A Ponte do Atlântico, obra que liga as duas margens da ribeira, foi inaugurada na manhã de 18 de maio. Durante a cerimónia de inauguração, o presidente da Câmara Municipal criticou o Governo Regional por não ter apoiado a obra.

A Ponte do Atlântico, obra orçada em cerca de dois milhões de euros, vem virar, de acordo com o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, “a cidade para o mar”, concretizando-se assim um “sonho antigo com cerca de 40 anos”.

Alexandre Gaudêncio afirma que esta obra tem “muito significado para as nossas gentes”, já que assim se vira “em definitivo a cidade para o mar”, o que tem sido um dos objetivos do executivo ribeiragrandense.

Da mesma forma, o autarca antevê os frutos da Ponte do Atlântico, já que crê que é “através do investimento público” que se potencia o “investimento privado”, sendo este gerador de emprego.

Durante a concretização desta empreitada foram adquiridas 22 moradias que estavam na zona de construção, sendo esse o motivo por que Alexandre Gaudêncio fez questão de agradecer a “boa colaboração e a forma prestimosa como todos aqueles que aqui viviam souberam interpretar a valorização desta obra”, algo que, conforme disse o presidente do município, não aconteceu com o Governo Regional.

O edil lamentou que “enquanto noutros concelhos existem ajudas governamentais, nesta obra tivemos que nos socorrer do orçamento da Câmara”, embora esta empreitada fosse “pesada do ponto de vista orçamental”.

Alexandre Gaudêncio não poupou em críticas ao executivo açoriano, assegurando que “as requalificações urbanísticas na frente-mar deveriam ter uma componente regional e se isso é feito noutros concelhos, também deveria ter sido feito aqui”. No entanto “não foi essa a interpretação das nossas entidades, e não foi por isso que deixámos de fazer a obra”.

Ainda durante a inauguração da Ponte do Atlântico foi apresentada a terceira e última fase do Passeio Atlântico, obra que vai ligar o traçado existente à praia do Monte Verde.

Além das dezenas de locais e entidades a assistir à inauguração, a Banda Triunfo também esteve presente, interpretando os hinos de Portugal, da Região Autónoma dos Açores e da Ribeira Grande.

Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande

Notou-se, durante a sua intervenção, que a diferenciação negativa do Governo Regional para com o concelho da Ribeira Grande lhe provoca alguma tristeza.

É normal. Quando nos sentimos descriminados temos que demonstrar o nosso desagrado. Tivemos várias preocupações e reuniões presenciais diretamente com o Presidente do Governo em que manifestámos a nossa preocupação em relação a este assunto e nunca foi manifestado qualquer interesse. O que vemos é que, infelizmente, este tratamento é diferenciado, como é público. Sem querer falar de casos em concreto, basta seguirmos atentamente as notícias para sabermos que existem protocolos com câmaras municipais para intervenções como esta que acabámos de inaugurar. Não foi esse o entendimento do Governo. No entanto, não foi isso que nos fez parar, pelo contrário. Até nos deu mais força para levarmos a nossa avante e o que é facto é que hoje estamos a inaugurar uma intervenção que é muito importante para o futuro da cidade.

Recentemente uma deputada fez uma afirmação no Parlamento Regional, de que o objetivo do confronto entre o Governo Regional e o Município da Ribeira Grande, que teve também como polo a Caldeira Velha, visou, segundo a deputada, equilibrar as contas da AZORINA (Sociedade de Gestão Ambiental e Conservação da Natureza) e prejudicar o presidente da Ribeira Grande.

Quando o contrato foi denunciado por parte do Governo, manifestámos o nosso desagrado. Trata-se efetivamente de mais um caso de discriminação porque isso não aconteceu em outros locais em que a AZORINA ou o Governo tinham algum poder, nomeadamente com a Lagoa das Furnas e a zona dos cozidos, que continuam a ser explorados pela Câmara Municipal. Portanto, é uma diferenciação de tratamento que não compreendemos. Aliás, compreendemos, mas é bom ficar para cada pessoa a sua respetiva interpretação. Julgamos que não é assim que vamos lá. Isto só revolta, neste caso, quem está à frente das autarquias e as respetivas populações é que acabam por ser prejudicadas. Como disse, não é isso que nos move. O que nos move é trabalhar arduamente para pormos cada vez melhor a nossa cidade.

Esta diferenciação negativa é um “primeiro ‘round’” das próximas eleições regionais?

Não. Isto são factos, estamos aqui a constatar factos. Claro que se acontecesse o contrário também estaríamos a manifestar o nosso agrado, mas infelizmente não é essa a interpretação que as nossas entidades regionais têm. Por isso mesmo, sempre que for possível, iremos denunciá-lo porque não somos nem melhores nem piores que os outros e por isso mesmo gostaríamos de ter o mesmo tratamento. No entanto, por várias vezes temos constatado que a Ribeira Grande tem ficado para traz no que diz respeito aos apoios regionais, mas volto a dizer que não é isso que nos faz trabalhar menos, pelo contrário.

Não é um Vasco Cordeiro que vai fazer mal ao concelho da Ribeira Grande?

Acho que não é nenhuma pessoa em particular. Os ribeiragrandenses têm dado provas nos últimos anos que são bastante trabalhadores e que não vamos deixar-nos abanar por situações discriminatórias. Fica aqui o nosso desagrado em relação à falta de apoio do Governo nessa matéria, mas como disse temos o nosso caminho traçado e muitos projetos em carteira a serem desenvolvidos ao longo deste mandato.

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