“UM NOVO OLHAR SOBRE A CANÁBIS E SEUS BENEFÍCIOS”

A segunda edição da CannaPortugal – Expo Internacional de Cânhamo e de Canábis decorreu entre os passados dias 19 e 20 de maio, no Centro de Congressos de Lisboa e reuniu, num só espaço, mais de duas dezenas de especialistas e personalidades desta área científica e setor, tendo contado com a participação de mais de três mil pessoas. Em causa estava, sensibilizar a população sobre as múltiplas utilizações e benefícios da planta ancestral e contribuir para a informação na área do cultivo, produção e transformação do cânhamo, como complemento às atividades económicas existentes.

 

O Centro de Congressos de Lisboa foi o palco de mais uma edição da CannaPortugal – Expo Internacional de Cânhamo e de Canábis, que decorreu entre os passados dias 19 e 20 de maio e congregou, num só espaço, mais de vinte especialistas de vários países, dinâmicas formativas, expositores e atividades, que denotaram a variedade deste setor económico e a necessidade de se introduzir, a curto prazo, o cultivo desta planta, tendo em vista o benefício da população e da economia local. “Este é um evento único na capital porque assume a canábis na sua máxima abrangência e diversidade, como uma planta insubstituível no planeta, cuja compreensão exige ciência, conhecimento da cultura canábica e de práticas que vão desde a genética da semente até ao circuito comercial dos produtos finais”, afiançou Graça Borges Castanho, professora universitária e fundadora da CannAzores e CannaPortugal, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA.

Esta iniciativa teve como principal objetivo divulgar o conhecimento científico, acrescentar valor e acompanhar a expansão da fileira do cânhamo, em particular, e da canábis, em geral, bem como reforçar todo o processo produtivo, sem esquecer o impacto positivo que a atividade canábica tem no campo dos direitos humanos, qualidade de vida, mais saúde, sustentabilidade do planeta e desenvolvimento económico dos países. “Cumprimos com o objetivo de a CannaPortugal contribuir para a expansão da fileira da canábis, ao nível da sensibilização sobre o impacto positivo que toda a atividade canábica tem e demos a conhecer, ao público em geral, o potencial da canábis ao nível da saúde e das indústrias da sustentabilidade, desmistificando e normalizando um vegetal, que sempre conviveu pacificamente com a população do mundo até à sua injustificada criminalização”, afirmou a proprietária da empresa Neuron Bonus – Master Franchising Legal Canapa Shop.

Para além da do espaço da feira, com perto de uma centena de empresas e projetos, a Expo integrou um B2B Program (Business to Business), workshops profissionais dinamizados por formadores especializados na área da medicina canábica, incluindo Ira Price, do Canadá, e Neuza Fernandes, do Brasil, assim como da medicina veterinária canábica, com Rafael Traldi, do Brasil, do cultivo do cânhamo, com o consultor internacional Hugo Monteiro; e da comida canábica com o chef Luís Pimenta. Paralelamente os visitantes tiveram, ainda, a oportunidade de assistir a um Desfile de Moda Canábica da HempAction, GreenFits e Neuron Bonus, que contou com a participação da Weedog, à entronização da Confraria Internacional Cannabis Portugal, à exposição automóvel com componentes de cânhamo, a debates e mesas redondas, com oradores conceituados dos Estados Unidos da América, Canadá, Brasil, França, Israel, Inglaterra, Itália, Polónia, Uruguai, Paraguai e Portugal, entre outros. “Pela primeira vez, na história dos certames da fileira da canábis no nosso país, a CannaPortugal congregou organismos e empresas de diferentes setores. Para além das lojas, produtores, laboratórios, setor do medicamento e outros profissionais das indústrias da canábis, apostamos na presença de imobiliárias, engenheiros e construtores de estufas, gabinetes de arquitetura, empresas de brindes, da área gastronómica, do ramo automóvel com peças de cânhamo, entre outros, numa mostra clara de que esta é uma planta com fortes implicações na economia e no emprego”, reiterou a docente universitária.

Assegurando que, durante os dois dias, mais de três mil pessoas participaram nesta iniciativa, a fundadora da CannAzores e CannaPortugal enfatizou que “o balanço é muito positivo. Juntaram-se a nós investigadores, palestrantes, formadores, empresários, investidores de mais de 30 países, todos com um propósito comum: dignificar a planta da canábis no seu todo, desde a planta com menos THC, como o cânhamo, até às espécies mais ricas em THC, igualmente importantes para os usos medicinais e para as indústrias da sustentabilidade, como matéria-prima para celulose, para papel, bioplástico, fibras para têxteis, material para blocos de cânhamo, entre outras utilizações”.

Segundo Graça Borges Castanho, a entrega dos Global Cannabis Awards foi um dos pontos altos da CannaPortugal 2023 e contemplaram “duas dezenas de individualidades, projetos e instituições, que muito têm contribuído para a consolidação da canábis no mundo. Do conjunto de homenagens, ressaltou a ideia de que os premiados, nas suas mais diversas áreas de intervenção e com as suas ações individuais ou coletivas, desempenham um papel fulcral na consolidação do sector da canábis e demonstram a vitalidade do mesmo, nas mais diversificadas geografias”.

Salientando que esta planta ancestral é utilizada na alimentação, na cosmética, na construção civil, nos têxteis, no calçado, na indústria automóvel, entre outras áreas, a fundadora da CannaPortugal sublinhou que “é preciso cultivar mais cânhamo e canábis em Portugal, como forma de corresponder às necessidades da população. Portugal precisa de investir mais no potencial desta planta para fins da sustentabilidade, mas, para isso, é preciso mais investigação e mais programas de apoio ao cultivo e às indústrias”.

Radiante e a pensar no futuro, a proprietária da empresa Neuron Bonus – Master Franchising Legal Canapa Shop enalteceu que “as perspetivas passam pelo processo de legalização da canábis ao nível do uso adulto e pelo aprofundamento do uso medicinal”, evidenciando que “ainda há um longo caminho a percorrer, no sentido da população em geral e alguns grupos profissionais abrirem a sua mente a um novo olhar sobre a canábis e seus benefícios. É difícil mudar as mentalidades, daí haver a necessidade de vontade política, para alterar o panorama atual, bastante penalizador para a economia do país e para a qualidade de vida das populações”.