Nascido e criado em Rabo de Peixe, Jaime Vieira adiantou ao AUDIÊNCIA que a sua recandidatura será uma realidade se a população, que já o elegeu por duas vezes, o voltar a apoiar. Apesar de considerar que o último mandato, apesar das dificuldades, teve um balanço positivo, o presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe acredita que ainda é possível fazer melhor e tem já planos para uma vila totalmente diferente e melhorada. Sempre focado nas pessoas e no seu bem estar, Jaime Vieira lembra que Rabo de Peixe é “riquíssima” e que terá agora mais investimento com o novo Governo Regional e a atual autarquia camarária.

 

 

Quase a completar oito anos no exercício das funções de presidente da Junta ainda se lembra do primeiro dia em que entrou?

Deixe-me dizer, em primeiro lugar, que é com muito agrado que estamos a fazer este pequeno trabalho acerca de Rabo de Peixe porque, no fundo, a Junta de Freguesia é o verdadeiro representante do povo da nossa vila. E lembro-me sim, lembro-me de toda aquela excitação inicial e que ainda continuo a ter e lembro-me como se fosse hoje o primeiro dia em que entrei, o ter que tomar conhecimento das coisas, como elas funcionavam, o facto de ter uma realidade completamente diferente. Porque toda a minha vida foi dedicada às causas sociais, sempre estive envolvido em diversas instituições e associações em prol da comunidade, tive nas Festas do Espírito Santo, estive ligado ao clube desportivo, já estive no grupo coral, tive em instituições que eventualmente possam dar uma mais valia a esta população, e na altura em que me candidatei, sabia que se ganhasse as eleições teria oportunidade junto da instituição que mais decide em Rabo de Peixe de poder fazer mais e melhor para a nossa vila. Lembro do primeiro dia que entrei nesta casa e devo dizer que foi com um orgulho enorme quando pus os pés pela primeira vez na Junta de Freguesia porque sendo eu um rabopeixense nascido, criado e vivido, nunca sai desta terra, era para mim um momento único, o ponto mais importante da minha vida profissional, mas também social, porque sabia que iria dar um contributo importante a esta vila e que foi para mim um momento de grande alegria e um momento extremamente emocionante. Na altura, apanhei uma casa que estava organizada de outra maneira, a estrutura montada aqui dentro também era diferente, e aos poucos fui adaptando àquilo que eram as minhas convicções, a forma de trabalhar. Abri completamente a Junta de Freguesia à população, criei gabinetes que tivessem como resposta principal estar junto das pessoas, e internamente aquilo que fiz primeiro foi reorganizar a Junta de Freguesia colocando mais pessoal no atendimento ao público. Lembro-me que quando entrei nesta casa tinha 3 ou 4 funcionários e hoje em dia temos 8 ou 9 pessoas cá dentro a trabalhar no dia a dia, porque, efetivamente, a nossa maior preocupação sempre foi e sempre será as pessoas em primeiro lugar e a comodidade e o bem estar delas. Trabalhamos para elas, pois o nosso enfoque é melhorar a sua vida e não fazer política com as pessoas. De que nos interessa criar grandes obras se as pessoas não estão satisfeitas em primeiro lugar com o que têm, com os rendimentos que possuem, com as condições de habitabilidade, com a dedicação existente e, por isso, aquilo que quisemos encontrar e fazer com que fosse possível era que as pessoas passassem por menos dificuldades e percebessem que estávamos aqui para dar respostas, e quando não fosse possível, encaminhar para quem pudesse dar. E esta foi a nossa primeira grande missão e foi um mandato em que a nossa maior preocupação foi trabalhar para as próprias pessoas.

 

Um jovem que tinha 37 anos, rabopeixense de gema, estava a contar ser presidente naquela altura?

