Depois de oito anos à frente dos destinos da União de Freguesias de Pedroso e Seixezelo, o presidente Filipe Lopes dá uma grande entrevista ao AUDIÊNCIA onde conta todo o seu percurso no mundo político. Desde a sua inscrição como militante do PS para homenagear o pai, à candidatura à Junta que hoje lidera, passando pelos desafios de liderar duas freguesias que se acabavam de unir, sem esquecer de falar das obras mais emblemáticas e dos projetos mais fascinantes. A Academia Sénior, que o autarca define coma a menina dos seus olhos, é o projeto que mais destaca, por acreditar que é o que faz mais diferença na comunidade e aquele que vai perdurar para além de qualquer mandato ou presidente. O autarca também destacou todos os projetos que ainda estão em andamento e que devem ficar prontos até às eleições, como as rotundas da Nacional 1 e as obras na Feira dos Carvalhos. Com as eleições a cerca de três meses, Filipe Lopes, candidato do PS à União de Freguesias de Pedroso e Seixezelo, quer ganhar, com maioria, e admite que quer ter pelo menos mais um voto do que nas últimas eleições. Para o futuro, caso ganhe as eleições, tem muitos sonhos e objetivos, como ver o Centro de Saúde pronto, obra que garante que não se perdoava se saísse sem a deixar na freguesia, o parque da freguesia, criar um centro arqueológico na Senhora da Saúde e criar a Noite Branca em Pedroso e Seixezelo.

 

 

Conte-nos um pouco da sua história na política, e principalmente, na política local, e o percurso que fez até chegar a presidente da Junta de Freguesia de Pedroso.

Eu sempre tive uma participação muito ativa nos movimentos juvenis, nas coletividades, nos movimentos ligados à igreja e acho que, depois, de uma forma natural, as pessoas foram-me vendo, se calhar, como fazendo um caminho para chegar à política. Eu cheguei à política de uma forma engraçada. O meu pai era um socialista, entretanto faleceu, cedo demais, e numa forma engraçada, achei eu na altura, de o homenagear, achando que ele ia ficar contente, tornei-me militante do PS. Um dia fui à internet, saquei a ficha, preenchi, enviei para Lisboa, e passado algumas semanas, ou alguns meses, fui contactado pelo Secretário Coordenador do PS na freguesia de Pedroso, que era o senhor Antero Costa, hoje somos muito amigos. Ele ligou-me para eu começar a ir às reuniões e comecei a participar, isto em 2007/2008, depois em 2009 fiz parte da lista que o Partido Socialista apresentou à Assembleia de Freguesia, liderada pelo professor Joaquim Tavares, eu era o número dois da lista e estive quatro anos na oposição. Depois, o partido e os militantes entenderam que eu seria a pessoa mais bem colocada para encabeçar a lista em 2013, e assim foi. Eu acho que não nasci, nem estudei, com a ambição de ser político, fui fazendo a minha vida, fui indo para onde os meus pais me iam levando, por isso, para as coletividades, para a Igreja. Tive sempre a sorte de apanhar pessoas espetaculares na minha vida, pessoas marcantes e que me ensinaram muito, começando pelo Padre Marçal, pessoas que tinham um dinamismo muito próprio e que nos incutiam esse dinamismo, e fui fazendo esse caminho. Fui atleta de algumas coletividades, depois fui diretor de algumas coletividades. Hoje, continuo a ser sócio de quatro ou cinco coletividades. Foi tudo assim, de uma forma natural.

 

Esses anos, na Assembleia e na oposição, mudaram a sua maneira de ver a freguesia e deu-lhe mais vontade de estar na posição que hoje ocupa? Viu coisas que achava que deviam ser feitas de outra forma e teve vontade de ir lá e mudar?

