Para combater os números “alarmantes” do abandono e absentismo escolar nos Açores, e nomeadamente na Ribeira Grande, a autarquia vai lançar um plano para incentivar os jovens, a entrar em vigor no próximo ano letivo. O anúncio foi feito durante a primeira reunião deste ano do Conselho Local de Educação, altura em que Alexandre Gaudêncio avançou ao AUDIÊNCIA que a questão do ensino em Rabo de Peixe e a situação de sobrelotação da Escola Secundária da Ribeira Grande não estão esquecidos também.

 

A Câmara Municipal da Ribeira Grande vai avançar com um plano de combate ao abandono e absentismo escolar, que será feito ao longo do presente ano letivo, por uma equipa coordenada pela Associação Novo dia, de modo a entrar em vigor no próximo ano letivo.

O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara, Alexandre Gaudêncio, durante a reunião ordinária do Conselho Local de Educação, que decorreu no passado dia 17 de novembro, no Teatro Ribeiragrandense e surge como resposta ao número alarmante de casos de abandono e absentismo escolar, que nos Açores se situam na casa dos 28%, sendo estes dados muito superiores aos da média nacional, que registam os 10%.

“Apesar de não termos competência direita em termos de programas curriculares nas escolas, não podemos ficar de braços cruzados à espera que estes números melhorem. É por isso que pretendemos ser pioneiros num programa local para incentivar os nossos alunos a não desistirem da escola”, afirmou o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio.

Durante a reunião do Conselho Local de Educação, foram apresentadas algumas medidas que a autarquia tem já em vigor para o ensino, destacando-se os vários projetos extracurriculares, tais como a hipoterapia, a iniciação ao meio aquático, a expressão dramática, o ensino musical e a ciência divertida. Foi dado ainda destaque ao valor previsto para a atribuição de bolsas de estudo em 2022, no valor de 125 mil euros, um número recorde e que pretende ser um incentivo que os alunos da Ribeira Grande prossigam os estudos ao nível do ensino superior.

Em declarações exclusivas ao AUDIÊNCIA, Alexandre Gaudêncio admitiu que esta reunião, a primeira do ano após as eleições autárquicas do passado mês de setembro, serviram para “traçar um diagnóstico daquilo que tem sido o ensino no nosso concelho, em particular no presente ano letivo” e que o plano apresentado “parece ser bastante determinante para o futuro do ensino no concelho atendendo a que a estatística na região é 3 vezes superior à média nacional”.

“Embora ainda não haja dados oficiais da Ribeira Grande, estimamos que este número ainda seja superior à média regional, atendendo às vicissitudes do nosso concelho e particularmente à questão da pandemia que ainda estamos a atravessar e que, por ventura, trouxe ainda mais ao de cima esses números do abandono e absentismo escolar”, referiu o autarca, garantindo que irá continuar com “uma política de ensino muito agressiva para ajudar os nossos alunos a progredirem cada vez mais nos estudos”.

Questionado pelo AUDIÊNCIA sobre a situação do ensino em Rabo de Peixe, Alexandre Gaudêncio voltou a referir que não existem dados oficiais que o comprovem, mas que a autarquia “está preocupada” já que, o que se vê “na prática, é que este é um número bastante alarmante”.

“E por isso mesmo queremos já aqui hoje traçar algumas medidas em concreto e a própria autarquia já tem feito algum trabalho nessa área quer ao nível do apoio aos alunos do ensino superior, quer ao nível de muitos projetos extracurriculares que foram apresentados hoje como forma de incentivarem os alunos a não desistirem do ensino”.

Já sobre a problemática de sobrelotação da Escola Secundária da Ribeira Grande, o autarca assegura que essa questão não está esquecida. “Essa preocupação já foi manifestada à tutela, nomeadamente, à Secretaria Regional da Educação, e esperamos que haja uma resolução a curto prazo. Esta é uma preocupação que não vem de agora, e com certeza que o Conselho Local de Educação, sendo um órgão de aconselhamento não só da autarquia, mas das entidades com competência ao nível do ensino regional, poderá sair daqui uma recomendação para que continue a ser uma reivindicação legítima”.