A Tuna Académica da Universidade dos Açores (TAUA) e o fadista gaiense Miguel Bandeirinha ofereceram, juntamente com os músicos André Mariano e Rafael Carvalho, uma serenata à Nossa Senhora da Estrela. A homenagem decorreu no passado dia 31 de janeiro, na Igreja do Senhor dos Passos, na Ribeira Grande, e contou com a presença de Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara da Ribeira Grande, de Dário Silva, presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, de gaienses, de ribeiragrandenses e de entidades civis e militares.

 

 

“No berço que a ilha encerra/ Bebo as rimas deste canto/ No mar alto desta terra/ Nada a razão do meu pranto”. Foi assim, dando voz à canção popular açoriana “Chamateia”, que a Tuna Académica dos Açores (TAUA) deu início à serenata à Nossa Senhora da Estrela.

Por sua vez, o fadista gaiense Miguel Bandeirinha começou por honrar a Nossa Senhora da Estrela com a “Homenagem a Santa Maria” ao som da guitarra portuguesa e da guitarra clássica, pelas mãos de André Mariano e de Rafael Carvalho.

Esta serenata contemplou um tributo instrumental à Nossa Senhora da Estrela, que foi interpretado pelos músicos André Mariano e Rafael Carvalho e terminou com um momento de fé e de muita nostalgia e emoção, que foi proporcionado por Miguel Bandeirinha, através da leitura de um texto que escreveu para agraciar a padroeira.

Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, fez questão de marcar presença nesta iniciativa, que já se realiza pelo segundo ano consecutivo em homenagem à Nossa Senhora da Estrela, e de afirmar ao AUDIÊNCIA que “este evento, para nós, tem muito significado, porque simboliza o arranque do Cantar às Estrelas, que é uma festa que já está na raiz da nossa cidade e que, para nós, tem muito significado. Eu julgo que este formato de uma serenata em honra da Nossa Senhora da Estrela é o melhor formato possível, porque permite que as pessoas possam assistir a um método diferente, um método mais solene, chamemos assim, e de muita dedicação, como foi demonstrado novamente pelo Miguel Bandeirinha. Este ano, a Tuna Académica da Universidade dos Açores foi um elemento local e para nós é de extrema relevância porque, acima de tudo, este é o abrir destas Festas que têm um significado muito grande para as nossas gentes”.

Rodrigo Aguiar, magíster da Tuna Académica da Universidade dos Açores, contou ao AUDIÊNCIA, no final do tributo, que “esta serenata em homenagem à Nossa Senhora da Estrela tem, para nós, uma grande importância, uma vez que a cidade da Ribeira Grande para nós é muito importante, uma vez que colaboramos imenso com a cidade e com as diversas atividades que aparecem pelo concelho nos vários meses durante o ano. Portanto, para nós, é muito gratificante cantar à Nossa Senhora da Estrela, uma vez que é a nossa guia, é a nossa luz para trabalhar com a Tuna durante o ano”.

Já Miguel Bandeirinha ressaltou ao AUDIÊNCIA, no final da homenagem, que “esta serenata representa novamente uma prova de fé, uma forma de poder agradecer à Nossa Senhora tudo aquilo que faz, tal como referi, ela que é a estrela, ela que é luz no caminho. Significa poder, através do meu fado e do meu sentimento, que é a coisa mais importante que eu tenho, oferecer e consagrar o meu cantar e, ao mesmo tempo, poder oferecer-lhe a alma de um povo que é um crente nela, que é o povo português”, sublinhando que “a serenata inaugura o programa Cantar às Estrelas e é uma coisa muito mais intimista, porque não é a população em geral que vem cantar à Nossa Senhora da Estrela, são pessoas específicas, mas as pessoas vêm e participam também através da oração, do silêncio, do respeito ao fado e do carinho que têm por quem está a cantar”.

O fadista aproveitou ainda a ocasião para salientar que “o facto de a Tuna se ter juntado à serenata deu um toque completamente diferente” e que “eu acho que é uma ideia que pode pegar moda, este ano a Tuna, para o ano outros grupos, quem sabe”.

“Eu acho que o amor foi a mensagem principal”, destacou Miguel Bandeirinha, acrescentando que pretendeu também transmitir “uma mensagem de união, de união de crenças, porque como sabem o meu guitarrista não é católico, nem a família, mas estiveram aqui a participar” e “uma mensagem de querer unir a comunidade, querer unir a tradição e querer unir o sentimento particular ao sentimento coletivo”.

Os gaienses, que se encontravam na Ribeira Grande para assistirem à XV Gala do Jornal AUDIÊNCIA, e os ribeiragrandenses encheram a Igreja do Senhor dos Passos, uma vez que a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela se encontrava em obras, para assistirem a esta homenagem, que foi emblemática para os presentes.

O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, revelou, a este propósito, que “esta também é a 15º edição da Gala do AUDIÊNCIA e a cada ano que passa com cada vez mais gente e para nós também é muito significativo e ver que há tanta gente em Gaia e noutras cidades junto a Gaia, que se interessam em vir cá nesta altura do ano e isso para nós também é muito importante e eu acho que é o juntar do que melhor se faz quer em Gaia e na Trofa, quer aqui nos Açores, e esta geminação acaba por juntar aqui dois povos do norte, porque nós também somos do norte da Ilha de São Miguel, e acabamos por ver que é mais aquilo que nos une, do que aquilo que nos separa e isto deve-se muito, sem dúvida, ao papel do AUDIÊNCIA, ao papel do Ferreira Leite, que tem sabido, mais do que ninguém, levar o nome da Ribeira Grande e dos Açores ao norte do país e nós estamos muito sensibilizados com isso, aliás, tive a curiosidade, nestes dias, de ver como é que nós estamos nas nossas reservas quer no alojamento local, quer na hotelaria que já começa a haver na Ribeira Grande, e estão completamente esgotados, o que significa que também para a economia local é de salutar esta parceria que cada vez se vê com mais força. Por isso, uma palavra de apreço, em primeiro lugar, ao Ferreira Leite, ao AUDIÊNCIA, que tem feito esse unir de esforços entre dois povos que têm mais o que os une do que o que os separa”.

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