O CEmpA (Centro Empresarial dos Açores, S.U., Lda.) foi, no passado dia 12, galardoado com a Distinção PME Digital 2018 pelo Governo dos Açores. Esta distinção visa premiar as empresas com sede nos Açores que tenham provas dadas na utilização de tecnologias digitais.

Constituído em outubro de 2014, este centro possui 25 empresas/entidades ali sediadas, pertencentes às áreas da arquitetura, contabilidade e fiscalidade, serviços de higiene e segurança no trabalho, animação turística, produção de eventos, negócios imobiliários, design e comunicação, entre outras.

O Audiência esteve em conversa com João Dâmaso Moniz, presidente da Junta de Freguesia da Ribeira Seca, mas cujas declarações foram feitas na qualidade de empresário e de CEO do CEmpA, com sede na Ribeira Seca.

 

João Dâmaso Moniz, um comentário à distinção recebida do Governo Regional.
Efetivamente esta distinção vem no seguimento do trabalho que tem sido desenvolvido pelo CEmpA, utilizando obviamente as novas tecnologias e o mundo digital na angariação e na procura de novos clientes e potenciais clientes. Desde a nossa abertura em 2015 de portas mas desde a sua constituição em 2014, o CEmpA tem vindo a desenvolver estratégias, essencialmente na parte do digital, tendo em vista incorporar no nosso Centro empresas que não estejam na proximidade geográfica, mas que possam ser, de certa forma, incluídas no nosso core business.
Quero salientar, por exemplo, que mais de 50% dos nossos clientes (das empresas que têm sede no nosso Centro) não existem fisicamente ou não estão na nossa proximidade geográfica, são empresas do continente. Isto só se consegue apostando no digital, nas novas tecnologias, nas redes sociais, no nosso website… mas também incorporando publicidade em plataformas que permitam esse tipo de anúncio e que têm vindo, no nosso entender, a trazer algum usufruto. O Governo Regional, o ano passado, decidiu criar através de um despacho uma distinção para as empresas que têm desenvolvido algum trabalho nessa área. Fizemos a devida inscrição, aquilo era um concurso para receber a distinção. Esse formulário a concurso depois foi analisado por um júri, em que são analisados um conjunto de critérios, e nós tivemos o número mínimo de pontuação para que fôssemos galardoados com a distinção bronze, que é a mais pequena das três (havia bronze, prata e ouro). Estivemos a um ponto de receber prata, mas obviamente isso dá-nos a motivação para continuar a trabalhar, para no próximo ano, se tudo correr bem, conseguirmos uma distinção mas de nível superior.

Ser jovem empresário nos Açores é uma aventura ou um ato consistente?
É uma aventura, sem dúvida alguma. A caminhada empreendedora, apesar de ser difícil, não deixa de ser uma aventura. É necessário coragem, uma busca permanente de negócios, oportunidades de negócio… não é de todo fácil muitas vezes conciliar a vida profissional com a pessoal. Quem tem um projeto e quem se envolve num projeto, principalmente nos seus primeiros anos, é necessário colocar muita dedicação, muito suor… mas penso que também a esse nível, não deixa de ser bastante recompensador, e quando se recebe este tipo de distinção, acaba por ser o reconhecimento também de várias horas de esforço e dedicação, neste caso em concreto pelo Governo Regional, e isso obviamente deixa-nos muito orgulhosos.

Com sede na Ribeira Grande, pergunto: é um bom concelho para aprender a voar?
A Ribeira Grande tem uma grande vantagem no meu entender: é um concelho muito jovem, acaba por ter também muitos jovens com ideias de negócio e com ideias que deverão ser colocadas em prática. O nosso centro, desde a primeira hora, está disponível para acolher essas ideias de negócio, apoiar esses jovens e, de certa forma, funcionar (como gostamos de chamar) como uma empresa de fomento ao empreendedorismo, no fundo é isso que o CEmpA é: uma empresa de fomento ao empreendedorismo, e temos apoiado, felizmente, ao longo de alguns anos várias empresas, e isso obviamente dá-nos aqui alguma experiência e dá-nos algum historial e alguma satisfação quando falamos com clientes e ex-clientes (pessoas que já passaram por cá mas devido à dimensão que adquiriram tiveram que sair) e dizem que o CEmpA foi um bom “ninho” onde puderam começar o seu negócio. A Ribeira Grande, como já referi, devido a essas particulares, por ser um concelho não só jovem mas também industrializado, com deficiência em termos de setor de serviços, acaba por dar aqui ao Centro uma margem para que conseguíssemos abrir portas e conseguir trabalhar nesse mercado até aos dias de hoje que tem, de certa forma, sido um mercado rentável e continua a ter alguma procura pelo menos no âmbito de nosso core business.

A um jovem com a sua idade, costuma-se dizer que “o céu é o limite”. Quais são as suas ambições?
As minhas ambições, a curto prazo, diria que é continuar aqui no CEmpA. É um projeto que, apesar da sua dimensão, não deixa de ser um projeto pequeno. Em termos de recursos humanos temos um equipamento pequeno… é um projeto que está delimitado aqui à ilha de São Miguel. Desde o início o nosso objetivo é que tivesse amplitude regional, coisa que ainda não se conseguiu fazer. Por isso a breve prazo, queremos colocar a empresa no local que nós ambicionamos desde a sua criação. Obviamente isto não se faz do dia para a noite. Faz-se caminhando, tomando decisões diárias, apostando naquilo que consideramos ser as melhores soluções para levar a empresa ao sítio que ambicionamos. Mas tenho perfeita noção de que atualmente o Centro Empresarial não tinha “pernas” para alcançar esses objetivos caso eu não estivesse aqui na empresa, porque infelizmente devido à equipa ser pequena (não tenho ninguém que me substitua e que consiga, no meu entender, levar a empresa a esses objetivos que acabei de referir). Por isso, a breve prazo, não prevejo outro caminho que não seja este, sendo que o objetivo é colocar a empresa noutro patamar.

