A atual crise que enfrentamos tem posto a nu, uma vez mais, muitas das fragilidades e ineficácias do tipo de sistema em que vivemos, bem como a sua natureza cruel.

A realidade, para quem a vida já custava imenso, só piorou: trabalhadores despedidos ou em lay off; famílias sem capacidade para fazer face às dívidas; estudantes sem recursos que ponderam abandonar o ensino; faturas mensais em pouco ou nada reduzidas, etc. Temos aqui mais um exemplo de que não, este não é o sistema mais perfeito alguma vez criado, nem perto disto.

A resposta aos problemas acima mencionados  – que se quer cabal, séria e o mais imediata possível – deverá ser exigida aguerridamente a quem nos governa, por uma ação concreta, imparável, munida de uma dimensão teórica e prática inquebrável, unida e solidária entre nós e os nossos semelhantes; gentes das artes, das letras, da cultura, dos ofícios, do campo, das fábricas.

Não nos podemos esquecer que a luta pelo fim da exploração do Homem pelo Homem, da pobreza, da fome, da guerra, deste sistema corrupto e putrefato é o alimento e combustível de milhões de progressistas e revolucionários espalhados por este mundo fora. É uma luta que, para além de ter esta larga base de apoiantes, tem atravessado milénios, com muitos avanços e recuos, certamente, mas que ainda permanece tão necessária e com imenso potencial para o bem da Humanidade.

Felizmente, temos incomensuráveis exemplos do passado e do presente que nos levam a acreditar num futuro melhor para nós e para tudo o que nos rodeia. Tudo depende da vontade de cada um de nós.

Por falar nestes exemplos: hoje comemoramos, seja de que maneira for, mas todos juntos, um marco único da nossa História. A sua importância não se mede apenas pelo que derrubou, mas essencialmente por aquilo que permitiu que se começasse a construir: o 46º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974. Foi esta Revolução que pela primeira vez elevou, em Portugal, os interesses do povo e do país acima dos interesses daquelas classes sociais e daqueles grupos económicos que, até então, tinham transformado o nosso país e as suas antigas colónias numa autêntica selva de exploração e de incessante busca pelo lucro.

A consagração do Serviço Nacional de Saúde universal e gratuito; da Escola pública, gratuita, universal e democrática; do Salário Mínimo Nacional; da proteção social e Segurança Social; do direito à reforma; do direito ao desporto; da igualdade entre homens e mulheres; e, entre muitas outras medidas, numa lista quase sem fim, que no essencial ainda se mantém intata, a consagração do direito a um sistema público de cultura, são provas ainda vivas de que efetivamente ‘’o povo é que mais ordena’’, e que está cá de mangas arregaçadas pronto a combater a cruzada montada contra tudo isto. Foi com a sua luta e sacrifício durante quase cinco décadas que estes direitos e garantias se transformaram em fundamentais para a manutenção da nossa liberdade e democracia.

Todas as gerações envolvidas no longo processo que culminou com o levantamento militar seguido de um amplo apoio popular na madrugada de 25 de Abril de 1974 deixaram-nos esta vasta, bela e única herança, que não é uma herança qualquer. É uma herança cultural assente nos valores mais nobres que possam existir e que só Abril (que é de todos nós) nos deu: liberdade plena; espírito de luta e sacrifício; confiança no povo e nos seus rebentos; união; justiça; ousadia; vida; alento; esperança e alegria.

Em suma, esta herança cultural que nos foi deixada, sem qualquer margem de dúvida, comprova que o poder sempre esteve, está e estará nas nossas mãos. Mais, exige só que, para o pormos em prática, tenhamos que ter os Valores de Abril em mente.

Cá estaremos sempre.

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