O Clube Desportivo Trofense é a associação desportiva com mais história no concelho da Trofa e uma referência no que diz respeito à formação de atletas. O vereador do Desporto da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Araújo, ressaltou, em entrevista ao AUDIÊNCIA, que este clube é um “exemplo claro de que temos de olhar para o passado, projetar obviamente o futuro, mas ter bem presente onde nós estamos neste momento”. O edil sublinhou ainda os apoios e os incentivos da autarquia às instituições desportivas do concelho e as ambições para o futuro do desporto no município da Trofa.

 

 

 

Apesar de ter sido fundado oficialmente em 1930, o Clube Desportivo Trofense surgiu a partir da dinâmica dos jovens que, em 1927, praticavam desporto no “Campo da Capela” e marcou presença nos grandes palcos do futebol português. Como caracteriza a relação entre a Câmara Municipal da Trofa e esta instituição desportiva, que tem 90 anos de história e de conquistas?

O relacionamento que nós temos com o clube é ótimo e obviamente que, dentro das nossas possibilidades, nós estamos sempre disponíveis para ajudar o Clube Desportivo Trofense, porém, às vezes, as pessoas entendem a ajuda como sendo meramente financeira ou meramente material e não é só esse tipo de ajuda que um clube pode receber por parte de um município e que um município pode dar a um clube, pois, por vezes, nós temos outro tipo de apoios, que estão relacionados com o contacto que temos com empresários, com pessoas ligadas à terra, que nos perguntam se vale a pena ajudar ou se não vale a pena ajudar uma determinada instituição e nós encaminhamos para esta grande instituição do concelho, como para outras. Posso dizer-lhe que nós temos o hábito de o fazer, sim.

 

Na sua opinião, o facto de o Clube Desportivo Trofense estar no Campeonato de Portugal é algo que o envaidece?

É evidente que qualquer município gosta de ter um clube que os representa ao mais alto nível. O Clube Desportivo Trofense é esse clube. Nós temos outras associações que também praticam futebol, que têm o seu mérito, como é evidente. Todavia, o Clube Desportivo Trofense é, neste momento, o clube de referência da terra, pelos resultados que tem tido, pela circunstância em que se encontra neste momento e, obviamente, nós temos que dar essa nota e envaidece-me, porque o clube passou por momentos muito difíceis, aliás as pessoas têm que saber que o clube passou por momentos muito difíceis e que, felizmente, hoje a realidade é bastante diferente, por exemplo, se nos servirmos dos resultados desportivos desta época, nós conseguimos ver um Clube Desportivo Trofense, neste momento, a competir no Campeonato de Portugal e está em primeiro lugar, o que já não acontecia há muito tempo, o que já não acontecia há muitos anos e ter em seis jogos, quatro vitórias, eu acho que, vi isso na comunicação social há dias, há mais de vinte anos que não acontecia, o que quer dizer que alguma coisa está a ser bem feita. O Clube Desportivo Trofense tem que fazer a sua gestão de forma também sustentada e planeada, porque as dificuldades do passado facilmente podem vir para o futuro. Hoje, o futebol é, de facto, um nicho da sociedade que vai sofrer imensas dificuldades por causa da pandemia, porque as pessoas têm de ter a ideia de que se as empresas não produzem e não faturam, também têm grandes dificuldades para apoiarem e para patrocinarem os clubes. Neste momento não é fácil arranjar investidores que tenham disponibilidade e um projeto para um clube, mas felizmente este clube conseguiu e muito deve a este presidente, que está hoje à frente do Clube Desportivo Trofense. De facto, na altura, sobre o Trofense, temia-se pelo pior e o pior era um clube com esta história acabar, aliás isso era a pior coisa que podia acontecer, isto é, acabar no sentido do futebol em termos dos seniores, porque obviamente que um clube nunca acaba, a formação é sempre possível de continuar, mas o município Trofa também precisa deste palco, porque quando se fala do Trofense, fala-se da Trofa. O Clube Desportivo Trofense é da Trofa e as pessoas que compõem o clube são da Trofa, levam o nome da cidade e a cidade aparece, neste momento, em variadíssimos fins de semana na televisão, por exemplo, mas é preciso também que as entidades e as organizações desportivas do país, a começar pela Associação de Futebol do Porto e também pela Federação Portuguesa de Futebol, tenham a consciência de que têm, obrigatoriamente, de apoiar estes clubes e estas associações, não é só o Clube Desportivo Trofense, o Trofense é um, mas há mais. Posso dizer-lhe, por exemplo, que a questão da formação estar parada é um absurdo completo, porque, para além de tudo o que o senhor presidente da direção do Clube Desportivo Trofense referiu, no que diz respeito aos jovens porque depois vão para outras modalidades ou por se perderem alguns valores, que são seguros, uma vez que já não treinam todos os dias e, como tudo na vida, um profissional, para ser um bom profissional, tem que trabalhar todos os dias, seja no futebol, seja noutra função qualquer e o que as autoridades estão a fazer é, de tal ordem, estrangular o futebol, porque querem fazer do futebol um exemplo e vão acabar por matar grande parte do movimento associativo e grande parte dos clubes e eu vou-lhe dar um exemplo e isto é importante que seja respondido, será que as pessoas já pensaram se os clubes estão ou não, ou tiveram ou não de pagar as inscrições e os seguros à Associação de Futebol do Porto? Foi feita alguma redução? Não havendo competição, estão na mesma a fazer este pagamento? E isto depois cai onde? Cai tudo no município, porque uma associação vê no município a última plataforma de salvação. Quando não há mais caminho nenhum, vão para o município e longe vão os tempos em que haviam as chamadas “vacas gordas”, onde o orçamento dava para tudo e mais alguma coisa, por isso é que a Trofa chegou, também, onde chegou, a uma dívida de 67 milhões de euros, herdada do executivo socialista, obviamente que também foi feita dívida no anterior executivo do PSD, claro que sim, mas houve obra. Agora, fazer dívida e não haver obra é que não está correto e isto também se aplica ao movimento associativo e ao movimento desportivo, pois depois não existe possibilidade de nós investirmos no desporto e por isso é que nós estamos a investir pouco, é certo, é sempre pouco, para uma associação é sempre pouco e eu gostava muito de poder dar, aliás não há nada mais fácil para um político do que dar, dar tudo a toda a gente, mas é preciso saber se temos possibilidade de dar, pois se nós tivermos dez euros na carteira e se quisermos dar vinte euros não temos essa possibilidade, temos de dar só dez euros e é isso o que nós fazemos.

