O teatro Ribeiragrandense faz precisamente, no dia 05 de maio deste ano, 20 anos da sua reinauguração. A Câmara Municipal da Ribeira Grande planeou um vasto programa para assinalar a efeméride. Com inicio no mês de março e culminaria, precisamente, no dia 05 de maio, com uma sessão solene comemorativa, por forma a assinalar esta importante data. No entanto, infelizmente, pelos motivos que todos nós conhecemos, a edilidade teve que cancelar todos os eventos agendados para o teatro, devido à pandemia originada pelo novo coronavírus, denominado de covid-19.

De acordo com os autores José Manuel Fernandes e Ana Janeiro em – RIBEIRA GRANDE: A CIDADE E O SEU CONCELHO, “o teatro Ribeiragrandense começou a ser construído em 1920, como Salão-Teatro, funcionando desde 1922 e sendo concluído em 1933. Serviu de cinema e para os vários tipos de espectáculos.”

O edifício, pensado por Ezequiel Moreira da Silva e projetado por Rego Lima, surge assim, na então vila, um edifício majestoso, com um interior a condizer, ao longo de várias décadas, tornou-se numa verdadeira sala de espectáculos polivalente da Ribeira Grande, acolhendo o mais variado leque de manifestações culturais.

Ainda segundo os mesmos autores: “Comprado pelo município, foi remodelado e ampliado, em 1988-2000. A sua fachada, o elemento arquitetónico de desenho mais representativo, segue em geral, sem grande rasgo, as fórmulas estilísticas do ecletismo, uma corrente estética internacional de génese europeia, que abrangeu todo o final do século XIX e primeiro quartel de Novecentos. Esta corrente aceitava a mistura de elementos formais de várias proveniências culturais e estilísticas, numa mesma construção arquitétonica, dentro de uma feição em geral referente ao classicismo. Assim sucede neste exemplo, onde os elementos baroquizantes (o frontão curvo, o seu remate superior, os pináculos) se insere num desenho geral de composição simétrica, clássica, e sentido funcional – veja-se o ritmo da molduração das fachadas, pelos apilastrados, e a distribuição regular dos vãos muito alteados, para melhor iluminação interna.”

Já em 1989, defendendo a importância de o reconstruir, Dr.º Jorge Gamboa de Vasconcelos, num artigo publicado no Diário dos Açores defende que “ a (re)abertura deste espaço cultural na Ribeira Grande apresentava-se como um lufada de ar fresco numa sociedade mergulhada no marasmo cultural e na pobreza económica.”, numa tentativa clara de pressionar as entidades competentes locais para arrancar com a obra de reabilitação.

Em boa hora, o executivo camarário, na altura, liderado por António Pedro Costa, como presidente, Filomeno Gouveia, vice-presidente, (um dos principais impulsionadores da obra), composta ainda pelos vereadores; José de Sousa Rego, Maria Imaculada Gaudêncio, Humberto José Melo, João Manuel Furtado e Viriato Madeira, colocou como prioridade da sua agenda a remodelação reabilitação e ampliação do teatro Ribeiragrandense, que sem dúvida alguma, fazia falta à população desta cidade nortenha.

Assim, entre os anos de 1997 e 2000, foram efetuadas grandes obras de remodelação no primitivo edifício do teatro Ribeiragrandense, e, finalmente a dia 5 de maio de 2000, a autarquia Ribeiragrandense, reinaugura o Salão – Teatro.

 

Teve a honra de presidir às cerimónias de reinauguração o então Ministro da República, Dr. Alberto Sampaio da Nóvoa, magistrado, juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal Administrativo, que entre 07 de outubro de1997 e 25 de março de 2003 exerceu as funções de Ministro da República na Região Autónoma dos Açores.

 

O evento é comemorado com um demorado e diversificado programa. Pelo teatro passaram o grupo de teatro Alpendre, o festival Músic’Atlântico 2000, a orquestra metropolitana de Lisboa, o maestro António Vitorino d’Almeida, os filmes Cinema Paraíso e Beleza Americana, exposições e ainda teve lugar uma conferência sobre o seu historial daquele imóvel.

 

Sem nunca deixar de ter importância nestes últimos vinte anos, nele se realizam todos os anos uma série de atividades e onde já passaram as mais variadas figuras do mundo do cinema, cultura, música, quer de nível nacional e até de nível internacional. A título de exemplo, só no ano de 2019, forma realizados no teatro Ribeiragrandense 295 eventos, totalizando cerca de 25.000 entradas. Desde concertos de música, peças de teatro, exposições, bailes, colóquios, sessões da Assembleia Municipal, cinema, tertúlias, festas de natal, aniversários de instituições sediadas no concelho, etc… Ou seja, o teatro reveste-se num espaço onde se realiza a maior variedade de atividades culturais, fazendo jus ao seu estilo eclético, com o qual foi idealizado.

Neste sentido, por todos os motivos expostos, considero de primordial importância celebrar os vinte anos da reabertura do Salão-Teatro. E um aniversário é sempre um momento de festa. Em boa verdade, estamos a assinalar os vinte anos do edifício físico tal como o encontramos hoje. Mas é sobretudo o edifício humano que celebrarmos.

E, fica um agradecimento a todos aqueles que abriram as suas portas pela primeira vez no longínquo ano de 1922, e a todos aqueles que deram continuidade e souberam o preservar ao longo dos últimos anos, contribuindo assim para a cultura ribeiragrandense, solidificando assim a sua importância no seio da população.

Sem esquecer os atuais responsáveis pela sua gestão e seus colaboradores que sem dúvida, irão dar continuidade à sua dinamização e preservação deste imóvel que é histórico e classificado como de Interesse Público desde 1989.

Muitos parabéns ao teatro Ribeiragrandense.

 

 

Martinho Medeiros Botelho

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