A poucos meses do final do seu segundo mandato, Ernesto Santos, presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, admite ao AUDIÊNCIA que será recandidato nas próximas eleições autárquicas e que estas podem ser umas eleições “mais fáceis”, já que, devido ao seu mérito e trabalho feito nos últimos oito anos, não terá adversário do Movimento de Rui Moreira. Lembrando os primeiros tempos e deixando vários projetos e ideias para este último ano que espera conseguir realizar, Ernesto Santos continua a querer colocar as pessoas, a cultura e o movimento associativo na linha da frente das suas prioridades, sem esquecer algumas obras emblemáticas que espera ver concretizadas.

 

 

 

Qual o seu percurso no mundo da política, nomeadamente desde que tomou posse como presidente da Junta de Freguesia de Campanhã?

No mundo da política, tenho uma história já longa, porque logo após o 25 de Abril fiz muita intervenção, nunca filiado em partido algum, mas tinha muita intervenção com grupos de amigos e em 1993 ingressei na vida autárquica. Fui membro da Assembleia desta autarquia de 1993 a 1998, altura em que faleceu um elemento do executivo e eu entrei para o executivo, até hoje. Portanto, são 33 anos, é uma vida, até eu às vezes não me dou conta de tal, mas é uma vida. O que tenho feito, acho que as eleições têm falado por si, há oito anos fui eleito pela primeira vez, há quatro anos fui reeleito e agora vou para a corrida para tentar nova reeleição. Se calhar, hoje, as coisas são mais fáceis porque o Dr. Rui Moreira não vai apresentar candidato em Campanhã, em consideração à minha pessoa e ao meu trabalho segundo ele me disse. Portanto, suponho que seja um pouco mais fácil, pelo menos não haverá uma luta tão intensa e espero cá estar mais quatro anos e por fim, então, à minha carreira política. Tenho já 73 anos, daqui a quatro anos terei 77 e acho que é a altura de me reformar. E se fosse mesmo reforma paga, já tinha uma excelente reforma.

 

Como foi o seu primeiro dia como presidente de Junta?

Tomei posse no dia 22 de outubro de 1993, quando pensei vir encontrar uma Junta saudável afinal não era assim tanto. Deparei-me com algumas dívidas, emboras elas tivessem razão de terem sido feitas, nomeadamente foi o meu antecessor que construiu o auditório e quando esperava alguns fundos eles não apareceram e a Junta teve de pagar integralmente, com os prazos dos bancos ficou muitíssimo mais caro. Portanto, encontrei a situação do ponto de vista financeiro um bocado periclitante, dado que os meus três primeiros anos, ou seja, o primeiro mandato, foi para sanear financeiramente a Junta. Consegui, hoje a Junta respira uma saúde financeira boa, é uma autarquia boa, e ainda recentemente tive um dos dias como autarca mais bem conseguido da minha vida, porque inaugurei o Centro Cultural de Convívio das Areias, com a presença do presidente da Câmara também, que é um investimento da ordem dos 250 mil euros, e que a Câmara, através do Orçamento Participativo, colaborou em 100 mil euros. Isto começou em 2019, quanto tive a pretensão de o fazer, comprei o prédio em ruínas quase e todo o terreno que são mil metros quadrados, e comprei com expensas próprias da Junta, e depois para a reconstrução foi exatamente no ano em que a Câmara lançou os Orçamentos Colaborativos e lançou de 100 mil euros e falei com o presidente que me disse para avançar. No segundo e terceiro Orçamento Colaborativo, em 2020 e 2021, distribui todo o Orçamento Colaborativo, até ao último cêntimo, pelas associações. Quer dizer que nestes últimos dois anos foram distribuídos ou investidos 300 mi euros no movimento associativo de Campanhã. Alguns, naturalmente, não foram contemplados até porque os seus projetos, por vezes, não tinham a consistência que se lhes pede, mas também se deve às vezes pela incultura dos dirigentes associativos que não estão habituados a fazer projetos, principalmente os desportivos, mas há um júri que decide e eu nunca interferi na decisão, o júri é completamente neutro e isento, mas é uma grande ajuda para muitas associações que lhes permite levar para a frente alguns dos seus objetivos. Mas claro que, com toda a franqueza, este dinheiro vem da Câmara, a Câmara resolveu, por bem, entregar às Juntas determinada quantia, a todas por igual, e as Juntas têm, de certa forma, acho que a única que nestes dois anos seguidos investiu todo o dinheiro no movimento associativo foi Campanhã.