 

O município está atento às solicitações feitas pelo presidente da direção do Clube Desportivo Trofense?

Como sabe, nós temos algumas limitações locais, que nos impedem de ajudar só por si. A vontade pode ser muita, mas se legalmente não for possível, não o podemos fazer. Obviamente que estou atento àquilo que são os anseios e àquilo que são as expectativas do Clube Desportivo Trofense, na pessoa do seu presidente. Este executivo faz questão, e sendo eu o vereador do Desporto serei eu, mas poderia ser outra pessoa qualquer, agora não é possível, mas antes da proliferação da covid-19, eu sempre fiz questão de ir, todos os fins de semana, a várias modalidades, a vários locais e de percorrer todo o movimento associativo e sempre que eles estavam cá, no concelho da Trofa, eu deslocava-me aos locais para acompanhar, in loco, aquilo que eram as atividades das associações e eu acho que isso é importantíssimo. A pior coisa que uma associação pode sentir é a inexistência ou a falta de proximidade da parte do município e eu faço sempre questão de ver o Trofense quando joga em casa, a não ser que a agenda seja totalmente impeditiva, primeiro porque gosto de futebol, obviamente, gosto muito do Clube Desportivo Trofense e, por outro lado, porque assim também estou ao lado das pessoas, para ouvir quais são as suas dificuldades no dia-a-dia e, às vezes, até existem coisas simples, nas quais nós podemos ajudar e, portanto, nessa perspetiva, o meu pensamento para o Clube Desportivo Trofense é que continue neste registo, num registo de solidez, no que diz respeito à parte financeira, porque depois tudo o resto vem por acréscimo.

 

Quais são os seus anseios para a nova época e para o futuro desta associação desportiva?