Tinha sido convidado em 2009, quando saiu o presidente Artur Martins, para ser candidato. A estrutura concelhia da Ribeira Grande, na altura liderada por Fernando Gouveia, tudo fez para que eu fosse candidato. Mas nas coisas que entro, e quando entro, quero acima de tudo perceber que estou preparado para liderar, para dar o meu melhor, e enquanto não achar que estou preparado não ponho a hipótese. E foi isso que aconteceu porque em 2009 ainda não tinha o meu curso, sabia que o curso podia ser uma pequena mais valia para este novo desafio, mas acima de tudo perceber também que temos de perceber e estudar para onde vamos. Eu não queria vir para a Junta de Freguesia e fazer um mandato em que as pessoas não reconhecessem o meu valor, tinha de estar preparado para isso e, na altura, declinei o convite, sabendo que em caso de vitória do PSD de então dificilmente entraria nos próximos anos mas acima de tudo o que queria era o bem estar da população e sabia que não estava preparado para dar esse passo. Em 2013, com algum tempo, fui preparando quando recebi o convite da comissão política, na altura liderada por Carlos Anselmo, fui fazendo o meu caminho, estava mais bem preparado e sempre acreditei que era possível vencer essas eleições contra tudo e contra todos. Nós tínhamos um Governo Regional que era do PS, tínhamos a Câmara Municipal que era do PS, algumas instituições locais também tinham uma forte ligação a esta estrutura partidária, mas acreditei sempre que era possível porque quando vamos para um desafio temos de ter a noção que podemos perder, mas nunca podemos ir para um desafio acreditando que não é possível vencer.

 

Mas esse primeiro mandato foi um sucesso porque quando apresentou a recandidatura obtém um resultado que não está ao alcance de qualquer um…

Sim, é verdade. O primeiro mandato foi uma forma diferente de estar na vida política e o que queria que percebessem era que para mim cada caso, cada problema, cada assunto tinha de ser resolvido de uma maneira ou de outra, e logicamente que estando mais próximo das pessoas, tudo foi mais fácil. Mas ainda relativamente ao primeiro mandato, esperava ganhar mas nunca pelos números que foram, naquela altura, não sendo poder, foi uma vitória extraordinária e agradeço toda a confiança que me foi dada naquela altura, e no segundo mandato também. Foi um mandato maravilhoso que também não estava à espera daquele resultado da maneira como foi, porque do outro lado tínhamos uma pessoa que era também de Rabo de Peixe e que trabalhou muito para a comunidade e que estava envolvida nela, mas graças a Deus as coisas correram da melhor maneira para mim e para o PSD, porque é sempre bom recordar que aquilo que eu sou hoje e o que consegui, devo a esta população.

 

Portanto, podemos chegar à conclusão que atendendo aos orçamentos exíguos de uma autarquia, mesmo sendo uma das maiores dos Açores, em termos de freguesia, o carisma do presidente é a grande mais valia de uma autarquia, pois ou o presidente tem capacidade negocial de usufruir da magistratura de influência ou se calhar por recursos próprios a freguesia não tinha dinheiro nem para pagar aos funcionários…

Logicamente que sim, e desde que assumi a presidência na Junta de Freguesia quer a nível do Governo Regional, quer a nível da Câmara Municipal, nós duplicamos ou triplicamos o investimento em Rabo de Peixe. Essa nossa capacidade de querer fazer mais e melhor por Rabo de Peixe foi fundamental para conseguirmos também captar esse investimento. Poderia ter um mandato descansado, um mandato onde não fizesse atendimento todos os dias, onde não fosse para casa com os problemas das pessoas na cabeça e a pensar em como resolver, um mandato onde fosse muito fácil ir ter com o Governo Regional para resolver as coisas, mas nunca fiz isso. Era muito mais fácil para todos nós mas aquilo que eu sempre fiz foi colocar-me no papel da pessoa que vinha pedir para o seu problema ser resolvido e da pessoa que quando me elegeu, elegeu para isso mesmo, para estar ao lado delas. E isto foi fundamental, porque vir para uma Junta de Freguesia e não tentar captar investimento não se consegue fazer nada, estamos a falar de um orçamento, e quando entrei o que recebíamos da Câmara Municipal era 50 mil euros e do Fundo de Freguesias que recebíamos 84 mil euros. Basta fazer as contas e ver quais eram as receitas correntes que a Junta tinha. Hoje em dia temos mais 20 mil euros do Fundo de Freguesias, assim como mais 20 ou 30 mil da Câmara, mas é preciso não esquecer que só em Segurança Social e ordenados, gastamos à volta de 70 mil euros por ano, e ainda temos uma data de despesas como luz ou combustível, que fazem com que se não tivermos a capacidade de ir buscar investimentos fora, não se consegue fazer nada.

