Daniela Faria tem 22 anos. Conheci-a quando tinha cinco anos e já na altura mostrava ser uma menina com objetivos bem definidos, adaptando-se a todos desafios. Foi a mais jovem tocadora de órgão de tubos da Igreja da Matriz da cidade da Horta, ilha do Faial. Associa-se a causa sociais como voluntária e com 17 anos recebeu o primeiro prémio de literatura. Aos dezanove anos entrou para Universidade dos Açores em São Miguel.

 

 

 

Daniela qual foi o teu percurso como estudante?

Em 2013 entrei para a Escola Profissional da Horta, onde tirei o curso Técnico de Apoio Psicossocial, tendo sido a melhor aluna da turma. Em 2016 ingressei na Universidade dos Açores, no curso de Psicologia. Terminei a licenciatura em 2019 e ingressei no Mestrado em Ciências Económicas e Empresariais com especialização em Gestão de Recursos Humanos.

 

Qual foi o teu grande desafio como estudante da Universidade dos Açores?

No último ano de licenciatura entrei para a Associação Académica da Universidade dos Açores (AAUA) como colaboradora (representante de curso) e, entretanto, fui promovida a vice-presidente do pelouro da ação social e políticas sociais porque houve necessidade de substituir quem estava nesse cargo. Este ano decidi encabeçar a lista como Presidente da Direção da AAUA.

 

 Qual é a responsabilidade de uma Presidente da AAUA?

Eu, como presidente da Direção da AAUA, tenho como responsabilidade garantir que todas as funções sejam cumpridas com sucesso e empenho por parte de todos os membros da AAUA. A Direção é constituída pela presidência, pela administração e pelos pelouros que incidem o seu trabalho em diversas áreas como a ação social e as políticas sociais, o desporto, o marketing e comunicação, a área académica e as políticas educativas.

O meu trabalho passa ainda por supervisionar e orientar os responsáveis por cada pelouro na organização das atividades a que se propuseram desenvolver.

 

Quantos alunos frequentam a Universidade? São de todas as ilhas? A ilha do Corvo, também tem algum aluno?

A UAc teve, no ano letivo transato (2019/2020), cerca de 2665 estudantes matriculados (distribuídos pelos três polos: campus de Ponta Delgada, campus de Angra do Heroísmo e campus da Horta). Não temos acesso à informação específica da proveniência de cada estudante, pelo que não sei responder à questão de haver ou não estudantes da ilha do Corvo, mas existe um grande número de estudantes de várias ilhas da região, bem como estudantes de Portugal Continental e do Arquipélago da Madeira. É também muito comum a UAc receber estudantes do Programa ERASMUS (estudantes de Universidades de outros países que optam por realizar um semestre ou um ano letivo na nossa Universidade).

 

Tem uma responsabilidade acrescida, conjugar o mestrado em Ciências de Económicas e Gestão de Recursos Humanos e presidente da AAUA. Como gere o tempo?

Quando estava em aulas presenciais, ficava sempre na sede da AAUA a tratar do que era necessário até a Universidade fechar. Agora com pandemia, comecei a estar em teletrabalho e as aulas à distância, o que facilitou imenso a questão de gestão do tempo e das tarefas inerentes às várias atividades.

O que “dificulta” mais é estar a realizar o estágio na Segurança Social porque trabalho das 8:30 às 16:30 e depois tenho aulas das 18:00 às 22:00, portanto tento gerir tudo da AAUA nos intervalos. Acabo por ter que resolver alguns assuntos durante o dia ou mesmo durante as aulas, mas tem sido fácil de gerir.

 

 

É frequente os estudantes procurarem-na para resolver os seus problemas?

Assumindo-nos como voz dos estudantes, estamos sempre ao dispor para que nos façam chegar as suas preocupações, para que procuremos eventuais soluções. Foi o caso dos estudantes deslocados que ficaram retidos em Ponta Delgada, sem data prevista de regresso às suas residências, devido ao cancelamento dos voos, não só entre a Região e o exterior, como também entre as próprias ilhas, em virtude da Pandemia COVID-19. A AAUA emitiu parecer sobre esta situação e foi um intermediário de comunicação entre os estudantes e o Governo Regional.

 

Estás longe do teu lar e dos teus pais. Como foram os primeiros dias longe de casa?

