A União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso organizou, na noite de 24 de abril, uma sessão solene de comemoração do 48º aniversário do 25 de Abril, no auditório do Centro Paroquial São Cristóvão de Mafamude.  A celebração contou com a participação, em forma de vídeo, de crianças e jovens de escolas da União de Freguesias, bem como momentos musicais protagonizados pela Banda MUSICANTO. Além disso, todos os representantes dos partidos políticos com assento na Assembleia de Freguesias puderam usar da palavra, bem como Alexandra Amaro, presidente da União de Freguesias, e Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Gaia, que marcou presença na iniciativa.

 

VIVA O 25 DE ABRIL! VIVA MAFAMUDE E VILAR DO PARAÍSO!

Foram as frases que ecoaram na sessão solene da comemoração do 48º aniversário do 25 de Abril, organizada pela União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, na noite de 24 de abril, no auditório do Centro Paroquial São Cristóvão de Mafamude.

À entrada distribuíram-se cravos feitos à mão pelos seniores da União de Freguesias, como forma de os envolver, também, nas comemorações. As crianças e jovens, esses, deram a cara à celebração, uma vez que durante toda a cerimónia foram aparecendo vídeos de diversos estabelecimentos escolares das duas freguesias com os alunos a falarem sobre o 25 de Abril.

Música também não faltou à celebração. O momento musical foi protagonizado pelo Centro Recreativo de Mafamude, mais especificamente, pela Banda MUSICANTO.

Após a primeira fornada de vídeos dos jovens e do primeiro momento musical da noite, foi tempo de ouvir as intervenções dos partidos políticos com assento na Assembleia de Freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso.

Pedro Vergueiro, do partido Chega, foi o primeiro a tomar a palavra. Dirigiu-se ao auditório lembrando que se celebrava “talvez o dia mais marcante da história, o dia que nos permitiu a todos expressar as nossas opiniões, ter a nossa liberdade e, principalmente, eleger aqueles que nós queremos que nos dirijam”. A imagem da política em Portugal é má, garantiu Pedro Vergueiro, que deixou um alerta, uma vez que acredita que, com a guerra na Ucrânia, “a Europa está a ir num sentido que, eventualmente, pode levar à destruição daquilo que, não só em Portugal, mas no mundo, se demorou muito para construir”, a liberdade.

Já Paulo Pinho, representante do CDS-PP, relembrou, também, que foi graças ao 25 de Abril que o povo pôde começar a votar nos seus representantes, nomeadamente, para as Juntas de Freguesias, que passaram a ser mobilizados para defender os interesses da população. “A discussão de inúmeras temáticas na Assembleia de Freguesia, além de enobrecer todos os eleitos, representa o espírito da liberdade conquistada no 25 de Abril”, referiu, sublinhando, depois, que, infelizmente, a maior parte das pessoas utiliza a sua liberdade para viver num contexto de “desresponsabilização cívica, falta de respeito pelo próximo”, e chegou mesmo a referir a “danificação de imobiliário urbano, através de grafitis e outros, que consomem verbas significativas da autarquia”, como formas livres da população viver, erradamente, os princípios de Abril. “Não é este tipo de liberdade que queremos, queremos uma liberdade com responsabilidade”, concluiu o autarca, que terminou lembrando a necessidade de passar os ideais de Abril aos mais novos, para que, também eles, possam ter consciência deles e tomá-los como seus.

Foi a Coligação Democrática Unitária (CDU) que se seguiu, representada por André Araújo. O jovem deputado da Assembleia de Freguesias, fez questão de lembrar que, Abril, “sendo património do povo português, tem, no povo, de facto, o seu único dono, mas também um caminho para a sua construção e obreiros concretos que o tornaram realizável e cuja ação tem de ser valorizada e reconhecida, sobretudo em contraste com a ação daqueles que a ele se opuseram, ou têm, sucessivamente, oposto”. Na ótica de André Araújo, os princípios de Abril de 1974 devem ser vistos como pilares fundamentais para o futuro. “Abril deve ser olhado e celebrado a olhar e projetar o futuro, projetando as suas conquistas e os valores que plasmou, convocando as energias e a alegria de viver, de lutar pela construção de um Portugal desenvolvido, de progresso, de paz e soberano”, finalizou.

Carlos Eduardo Roque, em representação do Bloco de Esquerda (BE), referiu que é importante continuar a lembrar e comemorar esta data porque “à medida que este quase meio século foi passando, as conquistas de Abril foram-se esquecendo e, consequentemente, os respetivos valores foram-se dissolvendo na nossa sociedade”. Depois de uma contextualização histórica sobre a Revolução dos Cravos, Carlos Eduardo deixou perguntas no ar. “O que é que os jovens de Abril diriam se tivessem oportunidade de ver os frutos do seu trabalho nos dias de hoje? Qual seria a reação deles ao saberem que, neste momento, há mais de oito mil pessoas em situação de sem Abrigo, enquanto, só em Lisboa, há 48 mil casas vazias? O que diriam eles ao saberem que muitas outras, que tiveram a sorte de ter condições de pagar uma renda, não têm condições de aquecer as suas casas e passam frio?”, questionou, respondendo que seria descontentamento que os jovens de Abril sentiriam, e não só com a habitação, também com o sistema de Segurança Social existente e com o Serviço Nacional de Saúde. O jovem deputado disse, ainda, que os jovens que ergueram cravos em abril de 74 ficariam desolados com o risco de ascensão do fascismo que se vive nos dias de hoje, e com a crescente popularidade de ideias racistas, xenófobas, machistas e homofóbicas que “já chegaram aos órgãos de poder”.