 

E foi isso que o levou a ser deputado regional, para abrir mais uma via para poder ir buscar recursos ou tentar obter mais influência para que se lembrassem que a vila de Rabo de Peixe existia?

Acima de tudo, é preciso não esquecer que o papel de deputado, estando mais próximo de quem decide, podendo levar o nome de Rabo de Peixe também na Assembleia Legislativa Regional logicamente que abriu mais portas. Na altura temia-se que pudesse ser ao contrário mas não, passado um ano de ser deputado conseguimos aquele resultado extraordinário, e este papel de deputado e presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe abriu claramente mais portas, trouxe mais investimentos, e começou-se a falar de Rabo de Peixe como nunca se tinha falado mas pelos aspetos positivos, por aquilo que podíamos ir conseguindo dia a dia, passo a passo, porque sendo deputado regional, no meu entender, foi uma mais valia clara.

 

De todas as obras feitas até hoje, durante os dois mandatos, há alguma que o tenha entusiasmado mais?

Uma das coisas de que nos orgulhamos, e quando se fala em obra vai-se logo para aquela obra física, mas no primeiro mandato aquilo que queríamos era resolver três problemas importantes. A primeira que era o centro da vila, a requalificação do Largo Padre António Vieira, porque quem antecedeu ao PSD na Câmara Municipal deixou Rabo de Peixe com imagem pouco digna, e perdoem-me a expressão, mas é porque ninguém gostou daquela intervenção que foi feita na altura pela Câmara do PS porque as pessoas comentavam que mais parecia ser uma bomba de gasolina. E essa foi uma das grandes obras que reivindicamos e que lutamos para que acontecesse porque era ali o centro da vila e onde a maioria das pessoas passa por Rabo de Peixe para ir para a Ribeira Grande ou Ponta Delgada, e ficamos imensamente satisfeitos com essa obra. A outra obra que considerávamos estruturante e que era uma luta há muitos anos da comunidade escolar de Rabo de Peixe era a requalificação da escola António Tavares Torres. Essa requalificação, é preciso não esquecer, que o recreio da escola esteve mais de 20 anos em terra batida, em pedra, não havia um refeitório, não havia espaços dignos para as crianças brincarem e foi uma obra que nos deu imensa alegria porque aquilo que nos compete é, acima de tudo, dar condições também para que as nossas crianças e todos aqueles que trabalham na educação, possam ter as melhores condições possíveis e esta também foi uma obra que considero estruturante porque apostando nos jovens, dando melhores condições, teremos um Rabo de Peixe diferente, com pessoas mais cultas, com pessoas mais sábias no futuro e é isso que pretendemos. A educação está no desenvolvimento de qualquer sociedade e escolas com melhores condições promovem, no meu entender, mais sucesso escolar. A outra obra que me marcou, foi uma requalificação que fizemos ao nível da freguesia em termos de espaços verdes. Dotamos Rabo de Peixe de espaços verdes, e foi algo que tinha defendido em campanha, que necessitávamos de mais espaços verdes, de florir mais Rabo de Peixe, dar um outro brilho e conseguimos, efetivamente, fazer isso com alguns espaços que conseguimos requalificar.

