A origem do restaurante Pedro dos Frangos remonta a 1939 como casa de pasto. Em 11 de novembro de 1961 o seu fundador, Pedro da Silva, criou a “Casa do Pedro” e foi no final da década de 70 que este estabelecimento passou a ser denominado “Pedro dos Frangos”, nome pelo qual é conhecido atualmente. Após o falecimento do proprietário do restaurante, em 1988, José Gonçalves assumiu a liderança do projeto, que, hoje, é gerido pelo seu filho. Em entrevista ao AUDIÊNCIA, Nuno Valente, gerente do restaurante Pedro dos Frangos, falou sobre a história, o presente e o futuro desta casa, que conta com 60 anos de vida e é conhecida pelo frango fechado no espeto, assado na brasa e pela sua oferta de pratos de cozinha tradicional portuguesa.

 

 

 

O restaurante Pedro dos Frangos comemorou, no passado dia 11 de novembro, 60 anos de existência. Qual é a história da fundação desta casa, que é uma referência no coração da cidade do Porto?

Sim, de facto, nós somos uma casa que, como eu costumo dizer, já faz parte do património da cidade. O Pedro da Silva era meu tio-avô e fundou o Pedro dos Frangos em 1961. Depois, por uma questão hereditária, o senhor Pedro não tinha filhos, só tinha filhas e elas não queriam continuar com o negócio, então o meu pai, que se chama José da Silva Gonçalves deu continuidade ao projeto do Pedro. O meu pai é de Baião e veio trabalhar para aqui, para o Porto, com 10 anos de idade, pois não queria ficar nos campos com os pais e quando o Pedro faleceu o meu pai não só continuou o projeto iniciado pelo meu tio-avô como o valorizou. Eu sou mais recente. Eu sou filho do senhor José Gonçalves e a full-time só estou, aqui, há 20 anos, embora eu já ajudasse, pois vinha para aqui ajudar o meu pai quando tinha férias da faculdade e da escola. Entretanto, eu acabei a minha formação académica e fui ficando, pelo que, hoje, eu estou aqui de pedra e cal a ajudar o meu pai e, hoje, sou até mais eu que estou à frente do negócio, embora o meu pai tenha sido o meu grande professor e continue a ser o meu grande suporte na casa, como é óbvio.

 

Falou sobre um projeto que começou com o seu tio-avô. De que forma é que o Nuno e seu pai têm dado continuidade, honrado e respeitado a identidade deste restaurante que foi fundado pelo senhor Pedro?

Eu acho que nós temos uma identidade muito própria, porque, para além da nossa especialidade, que é o frango e que, aqui, é assado de uma forma diferente, pois é assado inteiro e não aberto, como é usual em todas as churrasqueiras, o nosso frango tem, também, a característica de, ainda hoje, ser assado e temperado da mesma forma que era feito há 60 anos, aquando da abertura desta casa, ou seja, não existe diferença alguma e isso é, desde logo, uma grande identidade, que perdurou. Nós não alteramos nada. O tempero é o mesmo, o modo de assar é o mesmo, é a carvão, e isso eu considero que seja uma marca forte, só que, com os anos, o Pedro dos Frangos foi aumentando o espaço, a lotação. Depois, o nosso tipo de cozinha, que, para além do frango, foi sempre um tipo de cozinha tradicional portuguesa e, depois, são as pessoas. As pessoas é que fazem, também, a identidade da casa. As pessoas, à medida que vão gostando daquilo que nós apresentamos, vão-nos cativando, enquanto nós as cativamos, e, neste contexto, eu posso dizer-lhe que, hoje, nós temos quase três gerações de clientes a frequentarem o Pedro dos Frangos e isso enche-nos de orgulho, sabermos que a identidade do Pedro dos Frangos foi passando de geração em geração. Portanto, a marca forte do Pedro dos Frangos é continuar a ser uma casa familiar, continuar a ser uma casa que apresenta pratos de cozinha tradicional portuguesa, com qualidade e é isso o que nós tentamos aperfeiçoar todos os dias. Eu considero que nós somos uma grande família e junto colaboradores, fornecedores, clientes e isso é o que nos marca. A grande identidade que nós temos é essa mesmo, é uma família que nós tentamos preservar.

 

Para além do frango, que outras especialidades reinam nesta casa?

Para além do frango, não podem faltar as tripas à moda do Porto, como é óbvio, até porque estamos no centro da cidade e isso tinha de ser um ponto assente, tinha de estar na ementa e é algo que servimos todos os dias. Depois, temos a particularidade de, nos fins de semana, termos cozido à portuguesa, cabrito assado no forno, vitela assada, que é muito procurada por muitos, bacalhau à Zé do Pipo e filetes de polvo, que, também, são uma marca bastante forte, aqui, no Pedro dos Frangos. Eu estou a falar destes pratos, mas podia dizer que à quarta-feira temos o bacalhau cozido com grão, à quinta-feira temos o rancho, à sexta-feira temos os rojões, tudo cozinha tradicional portuguesa, em que temos, até em alguns dias da semana, pratos que são fixos e que as pessoas já conhecem. São estes, de facto, os pratos principais da casa, para além de outros, como é óbvio.

 

O Pedro dos Frangos foi protegido pelo programa municipal Porto de Tradição. De que forma é que honra esta proteção e constituí uma marca identitária da cidade Invicta?

