Rui Cansado tem 20 anos, é natural do Pico da Pedra, na Ribeira Grande e, atualmente, estuda em Leiria. O atleta açoriano marcou participou no 17º Campeonato do Mundo de Ginástica Aeróbica que se realizou em Guimarães e acabou por fazer história ao ser o primeiro atleta português a marcar presença numa final individual. Em entrevista exclusiva ao ADUIÊNCIA, Rui destacou a sua participação neste Mundial onde atingiu o sexto lugar, com um total de 20.150 pontos, o que permitiu a elegibilidade para o Estatuto de Alto Rendimento.

 

 

Primeiro, gostaria que me falasse um pouco do seu percurso enquanto ginasta. Quando e como é que começou a sua ligação à modalidade?

Eu sempre fui uma criança muito ativa e sempre pratiquei diversos desportos em simultâneo. A ginástica sempre foi algo que eu gostei, mas até aos 11 anos nunca tinha sido algo que tinha levado tão a sério. Eu com 6 anos comecei a dar os primeiros passos, lembro-me de ser algo que me saía de forma natural. A flexibilidade e agilidade foram características que já tinha a meu favor, depois a partir dos 11 anos entro para o meu atual clube – Clube de Actividades Gímnicas de Ponta Delgada (CAGPD) e começo a aprimorar e a querer ser sempre a melhor versão de mim. Eu recordo-me que no início eu tinha apenas 2 treinos por semana, que era pouco para a minha vontade de progredir. Comecei a pedir à minha treinadora, Alexandra Barroso, para ficar mais tempo nos treinos. A  minha turma saía e eu ficava a treinar com os mais velhos. Ficava no meu canto a trabalhar, e sentia-me sempre bem e concretizado por estar ali. Eu realmente progredi muito rápido, com apenas 1 ano e alguns meses de prática eu fui às minha primeiras competições internacionais e consegui o ouro na França e em Cantanhede, mas sei que se consegui foi à custa do meu trabalho e da confiança que todos tiveram em mim. A partir daí tentei sempre superar-me e posso dizer que cheguei a níveis que nunca pensei chegar, mas com que sempre sonhei.

 

Porquê a ginástica aeróbica? O que é que tanto lhe fascina nesta modalidade?

 Acho que o facto de ter música e de ter possibilidade de criar uma obra de arte numa coreografia de ginástica é algo que me fascina muito. Eu, ao longo dos anos, fui criando uma imagem e um estilo muito próprio e hoje em dia a componente artística é algo que prezo muito.

 

Quando olha para trás e pensa em tudo o que já conquistou, o que sente?

Sinto-me muito orgulhoso e, principalmente, muito grato. Foi algo que penso que também veio com a maturidade, o saber estar grato e reconhecer  que realmente o trabalho é meu, mas que há pessoas que criam todas as condições para que possa treinar, viajar e sentir-me suportado e, sem isto nada seria possível. Nunca fui de muitas palavras, mas sempre que posso eu agradeço à minha equipa, à minha treinadora, amigos, família e a todos os que trabalham diariamente comigo para que eu consiga atingir os meus objetivos.

 

Com apenas 19 anos, já tinha feito algo histórico para Portugal no Campeonato da Europa em 2021, em 2022 volta a fazer história, desta vez no Mundial. O que estes momentos representam para si?

Representam o meu esforço e eu também tento sempre valorizar isso. Sinto orgulho na pessoa e no atleta que me tornei. Eu sempre sonhei e sempre acompanhei todas as competições desde o início da minha carreira gímnica e dou por mim no topo. No Europeu de 2021 foi muito estranho para mim estar numas finais ao lado de ginastas que sempre acompanhei desde pequeno. Sempre estive em finais e conquistei vários pódios nos escalões de juvenil e júnior, mas também sempre tive consciência que em sénior a competição e o nível técnico são outros. Depois do europeu senti-me capaz de continuar entre os melhores da modalidade, o que realmente me ajudou a entrar com outra atitude em palco. Enquanto no europeu eu não sabia o que esperar, agora no Mundial eu sabia que tinha capacidades para estar numas finais, mesmo sabendo que era difícil. E é verdadeiramente gratificante saber que fiz história e espero que, enquanto permanecer na modalidade, continue a fazer.

 

O que significa para si representar Portugal nestas competições?

É sempre muito bom poder representar Portugal e ver o meu nome e a bandeira de Portugal nas finais enche-me de orgulho.

 

Conquistou o 6º lugar na final individual; o 7º lugar na final de grupos e o 10º lugar em pares mistos. Qual é a retrospetiva que faz da sua participação?

Balanço muito positivo. Os meus objetivos e da equipa eram as finais e o apuramento para os jogos europeus que irão decorrer no próximo ano. Conseguimos em grupo e no par (categorias que dão acesso aos jogos europeus), e em individual consegui ainda renovar o estatuto de alto rendimento nível A, que me dá um apoio muito importante para conseguir continuar no mais alto nível.

 

Quais são os próximos objetivos? E que sonhos ainda lhe faltam concretizar?

Penso que os próximos objetivos passam sempre pelo mesmo. Tentar superar-me a mim e conseguir ser a melhor versão de mim mesmo. Eu já concretizei vários dos meus sonhos, e já me sinto grato por tudo o que conquistei, mas claro que uma medalha tanto num europeu como num mundial em sénior é sempre um sonho para o qual trabalho diariamente. Trabalhar sempre para o melhor, mas sempre tendo consciência do quão difícil é de chegar ao topo.

 

Por fim, qual é a mensagem que gostaria de deixar aos nossos leitores?

Que sigam os vossos sonhos, eu tento sempre encorajar todas as pessoas a irem atrás daquilo que realmente querem. Há sempre possibilidade de não correr como esperamos, mas isso nunca saberemos se nunca tentarmos.