Com a proximidade de mais um Natal no horizonte, as nossas atenções centram-se já na preparação das festividades, na compra de presentes para os amigos e familiares, na montagem do presépio e da árvore de natal, na organização da noite da consoada, onde reunimos os membros do núcleo central da nossa família para um momento de convívio e de partilha de emoções único. Mas no meio de toda esta azáfama, haverá ainda tempo para consultar a classificação atual do torneio “Solução à Vista!” e conferir a solução da prova nº. 4, que hoje se publica, da autoria do confrade Verbatim, pseudónimo do nosso amigo Pedro Paula Faria, grande senhor do mundo policiário, excelente produtor e exímio decifrador, recentemente falecido.

 

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”

Solução da Prova nº. 4
“Contas Desajustadas”, de Verbatim

O Inspetor estagiário preparou o seguinte texto para apresentar aos três amigos que haviam feito a viagem até Nova Iorque:
“Meus caros senhores, agradecendo a vossa presença, vou tentar mostrar-vos que, por não terem dado ou requerido explicações entre vós e em devido tempo, acabaram por se enredar em mal-entendidos na sequência de um engano inicial.

1 – Assim, em primeiro lugar, deverá notar-se que dos 2000 euros entregues por Afonso Sena, pertencem 1600 a João Liberto, e não apenas 1200, e a Carlos Guimarota pertencem somente 400 euros e não tanto como 800.
Com efeito, cada um de vós gastou 2000 euros do total de 6000 euros. Como, para este total, João Liberto contribuiu com 3600 euros, ele terá de receber o que pôs a mais para além dos 2000 euros da sua despesa. Terá portanto de receber 3600 – 2000 = 1600 euros. Por seu lado, Carlos Guimarota, que contribuiu para o bolo com 2400 euros, terá a receber 2400 – 2000 = 400 euros. A sugestiva proporção de 3 para 2 entre as contribuições do João e do Carlos, ao ser aplicada nestas contas para as quais não tinha de entrar, conduziu a um engano.
Portanto, João Liberto reclamou a quantia de 1600 euros com toda a razão.

2 – João Liberto, contudo, não explicou por que motivos estavam errados os quantitativos apurados por Afonso Sena. Teve oportunidade para o fazer e não o fez, gerando desse modo a revolta de Carlos e o distanciamento de Afonso, ambos aparentemente convencidos da inteira bondade das contas efetuadas anteriormente. Quer dizer, João Liberto, embora certo quanto á correção a fazer, não a soube apresentar e provocou, sem qualquer necessidade, a irritação dos seus dois amigos.

3 – Carlos Guimarota, por seu lado, não foi capaz de pedir uma explicação sobre os cálculos feitos por João Liberto. Preferiu dar a entender, a partir de certa altura, que João Liberto estaria a querer acusá-lo de ser capaz de ficar com dinheiro de outrem. Terá sido por isso que se encostou ao João para o intimidar e até apelidar de eventual gatuno.

4 – Afonso Sena também não ajudou a esclarecer a situação criada. Não estando em causa a totalidade do dinheiro que devia aos amigos nem a rapidez com que liquidou a sua dívida, bem podia ter-se esforçado para tentar compreender a pretensão de João Liberto quanto à divisão do dinheiro. Deixou que os ânimos azedassem entre João e Carlos, quando estava em posição privilegiada para moderar a questão surgida.

5 – Como se depreende do atrás exposto, que se fundamenta nas vossas declarações, nenhum de vós esteve inteiramente bem neste caso, tendo cada um contribuído, a seu modo, para a desastrada confusão gerada. Por isso, o melhor será talvez cada um esquecer alguma razão de protesto para, sobretudo, reconhecer os mal-entendidos que terá ajudado a criar, retirar qualquer queixa, aceitar a regularização das contas e cumprimentar os outros dois. Que vos parece?”

Como o Inspetor estagiário, segundo sabemos, se saiu muito bem da sua incumbência conciliatória, podemos concluir que os três reconheceram não terem estado bem, se cumprimentaram entre si e que a queixa foi retirada. Quanto às feridas abertas, talvez nem todas tivessem ficado completamente saradas.
Nota: A ilusão da sugestiva repartição que conduziu ao engano nas contas foi colhida no interessante livro de recreação matemática “O Homem que Sabia Contar” de Malba Tahan (pseudónimo de Júlio César de Mello e Souza), Editorial Presença, 2001.

 

Pontuação e Classificação (após a 4ª. Prova)

Detetive Jeremias (Santarém), Daniel Falcão (Braga) e Bernie Leceiro (Leça da Palmeira) voltaram a dividir entre si os “pontos especiais” destinados às melhores soluções, ocupando os lugares do pódio. No seu encalce, destacam-se os gaienses Inspetor Mucaba e Madame Eclética.

1º. Detetive Jeremias (35+12): 47 pontos;
2º. Daniel Falcão (33+13): 46 pontos
3º. Bernie Leceiro (32+11): 43 pontos;
4ºs. Inspetor Mucaba (33+9) e Madame Eclética (32+10): 42 pontos;
6ºs. Ma(r)ta Hari (30+10) e Zé de Mafamude (30+10): 40 pontos;
8ºs. Ariam Semog (28+10), Carlota Joaquina (28+10), Gomes (28+10), Inspetor Madeira (28+10), Necas (28+10), Rigor Mortis (28+10) e Talismã (28+10): 38 pontos;
15ºs. Bigode (27+10), Chico de Laborim (27+10), Detetive Bruno (27+10) e Inspetor Guimarães (27+10): 37 pontos;
19ºs. Arc. Anjo (28+8), Beira Rio (27+9), Broa de Avintes (27+9), Charadista (26+10), Chico da Afurada (26+10), Haka Crimes (26+10), Holmes (27+9), Martelo (28+8), Pena Cova (27+9) e Solidário (27+9): 36 pontos;
29ºs. Abrótea (28+7) e Santinho da Ladeira (26+9): 35 pontos;
30º. Mascarilha (25+9): 34 pontos;
32ºs. Bota Abaixo (23+10) e Vitinho (26+7): 33 pontos.

 

TORNEIO “MÃOS À ESCRITA!”

As avaliações feitas pelos 33 solucionistas e pelo orientador da secção ao enigma “Contas Desajustadas”, concorrente aos prémios em disputa no torneio de produção policiária “Mãos à Escrita!”, resultaram na seguinte pontuação média final: 7,40 pontos. Com esta avaliação, o enigma do confrade Verbatim assume a liderança da classificação, que tem a seguinte ordenação:

1º. “Contas Desajustadas”, de Verbatim: 7,40 pontos;
2º. “As 3 Poltronas”, de Rigor Mortis: 7,10 pontos;
3º. “Camarada Tempicos”, de A. Raposo: 6,90 pontos;
4º. “O Enforcamento do Vigilante”, de Daniel Gomes: 6,80.

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