Após mais de seis meses de portas fechadas, o Centro de Dia da Associação de Socorros Mútuos Nossa Senhora da Esperança (ANSE), de Sandim, reabriu a 12 de outubro. Para auscultar como tem sido esta nova realidade, falamos com a diretora daquela infraestrutura de solidariedade social sandinense, Vânia Pinheiro.

Entre as alegrias e reencontros, tão esperados, há muitas preocupações. Pelos novos procedimentos e os perigos diários, pelos riscos que todos correm… Regressaram ao centro menos de metade. A maioria dos restantes continua a ter apoio domiciliário.

 

 

 

Como é que correu esta rentrée do Centro de Dia da Associação Nossa Senhora da Esperança (ANSE)?

Com muita expectativa e receio ao mesmo tempo. Estávamos com muita vontade de voltar a receber cá os nossos idosos, contudo, temos a consciência de que o contexto pandémico que vivemos, sobretudo para os grupos vulneráveis, implica uma enorme responsabilidade e consciência em cada tarefa que executamos no dia a dia de trabalho com eles. Isto, a par da adaptação aos novos procedimentos decorrentes do Plano de Contingência que foi elaborado, com todo o cuidado, com o apoio da Delegação de Saúde de Vila Nova de Gaia e aprovado por esta… Mas, de uma maneira geral, podemos dizer que tem corrido bem.

 

O que é que têm feito (atividades) desde o dia 12 de outubro com os utentes?

Os utentes da resposta Centro de Dia, maioritariamente, aceitaram a domiciliação dos serviços, durante o período de encerramento. Nessa altura, além dos cuidados habituais, tentamos dar continuidade às atividades no domicilio, levando até eles trabalhos manuais e a alegria habitual das nossas animadoras que promoviam o combate ao isolamento e dependência destes. Esta pretensão nossa não foi fácil de executar, pois o número de utentes em Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) face ao número de colaboradoras para este efeito, configura por si só um enorme constrangimento.

Atualmente, com os utentes de volta ao Centro de Dia, estamos a tentar repor as atividades que tínhamos anteriormente. Já iniciamos as aulas de ginástica, nas quais garantimos todas as condições de segurança, nomeadamente no que diz respeito à desinfeção do material, distanciamento social e utilização de máscara. Diariamente disponibilizamos os jogos de estimulação cognitiva e são preparados previamente os materiais para os trabalhos manuais, programados para cada dia. Cada utente tem o seu material, no entanto, este é desinfetado a cada utilização. Sempre que o tempo permite, utilizamos o pátio exterior e passeamos em zonas ao ar livre com cada grupo de utentes (separadamente).

 

Quantos utentes tinham em Março e, desses, quantos voltaram?

Em Março tínhamos a nossa lotação máxima, 65 utentes. Destes, apenas 26 voltaram ao Centro de Dia. No entanto, tem sido gradual a reintegração. Temos uma condição obrigatória para que possam voltar, que se prende com uma avaliação médica da qual resulta uma declaração que dita se o utente deve ou não frequentar o Centro de Dia. Muitos estão a tratar deste documento.

 

Qual é a média de idades dos utentes?

77 anos.

 

Algum faleceu entre Março e agora?

Em Centro de Dia faleceram sete utentes nesse período mas, que saibamos, não foi devido à COVID 19.

 

Quantos funcionários têm ao serviço neste momento?

Temos 25 em Centro de Dia, quatro no Projeto Costurar com Causa e 12 em Serviço de Apoio Domiciliário.

 

Todos, funcionários e utentes, fizeram teste à COVID 19?

Todos os funcionários fizeram teste e todos tiveram resultado negativo. Quanto aos utentes, por nossa iniciativa, não foram testados.

 

Qual é o maior desafio com que se deparam nestes novos tempos?

Conseguir trazer a “normalidade” possível ao dia-a-dia dos nossos idosos, garantindo sempre a sua segurança.

 

Como encaram o futuro?

Não costumo fazer planos a longo prazo. Cada dia é um dia novo e cheio de possibilidades que devemos aproveitar e fazer sempre o nosso melhor, ainda que com todas as condicionantes atuais. Não podemos parar, portanto, a palavra de ordem que pautará o nosso trabalho, agora e no futuro, será “adaptar”.

 

Apesar dos utentes uma grande percentagem dos utentes não estar no Centro de Dia continuaram a contactar com eles?

Os utentes que ainda não regressaram ao Centro de Dia, na sua maioria, recebem os Serviços que necessitam no domicílio.

 

Aperceberam-se de realidades difíceis (contextos familiares, financeiros, etc)?

A maior dificuldade para algumas famílias foi assegurar a retaguarda dos seus idosos, atendendo a que o Centro de Dia esteve fechado, após o confinamento. Muitos idosos acabaram por ficar sozinhos durante o período laboral dos filhos e/ou cuidadores, ainda que com SAP, que são serviços pontuais ao longo do dia. Trabalhamos com famílias cujos rendimentos não possibilitam a contratação de serviços contínuos no domicílio.

 

Os utentes manifestavam vontade de voltar?

Sim, constantemente! Cá no centro sempre tivemos um espírito familiar muito forte. Sempre houve muita animação, barulho de fundo…eram dias preenchidos e alegres. Acredito que isto lhes fazia falta, assim como as razões mais óbvias: a solidão e o isolamento, ansiedade, estados mais depressivos, perda de mobilidade, degradação gradual do estado de saúde…

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