Eu conheci o meu verdadeiro Amor, numa colónia de praia programada pelo trabalho dos nossos Pais, antigamente o antigo regime, poderia ser muito mau, mas os patrões essencialmente das grandes Empresas eram obrigadas a criarem algumas regalias aos filhos dos trabalhadores. Eu tinha 12 anos de idade e no início de junho começava a época balnear durante quinze dias e pelas sete horas da manhã percorria com o meu Pai o percurso a pé até o seu local de trabalho, quando lá chegava tinha que esperar na cantina pelos meus colegas e esperávamos todos juntos pelo autocarro e monitoras que nos levavam para a praia de Mira- Mar.

  O meu grupo era de cor vermelha porque éramos os mais crescidos e eu reparei que havia um jovem muito bonito que se chamava Carlos Alberto era loiro e tinha os olhos azuis cor de mar e era o rapaz mais cobiçado do nosso grupo, todas as meninas falavam dele, no entanto eu no meu canto nem me atrevia a olhar para aquele lindo rapaz porque todos diziam que era filho de um engenheiro da Empresa, logo era impossível sequer pensar no Carlos, apenas em sonho.

  Uma manhã eu cheguei mais cedo à cantina do que o costume e qual o meu espanto vi – o a dirigir-se a mim para conversar eu fiquei atrapalhada, envergonhada sem saber como reagir, vermelha como um pimento e com medo que as minhas colegas me vissem a falar com ele. A conversa foi tão curta que eu perdi o “ fio à meada “a única coisa que gravei na minha memória foi que daquele dia em diante eu seria a sua namorada e ofereceu-me um anel prateado com o formato de uma borboleta, a partir daquele dia seria o nosso segredo eu não cabia em mim com tanta alegria.

  Os dias foram passando e eu sentia-me a pessoa mais feliz do Mundo tudo era perfeito, até que ao fazermos uma construção na areia molhada de dois corações duas meninas “ espertinhas “ descobriram o nosso segrego e começaram a fazer- me a vida negra, que eu era pobre, feia e gorda e para cúmulo eu adorava leite com chocolate, que era distribuído na hora do lanche e eu como nunca bebia isso em casa a monitora dava-me sempre mais um bocadinho e o Carlos picado pelas outras meninas mandou uma “ boquita “ mencionando em tom de brincadeira para eu não exagerar senão ficava gordinha o que nem era verdade pelo menos naquela altura, eu fiquei tão sentida e valorizei tanto aquela frase que deixei de lhe falar e passados dois dias entreguei o nosso anel borboleta e ele nunca mais veio à colónia.

  Eu fiquei muito triste na solidão do meu quarto chorava arrependida pela minha atitude, os anos passaram nunca mais vi o Carlos Alberto mas, deixou no meu coração a semente do verdadeiro Amor, puro e verdadeiro.

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