O gaiense Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, e o açoriano José Braia Ferreira, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Horta e adjunto do gabinete pessoal do presidente da Câmara Municipal da Horta, foram os convidados de honra da quarta tertúlia temática, que se realizou na Quinta da Boucinha, cujo mote foi “Associativismo na Atualidade”. A importância do movimento associativo, a insularidade e o impacto da pandemia nas coletividades foram alguns dos temas abordados ao longo de uma noite que revelou ser ímpar e foi brindada com a voz da artista Ana Oliveira.

 

 

O projeto “Sabor das Palavras” foi criado por Manuela Bulcão, escritora, e por Odete e Rui Caldeira, proprietários da Quinta da Boucinha, e promete “fazer a diferença e marcar este momento que estamos a atravessar”, através da gastronomia, aliada aos testemunhos marcantes de inúmeras individualidades.

Eduardo Vítor Rodrigues, Filinto Lima e Jorge Tormenta foram as primeiras personalidades que estiveram a conversar à mesa, na Quinta da Boucinha, e, agora, foi a vez do gaiense Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, e o açoriano José Braia Ferreira, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Horta e adjunto do gabinete pessoal do presidente da Câmara Municipal da Horta, darem os seus testemunhos, na quarta tertúlia temática, que decorreu no passado dia 28 de outubro, na Quinta da Boucinha, com o mote “Associativismo na Atualidade”.

Odete Caldeira, cofundadora da iniciativa, começou por afirmar que “hoje vai ser um momento único”, relembrando que “uma percentagem do valor do jantar será revertida a favor de uma instituição” e dando, seguidamente, início ao momento gastronómico que homenageou o convidado através dos sabores. Neste seguimento, todos os presentes foram agraciados com gambas à espanhola em cesto crocante, creme de legumes, naco de vitela com arroz de míscaros e folhado com creme de ovo e amêndoa.

Posteriormente, foi Manuela Bulcão, cofundadora do projeto, quem introduziu os oradores, afirmando que “hoje é, sem dúvida, uma noite diferente, porque nós vamos ter duas pessoas muito especiais que nos vão falar sobre a insularidade, o associativismo e a sua importância na vida de cada um de nós”.

A importância do associativismo na sociedade atual e o impacto da pandemia no movimento associativo, foram alguns dos temas abordados ao longo desta tertúlia, que contou com vários momentos musicais, proporcionados pela artista Ana Oliveira e de poesia, pelo escritor José Carlos Moutinho.

Relativamente à relevância do associativismo, José Braia Ferreira começou por sublinhar que “o que vos trago hoje é a visão do atlântico, a visão de um insular e a visão de um açoriano”.

“Se não fosse o associativismo, dentro do contexto da insularidade, os Açores não eram o que são hoje, não tínhamos, per capita, o maior número de bandas filarmónicas do país, não tínhamos a produção literária que hoje temos, que é interessante, que ainda se esgota em Antero de Quental ou em Vitorino Nemésio, mas não fica por aí, vai muito mais longe, não tínhamos uma situação política na sua estabilidade, sólida e inovadora, não tínhamos a fixação de população que, nos últimos 20 anos, conseguimos em algumas ilhas e não tínhamos o número de progresso, como temos na maioria das ilhas açorianas, ou em todas elas”, enalteceu o açoriano.

Por outro lado, Paulo Rodrigues falou sobre a importância dos dirigentes associativos, frisando que “somos todos voluntários, somos todos benévolos e damos um pouco de nós a toda a comunidade e sociedade. Estamos a falar de mais de 3 milhões de portugueses que diariamente convivem nas suas coletividades que na cultura, quer no recreio, quer nas atividades desportivas. Portanto, o associativismo no nosso país e nas regiões autónomas é de tal forma importante, que as associações acabam por substituir o papel fundamental do Estado e que está consagrado na Constituição da República Portuguesa e, de facto, se não existissem tantas coletividades, tantos clubes desportivos, tantas associações culturais, sociais, humanitárias, o país, certamente, seria muito mais pobre, do que aquilo que é atualmente”, ressaltando que “Vila Nova de Gaia tem mais de 500 associações, culturais, recreativas, desportivas e IPSS”.

A iniciativa contou, entre inúmeras personalidades, com a participação de Manuel Cruz, fundador do Jornal dos Carvalhos e presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros dos Carvalhos, que fez questão de referir que “o nosso país será mais rico, quanto mais ricas forem as associações”.

Por outro lado, Natália Rocha, presidente da Associação Viver 100 Fronteiras, falou sobre o associativismo que partilha no mundo todo e sobre as 98 missões que fez em 12 anos, enquanto Jorge Tormenta, professor, treinador, formador, orientador e comentador de andebol, referiu a importância do associativismo no desporto.

Já Paula Monteiro, técnica-superior de geriatria, aproveitou a ocasião para destacar o papel e a importância da Associação Morangos de Canidelo, na comunidade, no que concerne à área social. Por fim, Aurélio Morais, presidente do Futebol Clube de Gaia, evocou a relevância do associativismo e do voluntariado, frisando, por um lado, que a pandemia prejudicou o futuro do desporto e, por outro, que o “voluntariado forma melhores pessoas, para melhorar a sociedade”.

No final da tertúlia “Sabor das Palavras”, Paulo Rodrigues presentou José Braia Ferreira com algumas lembranças da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, enquanto o açoriano mencionou a possibilidade da realização de uma geminação entre a Horta e Vila Nova de Gaia.