Contrariando os comentadores de serviço, sempre os mesmos, cujas análises vaticinam o desaparecimento do PCP, mas sendo descontextualizadas ignoram a forma de ser e estar do Partido próximo do povo e seus problemas, o PCP comemora o seu 100º aniversário, mantendo-se firme nos princípios que lhe deram origem e garantindo a continuidade da luta por melhores condições de vida dos trabalhadores e do povo e pelo harmonioso desenvolvimento económico do País.

Inspirado num clima de ascenso revolucionário provocado pelas grandes lutas travadas pelos trabalhadores portugueses, culminando na vitória da Revolução Republicana de 1910, mas resultante também do impacte da Revolução Socialista de Outubro na União Soviética, assim foi fundado o PCP.

A criação do PCP, em 1921, foi pois expressão de uma necessidade histórica da classe operária portuguesa e o resultado da evolução do movimento operário, porque constituiu a concretização do instrumento indispensável às aspirações de uma classe decidida a transformar a sociedade, marcando assim o início de uma nova etapa do movimento operário em Portugal e de uma nova fase da vida nacional.

Não foram fáceis os primeiros anos de vida do PCP, pois a criação de um partido comunista em Portugal implicou uma exigente batalha política e ideológica contra a influência e concepções tácticas ou práticas oportunistas de outras forças políticas, que exerciam forte influência no seio do movimento operário.

Acresce que desde o primeiro dia enfrentou a repressão da Primeira República e logo a partir de 1926, com o golpe militar de 28 de Maio que instaurou a ditadura fascista, o PCP com cinco anos de existência, foi proibido, perseguido e forçado a desenvolver a sua actividade nas condições da mais severa clandestinidade e brutal repressão, para as quais não estava naturalmente preparado, mas soube resistir-lhes.

Nessa conformidade, é a partir de 1929, com a Conferência de Abril e sob a direcção de Bento Gonçalves, designado Secretário-geral, que o PCP, virando-se audaciosamente para a classe operária, forjando uma organização capaz de actuar na clandestinidade, cria uma imprensa clandestina, o Avante e O Militante, organiza-se segundo a concepção leninista de um partido de novo tipo e inicia verdadeiramente uma actividade de massas, traduzida num vasto conjunto de importantes lutas, onde tombaram muitos dos seus elementos.

O prestígio e a importância política do PCP só foram possíveis com a rigorosa definição científica dos seus objectivos, da sua táctica e da sua linha política, forjadas ao longo dos anos e traduzidas nos seus Congressos clandestinos, designadamente em 1965, no VI Congresso e no Programa para a Revolução Democrática e Nacional aí aprovado, cujas orientações, Rumo à Vitória, haveriam de abrir caminho ao derrubamento do fascismo, à conquista das liberdades e à concretização da Revolução de 25 Abril de 1974.

Também teve relevante importância a inequívoca e consequente política de conformidade de opiniões ao longo destes anos, lutando pela unidade da classe operária e de todos os trabalhadores, criando Comissões de Unidade nas empresas, desenvolvendo uma notável actividade nos Sindicatos e na construção, dinamização e orientação de organizações democráticas unitárias, as quais só foram possíveis com a contribuição do PCP, salvaguardando sempre a sua independência.

O prestígio e a importância política do PCP só foram possíveis com a sua ideologia, o marxismo-leninismo, teoria revolucionária, por natureza antidogmática, que constitui a base teórica do Partido permanentemente enriquecida pela sua intervenção e experiência próprias e pela prática do movimento comunista e revolucionário mundial.

No 100º aniversário da sua existência, o PCP não esqueceu o evoluir dos tempos, adaptou-se aos mesmos, mantendo os seus princípios e identificando-se com os interesses nacionais, defendendo intransigentemente a soberania, a independência do País, a Constituição e, acreditando sempre no advento do homem novo, apoia fortemente a juventude portuguesa, mas não esquece a transformação do mundo e mantém-se activo na Assembleia da República, nas Autarquias, no Parlamento Europeu, nas lutas laborais e na solidariedade internacionalista, com mérito universalmente reconhecido.

É um Partido com identidade, ideologia e programa para o nosso País, com uma política patriótica e de esquerda de valorização do trabalho e dos trabalhadores, dos seus salários e dos seus direitos individuais e colectivos, dos reformados e pensionistas, de garantia dos necessários apoios sociais; Uma política patriótica e de esquerda para libertar o País da submissão aos interesses do grande capital, ao Euro e às imposições e constrangimentos da União Europeia; Uma política patriótica e de esquerda para recuperação para o País do que é do País, os seus recursos, os seus sectores estratégicos, o seu direito inalienável ao desenvolvimento e à criação de emprego; Uma política patriótica e de esquerda que assegure o direito à saúde, à educação, à cultura, à habitação, à protecção social, aos transportes; Uma política patriótica e de esquerda que passa, necessariamente, por Portugal produzir melhor, com mais agricultura, mais pescas, mais indústria, a criar mais riqueza e a distribuí-la com justiça, apoiando as micro, pequenas e médias empresas.

Comemorando 100 anos de existência, o PCP afirma-se presente para continuar o seu caminho ímpar, projectando a sua acção para o futuro, pronto, determinado e sempre ao serviço do povo e do País.

 

 

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