No mês em que se assinala o Dia do Professor, decidi escrever sobre um tema que me é muito caro – Educação.

Ao longo dos anos, foram várias as alterações nas abordagens em educação e formação.

No passado, no tempo dos meus pais, havia a pedagogia das reguadas e afins. Os castigos eram muitas vezes injustos, o que doía mais do que a violência das pancadas, pois a justiça dependia do professor, assim como o critério, sendo deste modo arbitrária e pouco imparcial.

Mais tarde, chegou outra pedagogia também ela abominável, a do “coitadinho”. Não se pode ralhar, não se pode falar alto, não se pode corrigir em público, não se pode repreender. Tudo isto traumatiza as crianças. A verdade é que um ralhete, uma voz de firmeza, uma repreensão no momento certo e com uma boa justificação são, certamente, formas pedagógicas de corrigirmos comportamentos e atitudes de crianças: chama-se a isto educar.

Nas escolas, lugar onde as crianças passam a maior parte do seu dia, têm de ser incutidas regras transparentes e devidamente conhecidas pelos alunos e se estes não são chamados a atenção pelos pais e professores quando não as cumprem, não estaremos a fazer o nosso papel, que é o de educar. Corresponsabilizar as famílias e implicá-las no processo educativo dos seus educandos é, também, fundamental.

Passou-se de um extremo ao outro – antes o dono da verdade era o professor, depois passou a ser o aluno. Hoje, ainda assistimos a situações em que a palavra do aluno, em casa, é uma verdade inquestionável e não se procura o contraditório. Ao invés disso, acusa-se a escola exige-se logo explicações.

Com esta forma de agir, com esta desresponsabilização, será que vamos ter cidadãos trabalhadores, autónomos, íntegros, justos e honestos? Tenho muitas dúvidas.

Eu acredito no bom senso, no diálogo, na transparência de aplicação de regras. Acredito que deveremos ser uma referência através do exemplo e que deveremos saber distinguir em cada aluno a sua própria identidade, respeitando as suas diferenças. E nesta relação que se cria, há algo imprescindível a ter em conta – as emoções.

O bem-estar emocional dos alunos sempre foi uma preocupação de quem ensina por missão e vocação. Sabemos que as aprendizagens são muitas vezes condicionadas pela instabilidade e fragilidade do estado emocional dos alunos. Um bom ambiente familiar e escolar é fundamental para uma educação de sucesso. Temos conhecimento de que muitos alunos não têm, infelizmente, na família um suporte que promova a sua felicidade, sendo exemplos extremos desta realidade os divórcios em que os filhos são usados nas guerras entre casais desavindos, bem como os casos em que os pais se demitem do seu papel de educadores, não impondo barreiras e fronteiras aos filhos.

Assim, uma forte aposta na inteligência emocional, com tudo o que isso acarreta, é fundamental para prevenir conflitos e, consequentemente, potenciar o sucesso educativo dos alunos.

A escola é, por excelência, um local de afetos!