 

Enquanto presidente de Junta, qual foi o momento mais marcante para si?

Ainda não era presidente de Junta, foi no dia da minha primeira eleição, sem dúvida que a alegria foi esfusiante porque estávamos numa altura em que foi precisamente também o primeiro ano do Dr. Rui Moreira e pensava-se que as coisas estariam um bocado negras. Mas não foi assim tão negro. A reeleição também foi outro dia muito feliz para mim, naturalmente, já com menos votos embora com os mesmos membros na Assembleia, votos esses que caíram no Movimento Rui Moreira. Agora, devido aos vários problemas de saúde que tenho tido era para não concorrer, e o que me leva a concorrer é, de facto, o incentivo do presidente da Câmara que não é da minha cor partidária, portanto, acho que é um caso inédito na política. Ver a política como adversários e nunca como inimigos. Tanto eu para o presidente da Câmara como o presidente para mim, tem funcionado desta forma. Conhecia-o da Associação Comercial do Porto mas não o conhecia bem, hoje posso dizer que somos amigos porque, de facto, graças ao mérito de cada um, a Câmara com as suas competências e a Junta com as suas, tem feito um trabalho excelente. E ele reconheceu esse meu mérito, o meu trabalho, e entendeu não propor candidato a Campanhã.

 

Mas gerir os destinos de uma freguesia desta dimensão não deve ser fácil. Quais sãos os pontos negativos e os pontos positivos?

Os pontos negativos continuam a ser a falta de competências que o Estado e as Câmaras passam para as Juntas. Por exemplo, em Gaia ou em Gondomar, as Juntas têm competências que no Porto não existem. Esse é um dos pontos que considero negativos e que espero ver resolvido num futuro próximo porque as Juntas têm capacidade intelectual e de conhecimento para levar a bom termo parte dessas competências. Basta ser preciso um arranjo num jardim que ninguém vai à Câmara, ligam para a Junta e a Junta é que tem de acionar os meios da Câmara para que eles venham. E felizmente aqui, graças à boa convivência que temos, tenho de ressalvar que nunca o Rui Moreira me tratou de forma diferente dos seus presidentes. Dos sete, ele tem cinco, a mim nunca me tratou de forma diferente, o outro é o Alberto Machado de Paranhos que não tem funcionado tão bem, mas isso também tem a ver com o que é o Alberto Machado dentro do PSD. Felizmente eu não estou nos aparelhos do partido, aliás, nem sequer nunca fui secretário coordenador aqui da secção de Campanhã, coisa também que foi inédita porque o presidente era sempre o secretário coordenador de Campanhã, foi sempre assim até à minha eleição. Antes um bocado da minha eleição, pediram-me para concorrer ao secretariado senão não podia ser presidente de Junta, mas lá se convenceram a meter outro individuo que não tinha pretensões de ser presidente de Junta e nomearam-me a mim como candidato à Junta. Não é uma questão de me impor a nada nem a ninguém, mas antes de reconhecer qualquer coisa reconheço o meu próprio valor, e depois acho que meritocracia reconheço o valor de muita gente, tem muito mérito gente que trabalha à minha volta, membros do executivo, funcionários até com quem me deu muitíssimo bem, porque é a minha forma de estar na vida, de uma forma aberta e de vez em quando tenho de chamar um ou outro à atenção mas isso é passageiro. Portanto, tem sido assim a minha vida autárquica, e um dos momentos felizes foi quando, nos Açores, recebi o troféu AUDIÊNCIA, pelo reconhecimento que o jornal teve comigo.

 

O que mudou em Campanhã desde a sua chegada em 2013 como presidente de Junta?

