A mais antiga retrosaria da Ribeira Grande faz 33 anos de existência no próximo dia 28 de março. Nestas três décadas, o estabelecimento passou por vários momentos, mas o último ano é, segundo os proprietários, José Cunha e Filomena Cunha, o pior de todos. Contudo, o casal não perde a esperança e espera por melhores dias para voltar a apresentar as novidades aos clientes e recebe-los com a simpatia a que já os habitou nestes 33 anos de vida.

 

 

Abriu as portas, pela primeira vez, a 28 de março de 1988 e tornou-se ao longo dos anos um estabelecimento de referência na Ribeira Grande. Propriedade, antes, de Mariano Jacinto Pacheco, homem que na década de 20, iniciou a loja como uma delegação dos grandes Armazéns do Chiado, o espaço passou mais tarde para o padre Edmundo Pacheco que o acabaria por ceder à afilhada, Filomena Cunha.

“Parece que ainda foi ontem e já se passaram 33 anos. Como a minha esposa já tinha sido iniciada na vida comercial, quer em Coimbra quando lá estivemos, quer depois aqui em Rabo de Peixe, com a morte do dono, Mariano Jacinto Pacheco, a casa ficou vazia, apenas com os móveis e pouco mais. E houve logo muitas pessoas a quererem alugar, mas o padre Edmundo Pacheco sempre disse que era para a afilhada, a minha esposa. Quando os Armazéns do Chiado fecharam as lojas do Faial e da Terceira, na década de 30, propuseram a venda desta e o senhor Mariano comprou e tinha aqui muitos artigos, desde chapelaria, panos, botões”, explica o também proprietário José Cunha.

Dando continuidade, assim, ao comércio iniciado por Mariano Jacinto Pacheco, o casal fez obras de remodelação no espaço e introduziu também o artesanato na loja, até porque não havia, na altura, loja igual em toda a cidade. “Foi uma das coisas que o meu padrinho tinha muito gosto e aqui na cidade acabou por não haver mais quando ele fechou e as pessoas tinham que ir a Ponta Delgada fazer as suas compras de tecidos, botões, fechos, tudo o que era de retrosaria. E a ideia dele era que aqui na Ribeira Grande continuasse o mesmo ramo”, esclarece Filomena Cunha.

Também na qualidade e diversidade de tecidos e materiais para a confeção de roupa a Arco Íris mantem-se sempre na linha da frente. Se no início a loja foi uma novidade que atraiu muita gente, já que não havia nada igual na Ribeira Grande, principalmente a nível de artesanato ou vinhos, agora os clientes procuram a loja pela excelência dos produtos, com tecidos sempre de enorme qualidade.

Hoje, passadas mais de três décadas de existência, a retrosaria Arco Íris atravessa um dos momentos mais complicados com a pandemia Covid-19, mas mantêm a esperança de que melhores tempos virão, procurando sempre ter bons preços, “porque é um dos nossos lemas ter sempre bons preços nos artigos, para conquistar o mercado”, como garante José Cunha.

“Sempre tivemos altos e baixos, porque sempre tivemos uma ou duas empregadas e claro que tínhamos despesas, mas o problema é que os fornecedores vendem, mas querem receber também dentro dos seus prazos. E presentemente, com esta pandemia, as coisas pioraram porque há um fator importante, é que os tecidos e rendas são importados, e antes do material vir para o continente, tem de ser pago”.

Por toda a ilha, são inúmeras as costureiras que procuram a Arco Íris para criarem os modelos para as clientes, e Filomena Cunha garante que essa é a melhor publicidade possível mesmo em tempos de poucas vendas. “Temos costureiras por toda a ilha, que vêm cá para comprar coisas para o fabrico de vestidos, e passam a outras pessoas e temos assim uma casa que presentemente, e apesar da pandemia, é progressiva. Com esta crise não há datas marcadas para casamentos, assim como as comunhões, por isso, estamos sem datas para vender como vendíamos antes, estamos a ter uma grande quebra por causa disso. Até no artesanato porque não há turismo, quer do continente quer do estrangeiro. De um ano a esta parte as compras decresceram muito, mas estamos preparados para a abertura, com fé e esperança. Em condições normais já começaríamos agora a vender para o verão em força. Em fins de março, abril, já começaria, mas com os confinamentos é difícil. A nível geral estamos muito bem, mas Rabo de Peixe continua com casos, o que afeta o nome da terra, o concelho e todo o comércio”, explicam.

Os proprietários garantem que já recorreram a apoios junto da Câmara do Comércio e Indústria, mas, dado que “os apoios não são muito fáceis de conseguir e são tardios a chegar”, ainda esperam pelo primeiro apoio solicitado. Entretanto, nem tudo é negativo e em 2020 a Arco Íris também foi considerada como uma das montras mais bonitas da Ribeira Grande, no concurso que se realiza todos os anos. Para Filomena Cunha, este foi um momento importante, principalmente porque toda a montra é feita “pela prata da casa”.

“Apostamos na reciclagem e a nossa montra foi precisamente premiada por isso, fizemos a montagem da manequim com folhas de uma revista, e fizemos colagens para fazer as roupas”, relembra a proprietária.

Enquanto os clientes não podem retomar à sua atividade normal e fazer as suas compras como antigamente, podem ainda conhecer todas as novidades da Arco Íris através da página no Facebook, Loja Arco Íris, onde encontram uma enorme variedade de ofertas e fotografias das manequins para se manterem atualizadas das novidades.

Além dos proprietários, a Arco Íris tem também três funcionárias, mantendo, assim, a loja sempre aberta, incluindo à hora de almoço, e que se encontram à espera dos clientes sempre com um sorriso no rosto. “É assim que se faz uma casa, com boa disposição, bom atendimento e novidades, claro. Por isso as pessoas voltam”, assegura Filomena Cunha.

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