O Ano Novo poderá defraudar os melhores votos que todos desejamos para nós, os outros e o mundo, se as lideranças dos países mais fortes e desenvolvidos não derem o exemplo de esforço conjunto no sentido da Paz e do respeito da soberania de cada um e de todos.

No momento presente, o foco centra-se na tensão entre a Rússia e o Ocidente sobre a Ucrânia e os russos admitem recorrer ao seu arsenal nuclear caso haja «uma confrontação com a linha vermelha» que Vladimir Putin traçou ao afirmar que a Rússia assumiria escaladas militares «apropriadamente retaliatórias» em resposta à «posição agressiva» do Ocidente.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Ryabkov, avisou por seu lado que «uma falta de progresso em direcção a uma solução político-diplomática» levará a um conflito, no caso de a NATO persistir em fornecer militarmente a Ucrânia com armamento sofisticado e esta posição de força surge numa altura em que o Kremlin continua a afirmar oficialmente que não está a preparar nenhuma invasão à Ucrânia, como tem sido propalado.

O certo é que uma eventual guerra teria consequências «desastrosas» também para toda a Europa, pois alguns milhões de ucranianos poderiam procurar refúgio noutros países do Velho Continente e além disso existiria uma ruptura na cadeia de fornecimento alimentar da Europa e de África, que de alguma forma depende também da Ucrânia.

As ameaças russas estão directamente relacionadas com a intenção da Ucrânia em aderir à NATO, bem como com a aproximação à União Europeia, tudo isto com a forte aprovação e ajuda dos Estados Unidos e como tal Putin tem pressionado a NATO para não aceitar a Ucrânia, mas também a Geórgia, outro vizinho da Rússia, como membros, pois a Rússia está preocupada com a possibilidade de vir a ter bases da NATO, com novos tipos de tecnologia militar avançada, junto às suas fronteiras.

Esta preocupação russa arrasta-se desde 2008 quando foi assinado um compromisso que abre a porta da NATO à Ucrânia, presidida por um regime político de cariz neo nazi, e à Geórgia, assim aumentando a tensão actual, acrescido o facto de os ucranianos estarem a pressionar os países ocidentais no sentido de acelerarem o mais possível essa adesão.

Mas, do lado contrário, Putin quer um acordo escrito que assegure que isso não vai acontecer, bem como a garantia de que os sistemas de mísseis da NATO não serão implantados nestes e noutros países vizinhos.

Com o ocidente no confronto contínuo com a Rússia, situação que já vem de longe, Putin incrementa as relações com Xi Jinping, presidente da China, com quem manteve uma cimeira virtual que serviu para fortalecer os laços entre os dois países, dado que também a China se tornou num alvo preferencial dos Estados Unidos que reconhecem este País como o seu maior rival económico.

Esta cimeira serviu para marcar uma posição conjunta, para reforçar as relações entre os dois países no âmbito da cooperação militar, mas também da protecção dos investimentos e interesses comerciais mútuos, nomeadamente na área da energia.

China e Rússia formam, pois, uma espécie de muralha unida contra a posição agressiva ocidental, numa altura em que os dois países são alvos selectivos, sobretudo da administração estado unidense e seus aliados.

Existem ainda focos de tensão na América Latina, África e Próximo Oriente com especial relevância para a Palestina, onde continuam os confrontos com o sionismo, aliado incondicional dos Estados Unidos, em que o terrorismo de Estado é a palavra de ordem, situações estas sem fim à vista.

A par destes preocupantes acontecimentos, o mundo continua e continuará a sofrer com a crise pandémica e as controvérsias na luta para a sua eliminação, mas também não podemos descartar as contínuas agressões ao meio ambiente para às quais as guerras constituem um negativo contributo, assim como a desmatação florestal em vários continentes, a exploração e roubo dos recursos naturais e o uso de produtos altamente tóxicos nas explorações agrícolas, um pouco por todo o lado, ou seja o capitalismo explorador na sua predilecção.

Cá pelo nosso recanto à beira mar plantado, passaram vinte anos desde que entrou em circulação o euro, ou seja, o nosso País deixou de ter uma moeda, uma política monetária, financeira e cambial independentes e a realidade desmente a propaganda e dá razão aos que, como o PCP, previram e preveniram para os impactes negativos da adesão que irão continuar no próximo ano se não existirem políticas que os possam impedir ou minimizar.

Espera-se que o novo governo, surgido em resultado das próximas eleições, consiga ultrapassar problemas sociais, laborais e económicos, nomeadamente eliminar a pobreza de dois milhões de portugueses, dar resposta ao desemprego, aos baixos salários ou baixas pensões, aos horários de trabalho desregulados ou precariedade laboral, à falta de acesso à Habitação ou risco de a perder, a promover melhores Transportes, a apostar seriamente no SNS e no relançamento da economia.