 

Mas também houve amargos de boca. O que gostava de ter feito e ainda não conseguiu, retirando o estádio que é uma das coisas que vai acontecer agora?

Houve duas ou três obras ou ideias que tínhamos que não conseguimos concretizar. Acho que Rabo de Peixe está a necessitar de forma urgente de uma requalificação em toda a orla costeira. Rabo de Peixe está a precisar de criar, o que não é fácil, dentro dessa requalificação, uma possibilidade de haver uma zona balnear. Rabo de Peixe está a precisar, no meu entender, de mais espaços lúdicos para as crianças, mais parques infantis, por exemplo, um parque urbano, que é algo que estamos a trabalhar e a pensar, aliás, temos ali uma grande intervenção que vamos fazer a Rabo de Peixe e que já está acertado com o novo Governo para que se faça essa nova requalificação, para que se comecem a fazer os estudos para ver a qualidade das águas para a criação da zona balnear, e este parque urbano que, sendo nós a maior comunidade em termos de números de crianças e jovens faz parte uma zona desta natureza. E depois há algo também que ando a lutar que é a criação de mais um polidesportivo, é verdade que irá nascer agora o campo de futebol, porque educação, desporto e saúde são fundamentais para que consigamos fazer desta terra uma terra melhor para se viver porque temos de perceber onde estamos inseridos. E esses foram alguns dos amargos de boca que tivemos, mas que acredito que nos próximos quatro anos e com este novo governo e a continuidade da Câmara Municipal atual, nós iremos chegar lá.

 

A inauguração do complexo desportivo também é motivo de orgulho para a vila de Rabo de Peixe.

Sem dúvida. Pode haver uma parte da população que não entende ou que não veja com bons olhos, por exemplo, que neste mandato não tivemos uma obra muito grande mas esta é uma obra de milhares de euros que nós conseguimos, mais uma vez, trazer esse investimento para Rabo de Peixe. Estamos a falar de uma obra de mais de 2 milhões de euros quando forem concretizadas as duas fases e que nós tivemos a ousadia de pensar neste assunto numa fase inicial. Mas é preciso não esquecer o que estás por trás de toda essa situação, na altura a fábrica da Cofac e todos nós nos lembramos do que aconteceu na ilha do Pico, precisava de mais condições para continuar a laborar. Sentíamos que, a determinada altura, que se não crescesse cá poderia crescer noutro sítio e poder-nos-ia ter acontecido o mesmo que aconteceu no Pico, o encerramento. Porque quem gere esta fábrica queria fechar algumas delas por questões de rentabilidade económica e nós na altura permitimos esse negócio e demos a possibilidade de aumento de emprego para as pessoas que trabalhavam na Cofac e permitimos, acima de tudo, que aquela fábrica não encerrasse que, no meu ponto de vista, seria desastroso para as pessoas, quer a nível social, quer a nível económico. E esta obra é estruturante porque fazer uma obra desta envergadura em Rabo de Peixe vai permitir também que mais pessoas, mais jovens, mais crianças possam ter um campo em condições para a prática do desporto. A recuperação do antigo campo de jogos, na altura, ascendia a mais de 500 mil euros, era preciso um tapete novo, os muros envolventes estavam degradados, não tinha condições de segurança para quem ali praticava desporto, e o desporto é prevenção, é saúde, e este campo de futebol será usado pela própria escola durante o dia e será utilizado por toda a comunidade que assim o queira. Numa fase inicial, pensou-se nesta obra e agora vai ser concretizada.

 

Nessa segunda fase, que projetos tem para aquela zona?

Dotar aquele espaço de mais bancadas, criar um mini ginásio, criar a sede do clube desportivo, criar salas de apoio para a prática de outro tipo de desporto que irá permitir termos naquele espaço algo multifuncional e um espaço integrado noutro espaço que é a nova obra da escola Rui Galvão de Carvalho, que também irá ali nascer um campo de futebol, daí designarmos toda essa nova dinâmica, essa fase, de criação de uma espécie de cidade desportiva porque quer a escola quer o novo campo irão permitir mais e melhor desporto para todos os rabopeixenses.

