Chegamos já no dia 22 de Dezembro cerca das 2 horas da manhã depois de mais de 7 horas de viagem desde Zurique com escala em Lisboa, vínhamos de um país em que a taxa de contágio é superior a Portugal e onde as regras estavam á altura mais rígidas com todos os negócios não essenciais encerrados incluindo a restauração até ao final de Fevereiro.

Os cuidados a bordo e durante a escala foram sempre os recomendados pela DGS e OMS, no entanto há sempre alguém que fura as regras.

Esta temperatura, este ambiente tipicamente Natalício que se encontra na Madeira, da comida nem se fala, sabe bem, estar de volta depois de quase 2 anos, uma boa terapia para o corpo e para a mente em tempo de pandemia.

Estou certo de que todos os emigrantes, estudantes e turistas partilham deste sentimento.

Infelizmente durante a viagem e as culpas vão direitinhas para a TAP, pois venderam comidas e bebidas a bordo, o que diga-se podia ser evitado, pois não se justifica numa viagem de menos de 3 horas, mas mais uma vez a parte económica fala mais alto do que a saúde. Durante a viagem e mais uma vez por culpa do pessoal de bordo, alguns passageiros usaram e abusaram de tirar a máscara, não apenas para comerem e beberem, mas espante-se, até para se maquilharem o me revoltou, e tive de reclamar a bordo com o pessoal por causa da viajante que estava constantemente a tirar a mascara e como disse, até para se maquilhar. Uma falta de respeito total por quem se encontrava a seu lado.

Em Lisboa, não saímos da área de viajantes em trânsito. O respeito pelas normas da DGS/OMS eram cumpridos, mas mais uma vez e pelo menos que me tivesse dado conta, não vi em local algum, verificarem temperatura.

Eis a tão desejada chegada à Madeira, é tão bom estar de volta á pérola do atlântico.

O processo de chegada ao aeroporto Cristiano Ronaldo como sempre foi simples, o preenchimento do formulário on-line, medir a temperatura e passar o controlo de bagagem que também passava por uma desinfeção. Dar o código que nos foi enviado pelo Madeira Safe, mais um pequeno questionário e o teste de chegada que decorreu com bastante rapidez, o que me apraz constatar que muitas das notícias que circulam nas redes sociais são falsas. Era grande o contraste entre a chegada, passagem por Lisboa e embarque em Zurique.

No dia seguinte o resultado negativo do teste, o que nos deu uma satisfação muito grande, mas nem por isso diminuímos os cuidados, todos os dias a Madeira safe, nos envia um formulário para preencher, continuamos em casa sem contacto social durante os 5 dias aconselhados, por fim o segundo teste e mais uma vez o desejado resultado. Já ouvi um pouco de tudo, desde pessoas que fizeram mais de 50 chamadas, outros que nunca receberam a chamada para o segundo teste, ainda outros em que quem atende os telefones da saúde pública são mal-educados, enfim eu não vi nada disto. Sempre atendimentos cordiais, simpáticos, duma atenção estrema, isto é profissionalismo, mas acima de tudo, é o povo madeirense tal e qual como sempre conheci, que mesmo apesar do cansaço, do stress resultante desta pandemia, continuam a ser iguais a eles mesmos, povo simpático e acolhedor.

Cumprimos com todas as regras aconselhadas, fazendo o que gosto e claro ajudar em casa no que era necessário, ao contrário de muitas pessoas que continuam a abarrotar hipermercados e centros comerciais, cafés e pastelarias enfim quebrando a mais elementar regra de segurança, ou seja a distância social.

É certo que não posso colocar todos no mesmo grupo, há pessoas responsáveis, mas como em tudo há irresponsáveis. A meu ver, e os números falam por si, são os residentes no seu relacionamento quotidiano a não cumprirem o distanciamento social e depois vêm para as redes sociais ou nas conversas de café pedir o encerramento do aeroporto, quando os casos importados são 10% e esses são controlados antes e durante a sua estadia e diga-se que a maioria cumpre as normas

Claro que também há aqueles madeirenses que vieram de Inglaterra, mesmo fazendo o primeiro teste, compraram um porco para conviver entre amigos e familiares, visitaram tudo quanto era família e amigos, não esperaram pelo resultado do 2º e o resultado foram mais de 30 infectados.

Também aquela família que foi da Suíça, e além de visitar familiares e amigos visitaram “o cão o periquito e afins” e quando foram chamados para fazerem o 2º teste, que deu positivo, “acuda o rei que não sabemos que fazer” pior ainda ligaram para a saúde pública insultando tudo e todos apelidando de incompetentes, porque o 2º teste deu negativo, como se os culpados fossem quem cuida de nós, como se toda a gente não soubesse que o “bicho” tem três de dias de incubação, como se não soubéssemos que devido a este tipo de irresponsabilidades que os números estão a crescer, também estas pessoas de certeza absoluta que na Suíça não fariam estas proezas, pois a multa por quebrar as regras de isolamento pode ir até 10 000 francos Suíços.

Os números apenas baixarão quando todos forem mais responsáveis, quando os centros comerciais controlarem mais a entrada, quando as pessoas nas filas guardarem a distância, desinfeção constante e acima de tudo muita responsabilidade, pois que ninguém pense que a vacina vem fazer tudo, o ser humano terá de continuar a ter cuidados. “Nunca vi ninguém que tenha apanhado a vacina sazonal da gripe andar em trono nu na rua ao frio”, com certeza que se sujeita a uma constipação ou até pneumonia.

Por parte de todos nós falta um pouco de tudo, mas acima de tudo respeito, por nós e pelos outros.

Usar máscara não é confortável, claro que não, é até desagradável. Mas é preferível ao ventilador

Não se poder deliciar numa ceia com os amigos e familiares é triste, claro que sim, para mais nós um povo latino de afetos, abraços e beijos. Mas mais vale, um sacrifício hoje, do que nós ou alguém dos nossos partir para sempre

Desinfectar as mão assiduamente, e aborrecido, torna a nossa pele áspera. Mas é preferível do que a cama de um hospital.

Este Natal foi diferente, a passagem de ano foi a pior que nos lembramos, mas para o ano haverá outra vez Natal, haverá uma nova passagem de ano, o tradicional fogo-de-artifício, a festa do mercado, haverá muitas ceias e jantares, abraços beijos e afetos, haverá muitas trocas de prendas, se cada um de nós fizer a sua parte, vamos ter um ano de 2021 melhor do que o ano que acabou.

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