Se nós tivermos uma situação financeira estável, depois tudo o resto vem por acréscimo e existe a possibilidade de podermos contratar melhores jogadores e eu penso que aí o Clube Desportivo Trofense tem feito um bom trabalho. Eu penso que o senhor presidente da Direção do Clube Desportivo Trofense falou na questão da Primeira Liga e eu acho que sim, acho que deve ser um bom objetivo, mas deve ser um objetivo sempre com alguma sustentação, no que diz respeito à racionalidade de um clube e antes da Primeira Liga é preciso acabar bem esta divisão, subir à Segunda Liga e depois da Segunda pensar na Primeira.

 

A Câmara Municipal da Trofa tem-se distinguido no âmbito do apoio às associações desportivas do município. Neste seguimento, a autarquia trofense pretende investir, durante o presente ano, mais de 50 mil euros em apoios relacionados com a celebração de contratos-programa de desenvolvimento desportivo. Que outras medidas estão a ser implementadas pelo município, com o intuito de apoiar os clubes do concelho?

Nós, neste momento, financeiramente, apoiamos todas as instituições desportivas com quem temos um relacionamento institucional. Para ter uma ideia, o município da Trofa tem, em termos de instituições na sua generalidade, mais de 130 associações, das quais mais de 30 são desportivas e, portanto, dentro desta perspetiva, aquilo que é o apoio da Câmara Municipal da Trofa, para estas instituições, é total e quando eu digo que não é apenas na parte financeira, as pessoas podem questionar quais são os outros apoios e são de diversos âmbitos. Repare, nós temos as inscrições dos atletas na Associação de Futebol do Porto, temos os transportes para os jogos da formação e temos de perceber que o município da Trofa apoia a formação, não apoia os clubes profissionais de futebol, por imperativo legal, não o pode fazer e, dentro dessa perspetiva, o transporte é um apoio, o pagamento de seguros é outro. Neste momento, o Trofense também tem este apoio que é a cedência de espaços municipais, de pavilhões municipais, que não temos, propriamente, como sendo propriedade nossa, mas somos nós que os gerimos, nomeadamente, dois no município, o da Escola EB2/3 Professor Napoleão Sousa Marques e o da Escola de São Romão, que são geridos pelo município e a partir do momento em que encerram as aulas, a autarquia liberta os pavilhões para a prática desportiva de diversa ordem, não só de futebol, mas, por exemplo, no caso do Trofense, também tem uma equipa de futsal feminino, que pratica a atividade e que joga e treina nos nossos pavilhões. Portanto, dentro desta premissa, para além disso, pontualmente, também podemos ajudar uma ou outra associação desportiva, quando apresentam projetos, que o município entende que são projetos considerados fundamentais, para o desenvolvimento da atividade desportiva no concelho, que têm e revestem o interesse público, o que, para nós, é considerado essencial. Agora, há uma coisa de que nós não nos esquecemos, nós não nos esquecemos de onde vimos, do que apanhamos há sete anos atrás quando entramos, do nosso presente e sabemos para onde queremos ir no futuro e o que a Trofa não pode ter mais, o município da Trofa não pode ter mais é um desinvestimento total e absoluto no desporto, como aconteceu. Portanto, no mandato entre 2009 e 2013 houve um desinvestimento claro e total no desporto. Posso dizer-lhe que nós tínhamos um Campeonato Concelhio de Futsal, que acabou pura e simplesmente e isso fez com que todas as associações tivessem grandes dificuldades para sobreviver, que muitas associações terminassem, que outras perdessem os atletas e depois, a seguir, tivemos de fazer um trabalho de base, um trabalho novo, um trabalho inicial e fizemos e, neste momento, já temos um Campeonato Concelhio de Futsal, que, atualmente, está parado, por razões da ordem da saúde pública, mas é uma referência aqui na região e já temos até instituições e associações de outros concelhos a quererem e a participarem no nosso Campeonato e isso quer dizer que alguma coisa está a ser bem feita e, portanto, dentro dessa perspetiva, é isso o que nós temos de ter em mente, de onde vimos, aquilo que passamos e para onde queremos ir e a Câmara Municipal da Trofa entende que o desporto no município da Trofa é um pilar base de um concelho e é nessa perspetiva que nós apoiamos. Porém, nós damos muito valor às pessoas e, portanto, o desporto tem de fazer parte de um projeto e não ser só o projeto e, nessa perspetiva, aquilo que nós vamos fazer é apoiar, sim, mas com critério, com fundamentação e é neste sentido que o município apoia as associações desportivas do concelho.