 

Mais uma vez, então, no seguimento do seu objetivo de estar com as pessoas foi necessário neste caso apertar um pouco as condições do principal clube da terra para que as pessoas pudessem continuar a viver com dignidade, mantendo os seus postos de trabalho?

De certa forma. Se tivéssemos de trocar o emprego, os rendimentos das famílias, pela obra, logicamente que o rendimento das pessoas está em primeiro lugar. Reduzimos um pouco as condições do clube para que mais de uma centena e meia de pessoas continuassem a ter o seu rendimento. Mas também sabemos que se não fosse agora nesta altura que se criasse condições, porque a venda daquele campo ainda rendeu à Câmara meio milhão de euros, e se não fosse agora, dificilmente iriamos ter um novo campo desportivo. Porque naquele campo apanhava-se muito frio, muita chuva, os cheiros constantes da Cofac, em termos de localização geográfica ficava longe do resto da freguesia e este novo em termos de localização está num sítio excelente, toda a gente chega ao campo de forma rápida, há mais condições de segurança contra as condições atmosféricas, e sim, pessoas em primeiro lugar, o rendimento das pessoas em primeiro lugar, e as condições em que vivem são fundamentais para a nossa ação diária e no nosso entendimento é para isso que temos de trabalhar.

 

Por vezes dá a sensação que há quem queira passar a imagem de que a vila de Rabo de Peixe é pobre, quando parece ser a mais rica em cultura, área social, etc. Qual tem sido a sua luta para elevar o nome de Rabo de Peixe?

Outro dos grandes objetivos que tínhamos quando aceitamos vir para a Junta de Freguesia era realmente mudar a imagem de Rabo de Peixe. E a imagem que as pessoas têm de Rabo de Peixe e o estigma que sentem, é uma das nossas grandes batalhas. Ainda recentemente, houve uma reportagem da RTP Açores onde a jornalista refere que aqui na ilha de São Miguel, em Santana, consegue-se ver o eclipse solar no Observatório Astronómico de Santana. Ora, Santana é um lugar de Rabo de Peixe, e é isto que tem de mudar, que é quando é uma coisa negativa, Rabo de Peixe é que vai à baila, quando é uma coisa positiva, é Santana. E aconteceu também na altura em que houve um tiroteio em Santana o título da notícia era “Tiroteio em Rabo de Peixe”, mas quando se realiza a Feira Agrícola, que é situada em Rabo de Peixe, é Santana e muitas vezes vão buscar o concelho da Ribeira Grande. E é essa dualidade de critérios muitas vezes quando se trata das questões públicas nós temos de ter cuidado, porque em Rabo de Peixe temos a maior comunidade piscatória, temos o maior porto de pescas, aqui está a sede da Federação Agrícola, ou seja, os dois polos onde somos fortíssimos, que é a terra e o mar, estão sediadas em Rabo de Peixe. Temos restauração, a nível de indústria e construção civil temos também das maiores empresas do concelho da Ribeira Grande. Costumo dizer que Rabo de Peixe é o pulmão económico do concelho da Ribeira Grande, e é preciso não esquecer isto porque temos tudo aqui. Temos instituições bancárias, um posto de saúde em condições, temos diversas associações culturais, desportivas, e considerar esta terra como uma terra mais pobre e fazer muitas vezes comparações com outras terras pobres que existem no país, é realmente pouco digno, mas é fruto também de uma falta de conhecimento daquilo que nós temos. Claro que temos as nossas dificuldades, somos 10 mil pessoas logicamente que temos os nossos problemas, mas são problemas comuns aos outros e que realmente basta fazer um apanhado do que temos para perceber que somos uma terra riquíssima em diversos aspetos.