Sendo membro dos órgãos sociais da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, em que aspeto é relevante para os seus projetos e para os projetos de jovens como o João, a participação deste órgão e qual os objetivos que podem ser alcançados tendo como alavancagem a Câmara do Comércio?
A Câmara do Comércio é uma associação empresarial com 183 anos de existência. É uma associação com muita idade, muita experiência, com um corpo de recursos humanos já bem constituído, uma equipa bem constituída e experiente, e com várias provas dadas em várias áreas. Obviamente, é um local onde há uma troca de experiências e de informação bastante importante para qualquer empresário. Não querendo vender aqui o meu peixe, mas faço questão de dizer que ser associado da Câmara do Comércio é uma mais-valia. E é uma mais-valia pela experiência, pela idade, pela estrutura… muitas vezes encontro na Câmara do Comércio um porto de abrigo: é um local onde posso esclarecer dúvidas e ter alguma orientação, fruto da experiência que já referi. A Câmara do Comércio, desde a minha entrada em 2016 para a vice-presidência, permitiu-me ter outra noção da região [dos Açores], da dimensão da região, conhecer e trocar experiências com outros profissionais não só da área, mas de outras áreas.  Obviamente permite ampliar o nosso leque, a nossa visão sobre certos e determinados assuntos e não deixa de ser positivo. A Câmara do Comércio também acaba por ser uma mais-valia para as empresas associadas pelas parcerias que possui. Nomeadamente na aquisição de serviços, porque acabam por ter descontos e um conjunto de benesses que não teriam caso não fossem associados.

Tendo em conta que existe pelo menos no nome no concelho da Ribeira Grande uma associação de comerciantes e industriais que está inerte, ou pelo menos não tem atividade conhecida nunca sentiu uma ambição de reativar esse núcleo?
Sobre este assunto posso dizer o seguinte: essa associação empresarial da Ribeira Grande, segundo consta está inativa atualmente, foi uma associação que no meu entender foi criada e fazia todo o sentido em criar, porque a Ribeira Grande por ser um concelho extremamente industrializado e que tem uma grande percentagem de empresas, aliás, recordo que recentemente foi feito um estudo e o concelho da Ribeira Grande era o que mais exportava, ou seja faz sentido haver uma união entre os ribeiragrandenses. Mas infelizmente, e penso que isso foi uma das situações que fez com que a associação não tivesse perdurado no tempo, ou alcançado os objetivos que inicialmente traçou, foi essencialmente a questão da dimensão e também, obviamente, da própria história: uma associação recente requere obviamente muita entrega e dedicação. Posso dizer que a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada tentou criar um núcleo na Ribeira Grande, e não conseguiu porque não surgiram pessoas suficientes para a sua constituição. O que quero dizer com isso é que apesar de termos alguma dimensão e alguma expressão a nível regional e em termos de ilha, depois os empresários acabam por ter pouca disponibilidade, pelo menos os da Ribeira Grande (e é essa a conclusão a que eu chego), e isso faz cair por terra essas associações. E acho que foi essa a principal razão que fez com que a associação empresarial da Ribeira Grande não tivesse alcançado os objetivos traçados.
Obviamente faço essa análise de uma forma externa, quero deixar isso patente. Não pertenço à associação, não pertenço aos órgãos, não sou associado e nunca fui. É a análise que vejo da minha experiência na Câmara do Comércio porque nós já tentámos fazer aqui algum trabalho e muitas vezes não é fácil. Em relação à questão concreta que me colocou de eventualmente ter algum interesse nesta associação, no meu entender não faz qualquer sentido, atendendo às funções que ocupo na Câmara do Comércio. Também conhecer as dificuldades que é ter uma associação, ter portas abertas e a dedicação que é necessário, fruto também da minha indisponibilidade, não vejo isso como um elemento apetecível nesta fase da minha vida, abraçar um projeto dessa ordem de grandezas.

Vamos terminar com uma pergunta muito particular: o nome de família que transporta é uma vantagem ou uma desvantagem para a concretização dos seus sonhos?
A família não se escolhe, ao contrário dos amigos. Nasce-se e morre-se com o nome. Penso que não deixa de ser uma vantagem e não deixa de ser uma desvantagem. É uma vantagem porque o meu nome de família, felizmente, é associado a um conjunto de obras e de trabalho com mais de 70 anos, no caso em concreto da empresa João Gouveia Moniz ligada ao setor da construção. Isto obviamente não deixa de nos abrir algumas portas. Muitas vezes ninguém sabe quem é o João Dâmaso Moniz, mas já sabem quem é o João Gouveia Moniz. Tive a sorte (isso não se escolhe como já referi) de ter o [nome do] meu avô. Mas muitas vezes isso também não deixa de ser uma desvantagem porque poderão ser fechadas algumas portas por pode surgir um certo “ruído” que pode não ser benéfico para quem está à frente de uma empresa. O que eu acho, e nisto tenho uma visão muito liberal em relação a estes assuntos, é que os resultados que nós alcançamos são sempre fruto do nosso trabalho. Aqui não há obra do acaso. Obviamente que o nome pode ajudar ou prejudicar, mas isto só depende de nós. Não acredito que um nome de família possa beneficiar de tal forma que não é necessário trabalhar para alcançar esse objetivo, ou que possa prejudicar de tal forma, que se a gente não trabalhar árdua e empenhadamente, também não consigamos alcançar os objetivos. O nome é o que é. A família não se escolhe.