Campanhã tem tido um avanço muito significativo, a olhos vistos. Tem o avanço do interface que está praticamente concluído, tem a despoluição do rio tinto e o alargamento até ao Freixo que é uma obra de muita valia para Campanhã, tem a construção, que está a iniciar-se, do matadouro, que entendo que vai ser a mola que vai dar o salto em Campanhã a nível comercial, a nível de emprego, a nível de muita coisa, o matadouro é a minha esperança que seja o salto para Campanhã. Tudo isso são mudanças significativas, assim como uma coisa que alterou muito foi a questão dos bairros sociais, a requalificação dos bairros sociais, que começou, aliás, com o Dr. Manuel Pizarro enquanto vereador da Habitação. Mas neste mandato passado tem feito também um excelente trabalho e tem de ser referenciado porque torna a freguesia mais bonita. Tenho, por exemplo, um orgulho enorme em passar no Bairro do Falcão, porque está bonito. Uma das minhas alegrias também foram as rusgas são joaninas porque quando eu cheguei as rusgas tinham parado e eu reiniciei-as e fui uma vez 3º, no ano seguinte 2º, e quatro anos seguidos 1º. Fui tetra campeão com a colaboração do Bairro do Falcão que é a coletividade que organiza a rusga com o patrocínio da Junta. Geralmente a rusga era feita cada ano por um diferente, mas era um desastre e eu tenho dito sempre que em equipa que ganhe não se mexe. Quando cheguei a Campanhã o que havia era associativismo desportivo, futebol. É claro que eu sou um homem do associativismo e comecei a idealizar outras coisas e, neste momento, temos teatro bastante forte em Campanhã, o Novo Ato e o Teatro Amador de Campanhã, temos um clube de Karaté que é fortíssimo, temos o GimnoCerco por exemplo que também teve o nosso apoio e que continuará a ter na sua caminhada porque é uma associação que nem sequer tem legalização financeira, foi uma associação voluntária que apareceu, os miúdos que faziam a ginástica na escola passaram a encontrar-se e formaram a companhia GimnoCerco, mas isto tudo na cabeça de cada um e nada no papel. Por isso, apoiamos no que podemos, nas deslocações e até para irem as próprias famílias e tudo, e vamos agora apoia-los na sua legalização para podermos transferir apoios. Mas tudo isto, a nível associativo, tem também o seu reflexo. Por isso, o auditório, que tem taxas, mas tirando a formação que se possa lá fazer eventualmente pelo IEFP, não tenho mais taxa alguma do auditório. Não cobro um cêntimo às associações, nem aos espetáculos, ainda recentemente houve lá um espetáculo da APPC que é, dentro desta freguesia, a maior instituição de inclusão social. Por acaso, o presidente, Abílio Cunha, é uma pessoa também com quem me dou muitíssimo bem porque e tenho uma admiração enorme por ele, porque é um homem que, com as deficiências que tem, não se julga, e ainda bem, deficiente e leva para a frente um barco daquele tamanho que é a APPC, que tem vários polos, sendo que o mais forte é aqui em Campanhã, e leva-o para a frente com uma dignidade fora de série. Tenho também de realçar a excelente relação com o Agrupamento de Escolas, principalmente com o Agrupamento de Escolas do Cerco que é o agrupamento que mais escolas serve na freguesia e que trabalha lindissimamente bem. Numa escola como a do Cerco, se houver 10 alunos excelentes conta mais do que numa outra qualquer haver 50, porque esses alunos vêm de famílias iletradas e os outros 50 vêm de famílias de doutores. Ainda agora há alguns miúdos que têm o curso de música com uma parceria com a Escola de Música Silva Monteiro e têm saído alguns para a Orquestra Juvenil de Bonjóia. Isto é trabalho que, às vezes, não se vê, porque também a comunicação social quando começou a falar do Cerco do Porto foi quase na mesma ordem que falava do bairro S. João de Deus ou o bairro do Tarrafal, só pela negatividade que o próprio bairro tinha. E foi muito difícil e continua a ser um trabalho exaustivo levar os meios de comunicação a virar a agulha. Não é tapar os olhos nem esquecer, mas evidenciar também o que se passa de bom na zona do bairro do Cerco do Porto. Isso tem sido, de certa forma, conseguido, inauguramos recentemente o novo Centro de Saúde, que neste momento funciona só como centro de vacinação, e é também uma mais-valia para a freguesia e tem havido uma série de eventos como a beneficiação da Praça da Corujeira, a casa de São Roque, o Palacete Ramos Pinto, que a Câmara, na altura, fez uma parceria com um privado e é também um marco porque estava ali um edifício a desmoronar-se aos poucos, temos também um projeto feito que iniciei no meu primeiro mandato, que é a Quinta da Bonjóia, conhecida por Quinta da Mitra. É um espaço maravilhoso que foi cedido há 40 anos à Junta de Freguesia de Campanhã para fazer ali o seu edifício sede mas ainda bem que não fizeram, ainda bem que na altura não havia dinheiro para o fazer porque a localização na era das melhores para questões de mobilidade. Mas o edifício estava a desmoronar-se por completo, portanto, há que solidificar o edifício, por um telhado novo e ainda gastamos ali à volta de uns 40 mil euros. Até que o senhor vereador do Urbanismo e a vereadora da Mobilidade propuseram-me “um negócio”, que seria que a casa pudesse ficar de apoio a atividades lúdicas de um pai que traz, por exemplo, um filho mas que precisa de tratar de um assunto e naquele intermédio deixa ali a criança. Agora, posteriormente, as ideias já não são as mesmas mas vão lá montar o gabinete do Urbanismo da zona oriental do Porto. É um edifício bastante grande que dá metade para atividades da Junta e a outra metade ficará, então, ao serviço do gabinete do Urbanismo. A Câmara propõe-se a fazer as obras todas o que para nós é ótimo, porque é nas pequenas vitórias que se fazem as grandes conquistas. E às vezes as derrotam também servem para as fortalecer.