 

A seu ver, o facto de existir um grande número de associações desportivas no município condiciona o orçamento da autarquia dedicado ao desporto e a distribuição de apoios pelos clubes?

Condiciona e não condiciona e eu vou explicar-lhe a razão. Condiciona porque, de facto, as associações desportivas querem sempre mais, o senhor presidente da Direção do Clube Desportivo Trofense acabou de dizer e o senhor presidente diz aquilo que todos os outros presidentes das associações, dos clubes e dos movimentos desportivos dizem ao vereador ou com quem reúnem na Câmara Municipal que é pouco, que o valor que damos é pouco, que o valor que damos não chega, que querem mais. Obviamente que nós temos restrições orçamentais. A pandemia veio agravar ainda mais essas restrições, mas há uma coisa também que nós não fizemos, que foi cortar o apoio ao movimento desportivo. Nós vamos manter todo o apoio que estávamos a dar ao movimento desportivo no município da Trofa. Vamos manter e não vamos cortar, porque é hoje o momento em que temos de apoiar mais os movimentos desportivos, mais as associações desportivas, porque as associações desportivas no concelho, e o Trofense é um exemplo claro de como deve acontecer e do que acontece, são absolutamente fundamentais e fulcrais para o desenvolvimento de qualquer município, porque os jovens enquanto estão a treinar, enquanto estão a praticar uma atividade física, seja ela qual for, não estão a fazer outras coisas, se calhar, menos próprias para a idade que têm, estão a fazer bem à saúde e, no fundo, também têm objetivos. O município não deve e não tem de fazer tudo, tem é que dar ferramentas, para que o movimento associativo também possa fazer isso ao nosso lado. O município não está numa posição de superioridade em relação ao movimento associativo, não, nós estamos a par, nós queremos caminhar lado a lado com todas as associações do concelho, desportivas e não só, neste caso estamos a falar das desportivas, para o facto de construirmos um concelho cada vez melhor, cada vez mais sólido e um concelho virado para o futuro. O nosso lema é “o futuro passa por aqui”, mas passa por aqui nas mais diversas vertentes daquilo que o município tem para oferecer aos seus munícipes e o desporto na Trofa, felizmente, tem tido uma clara ascendência, em relação aos anos anteriores e aquilo que nós queremos é que continue e eu podia dar-lhe vários exemplos, mas vou-lhe dar um, o município da Trofa tem, neste momento, uma Gala do Desporto, coisa que não existia no passado e que já foi replicada por outros municípios. Aquilo que lhe quero dizer é que, de facto, o movimento associativo tem de ser encarado como o pilar base de qualquer município, porque são eles que trabalham connosco no dia-a-dia e por isso é que, como o senhor presidente da Direção do Clube Desportivo Trofense acabou de dizer e é para o senhor presidente aquilo que é para todos, eu não tenho horas, nem tenho dias para receber as associações. Eu recebo as associações há hora que as associações querem e quando podem, não é de acordo com a minha agenda, é de acordo com a agenda delas, porque o município da Trofa, e este executivo, tem uma ideia clara na cabeça, nós estamos aqui para servir a população da Trofa e, nesse sentido, nós temos de nos adaptar àquilo que são as circunstâncias de cada pessoa, porque as pessoas que pertencem ao movimento associativo, às direções, nutrem em todas as vertentes, são extremamente extraordinárias, as pessoas, às vezes, não fazem a ideia do que é pertencer à direção de um movimento associativo, ou treinar uma equipa, ou dar apoio a uma equipa, estão lá pro bono e as pessoas quando pensarem nisto têm que ter a ideia de que a grande maioria das associações vive daquilo que é a vontade das pessoas de ajudar, no fundo e bem, porque é assim que se constrói uma comunidade e uma comunidade que se quer forte, tem que ter movimento associativo desportivo forte.

 

De que forma é que o município da Trofa incentiva a prática desportiva junto dos mais novos e dos seniores?

