“Tudo faremos para mantermos viva a essência desta Filarmónica”

 

Com 35 anos de existência, a Sociedade Recreativa Filarmónica Nossa Senhora das Vitórias trabalha em prol da valorização e preservação da identidade cultural da Freguesia de Santa Bárbara. A educação musical é o objetivo e a missão desta instituição, cuja Banda Filarmónica conta, atualmente, com cerca de 40 elementos, que desenvolvem valores como a amizade, confiança, coragem, respeito e disciplina e constituem uma grande família.

 

 

 

Qual é a história da fundação da Sociedade Recreativa Filarmónica Nossa Senhoras das Vitórias?

A nossa Filarmónica foi fundada pelo senhor Leonardo Medeiros Cimbron, músico amador, natural da Lagoa. Na sua infância, integrou a Banda do Rosário e teve como mentor, o tão conhecido músico e compositor, o senhor António Moniz Barreto. O seu amor e dedicação pela música levaram-no a criar uma banda em Santa Bárbara, onde já residia. Formou a escola de música apenas com jovens da freguesia, que não possuíam qualquer conhecimento musical. Após longos meses de formação musical e com o precioso apoio dos senhores Leonel Melo, Fernando Medeiros, José Ferraz, Miguel Batista e José Manuel Raposo, é fundada a Sociedade Recreativa Filarmónica Nª Sª das Vitórias, a 31 de agosto de 1986.

 

Quais são os principais objetivos e a missão desta instituição?

Temos como principal missão, o ensino e a promoção da arte mais universal, que é a música. Trabalhamos arduamente para alcançar o nosso objetivo, que é manter viva a tradição das bandas filarmónicas nos Açores, como parte imprescindível do cenário musical, cultural e etnográfico da região e na diáspora.

 

Enquanto presidente da direção, como considera que tem sido o percurso desta coletividade até ao presente?

O meu percurso enquanto presidente é relativamente curto, tem cerca de três meses, mas os 30 anos de vivência com esta família fazem-me afirmar que não existe uma filarmónica como a nossa. Apesar de ainda ser muito jovem, é um grupo que mantém um núcleo fortíssimo e é detentor de uma resiliência extraordinária e de um espírito de união inabalável, que, perante as adversidades, nunca se vergou, nem se verga. Tudo isto se deve ao nosso maestro, Carlos Cimbron, figura vital, que mantém o legado do seu pai, o maestro e fundador Leonardo Cimbron.

 

Na sua opinião, de que forma é que esta instituição musical constrói ou preserva a identidade local, neste caso da Freguesia de Santa Bárbara?

Santa Bárbara é uma freguesia com uma identidade cultural muito ativa e nós preservamo-la, através da nossa participação nas Festas do Divino Espírito Santo, na Marcha de São Pedro, nas festividades em honra da padroeira Nª Sª das Vitórias e outros eventos culturais.

 

Quais são as principais valências?

Para além da Filarmónica, temos uma Escola de Música que ministra aulas de Iniciação e Formação Musical e Classe de Conjunto – Flauta de Bisel e Instrumento (Clarinete, Trompete, Saxofone, Flauta Transversal).

 

Quantos elementos compõem, atualmente, esta Banda Filarmónica?

É composta por 40 elementos, com idades compreendidas entre os 7 e os 50 anos.

 

Qual é a sua estratégia para continuar a atrair os jovens?

Nenhuma estratégia será melhor do que os nossos músicos atraírem outros jovens a fazerem parte desta grande família. O entusiamo e felicidade que vejo no olhar de cada um deles, não tem preço. Um jovem que queira integrar a nossa Filarmónica, para além desenvolver competências a nível musical, desenvolve, também, valores como a amizade, o companheirismo, a confiança, a coragem, o respeito e a disciplina.

 

Quais são as suas perspetivas para o futuro?

Os tempos não têm sido fáceis e o futuro é verdadeiramente desafiante, tanto a nível humano, como financeiro. Há uma vontade imensa de voltar ao ativo e uma necessidade urgente de sentirmo-nos vivos novamente e, assim, mostrarmos a nossa arte a toda a comunidade. A nível financeiro, os últimos dois anos tiveram um impacto muito negativo, devido à falta de liquidez. O facto de nos mantermos ativos e continuarmos com a “casa aberta”, dentro do que é possível, acarreta custos. Temos contado com o apoio vital da Câmara Municipal da Ribeira Grande, que tudo tem feito para atenuar o sufoco provocado pela pandemia, através dos apoios financeiros, bem como da disponibilização de várias infraestruturas, como o Teatro Ribeiragrandense, onde gravamos recentemente o CD dos Hinos Religiosos, também patrocinado por este executivo, mostrando, assim, ser um parceiro fundamental na dinâmica das filarmónicas. Também, não podia deixar de agradecer o enorme apoio dos nossos emigrantes no Canadá. Nós, enquanto direção, tudo faremos para mantermos viva a essência desta Filarmónica e mantermos todos os nossos músicos, cada vez mais envolvidos e com ânimo.

 

Como vê a distinção com este Troféu AUDIÊNCIA?

É com muita alegria e entusiasmo que recebemos esta distinção. Para a nossa Filarmónica, tem um valor incalculável, pois é o resultado de muito trabalho, muita dedicação e resiliência. Para mim, enquanto presidente, deixa-me orgulhosa e confiante no futuro.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores?

As filarmónicas fazem parte da alma açoriana. Não deixem de mostrar todo o vosso apoio, pois muito necessitam.