O Rotary Club de Vila Nova de Gaia organizou uma palestra com o tema “Desafios empresariais face aos eventos ambientais e práticas de sustentabilidade”, no dia 28 de abril, no Hotel Holiday Inn, em Vila Nova de Gaia. Para falar sobre o assunto, estiveram presentes três membros do grupo Sogrape: Mafalda Guedes, António Graça e Beatriz Cabral de Almeida. O jantar/palestra foi, ainda, acompanhado por uma prova de vinhos, selecionados pela enóloga da empresa, para acompanhar cada prato servido.

 

 

O Rotary Club de Vila Nova de Gaia recebeu António Graça, diretor de Investigação e Desenvolvimento, Mafalda Guedes, Corporate Brand and Sustainability Manager, e Beatriz Cabral de Almeida, enóloga, todos do grupo Sogrape no dia 28 de dezembro, no Hotel Holiday Inn, em Vila Nova de Gaia. Os especialistas em viticultura participaram no evento para promover a palestra com o tema “Desafios empresariais face aos eventos ambientais e práticas de sustentabilidade”, acompanhada por uma prova de vinhos.

António Graça começou por se dirigir aos companheiros do Rotary para explicar alguns conceitos. “Sustentabilidade não é apenas a questão ambiental, sustentabilidade é o equilibro entre três noções fundamentais que permitem que se desenvolva uma atividade nos dias de hoje, sem pôr em causa a capacidade de a continuar a desenvolver no futuro”, começou por explicar, uma vez que se tratava do conceito central da palestra, e continuou dizendo que “esses três pilares fundamentais são o ambiental, o pilar económico e social. Apenas quando temos os três pilares equilibrados que podemos falar de sustentabilidade”. Foi assim que o diretor de Investigação e Desenvolvimento da Sogrape chamou a atenção para o facto de que nem toda a produção biológica ser sustentável, porque basta não ter viabilidade económica, que falha um dos pilares.

Mafalda Guedes, Corporate Brand and Sustainability Manager da Sogrape, 4ª geração da família à frente da empresa, fez questão de elucidar que “desde a fundação da SOGRAPE que ela sempre se preocupou em preservar, respeitar e proteger os locais onde estamos presentes e torna-los melhores”, mesmo tendo-se tornado global. Mafalda Guedes elucidou os presentes para o Programa Global de Sustentabilidade da empresa, que contribui, também, para os objetivos de sustentabilidade nas Nações Unidas. “Ambicionamos o crescimento do nosso negócio, sendo simultaneamente um catalisador de uma mudança social positiva e respeitando os limites do planeta. Tal significa fomentar o nosso negócio com base na nossa cultura de amizade e felicidade, de forma a preservar, respeitar e proteger os locais e as comunidades onde operamos. Desde trabalhar de perto com as nossas marcas e fornecedores para os ajudar a melhorar a sua pegada ambiental a empoderar pequenos produtores de vinho e colaboradores”, pode ler-se, inclusive, na página dedicada à sustentabilidade no site da Sogrape. O programa está estruturado em três pilares fundamentais: abrir caminho para um Planeta mais saudável; salvaguardar o nosso legado na sua jornada rumo ao futuro; e inspirar vidas mais felizes e mais responsáveis.

Durante a intervenção do público, alguns números da empresa na área ambiental foram destacados. António Graça salientou a revalorização de 99,8% dos resíduos da Sogrape e explicou porque não alcançavam os 100%. “Há um tipo de resíduos, principalmente agora durante a pandemia, que não temos outra solução senão o aterro sanitário, que são os do posto médico, de resto, todos os resíduos que produzimos com a nossa atividade são revalorizados e das mais distintas maneiras”, disse, dando um exemplo concreto de um produto que antes não era aproveitado e, agora, é: “a madeira da poda das videiras que, tradicionalmente, era queimada com libertação, obviamente, de carbono para a atmosfera, hoje em dia é destroçada e enterrada nos solos da vinha, formado matéria orgânica para a própria vinha, este é um exemplo de reutilização de um resíduo que, por isso, deixou de ser resíduo”.

O diretor de Investigação e Desenvolvimento do Grupo Sogrape ainda focou os 16% das necessidades da empresa respondidas por energia solar, valor esse que têm  planos para aumentar. “Temos o objetivo estabelecido de procurar chegar a 100% de energias renováveis até 2027”, afirmou.

A importância da componente social também foi destacada por António Graça, que deu exemplos como o suporte de custos de tradução para português de um dos principais jornais científicos mundiais sobre viticultura e enologia, ou até mesmo os esforços da Sogrape na área do empoderamento de colaboradores e da equidade de género, referindo, aqui, o Prémio Dona Antónia que entregam a mulheres que se distinguem nas mais diversas áreas de ação, e que já conta com 33 edições.

Ambos os membros da Sogrape salientaram a política de consumo responsável da empresa. “Pode parecer contraintuitivo uma empresa que produz e vende vinho, promover um consumo moderado, mas é que para nós é muito importante que os nossos consumidores de vinho consumam vinho a vida inteira e que essa vida seja longa”, disse António Graça.

Outro dos temas que acabou por surgir na intervenção do público foi sobre a mão-de-obra na área da agricultura. Aqui, o diretor de Investigação e Desenvolvimento da empresa garantiu que está um grande tema da atualidade, lembrando que a desvalorização do trabalho agrícola é uma questão civilizacional que se tem perpetuado ao longo de décadas e até mesmo séculos, no entanto, também destacou o facto de que é importante apostar na qualificação da mão-de-obra, uma vez que a área tem sofrido uma enorme evolução, nomeadamente no que diz respeito à digitalização, e os funcionários têm de ser capazes de acompanhar esse progresso.

Nesta troca de impressões entre os membros da Sogrape e os companheiros do Rotary, surgiu a questão do vinho Mateus Rosé, um dos mais reconhecidos da marca. António Graça confirmou a um membro do Rotary que este é “o vinho português mais vendido no mundo inteiro”, garantindo que estão presentes em mais de 120 mercados. “É um vinho com 80 anos, mas que se mantém jovem e cresce com as gerações”, rematou Mafalda Guedes sobre o Mateus Rosé.

Mercês Ferreira, presidente do Rotary Club de Vila Nova de Gaia, agradeceu pela forma como ambos falaram de ambiente de uma forma diferenciada, até porque “, falar de ambiente não é só falar de flores e passarinhos, falar de meio ambiente é olhar para tudo, o meio ambiente somos nós também”.

Depois das intervenções mais formais, foi tempo da enóloga Beatriz Cabral de Almeida entrar em ação. Beatriz está na Sogrape desde 2007 e, atualmente, é responsável pela produção na Quinta dos Carvalhais, que tem 100 hectares, 50 deles de vinha. À enóloga coube explicar as combinações que tinha realizado entre os pratos servidos e os vinhos por ela selecionados, deixando sempre a ideia de que o vinho, como tudo na vida, é uma questão de gosto, e que, por isso, duas pessoas diferentes podem preferir vinhos diferentes para acompanhar a mesma refeição. “O ideal é escolher o que lhes der maior prazer”, foi o conselho de Beatriz Cabral de Almeida, que inclusive sugeriu que todos provassem o vinho tinto e o vinho branco com o prato principal da noite, dourada assada.