A Trofa tem movimentos associativos desportivos que têm a sua vertente de trabalho diária, semanal e mensal, que é deles, uma vez que nós não interferimos naquilo que são as prerrogativas de cada associação. Cada associação é independente. Cada associação toma as decisões que tem de tomar e o município está cá para as apoiar. Se formos consultados para darmos a nossa opinião sobre alguma atividade, ou sobre algum plano de negócio, ou plano de treino que eles queiram implementar, nós claramente estamos cá para ajudar. Agora, não decidimos pelas associações, isso não fazemos, porque cada associação é uma e tem de decidir por si só. Quanto à questão de implementar hábitos mais desportivas nos seniores, a Câmara Municipal da Trofa, tem a sorte de ter uma Academia Municipal, que é de excelência, portanto equiparada àquilo que de melhor existe no país, a todos os níveis, quer de infraestrutura, quer de recursos humanos e quer da qualidade de serviços que o concelho dá aos seus utentes e, nesse sentido, também temos aulas que são dadas em cada freguesia, por exemplo, no passado verão, mesmo com as condicionantes todas da pandemia, tivemos uma ideia para colocarmos os seniores em atividade e tivemos uma iniciativa que se chamou “Aquaplace on Tour”, através da qual tivemos um professor a dar uma aula de ginástica de freguesia em freguesia e, assim, a atividade passou por cada freguesia do concelho. Se me perguntar se temos alta competição nos mais seniores, para além dos que são seniores, propriamente ditos, não, mas temos outras vertentes desportivas, que implementam, aqui, uma atividade regular e permanente por parte dos nossos munícipes.

 

Como vereador do Desporto, de que forma é que se orgulha das associações do município e das suas conquistas desportivas?

O município da Trofa tem a sorte, e eu digo sorte porque é mesmo assim, de ter movimentos associativos e de ter clubes, que elevam o nome do concelho ao mais alto nível, por todo o país, pela europa e pelo mundo. Eu, recentemente, tive a necessidade de perceber a quantidade de modalidades que nós temos cá na Trofa e que representam a mais variada classe de profissionais de excelência que nós temos no nosso desporto, desde o tiro ao prato, ao hipismo, passando pelos desportos de combates, aliás eu tenho de lhe dizer que nós temos um campeão europeu de kickboxing, não esquecendo atletismo, portanto nós temos variadíssimas modalidades que acabam, obviamente, no futebol. O futebol é a modalidade com mais praticantes, mas temos, por exemplo, o ténis que tem subido exponencialmente e que, não sei se sabem, mas também digo, nós temos um campeão nacional de sub-12, que é trofense, que é convocado para a seleção nacional e que vai a torneios por essa Europa fora e esta matéria-prima que nós temos, em termos de recursos humanos no nosso concelho, tem de ser obviamente exponenciada. Se me perguntarem se nós temos as melhores condições possíveis e imaginárias para os atletas de alta competição, não. A Trofa é um concelho jovem, é o concelho mais jovem do país e isto, a juventude, também nos traz algumas dificuldades, não nos traz só benefícios. Nós temos carência de algumas infraestruturas, porque nós não temos um pavilhão municipal, não temos centros de alto rendimento, não temos centros de estágio, mas o caminho faz-se caminhando. Eu costumo dizer que “Roma e Pavia não se fizeram num dia” e esta expressão também tem de ser utilizada para a política. Aquilo que nós não podemos fazer é dar passos maiores do que a perna. Portanto, nós temos, obviamente, alguma falta de infraestruturas, nós temos os Paços do Concelho a serem construídos neste momento e somos o único município do país que não tem, em 308, uns Paços do Concelho. Nós não nos podemos queixar, é aquilo que temos, temos é de trabalhar para termos melhores condições e ao nível desportivo também é isso o que fazemos, tanto que, ainda recentemente, tivemos aqui a experiência da escola EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques, que não era uma infraestrutura que estava a ser gerida pelo município e, neste momento, é, a partir do instante em que encerram as aulas e temos quer o pavilhão, quer uma zona exterior onde podemos praticar modalidades como o basquetebol, o atletismo, o ténis e o futebol. Portanto, para além do espaço interior, absolutamente novo, completamente renovado, um investimento no total, na globalidade da escola, de mais de três milhões de euros por parte do município da Trofa e isto também é investir no desporto. Temos outras ideias para o futuro, claro que temos. Queremos munir o nosso concelho de infraestruturas, que consigam albergar todas as freguesias do concelho de uma forma mais abrangente, claro que sim, queremos muito dar mais às associações, mas isto tem de ser sustentado. A pior coisa que podem fazer a uma pessoa é criar uma expectativa que, a seguir, não é correspondida, a qualquer pessoa e em qualquer circunstância da vida e eu poderia, facilmente, dizer a todos os movimentos associativos, que o município lhes iria dar 100 mil euros a cada um, fácil. A coisa mais fácil para um político é prometer, depois a coisa mais difícil é cumprir e, até agora, este executivo, do qual eu faço parte e do qual eu me orgulho de fazer parte, cumpre com aquilo que são as promessas que faz e, portanto, se eu só posso dar mil é só mil que dou, mas esses mil, as associações têm a garantia de que vão contar com eles e de que podem contar com eles. Se eu prometer 100 mil, não lhes vou dar e elas vão-me chamar aldrabão e mentiroso logo a seguir e, portanto, este caminho faz-se, obviamente, com algumas dificuldades, mas vai-se fazer e nós, cada vez mais, vamos ser um município de referência também ao nível do desporto.