É, de facto, a identidade da casa com a cidade. Eu costumo dizer que os portuenses são os vendedores da nossa casa, são eles que nos projetam, para que outros clientes nos visitem e estou a falar agora, por exemplo, de turistas. Eu acho que são as pessoas do Porto, que aconselham aos turistas o Pedro dos Frangos, porque conhecem o Pedro dos Frangos, sabem que vão comer bem, vão comer cozinha tradicional portuguesa e não vão pagar caro e isso, parece que não, mas é distintivo da casa. Para termos sido galardoados com o facto de sermos uma casa Porto Tradição, que, no fundo, quer dizer uma casa de interesse histórico e social para a cidade, nós tivemos de preencher determinados requisitos e, de todos eles, o maior era a identidade das pessoas, dos clientes que nos visitam. Para isso, nós precisamos de depoimentos de clientes e, de facto, ficamos muito contentes, em 2020, por termos conquistado esse reconhecimento. Inclusive, quando fizemos 60 anos, também no âmbito desse reconhecimento, convidamos o excelentíssimo senhor presidente da Câmara, Rui Moreira, e ele fez questão de estar presente no nosso aniversário, para inaugurar uma placa e almoçar connosco e isso muito nos honrou.

 

O Pedro dos Frangos é uma das casas mais antigas da cidade do Porto. De que forma é que vivenciou e está a vivenciar a situação pandémica decorrente da proliferação da covid-19 em Portugal e no mundo?

Podemos dizer que passamos um ano de 2020 muito mau, aliás todos passamos. De facto, a restauração foi muito prejudicada e nós fomos muito lesados no ano de 2020 e no início do ano de 2021 e, agora, já estamos a sentir um aperto, porque nós esperávamos que no mês de dezembro ocorresse, um bocadinho, o desafogar de toda a crise, que nós passamos nos dois últimos anos, mas com as novas restrições receamos que as pessoas fiquem amedrontadas e não saiam. Mas, de facto, foram dois anos maus, com custos fixos, que se mantiveram todos os meses. É verdade que tivemos alguns apoios, mas não chegam, como é óbvio. Posso dizer-lhe que nós temos mais de 20 colaboradores, não despedimos ninguém e conseguimos isso, porque, porventura, tínhamos uma estrutura já forte e conseguimos aguentar a situação, mas foram períodos muito difíceis e todos fizemos esforços e tivemos de nos adaptar e nos readaptar, para fazer face a esta pandemia. Quanto ao futuro, não podemos fazer planos muito longos, isto é a curto prazo, porque não sabemos o dia de amanhã, As medidas restritivas mudam quase semana após semana e temos um pouco de receio de não sabermos todas as regras, que são limitativas, que nos impõem dificuldades e nos impedem que trabalhar a 100%, como gostaríamos.

 

Acredita que a Câmara Municipal do Porto esteve atenta às dificuldades da restauração, numa altura que foi tão difícil?

Nós dizemos sempre que os apoios são sempre poucos. Percebo que a Câmara Municipal recebeu muitos pedidos de ajuda, com certeza. Quando ao nosso setor, houve, de facto, uma ajuda para conseguirmos readaptar o estabelecimento, no contexto da pandemia, mas os apoios são sempre escassos, porém, de facto, tivemos esse apoio. Se me perguntar se podia ter sido mais, eu claro que digo que sim, mas não posso dizer que não houve nenhum, porque houve, de facto, algum apoio, contudo é sempre pouco.

 

Quais são as suas perspetivas para o futuro?

Eu, cada vez mais, não faço muitos planos a longo prazo, porque estamos numa fase de grande mutação e não sabemos o que é que vai acontecer, por exemplo, daqui a duas semanas. Este costuma ser um mês bom, no geral, para a restauração e o comércio local, mas com estas novas variantes, com estas novas regras que começaram no dia 1, notamos que não foi um dia 1 de dezembro como há uns anos atrás. Não sei qual o motivo, não sei se as pessoas já estão receosas de sair, ou estão a precaver-se por causa da proliferação da nova variante. Por isso, as projeções são sempre a muito curto prazo e nós tentamos readaptar-nos, que é a nossa função, para que as coisas funcionem. Nós, da nossa parte, fazemos tudo, para que o cliente se sinta bem na nossa casa, com as devidas precauções e é isso o que nos compete fazer.

 

Imaginando um mundo pós-pandemia, quais são os seus maiores sonhos?

No pós-pandemia, pretendemos readquirir a confiança dos nossos clientes, pois muitos não saem ou não vêm por medo e queremos que eles nos visitem e se sintam bem aqui. O grande desafio será regressarmos ao período que vivíamos antes da pandemia. É que claro que, se não houver pandemia, seremos mais visitados do que somos agora e teremos mais turistas a visitarem-nos, a conhecerem a nossa casa e é isso o que eu pretendo. Por isso, no pós-pandemia o que eu pretendo é readquirir a confiança de todos, para que, juntos, consigamos desfrutar, sair, ir ao comércio local, ir à baixa e ir ao Pedro dos Frangos.

 

Qual é a mensagem que gostaria de transmitir?

A mensagem que eu queria transmitir era que desejo a todos saúde, porque isso é importante. Também anseio que todos consigamos sair desta pandemia ilesos. Infelizmente alguns não conseguiram, mas é isso o que eu pretendo e é isso o que eu desejo para todos, principalmente nesta época natalícia, que estamos a viver. Depois, a mensagem que eu deixo é que as pessoas fiquem com um ânimo maior, mais contentes, porque se as pessoas estiverem mais felizes, quer seja a nível pessoal, quer seja a nível profissional, vão, com certeza, querer usufruir e ir a um restaurante, a uma loja de roupa, a um bar, a uma discoteca e o comércio precisa de alegria, precisa de movimentação e é isso o que eu desejo, que seja próximo e que já em 2022 seja um ano igual ao antes-pandemia e que seja benéfico para todos, para que todos ilesos, com saúde, possamos viver de uma forma mais descansada. Desejo a todos os leitores do AUDIÊNCIA e a todos em geral, um feliz Natal, um próspero Ano Novo e saúde.