 

A diáspora é um exemplo disso, ainda recentemente grandes cidadãos do concelho que nasceram em Rabo de Peixe assumiram importantes funções a nível internacional no mundo empresarial, nomeadamente, nos EUA e Canadá.

Exato. Ainda há pouco tivemos o caso da Márcia Sousa que foi reconhecida e é preciso não esquecer que já está provada a nossa capacidade de vingar noutras terras quando temos também uma sociedade capaz de oferecer condições para isso. A nível da nossa diáspora somos riquíssimos, quase todos vingaram na vida, são grandes empresários, e isso enche-nos de orgulho porque a diáspora é a outra face de Rabo de Peixe, e só a junção das duas faz a nossa comunidade.

 

Rabo de Peixe também foi o patinho feio na situação da Covid-19, muitas vezes imerecidamente. Como presidente da Junta, como conseguiu dar a volta a isto quando neste momento as pessoas já chegam à conclusão que afinal Rabo de Peixe não foi mais nem menos que as restantes freguesias, só que tem mais 5 ou 6 mil pessoas?

É pena que as pessoas façam essas comparações mas as percentagens da população são importantes. Logicamente que dizer que uma freguesia como a Maia, ou da Matriz, ou mesmo a Lomba da Maia, se tiver 5, 6 ou 7 casos, aqui seria 30 ou 40. Se formos ver em proporção não estamos muito longe dos outros. Mas é importante referir que temos de pensar nas condições, por exemplo, de um barco de pescas. Eles, desde que houve o confinamento geral tiveram sempre no dia a dia, assim como o risco de apanhar e ficar contagiado logicamente que aumenta. Depois, as especificidades da população em termos habitacionais, a composição da estrutura familiar, tudo isso são condições, e nesta terra apareceram muitos casos é verdade mas também fomos alvo de muitas testagem em massa. Porque em determinada fase, se fizéssemos isso noutras localidades não ficavam pelos 3 ou 4 casos, aumentaria. E isso tem de ser contabilizado. Fomos testados em massa em novembro, depois foram às escolas, tudo isso fez com que os números disparassem. Mas não estamos arrependidos do trabalho que fizemos, porque o que é importante perceber é que a saúde das pessoas tem de estar em primeiro lugar. E estando em primeiro lugar, estamos satisfeitos quando não há vítimas mortais diretamente ligadas à Covid-19, e esperamos que esta situação passe o mais rapidamente possível. Mas fizemos o nosso trabalho, estivemos presentes e continuamos presentes, apelamos para que fossem criadas equipas multidisciplinares, trabalho cá em cima na Junta, estivemos sempre ao pé das pessoas, criamos um vídeo motivacional, tivemos várias reuniões invisíveis aos olhos da população com as unidades de saúde e com a PSP, assim como com o Governo Regional, demos sempre um passo à frente. Ainda em março, enviei uma carta ao presidente do Governo Regional e ao diretor regional de saúde, em que fizemos um alerta para aquilo que poderia acontecer. Ou seja, fomos sempre pro ativos e nunca estivemos de braços cruzados mas não desempenhamos as nossas funções a fazer show off.

 

Subscreve o comentário que existe de que a secretaria regional da saúde e as direções regionais vivem numa redoma na ilha Terceira e desconhecem a realidade de S. Miguel, e concretamente, de Rabo de Peixe?

Falar da questão da saúde e da questão da Covid-19 é muito problemática mas acredito que a redoma que falam não existe e que as pessoas têm acompanhado e já vieram a Rabo de Peixe e têm estado sempre quanto possível em contacto com a Junta de Freguesia, por isso, conhecem a realidade. Agora, as medidas que são tomadas são medidas que as próprias pessoas ou as próprias organizações têm outros conhecimento e não nos cabe a nós estar a acrescentar. Mas em algumas situações não concordamos a Direção Regional de Saúde porque colocamos sempre os interesses de Rabo de Peixe acima de tudo.