 

A Gala do Desporto da Trofa é organizada pela Câmara Municipal da Trofa desde 2016, com o intuito de homenagear os atletas, agentes desportivos, associações e clubes do concelho, pelos resultados de mérito regional, nacional e internacional alcançados nas diferentes competições. Qual é a relevância da realização deste evento?

Como disse e bem, desde 2016, se poderia ter sido feito antes, podia. A nossa Gala do Desporto tem uma particularidade, é uma Gala que tem como objetivo distinguir os atletas, mas mais do que isso, é dar aos atletas a segurança e também a visão de que a Câmara Municipal está atenta, que atenta àquilo que eles fazem, que está atenta às condições que têm e, dentro dessa perspetiva, também está atenta aos resultados que obtêm, mesmo às vezes com condições que não são as melhores e nós temos essa noção. Não temos de ter vergonha nenhuma em dizer, temos é de trabalhar no sentido de melhorá-las. No caso da Gala do Desporto, esta foi implementada já por este executivo e tem tido um crescendo absolutamente anormal para aquilo que era a expectativa da Gala, aliás tem tido uma visibilidade extraordinária, tanto que já está a ser replicada, também, por outros municípios, o que é bom, pois quer dizer que estamos a fazer as coisas bem e, mais importante do que isso, neste momento, a Gala do Desporto já é pequena para estar no Fórum Trofa XXI, onde ela é feita. Este ano, infelizmente, com a pandemia, não a pudemos realizar, mas a Gala do Desporto já não ia concretizar-se naquele local, no Fórum Trofa XXI, mas noutro sítio, muito maior, porque os nossos campeões são cada vez mais, são cada vez mais as pessoas que nós distinguimos e que merecem todas as distinções possíveis e imaginárias, porque levam o nome da Trofa, muitas vezes, a nível nacional, por este país fora, e além-fronteiras. Eu podia falar-lhe do ciclismo, podia falar-lhe do ténis, podia falar-lhe do rugby, de variadíssimas associações, que andam pelo país, que andam pela europa, a levar o nome da Trofa e se há coisa de que nós nos podemos orgulhar, é da nossa terra. A Trofa é um concelho muito bairrista, ou seja, as pessoas são muito bairristas e têm muito amor àquilo que é o concelho. Há pouco, quando perguntava ao senhor presidente da Direção do Clube Desportivo Trofense sobre a relação que o clube tem com a população, a relação é a melhor, desgastou-se um bocadinho ao longo do tempo, mas, agora, está a ser reavivada novamente. O Clube Desportivo Trofense é um exemplo claro disso, porque nós temos de olhar para o passado, temos de projetar, obviamente, o futuro, mas também temos de ter bem presente onde nós estamos neste momento e este clube, sendo o clube com mais história no concelho, a todos os níveis, e não só pela história por si só, mas porque já tem grandes feitos no panorama desportivo nacional, porque é uma referência no que diz respeito à formação de atletas e porque tem mais de 220 atletas a praticar a modalidade. O Clube Desportivo Trofense é uma instituição, que está situada numa terra pequena, em termos de população, mas muito grande naquilo que diz respeito à alma e ao coração das pessoas. Eu acho que também é muito importante as pessoas saberem que, por exemplo, este clube é uma entidade formadora acreditada pela Federação Portuguesa do Futebol, de quatro estrelas, não haverão muitas em termos nacionais e isto também é importante, para nós percebermos a sustentação e a qualidade da atividade desportiva no concelho. No que diz respeito à Gala do Desporto propriamente dita, a vontade do município é mesmo essa, é nós premiarmos aqueles atletas que, ao longo de um ano, se distinguiram quer em termos nacionais, quer em termos europeus, quer em termos mundiais, porque também existem, e, no fundo, dizer-lhes que a Câmara Municipal está atenta, que reconhece e que, em muitos casos, até os apoia de forma posterior, porque, vou-lhe ser franco, nós às vezes tomamos conhecimento de modalidades, que nós quase que nem sabíamos que existiam, ou sequer que eram praticadas no nosso concelho e, depois deparamo-nos com um campeão mundial, por exemplo, o que aconteceu, agora, relativamente a uma menina, que foi campeã mundial de tiro ao prato. Eu posso dizer-lhe que eu não consigo ter conhecimento de todas as modalidades que são praticadas no concelho, agora, faço questão de, tendo conhecimento, obviamente, premiar os atletas. A Gala do Desporto da Trofa é fundamental para os atletas sentirem, também, que o município está lá, para sentirem que o município os apoia, para sentirem que os feitos que eles têm conquistado, ao longo do ano, não passaram ao lado do município e que nós estamos atentos. Às vezes, não é só a questão do prémio, o prémio é material, mas o simbolismo que este prémio tem, isso é o mais importante.

