“ENTREGO-ME A TUDO O QUE FAÇO COM SENTIDO DE RESPONSABILIDADE E ESPÍRITO DE MISSÃO”

Aos 56 anos de idade, José Andrade ocupa mais um cargo de elevado prestígio na sua vida, o de Diretor Regional das Comunidades. Como a maioria dos açorianos, este premiado é de uma família repartida pelas duas margens do “rio atlântico”, e sempre se dedicou a este tema que tanto lhe é familiar.

 

 

 

Para quem não conhece, quem é José Andrade?

Nasci há 56 anos em Ponta Delgada e aqui sempre vivi. Meu pai, Manuel Jacinto Andrade, era chefe de redação do Açoriano Oriental, e meu avô, Cícero de Medeiros, foi diretor do Correio dos Açores e fundador do jornal Açores. Sou profissional da RTP, através da Antena 1 Açores, mas tenho andado “emprestado” a outras funções de serviço público, desde 1988, como adjunto do Subsecretário Regional da Comunicação Social, assessor de imprensa do Presidente do Governo, chefe de gabinete dos últimos 5 presidentes da Câmara Municipal de Ponta Delgada, vereador da Cultura e Ação Social, diretor-geral da Sociedade Coliseu Micaelense, depois deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e, agora, Diretor Regional das Comunidades do XIII Governo dos Açores, desde dezembro de 2020. Sou licenciado em Ciências Sociais, na especialidade de Ciência Política, e tenho 25 livros publicados, especialmente de investigação histórica. Entrego-me a tudo o que faço com sentido de responsabilidade e espírito de missão e gosto sempre mais do que faço agora do que daquilo que fiz antes. Mas o mais importante é que tenho duas filhas e sou quase avô…

 

 

Ao longo do seu percurso, já esteve envolvido em várias áreas. Quais os momentos chave?

O meu percurso é multifacetado, mas tem estado associado, direta ou indiretamente, às áreas da Cultura, da Comunicação, das Comunidades. As oportunidades seguintes surgiram todas por convite surpreendente e honroso, como prova de reconhecimento e confiança, a que sempre procurei corresponder com disponibilidade, vontade e capacidade. Gostei de tudo o que fiz, mas, pela apreciação generosa que outros fazem do trabalho que desenvolvi, parece terem sido marcantes as passagens pelo Coliseu Micaelense e pelo Parlamento dos Açores. Espero que assim seja também na Direção Regional das Comunidades, porque o serviço público só faz sentido se pudermos acrescentar o nosso modesto contributo individual ao bem maior do interesse coletivo.

 

 

É agora Diretor Regional das Comunidades. Qual a importância para si deste cargo?

Mais do que um cargo, é um encargo. Encaro-o como uma oportunidade de contribuir, de forma coerente, consistente e consequente, para uma melhor relação dos Açores com as suas Comunidades, sejam as emigradas, sejam as imigradas. Somos menos de 250 mil residentes nas nove ilhas, mas seremos muito mais de um milhão de açorianos e seus descendentes nas diferentes geografias da nossa diáspora. Mas, nos Açores, também já somos um “porto de abrigo”, já que residem em todas as ilhas mais de 4.000 cidadãos provenientes de mais de 90 nacionalidades dos cinco continentes, que são bem-vindos para ajudarem a desenvolver esta nossa terra que agora lhes é comum.

 

 

Considera que as Casas dos Açores são importantes para manter a ligação com a população emigrante?

O movimento associativo é determinante para a preservação e para a afirmação da diáspora açoriana. De entre todos, as Casas dos Açores são as associações sectorialmente mais abrangentes e geograficamente mais representativas na ligação permanente das nossas Comunidades à nossa Região. Por isso têm conhecido uma cooperação crescente com o governo regional e por isso trabalhamos para alargar progressivamente a sua rede mundial a outras geografias da diáspora açoriana.

 

 

Como se sente ao receber este prémio pelo Jornal AUDIÊNCIA?

É uma honra, imerecida, que aceito, com gosto, no pressuposto de que o partilho com quantos colaborei ou colaboraram comigo nas diferentes fases de uma vida dedicada à causa pública. A todos agradeço nas pessoas do senhor presidente do Governo dos Açores, Dr. José Manuel Bolieiro, e do senhor vice-presidente do governo, Dr. Artur Lima, que me confiaram a oportunidade presente. Mas permitam-me acrescentar aqui as três pessoas que acompanham mais de perto esse percurso nas últimas décadas: a minha mulher Carmen e as minhas filhas Beatriz e Margarida. Muito obrigado a todos por tudo!

 

 

Que mensagem gostaria de deixar aos leitores?

Uma mensagem de congratulação e de gratidão ao jornal AUDIÊNCIA, na pessoa do seu dinâmico diretor, Joaquim Ferreira Leite. De congratulação, pela importante missão que o jornal tão bem cumpre nos Açores, em São Miguel e na Ribeira Grande – essa cidade que acolhe e valoriza a Associação dos Emigrantes Açorianos, o Museu da Emigração Açoriana e a Praça do Emigrante. De gratidão, pela distinção recebida e que agora guardarei no melhor lugar do meu coração. Um jornal destes merece ter leitores assim.