A 29 de junho de 1981, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprovou o Decreto Regional n.9/81/A, que permitiu elevar de vila a cidade a Ribeira Grande. Após várias reivindicações, era chegado o dia por muitos esperado.

Composta pelas freguesias da Ribeira Grande – Matriz, Conceição, Ribeira Seca, Ribeirinha e Santa Bárbara, não há nenhum micaelense que não conheça a apelidada “cidade norte” da ilha de São Miguel. A cidade, com cerca de 13 mil habitantes, é também sede do município com o mesmo nome e nela habitam pouco mais de 32 mil pessoas.

Este ano, por opção da organização do município, poucos são os convidados para a sessão solene comemorativa do aniversário da cidade, que este ano se realiza nos Paços do Concelho, sendo ainda transmitida ‘online’ através das redes sociais da Câmara Municipal para que todos se sintam parte integrante da mesma. Não haverá homenageados com medalhas de Mérito ou do Município de forma a evitar ajuntamentos, tendo a Câmara Municipal preferido seguir as recomendações das autoridades de saúde.

Quis a situação que as comemorações do 39.º aniversário e feriado municipal fossem hoje feitas de forma diferente, numa data também coincidente com as tradicionais Cavalhadas de São Pedro na Ribeira Seca: o Rei, os vassalos, os corneteiros e os peões não montarão a cavalo pelas principais artérias das cinco freguesias, dando continuação a uma tradição secular, mas, simbolicamente, alguns entrarão na igreja para declamar versos em honra de São Pedro.

Para comemorar as festas da cidade, o AUDIÊNCIA Ribeira Grande preparou uma edição especial, levando até aos leitores testemunhos dos presidentes de Junta de Freguesia que compõem a cidade assim como do presidente da Assembleia Municipal e, ainda, uma entrevista alargada ao presidente da Câmara Municipal.

 

 

  Cavalhadas de São Pedro

Reza a história que em 1563, após o vulcão do Pico do Sapateiro ter entrado em atividade, a Ribeira Seca ficou quase totalmente subterrada, ficando a ribeira seca. No entanto, a lava rodeou a ermida de São Pedro e a imagem ficou intacta, o que foi considerado por muitos um milagre.

Anos mais tarde, quando outro vulcão entrou em erupção, o Governador da ilha, que habitava em Vila Franca do Campo, lembrou-se do milagre ocorrido na Ribeira Seca e prometeu que se o seu palácio e a sua esposa (que estava grávida) sobrevivessem, havia de visitar aquele santo todos os anos no seu dia (29 de junho), enquanto tivesse vida.

Apesar da grande destruição causada pelo vulcão, a família e o palácio do Governador foram poupados, pelo que a 29 de junho dirigiu-se em longa procissão com os seus vassalos, mordomos do Espírito Santo e simples peões, envergando os seus melhores trajes.

Chegados à ermida, o fidalgo declamou em quadras a vida do Santo, deu sete voltas ao adro (representando os sete dons do Espírito Santo) e dirigiu-se para a Ribeira Grande, onde deu três voltas à igreja do Espírito Santo e três à ermida de Santo André, irmão de São Pedro, tradição que ainda hoje se mantém.

Anos passados, cada vez mais o povo se juntava a este cortejo. O Governador morreu, mas a devoção já era grande e por isso continuou-se a celebrar esta festa.

Atualmente as Cavalhadas concentram-se durante a manhã do dia 29 junto ao Solar da Mafoma, saindo em desfile até à igreja de São Pedro. O percurso continua indo até à cidade da Ribeira Grande, continuando a haver as três voltas à igreja do Espírito Santo e à ermida de Santo André.

No ano passado, o desfile incorporou 130 cavaleiros, dos quais dois lanceiros à cabeça, seguindo-se em duas filas ordenadas os cavaleiros. À frente, entre as filas, segue o Rei seguido de três corneteiros. O final do cortejo volta a ser fechado por dois lanceiros.

Hoje, de forma simbólica, os versos serão feitos dentro da igreja pelos personagens principais que estarão no coro-alto, após a missa em honra do padroeiro da Ribeira Seca. O Rei está acompanhado por dois lanceiros, por um corneteiro ao invés de três e, ainda, pelo cavaleiro mais antigo, em representação de toda a cavalariça.

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