 

Falou há pouco da peça de teatro da APPC que estreou no passado dia 19 de junho. Qual a importância desta peça, assim como do festival na qual está inserida? A cultura também é uma das suas principais bandeiras?

Claro. Não tínhamos nenhuma associação dedicada ao teatro, hoje temos seis associações e três delas bastante fortes. Temos o Novo Ato, temos a Companhia de Teatro Amador de Campanhã e temos a APPC que desenvolvem um trabalho excelente. Estamos também com um projeto para que os alunos façam teatro, que sejam os alunos os atores das peças. Está-se a iniciar esse caminho, e acho que vai a bom termo, porque há muita vontade também da parte escolar, nomeadamente do diretor Dr. Manuel António, que é um homem que colabora muito com a Junta, e a Junta também vai colaborando, mas colaboramos mais com as Associações de Pais do que propriamente com as escolas que têm os seus orçamentos próprios. E eu, o Dr. Manuel António e o Abílio Cunha da APPC temos uma certa cumplicidade entre os três que agora a pandemia tem travado um pouco, porque almoçávamos juntos por várias vezes, mas não travou a nossa conversa e sempre que é preciso qualquer colaboração de ou para, ela está garantida.

 

Já falou de várias obras, materiais e imateriais, mas durante o desempenho das suas funções quais foram as obras materiais mais importantes, assim como as imateriais?

Em relação ao imaterial, já falamos na cultura, no desporto, na educação, e falamos nas pessoas. Porque para nós, de certa forma, a pessoa é a coisa mais importante que há, principalmente as que têm dificuldades financeiras. Há pouco falava da dificuldade de gerir uma Junta como esta, e é mais no aspeto social do que propriamente pela sua grandeza. Sem dúvida que esta freguesia sozinha é um quinto de todo o concelho, em habitação é Paranhos, mas é pela sua grandeza, e pelos fregueses. Nunca recuso em receber fregueses só que, por vezes, fazem pedidos que não posso ser eu a resolve-los porque não defiro qualquer pedido sem um relatório da Ação Social.

 

Considerando que estamos a poucos meses do fim do seu segundo mandato, qual o balanço que faz destes quase oito anos, sendo que este último foi marcado por uma inesperada pandemia? Condicionou os seus objetivos?

Diria que, pelo contrário, a pandemia alargou, do ponto de vista social, os objetivos. Isto porque foram mais as pessoas a recorrer à Junta, portanto, os apoios foram mais e chegamos a mais pessoas, porque, como já disse, tenho um excelente gabinete de Ação Social e atendo, todos os dias, a qualquer hora as pessoas, sendo que a maior parte delas não têm marcação. É claro que até me condicionou bastante mais a minha saúde do que a pandemia, porque essa nunca me assustou, com todos os cuidados, que tomei sempre, aliás, eu já estou vacinado. O meu maior condicionamento foi mesmo a minha saúde e os tempos que passei hospitalizado porque de 2017 a 2020 tive 18 internamentos, foi marcante, mas felizmente tinha aqui um executivo que me apoiava, que me telefonava diariamente a contar o que se passava, e mesmo no hospital estava a trabalhar. A pandemia veio aclarar a necessidade de ver a miséria que existe em freguesias como esta, porque as pessoas ou vivem da construção civil que parou durante muito tempo, ou das limpezas que também deixaram de ter tanto, da restauração, tudo setores que sofreram de despedimentos. E é isto que o Estado não assegurou, aliás, o Estado, até hoje, ainda não compensou as Juntas de Freguesia, pelo menos a minha, de um cêntimo que fosse com as despesas que somos obrigados a retratar todos os meses despesas da Covid, e ainda não foram capazes de retribuir um cêntimo. Ou estão à espera que as Juntas vão à falência, e que não tenham mais nada para ninguém, ou então esperemos que o senhor Primeiro-Ministro, em quem confio, que tome conhecimento disto e que dê alguns apoios, mesmo através da ANAFRE, não precisa de ser individualmente. Temos uma associação, que é a ANAFRE, da qual eu pertenço ao conselho geral, e através dela o Governo podia canalizar certos tipos de apoios. Não o tem feito, tem levado algumas Juntas à rutura financeira, porque chega-se a um ponto em que não temos mais, nenhum orçamento é infinito e os orçamentos das Juntas não são extravagantes. Felizmente que podemos reforçar bastante mais a ação social porque não fizemos o Passeio da Terceira Idade, que é uma das coisas que eu mais gosto e ainda em 2019 levamos 750 pessoas, tudo em expensas da Junta, e estou ansioso por retomar mas a pandemia não nos permite.