 

Na sua opinião e conhecimento, o que é que um cidadão pode esperar do próximo mandato autárquico, independentemente de quem vier assumir a presidência?

Nós precisamos, nesta altura, e tivemos oito anos muito vocacionados para as pessoas e vamos continuar mas muitos dos problemas que já foram identificados e que já temos conhecimento que Rabo de Peixe precisa, e precisamos para sermos melhores do que já somos. Dentro daquilo que são as nossas expetativas, independentemente de quem venha assumir a função de candidato e presidente da Junta, logicamente só posso falar pelo PSD, o PS terá outras ideias, mas o que a experiência nos trouxe ao longo dos outros anos, entendemos que agora o passo seguinte tem de ser trabalhar em Rabo de Peixe de forma estruturante. Ou seja, tivemos a apagar fogos, a dar melhores condições, vamos continuar a fazer esse trabalho porque temos outras ferramentas agora, temos um Governo Regional, no meu entender, diferente e que vai ter um olhar diferente para Rabo de Peixe, e é bom recordar que infelizmente as questões políticas fizeram-se sentir nos últimos oito anos, porque tínhamos um Governo Regional de outra cor política, não devia ser mas aconteceu. Mas apesar do governo socialista da altura ter feito investimento, conseguiu captar investimentos para Rabo de Peixe, essencialmente ao nível da habitação degradada, é preciso agora dar o outro passo, que já o estamos a construir. Estamos a criar uma equipa multidisciplinar para criar um plano estratégico para intervir em Rabo de Peixe nas diferentes áreas, quer a nível de urbanismo, quer a nível de ambiente, educação ou de turismo, e esta equipa está a ser montada com diversas personalidades, umas ligadas à terra, outras não, com o objetivo de criar um plano estratégico de ação para Rabo de Peixe para os próximos anos. Não estou a falar de uma intervenção para quatro anos, estou a falar mais do que quatro anos mas acredito que nos próximos quatro anos, perante aquilo que queremos, vamos transformar ainda mais e para melhor a nossa vila. Temos algumas infraestruturas novas, estamos a criar a escola Rui Galvão de Carvalho, o campo de futebol, mas precisamos de mais. E acredito que será possível fazer a requalificação da orla costeira, é preciso também criar acesso à rua do Rosário com a criação de uma nova variante que irá romper completamente a vila a metade, e isso já está a ser planeado, como também criar outras condições do ponto de vista urbanístico. Mas não queremos ficar por aqui, queremos mais, e por isso vamos trabalhar com esta equipa, criando depois um documento que possa ter aquilo que pretendemos que é melhorar ainda mais a vida de todos que aqui vivem porque esta vila merece tudo de bom e o melhor que as pessoas possam ter. E é isto que espero que possamos fazer e acredito que este projeto que está a nascer, irá trazer e de que maneira uma nova visão para a nossa vila e para os que cá vivem que não tenho dúvidas que sentirão ainda mais orgulho depois do trabalho que será feito nos próximos quatro anos, e depois com quem vier a seguir.

 

E o Jaime Vieira está disponível para esses quatro anos?

Serei candidato se sentir o apoio e sentir que as pessoas ainda desejem que Jaime Vieira continue à frente da Junta. Se isso acontecer, serei candidato porque o meu amor por esta terra vale mais do que qualquer coisa. Seria muito cómodo para mim sentar-me na cadeira como deputado, fazer o meu papel, mas eu sou uma pessoa de causas e sinto que o melhor para esta vila ainda está para vir, estando o Governo atualmente PSD não tenho dúvidas que terá maior investimento, continuação da Câmara Municipal, e em conjunto não tenho dúvidas que faremos um trabalho melhor para todos. Sou uma pessoa de causas e nunca na vida deixaria uma vila sem o meu trabalho estar realizado se assim as pessoas o entenderem.

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