Temos lido e escutado muitos artigos das mais variadas origens dedicados ao tema, mas curiosamente, salvo honrosas excepções, os autores a soldo preferem enredar-se em teias obscuras para nos inculcarem a ideia das causas a jusante, ignorando propositadamente que elas se encontram, sim, mas a montante.

Muito recentemente, o jornal O Diario Octubre, na edição de 18 do corrente, procura colocar a situação a um nível mais concernente com a ética jornalística titulando que a política exterior dos Estados Unidos no Médio Oriente causa ataques terroristas na Europa e apresentou o caso do ataque terrorista em Barcelona como exemplo mais recente.

Há confusão nas informações que as autoridades disponibilizam sobre o ataque terrorista e o professor de História Contemporânea Higinio Polo acrescenta que se desconhece até que ponto é rigorosa e certa a reivindicação do atentado por parte do autoproclamado estado islâmico, no entanto, este analista afirma que tanto este como outros ataques nos últimos meses na Europa foram parcialmente «causados pela política dos Estados Unidos no Médio Oriente».

Talvez esta afirmação possa parecer loucura ou exagero para alguns, mas no fundo apresenta-se mais como uma realidade e a irresponsabilidade dos mídia desempenha um papel muito importante que não podemos ignorar, pois a influência dos meios de comunicação hoje é considerável e não pode ser negada.

Os actos de terrorismo começaram a vender maciçamente a partir dos ataques contra as torres gémeas e, como todo o bom produto, é necessário constantemente reinventar para cativar o consumidor e até aos dias de hoje o produto estrela dos «actos terroristas» parece ter sido denominado por «violações múltiplas», mas posteriormente mudou para algo relacionado com «facadas» com início em França em 2016, seguindo-se a Alemanha em Berlim no mesmo ano, Reino Unido em Londres neste ano, assim como Suécia em Estocolmo, agora em Espanha em Barcelona, todos estes actos com ampla cobertura internacional, quando mandaria o bom senso serem alvo de cobertura local.

E a pergunta que se impõe é: qual o interesse dos grandes mídia, locais e internacionais, que, a contento de terroristas, querem «vender» o impacto das ações desses mesmos terroristas? Podemos perfeitamente entender que a publicidade dedicada a estes «atos terroristas» permite a sua «multiplicação», hoje Barcelona e amanhã se verá. Quando é que os grandes mídia entenderão a sua responsabilidade para com a nossa sociedade?

A Europa deverá deixar o alinhamento incondicional com o imperialismo que somente tem trazido ao mundo a invasão de países soberanos, com centenas de milhar de vítimas inocentes, homens, mulheres e crianças, destruição de património mundialmente qualificado e o aparecimento duma onda de refugiados nunca vista, excepto na II Guerra Mundial, sem fim à vista.

Os exemplos do Iraque, Líbia, Afeganistão, Somália, Iémen, Síria, são por demais a prova do terror levado aos povos com o único objectivo da rapina dos recursos naturais desses países e a obtenção de mais posições geoestratégicas e nem é necessário ser um grande estratega para perceber como funciona este criminoso acto.

Na América Latina, o pátio das traseiras do imperialismo, nas afirmações irresponsáveis de Trump até já é admitida a hipótese duma intervenção militar na Venezuela, o que tem provocado positivas ondas de protesto.

Nesta conformidade, não adianta que as «carpideiras de serviço» tentem hipocritamente todos os dias tentar instilar o ódio contra todos aqueles que, resistindo ao insulto e à tentativa de manipulação, seguem em frente na luta pela transformação do mundo, procurando torna-lo mais justo, fraterno, solidário e onde a Paz prevaleça.

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