 

Assim como as festas, romarias e as colónias…

Sim, também não gastamos dinheiro nisso o que nos permitiu alargar mais o apoio social individual. Portanto, por vezes, há males que vêm por bem. Por isso, fazendo um balanço, sinceramente, sem falsas modéstias, faria um balanço bastante positivo. E o povo dirá. Mas faço um balanço bastante positivo da minha atuação, da atuação do meu executivo porque ninguém anda sozinho, da atuação dos meus funcionários especialmente os que estão no atendimento ao público, ou nos Correios, por exemplo, que foi uma das coisas que tomamos conta e que nos dão um prejuízo enorme. Mas não abandonamos os fregueses nessa altura. Portanto, acho que fiz, sinceramente, um trabalho dentro daquilo que me era exigido e dentro daquilo que é a competência de uma Junta destas, acho que fiz um excelente trabalho. As urnas di-lo-ão, por vezes não refletem toda a verdade, mas sim ideologias ou ouvidos cheios pela comunicação social, mas estou convencido que aqui em Campanhã vão refletir e vão-me permitir fazer o meu terceiro e último mandato.

 

Quais são os seus desejos e ambições para Campanhã e o que anseia fazer pela freguesia?

Em termos de desejos e ambições seria ter a Junta com mais competências a nível urbano. O outro, é perfeitamente natural e sei que está em curso e que será concretizado até ao final do mandato que é o que o senhor presidente me propôs, que eu acabasse os projetos de Campanhã juntamente com ele.

 

E quais são esses projetos?

O projeto do matadouro, que falamos há pouco, o projeto da Praça da Corujeira, um projeto que há de habitação para o antigo bairro do Monte da Bela que, embora tenha criado alguma contestação, acho que é o projeto justo porque vai permitir, em público-privado, a Câmara cede o terreno e o construtor as casas, que alguns jovens possam voltar à freguesia. Claro que não é renda social, é renda apoiada, acessível, e esse é um dos projetos também. A nível rodoviário a freguesia está bem servida, aliás, a mobilidade desta freguesia de e para é com a maior das facilidades que se faz, tirando a zona de Azevedo de Campanhã. E é, um dos meus sonhos, este também pessoal, só da Junta, que é construir o forno crematório que, aliás, já está em projeto, e espero, logo que possível, meter a concurso e começar a construir, porque se o fizesse neste momento tinha dinheiro que chegasse. Aliás, se eu não ficar, quem cá ficar pode cumprir esta promessa à vontade que não é minha, é da freguesia, há dinheiro que chegue para o crematório.

 

Sendo reeleito, após os próximos quatro anos, a sua intenção é reformar-se da vida autárquica. Imaginando esse momento, na sua opinião, de que forma irá continuar a marcar Campanhã?

Sou campanhense de gema, nascido, criado, casado, tudo em Campanhã. É aqui que tenho as minhas raízes, portanto, mesmo fora da vida autárquica eu continuarei a apoiar o executivo que estiver na Junta, claro, se merecer a minha compreensão e o meu apoio, mesmo que seja de outra cor política. Podem contar comigo para o desenvolvimento de Campanhã, sempre em prol de Campanhã, podem contar comigo até morrer porque estou cá para isso, assim como eu peço o apoio de outros e tenho muita gente que me apoia. E gostaria que isso acontecesse, nem que fosse para aconselhar, porque a minha experiência e sabedoria pode servir para os incentivar e aconselhar a fazer, às vezes, melhor do que cada um consegue fazer sozinho. Os meus dois antecedentes também nunca me viraram a cara, trabalhei com os dois e nunca me negaram conselhos quando tive de os pedir.

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