 

O Sérgio Araújo sublinhou a importância desta iniciativa. A seu ver, quais foram as consequências da suspensão da V Gala do Desporto da Trofa que, tal como referiu, se iria realizar durante o presente ano? O município equaciona efetuar outro tipo de distinção compensatória ou simplesmente vai adiar o acontecimento?

A primeira consequência, e a maior, é que não a fizemos. Nós, hoje em dia, não podemos projetar com uma distância muito grande, porque não sabemos qual será a situação pandémica e, neste momento, apenas sabemos que temos uma pandemia e sabemos que, até existir a vacina, o novo coronavírus está e estará a proliferar na sociedade, aliás eu penso que será esta a realidade. No que diz respeito à Gala do Desporto, a maior consequência foi ela não se ter realizado, contudo, também quero deixar uma palavra de tranquilidade a todos os atletas que, durante o ano de 2020, mesmo assim, conseguiram competir e conseguiram resultados, que podem ser enquadrados, para receberem a distinção do município. Para o ano, na Gala do Desporto de 2021, obviamente se a pudermos realizar, mas eu penso que não teremos o mesmo problema, os atletas que, mesmo em 2020, conseguiram alcançar resultados, também serão premiados. Portanto, a Gala do Desporto do município da Trofa de 2021 será para premiar os atletas de 2020 e de 2021.

 

Quais são os seus desejos e objetivos no que concerne ao futuro do desporto no município da Trofa?