Sou uma pessoa tendencialmente otimista em relação às novas experiências e adapto-me facilmente às mesmas. Com a Universidade, não foi diferente, pois adaptei-me e integrei-me facilmente no seio académico. Como qualquer estudante, senti saudades de casa e senti o coração apertado por estar longe dos papás, mas rapidamente encontrei conforto e força nos colegas do curso, nas atividades em que me fui envolvendo cada vez mais e em todo o trabalho investido. Hoje, posso com certeza afirmar que a UAc ocupa um lugar muito especial no meu coração por me ter visto crescer e alcançar o sucesso que alcancei até agora.

 

Recentemente a tua irmã mais nova veio estudar para São Miguel, perto de ti. Também escolheu psicologia. Como irmã mais velha sentes uma responsabilidade acrescida?

Encaro mais a minha irmã como uma companheira nesta aventura, do que propriamente como uma responsabilidade. Poder orientá-la nos seus primeiros passos da vida académica e do ensino universitário tem sido uma experiência muito positiva e enriquecedora para ambas. Temo-nos apoiado mutuamente e procurado tirar o melhor partido do facto de podermos partilhar uma com a outra esta fase das nossas vidas.

 

Os teus pais são os mentores da tua vida. Que mensagem queres deixar para eles que seja uma motivação para outros?

Não podia deixar de reconhecer, uma vez mais, todo o carinho, apoio, força, dedicação e, acima de tudo, confiança que tanto caracterizam a forma como me educaram. Creio que o voto de confiança que depositaram em mim sempre que propus ou decidi algo durante as várias fases do meu crescimento foi essencial para a pessoa determinada que sou hoje. Agradeço-lhes do fundo do coração cada momento e cada experiência que me proporcionaram. Somos uma família muito unida e serei eternamente grata por ter sido abençoada com estas pessoas magníficas na minha vida.

 

Além de teres toda esta formação, existe a paixão pelas artes. Tens alguma formação nesta área?

Andei no Conservatório até ao 9° ano (IV grau), onde estudei órgão, formação musical e canto. Depois disso mantive-me apenas no ballet até aos 18 anos. Também integrei alguns grupos de teatro e dança quando andei na Escola secundária Manuel de Arriaga.

 

Com que idade começas-te a sentir vontade de subir aos palcos?

Entrei no ballet com 4 anos e no órgão e formação musical com 6. O canto só iniciei aos 10 anos. A minha paixão era estar em cima do palco e não propriamente a música, até porque nunca tive muita vocação para tal, daí ter-me mantido apenas no ballet depois de concluir o IV grau. A paixão pela dança, tenho-a desde que me lembro de existir.

 

Pensas, um dia voltar a dançar a nível profissional?

Não, penso que na fase em que estou as minhas prioridades e aspirações são outras. Posso até vir a dançar uma vez ou outra, mas sempre de forma informal e num contexto familiar.

 

 


Com 17 anos recebes-te o primeiro prémio de literatura.

Sim, a escrita sempre foi um gosto, creio que o herdei da minha mãe. Participei no concurso ArtIsocial nos anos de 2014 e 2015, tendo sido a primeira e segunda classificada na área da escrita, respetivamente. Foi uma experiência muito enriquecedora porque tive a oportunidade de conviver com outros jovens artistas da Região e apreciar a sua arte. Posteriormente, recebi também uma Menção Honrosa no Concurso Literário Alberto Romão Madruga da Costa. Não tenho escrito recentemente por falta de disponibilidade, mas de quando em vez surge a saudade da caneta e da folha de papel, no cenário da minha ilha azul.

 

 

Após finalizar o teu mestrado, desejas trabalhar nas ilhas ou pensas voar mais alto?

Ser Açoriano é voar mais alto e, como tal, tenciono manter-me na Região porque acredito que cá existe um bom leque de oportunidades que me proporcionarão um bom futuro. Desde criança, tenho vivenciado experiências únicas pela beleza, simplicidade e particularidade das ilhas dos Açores. Manter-me na Região e traçar cá o meu futuro é uma forma de poder retribuir tudo o que a Região me proporcionou ao longo de todos estes anos.

 


És muito jovem e já com uma grande “bagagem” de conhecimento e experiência. Sonhos… tens algum que gostarias de realizar?

Gosto de viver o presente de forma intensa, por isso não considero que tenha propriamente um sonho, para além de me manter confiante e determinada para com o caminho que trilho a cada dia. Creio que o mais próximo que posso ter de sonho seja a vontade imensa de que a minha família se mantenha de saúde, feliz e unida, para que sigamos sempre juntos, rumo ao infinito.

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