A atual onda de desinformação tem agravado a crise de saúde pública que estamos a enfrentar. Não é só a doença provocada pelo vírus COVID-19 que se está a espalhar por vários países e a causar caos e pânico.

A desinformação também está a crescer a um ritmo alucinante. Nas plataformas de interação social intensifica-se a partilha e a divulgação de informações e relatos falsos que tornam tudo isto ainda mais assustador. Nada disto é novo.

Contas e perfis sem rosto em redes sociais, chats de grupo com “informações” sem autor identificado virilizam publicações semeando especulação e conteúdos paralelos, que podem ser fabricados por variadíssimos motivos e que, por sua vez, pretendem criar um alarme social acrescido.

Não estamos num combate político, nem muito menos estamos num momento para criar a oportunidade para o fazer. É nestas horas que os agentes políticos têm de assumir as suas responsabilidades e estar convergentes no combate coletivo à pandemia. Mais do que nunca, e porque está em causa a saúde das nossas famílias, dos nossos amigos e das nossas comunidades, este é o momento para nos unirmos através dos princípios de entreajuda e de solidariedade. 

Em função do momento que atravessamos, devemos aumentar os cuidados que temos com a nossa saúde e higiene, mas, também, com o tipo de informação que consumimos. É imperativo reforçar a nossa capacidade crítica e privilegiar o consumo de informação proveniente de fontes oficiais e credíveis. Por isso, devemos recorrer à informação oficial disseminada pelas Autoridades Governativas e de Saúde Regionais, confiando no trabalho dos profissionais que estão, diariamente, na linha da frente para garantir a melhor resposta possível à batalha que travamos contra a pandemia.

Esta semana, conhecidos serviços de Internet, tais como a Google, Facebook, Microsoft, entre outros, assumiram, em conjunto, o compromisso de evitar a multiplicação de conteúdos falsos e boatos sobre o COVID-19. Estas empresas lançaram, ainda, o desafio para que outras empresas tecnológicas se juntassem a esta iniciativa.

Trata-se de um desafio que deve ser abraçado por todos nós, podendo as novas gerações – utilizadores assíduos destas plataformas – envidar todos os esforços para certificar a veracidade dos conteúdos que partilhamos nestas ferramentas e contribuir para alertar para a existência de informação não fidedigna sobre o que se passa à nossa volta. Agora, mais do que nunca, as novas gerações são chamadas a marcar presença nas plataformas digitais, transmitindo uma experiência mais segura e consciente àqueles que estão mais tempo por dia online.

Estamos perante tempos difíceis, mas acredito que tudo será ultrapassado principalmente evitando as acusações e a especulação provocada por um título aqui e outro acolá, que apenas contribuem para causar desunião e ruído.

Esta fase é uma ameaça e, ao mesmo tempo, talvez seja a grande oportunidade para criar a “vacina” contra a desinformação.

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