Obras

Percorremos o arquipélago e deparamo-nos com dois cenários nas infraestruturas educacionais – obras megalómanas ou instalações muito degradadas. São raras as exceções em que vemos o meio-termo.

Muitas das obras projetadas, ainda que relativamente recentes, apresentam graves lacunas e, desde a sua construção, a manutenção é quase nula. Já as mais antigas necessitam de intervenções de fundo, consequência do abandono a que foram vetadas pela governação socialista.

Na Ribeira Grande, temos o exemplo da Escola Gaspar Frutuoso, cujo custo para a Região ascendeu os 19 milhões de euros. Uma obra nova e moderna, sem dúvida, mas cujos janelões de vidro sobredimensionados, e uma ventilação deficitária, sobreaquecem os pavilhões e as salas de aula, tornando o ambiente insalubre nos dias de maior calor.

E esse é o retrato que encontramos por toda a região. Num requerimento subscrito pelos deputados do PSD/Açores, cujo tema se centrou nos pavilhões desportivos, os mesmos foram confrontados com uma larga listagem de instalações desportivas escolares com problemas de cobertura, pavimento e de infiltrações. Ao todo, foram identificadas 21 unidades orgânicas com problemas a este nível, isto é, mais de metade das escolas dos Açores! É obra!

 

Mentalidades

O mais importante na Educação não são, de facto, as obras, embora estas contribuam para a melhoria das condições de aprendizagem. Educar é formar para um certo modo de vida e de conduta pautada por valores éticos. Para tal, importa refletir sobre a ligação das escolas com as diferentes instituições, dentro e fora do seu raio de ação, de modo a garantir uma formação holística do aluno. Só assim formaremos adultos capazes de compreender e interagir com a comunidade, numa relação profícua para todos e, por essa via, eliminaremos as guerrilhas e os bairrismos.

Numa recente visita a uma escola, uma das reivindicações apresentadas era a construção de um salão multiusos, para a escola e a comunidade em geral. Espantamo-nos com o pedido, quando nas imediações existiam vários salões de filarmónicas. Justificação dada, “Há muita rivalidade entre as bandas. Não podemos usar um salão, porque os pais do outro salão simplesmente não irão comparecer”! Ora, então a solução mais simples seria recorrer ao betão! Construa-se mais um salão. Caso para se dizer, é preciso investir muito na Educação! É preciso investir muito na mudança de mentalidades!