A pior coisa que um munícipe do nosso concelho pode sentir é que está posto de parte, em relação às outras pessoas, que vivem no suposto centro, e nós privilegiamos muito a coesão municipal e a coesão municipal está relacionada com o facto de nós tentarmos chegar ao maior número de munícipes, mesmo que eles estejam divididos pelas cinco freguesias que nós temos e isto contempla darmos condições para que eles continuem a praticar desporto. Neste seguimento, nós assinamos, recentemente, um protocolo com um clube desportivo, que também tem um pavilhão próprio, através do qual o município vai, de certa forma, ajudar a associação, com a contrapartida de poder usufruir do pavilhão durante um determinado número de horas, o que vai fazer com que nós possamos distribuir mais horas pelas diversas associações do concelho, porque, hoje em dia, o facto de uma associação poder treinar, de forma gratuita, num espaço de gestão municipal é, de facto, muito importante. Atualmente, o aluguer de um campo de futebol, por exemplo, custa, em média, 30 ou 35 euros e, deste modo, são mais 30 ou 35 euros que as associações poupam e, portanto, isto também é ajudar e é por isto que eu digo que, às vezes, não é só mensurável a parte financeira, mas todos os apoios que estão inerentes à ajuda que nós damos. Depois, relativamente ao nosso concelho, nós também não podemos, neste momento, dissociar aquilo que é o desporto, do ambiente, obviamente, porque estamos a apostar, claramente, em ciclovias, que vão atravessar grande parte do nosso território, quer a Ciclovia do Coronado, quer a Ciclovia Norte, que vai passar, aqui, em São Martinho. Depois, temos o Parque das Azenhas, que é visitado por centenas de pessoas e, na altura do verão eu diria por milhares de pessoas por dia, que também serve de local de preparação para grandes atletas ligados, por exemplo, à prática de atletismo e, aqui, eu não me refiro apenas a atletas trofenses, que vêm cá, porque o sítio é propício, para melhorarem as suas capacidades. Posteriormente, pretendo dizer, também, que no que diz respeito ao desporto, o investimento nas modalidades é para continuar.  Posso dizer-lhe, ainda, que nós temos aqui três ou quatro eventos que já são de cariz nacional, como é o caso do Trail da Trofa, que já é pontuável até para o Campeonato Nacional, do Raid BTT e do Trofa Run Race, que estão ligados às modalidades de ciclismo e de corrida e, no fundo, alavancaram a Trofa para estar em altos patamares, no que concerne a estas modalidades. Para além disso, nos dias em que decorrem estas iniciativas, temos dezenas e dezenas e dezenas de atletas na Trofa, aliás eu posso afirmar-lhe que não consigo objetivar qual é o impacto económico, mas a verdade é que, nas redondezas, está tudo cheio, portanto o comércio está cheio, os cafés estão cheios e, depois, tudo isto faz movimentar a economia local, a economia do concelho da Trofa e todas estas provas são organizadas em parceria com o movimento associativo. Como eu lhe disse no início da nossa entrevista, e isto é muito importante que fique aqui claro, o município não deve querer fazer tudo, deve dar é a possibilidade das associações ajudarem e serem parceiras e, por exemplo, estas provas, são provas extremamente essenciais para o concelho, neste momento, nas quais nós queremos continuar a apostar, porque têm um impacto enorme e dão visibilidade ao concelho, porque se realizam com pouco dinheiro e com a ajuda do movimento associativo. Por exemplo, no caso do Raid BTT, posso dizer-lhe que é impossível para um município como o nosso, ter 90 a 100 voluntários a fazerem as marcações, a darem as indicações, a darem comida às pessoas que estão a trabalhar ou a participar na prova, simplesmente é impossível termos isso num município como o nosso e tínhamos de contratar pessoas, ora, se temos associações que estão disponíveis para serem nossas parceiras e que o pouco que exigem de nós é uma ajuda financeira, como é lógico, mas mais do que isso, uma ajuda institucional, porque é que nós não o podemos fazer? Claro que podemos fazer, claro que vamos fazer.

 

Qual é a mensagem que pretende transmitir à população, aos clubes e aos atletas trofenses?

A primeira mensagem que eu quero transmitir é uma mensagem de esperança, porque os tempos não são fáceis. Esta pandemia veio trazer muita coisa má, mas também espero que traga muita coisa boa e alguma coisa boa é solidariedade, que tem de existir entre as associações desportivas e, acima de tudo, entre as pessoas. A segunda nota que eu quero dar ao movimento associativo desportivo do concelho, seja ele qual for, sejam associações ou clubes, é dizer-lhes que o município estará, como sempre esteve até agora, disponível para ajudá-los a crescerem, sabendo que esta é uma altura complicada, fruto da pandemia. Nós queremos estar ao lado de todo o movimento associativo e não queremos que nenhuma associação se extinga, queremos, sim, que existam mais associações. Neste momento, obviamente sabemos que não é fácil, por todas as condicionantes e todas as circunstâncias que estamos a viver hoje, mas quero dizer a todos os trofenses, que o desporto no município da Trofa é um pilar fundamental, naquilo que é a evolução do município da Trofa. O futuro do desporto, também, passa por aqui e que tenham a consciência de que, no que diz respeito ao município e à Câmara Municipal da Trofa, nós estamos e estaremos sempre disponíveis, para sermos um motor de facilitação e não de dificultação ao movimento associativo.

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