espírito Santo. Ou seja, o turismo ligado às pescas e o turismo religioso com as Festas do Espírito Santo são duas grandes bandeiras que nós pretendemos vender.

 

Quando acontecem essas Festas do Espírito Santo?
As Festas do Espírito Santo começaram agora no mês de maio e terminarão no mês de julho. São três meses de grande intensidade, mas quando falo em vender o turismo religioso é porque em Rabo de Peixe fazem-se coisas que são próprias, como os carros de bois ou o grupo de castanholas, únicos no país, e é algo que podemos vender em que o turista poderia também incorporar todas essas dinâmicas relacionadas com essa festa. Estamos também a criar o roteiro da laranja que é uma zona de quintas, porque temos forte tradição a nível de quintas, ligado também à agricultura. Portanto, são os quatro vetores onde podemos vender e que nos permitirá, de certeza absoluta, trazer muita gente a Rabo de Peixe.

 

E espaços gastronómicos também existem e bons…
Muito bons. Aliás, somos referência em espaços gastronómicos, mas o facto de ser um nome tradicionalmente que atrai a atenção das pessoas, e vendendo aquilo que nós temos, não temos dúvidas nenhumas do sucesso. E também temos bom alojamento local, as pessoas são extremamente afáveis e acolhedoras, temos grandes eventos como a elevação de Rabo de Peixe a vila, como o Caldo de Peixe que atrai milhares de pessoas e tem tido sempre cartazes capazes de atrair pessoas a Rabo de Peixe. Entendemos que no espaço de um ano, teremos uma dinâmica completamente diferente para receber os turistas na nossa vila.

 

Depreendo então que o tempo dos “coitadinhos” de Rabo de Peixe já lá vai…
E ainda bem que já lá vai. Quando entrei para a Junta de freguesia nós tínhamos sempre aquele estigma de sermos os “pobrezinhos”, os “coitadinhos”, que nós tivemos a ousadia e coragem de começar a vender que não é isso que queremos para a nossa terra. Temos pobreza, temos pessoas a passarem dificuldades, mas também quem é que não o tem? Em qualquer freguesia dos Açores isso existe. Na nossa realidade, por sermos quase 10 mil pessoas, temos mais gente, agora, aquilo que nunca gostei que ficássemos apelidados era por esses termos de “pobrezinhos” ou “coitadinhos”. Somos uma terra de gente rica, não no aspeto económico mas rica de diversas virtudes, rica naquilo que é capaz de dar e, acima de tudo, somos uma população empreendedora, e que tem tido, ao longo de toda a sua história, grandes figuras e grandes personalidades que nos leva a dizer, com um pouco de modéstia à parte, mas que é a verdade, que somos das maiores localidades dos Açores onde grandes figuras emergiram e continuarão a emergir.

 

Ter 10 mil habitantes nos Açores é sinónimo de uma diáspora muito forte.
Exatamente. A diáspora, como costumo dizer, é a outra face de Rabo de Peixe. Aliás, não encontro comparação sobre o sentimento que os emigrantes sentem por esta terra. Tenho assistido a alguns convívios, quer em Montreal, quer em Toronto, quer também na Nova Inglaterra, e o que assistimos por parte deles é um grande amor e apego à sua terra. E foram eles, por exemplo, que estiveram na linha da frente na elevação de Rabo de Peixe a vila, fazendo a sua parte e quando é preciso, quando precisamos dessa outra face de Rabo de Peixe, eles dizem sempre presente. E esta comunidade é excecional, fazem tudo por esta terra, um trabalho silencioso, mas que tem ajudado muita gente e que tem permitido que Rabo de Peixe continue a evoluir e, com certeza, vão continuar a trabalhar para que outros passos sejam dados na nossa vila.

 

Que iniciativas estão programadas para os próximos tempos?
A primeira, que é sobejamente conhecida por toda a gente, e que não deixa de ser uma grande ambição, não só por parte dos desportistas mas também por parte de toda a comunidade, é a realização das obras do novo campo de futebol de Rabo de Peixe. Além disso, também temos o centro cívico e um museu da pesca que também queremos implementar, assim como requalificações de algumas zonas que estão a necessitar. Também iremos finalizar o nosso roteiro promocional de Rabo de Peixe, iremos dignificar uma das zonas mais nobres que é na Ermida do Adro do Rosário onde já temos projeto. Temos também um projeto já feito e elaborado para começarmos, o mais rapidamente possível, de um espaço, chamado de Forno Comunitário, que irá servir para, de certa forma, aliviar e colaborar com as pessoas no sentido de estas gastarem menos na preparação das suas refeições. E outros projetos que aí vêm, mas que agora não os vou anunciar, mas que nos próximos três anos, até ao final do mandato, irão ver, com certeza, uma nova dignificação da nossa vila. Queria também referir algo que já está em andamento, em discussão pública, que é a segunda parte da requalificação do largo do Padre António Vieira, onde iremos dignificar aquela zona preparando-a para ser o espaço onde poderemos vender melhor aos nossos turistas, onde haverá um posto de turismo, um novo snack-bar, com uma requalificação de toda aquela zona perto da Igreja que irá dignificar, e de que maneira, a nossa vila. No fundo, são três ou quatro obras estruturantes até ao final do nosso mandato, além da requalificação de alguns espaços que estão ao abandono mas que estamos à espera da confirmação por parte da empresa que penhorou e que tem insolvência para podermos mexer, e também a criação de alguns parques infantis que darão a Rabo de Peixe uma nova dinâmica. Quero, acima de tudo, dizer que o mais importante, e o que as pessoas podem continuar a contar, é que vamos continuar a estar na Junta de Freguesia para a população, e que, aos poucos, vamos tentando juntos trilhar o caminho. Estes são os projetos que temos de imediato, mas ao longo do tempo vamos reunindo com a população, vão surgindo outras ideias, porque a nossa sociedade é dinâmica e de dia para dia carece de algumas alterações e de ideias novas.

 

BI
Nome: Jaime Vieira
Formação: Sociólogo
Natural de Rabo de Peixe
Cargos: Deputado regional, presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, presidente do Clube Desportivo de Rabo de Peixe, membro da Irmandade das Festas da Caridade e membro da Comissão Política Concelhia do PSD da Ribeira Grande.
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