“Eu nunca vivi, se não, em liberdade”, foi assim que Rui Trindade, do Partido Social Democrata (PSD), começou o seu discurso, lembrando que, por muitos de nós nunca termos vivido em privação da liberdade, a temos como um bem garantido. “A liberdade é frágil, é um cravo que se não for cuidado, murcha e morre”, disse em metáfora. E a ameaça à liberdade, não está, segundo Rui Trindade, apenas fora das fronteiras. “Já em Portugal, atualmente, vamos assistindo, impávidos e serenos, a partidos políticos, que deviam ser o principal garante desta liberdade, proibirem a critica livre, sanearem opositores e destilarem ódio”, apontou. O deputado do PSD falou sobre o trabalho conjunto das forças partidárias na Assembleia de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, deixando claro que, lá, “todos juntos, conseguimos construir liberdade”, até porque, para Rui Trindade, “hoje, todos temos de ser capitães de abril e saber honrar o seu legado”.

Miguel Lemos falou em representação do Partido Socialista (PS). Contas feitas, “hoje, em Portugal, pode dizer-se que são mais os dias vividos em democracia do que os dias sujeitos à ditadura e ao regime de Salazar”. Apesar de ter vivido sempre em democracia, lembra que cresceu numa família que lhe ensinou os valores da revolução. “Hoje, somos confrontados com ideias pré-concebidas de que não foi para isto que se fez o 25 de Abril, ou que precisamos de uma grande mudança de regime, ou pior, que antes do 25 de Abril é que era bom. A liberdade e a democracia são sempre obras inacabadas, e nunca estão imunes a ameaças, é sempre possível democratizar mais a Liberdade e libertar mais a Democracia”, referiu, dando conta dos desafios que ainda têm pela frente, como o desemprego jovem, as desigualdades sociais e as crises financeiras, mas com a certeza de que Abril foi bom e que a história deve ser contada às gerações mais novas, para perpetuarem esta democracia, que tanta coisa boa trouxe ao país.

Dado isto, o público pôde assistir a mais alguns vídeos de jovens e crianças a eternizar o 25 de Abril pelas suas palavras e, também, a mais um momento musical protagonizado pela Banda MUSICANTO. Depois, para a sessão de encerramento, foram chamados a discursar o presidente da Assembleia de Freguesias, a presidente da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, e o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

Tiago Braga, presidente da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, começou por dizer: “A invasão bárbara de um país a outro país, a violação brutesca do direito internacional, a explorada manipulação da comunicação, também social, a abominável desvalorização da vida humana, a inversão de valores e princípios a que todos assistimos nas últimas semanas, faz deste momento que hoje nos reúne, absolutamente importante e relevante”, referindo-se à guerra na Ucrânia. O autarca admitiu que a liberdade, a democracia, a paz, no fundo, os valores de Abril, têm de ser vistos como “um bem comum, o maior bem de Portugal contemporâneo, de um país em evolução”. “Abril não se faz com mas, nem ses, os princípios de abril são absolutos, a sua universalidade não depende do contexto, nem do momento, nem da liturgia partidária”, terminou dizendo, apelando a que todos façamos Abril, todos os dias.

Já Alexandra Amaro, presidente da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, que substituiu, recentemente, João Paulo Correia, lembrou que “nunca será demais reforçar a importância simbólica das efemérides da nossa história, como é o 25 de Abril”. Como presidente de Junta que é, fez questão de lembrar que “comemorar abril é também celebrar o poder local, uma das maiores conquistas da democracia portuguesa”, admitindo que é ao poder local que se deve muito do desenvolvimento do país nas últimas décadas, dando como exemplo o recente período pandémico e de como foram as Juntas de Freguesia e o poder local a dar as primeiras respostas a quem mais precisava.

Enquanto mulher, lembrou também que foi graças à Revolução dos Cravos que, hoje, ela e outra, podem ocupar o papel que ocupam no espaço público. Terminou com uma palavra para o momento que se vive atualmente, a guerra na Ucrânia, terminando o seu discurso com o que diz ser um desejo pessoal, mas que, na verdade, se estende à maioria: “que as armas na Ucrânia sejam substituídas pelos cravos de abril”.

Já Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, teve um discurso mais animador e contraditório face, por exemplo, ao proferido por Carlos Eduardo Roque, anteriormente. “Se perguntarmos às gentes de Abril se valeu a pena, teremos a nossa resposta: valeu a pena (…) Quem viveu Abril não tem dúvidas nenhumas de que estes 48 anos valeram muito a pena. Nós somos e fomos capazes de fazer, de um país que era dos mais atrasados do mundo, um país próspero”, disse o autarca, referindo questões como a Segurança Social “ímpar por essa Europa fora”, e o Serviço Nacional de Saúde “extraordinário e que foi posto aprova nos últimos dois anos”. O edil gaiense lamentou que assuntos como estes dos seus exemplos sejam mais valorizados no estrangeiro do que pelos próprios portugueses. “O que era Portugal há 50 anos? Este tempo não foi em vão, há quem faça parecer que estamos pior do que há 50 anos, mas não estamos”, completou.

“Os desafios de Abril não são retrógrados, lembrar Abril não é apenas lembrar o contexto que vivemos à época, lembrar Abril é inspirarmo-nos nos seus valores para respondermos aos desafios de hoje, que são desafios, substancialmente, diferentes”, disse ainda o edil gaiense.

Eduardo Vítor Rodrigues, além de destacar inúmeros projetos do concelho, fez ainda questão de lembrar, como é seu apanágio, o trabalho em rede e parceria, defendendo esse como um valor a manter para o desenvolvimento de um concelho e um país melhor: “Não temos nada para fazer uns pelos outros, temos tudo a fazer uns com os outros”

A cerimónia terminou, depois, com toda a sala a cantar, em conjunto, o hino nacional.