Tinha eu 5 anos,acabava de imigrar “para fora cá dentro”,da terra que me viu nascer Freamunde – Paços de Ferreira,no qual fui obrigado olhando ao emprego do meu pai (carteiro),que ficou como efetivo na terra que ainda hoje vivo,que é Rebordosa – Paredes e pretendo continuar até aos fins da minha vida.

Tivemos que nos adaptar a novas pessoas,novos amigos e a família Lopes em Santa Luzia,(nossos senhorios),foi a primeira a entrar no nosso coração. Então fomos viver para o rés do chão e logo ficou uma afinidade,porque sentíamos necessidade de nos ligar a alguém para nos sentirmos mais em casa e desta forma,encontramos carinho e apoio que necessitávamos e foi uma forma de nos sentirmos mais amparados.

Aos poucos fui frequentando a casa comercial Lopes,casa farta com: mercearia,tasca,Café,casa de pasto e também uma pequena fábrica de móveis. Então fui de pequenino acompanhando todas as lides desta Grande casa na altura: ajudar na cozinha descascar batatas,por a mesa para as diárias que se serviam,principalmente aos trabalhadores, depois arrumar e limpar,no café tirava cafés,servia as bebidas,lavava a loiça,fazia a limpeza geral no bar. Recebia e dava troços aos clientes a Sra Tina já fazia confiança em mim sendo eu uma criança,mas felizmente já tinha bons valores,porque esta senhora e seu marido Sr Lopes,fizeram de mim,um Homem para a vida comercial e pessoal( bem como os meus queridos pais,foram um complemento reforçando a Humildade e seriedade,diziam eles que eram os melhores valores para chegarmos bem longe,com essa boa escola de vida).

Todos esses valores foi um bom início para a minha vida de restauração/cafeteria,que ainda hoje continuo a trabalhar no mesmo ramo(apesar de uma interrupção de 8 anos como empregado de escritório,mas não era com isso que eu me identificava). Tenho um episódio que nunca irei esquecer e foi marcante para toda a minha vida. A Sra Tina tinha o hábito de ficar com moedas que viriam a sair de circulação,para dar umas quantas a cada e filho e netos. Então eu também queria ter uma dessas moedas(eram de 1 escudo e 50 centavos,diziam que eram de prata,penso eu),então eu tirei uma de cada para mim. Resultado a Sra Tina veio ter comigo e perguntou-me por aquelas duas moedas que faltavam na gaveta(naquele temo em madeira,não tão sofisticada como nos dias de hoje),disse-lhe que tinha pegado numa de cada para mim. Então disse-me textualmente:

– Sabes Nandinho,o que tu fizeste,inconscientemente pensas-te que não tinha mal algum. Mas sim sabes porquê? Isso pôde-se considerar um roubo. Eu sei que a tua intenção eras das melhores,mas não. Que te sirva de lição,sempre que quiseres alguma coisa,não pegues,pede-me que eu dou-te. Assim sendo estás a ser um Homem sério para a nossa sociedade e verás que vais ser sempre um Homem de muito respeito e não precisas de ser rico. Hoje posso dizer que foi uma grande lição de vida para mim. Como diz o ditado « Não quero ser um homem rico,mas sim um rico homem ». Sinto um grade orgulho em conhecer esta Grande Senhora D. Albertina e seu marido Antônio Lopes,porque toda esta escola que me incutiram e com a dos meus queridos pais,posso dizer que cheguei a um dos mais altos patamares da vida os bens materiais não são os melhores os morais são os mais importantes.

E para rematar esta história verídica,uma pessoa que esteja à frente de um balcão,tem que adquirir este grande curso de vida,para saber estar e sobretudo ter bastante psicologia,para saber lidar com todo o tipo de pessoas,(Disse-me um dia um Senhor):
– O Sr Fernando tem uma grande psicologia para além da média,porque podem estar aqui ao redor do balcão17 pessoas e ele consegue ir ao encontro de cada um e adapta-se a forma de ser de cada um deles.)

Nós barman’s somos mais uns confidentes que propriamente empregados de balcão,porque para funcionar bem,principalmente com pessoas alcolizadas,nós temos que ter essa psicologia para saber gerir tudo isso,para que tudo corra pelo melhor para que não haja confusão. Há pessoas que se refugiam nos bares,quando têm problema familiar,seja com os filhos,ou com a sua mulher ou mesmo problemas financeiros eles procuram alguém que os saiba ouvir e saibam guardar.

Quantas vezes uma pessoa desabafa que tal pessoa que lhe fez isto ou aquilo e vem a outra de seguida dizer o mesmo da mesma. O que temos que fazer é ouvir ambos os lados e deitar água na fervura para que as coisas não se compliquem. No nosso tempo,não haviam telemóveis,telefonavam para combinarem certas saídas e se nós fôssemos pessoas de confusões,tinha-mos estragado muitos lares e felizmente vivem muito Felizes,porque um Homem sabendo ocupar o seu lugar é uma grande virtude.

O maior orgulho que eu posso ter nesta vida amargurada e difícil,nunca tive alguém que viesse ter comigo a dizer que eu criei qualquer tipo de confusão,seja com quem for. Por isso a grande escola de vida que cultivei com os meus pais mais e a dos meus segundos pais,fizeram de mim o Home que ainda hoje sou Humilde,Generoso e educado para com a nossa sociedade.

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