É lógico que a função de um deputado numa Assembleia de Freguesia é um pouco limitativa, nós não conseguimos ter uma abrangência de tudo o que se passa na freguesia, nem do dinamismo na freguesia. Nós só conseguimos ter conhecimento daquilo que nos é apresentado. Efetivamente, aqueles quatro anos fizeram-me ver qmelhor a freguesia de Pedroso, porque na altura as freguesias ainda estavam separadas. Pedroso estava a ir pelo abismo, ou já estaria perto do abismo. Isso, claramente deu para ver, do nível financeiro, do nível de dinamismo, de envolvência das forças vivas da comunidade, das coletividades, isso, acho que já há muito tempo estava no abismo. Não é com um subsídio que se dá a uma coletividade, de quatro em quatro anos, em ano de eleições, que se cria dinamismo na rede associativa. Deu para ir tendo essa noção, e quando houve a possibilidade, e se pensou como é que o PS se ia apresentar às eleições em 2013, e me abordaram, a minha preocupação foi falar com algumas pessoas, que não sendo socialistas de cartão, nem sei se votam PS a nível nacional, mas que eu identificava como pessoas que vestiam a camisola da freguesia, que se preocupavam com a freguesia e que tinham sensibilidade em determinados assuntos e em determinadas situações que se vão passando na freguesia. Fui abordá-las e quase me senti obrigado a ser candidato, porque as pessoas quase me disseram “isto está mau, é preciso alguém que vá para lá e tome conta daquilo para endireitar isto”. Claramente esses quatro anos foram importantes, e além disso, foram importantes porque me deram o know how político, deram-me o know how de perceber como é que a oposição deve funcionar, não como a que tive no mandato anterior, nem como a que tenho neste. Nós tínhamos muitos motivos para votar contra quase em tudo que era apresentado, mas não votamos, votamos naquilo que achamos que era o melhor para a freguesia, e quando votávamos contra um orçamento ou um relatório e contas, dizíamos porquê, não chegávamos lá, levantávamos a mão e vínhamos embora. Nós dizíamos porque é que votávamos contra, por este gasto ou por aquele, por isto ou por aquilo, quer dizer, também me deu esse conhecimento de causa para hoje olhar para a oposição que temos e dizer que ainda bem que nós, PS, executivo, projeto, somos auto focados e autodeterminados porque, se não, com a oposição que tínhamos, a tendência era o desleixo.

 

O desafio foi maior, uma vez que entrou no ano em que se deu a união das freguesias? Conhecer as dinâmicas de duas localidades, que acabam por ser diferentes e ter, cada uma, as suas ideias e tradições.

Apesar de serem freguesias vizinhas, são diferentes. As freguesias são diferentes, o território é diferente, as pessoas são diferentes. Foi um desafio e um desafio que começou antes de ganhar as eleições. Começou quando tivemos uma primeira reunião com, digamos, os socialistas de Seixezelo, em que eles próprios diziam “vem aí o individuo de Pedroso, o indivíduo que vem para aqui mandar”. Nós fizemos três ou quatro reuniões, antes de começarmos a pré-campanha, em que eu fui lá, com mais dois ou três colegas, fomos lá a Seixezelo, e havia muito esse sentimento de que “está aqui malta estrangeira, está aqui malta que nos quer conquistar”.

 

Acredita que havia o sentimento de que o presidente ia puxar mais para a sua freguesia?

É natural. Acho que houve. Ali em 2013/2014, acho que houve. Hoje não há. Aliás, hoje volta-se a falar da possibilidade de desagregação das freguesias. Na minha opinião pessoal, acho que é um erro, no caso de Pedroso e Seixezelo, por um simples motivo, se Seixezelo se continuasse desagregado, se desde 2013 continuasse sozinha, não teria o que tem hoje. Possivelmente não teria a Quinta do Padrão a funcionar, possivelmente não teria uma casa mortuária, não teria o polo desportivo, porque antes de eu chegar à Junta a obra estava parada por questões de pagamentos, não teria o dinamismo do Centro Social, que hoje voltou a ter a vida que tinha há muitos anos atrás, não teria uma Academia Sénior, não teria um posto de enfermagem, não teria uma assistente social, não teria um Gabinete de Inserção Profissional, não teria  muitos projetos, como por exemplo “Um bebé…um futuro”, que fomos criando e que Pedroso sozinho, independentemente de ser o Filipe ou a Filipa, conseguiria ter porque tem orçamento, desde que fosse bem gerido. Seixezelo, por muito que o Filipe, a mesma pessoa que está aqui hoje, estivesse só como presidente de Seixezelo, não conseguiria ter os mesmos projetos porque não teria recursos, e sem ovos não se faz omeletes. Eu acho que, neste momento, se fizéssemos um referendo lá, sim, as pessoas querem a independência, porque há sempre uma parte nostálgica, aquilo do “eu quero estar sozinho, eu sou de Seixezelo”, mas se formos realistas, e eu sou sempre muito realista em tudo o que faço, tento pôr de lado o coração e pensar de forma mais racional, na minha ótica, racionalmente, é um erro Seixezelo estar sozinho, porque vai perder muita coisa.

 

Mas, àquela data, como foi andar na rua e conquistar as pessoas de Seixezelo?

Seixezelo tinha um presidente a tempo inteiro, que estava ali sete ou oito horas por dias, uma pessoa que toda a gente conhecia. Quem fazia o atestado era o presidente, quem atendia uma questão do cemitério era o presidente, por isso, quando comecei a fazer campanha, percebi isso, que o presidente que lá esteve antes de mim tinha essa proximidade, e percebi que nunca ia ter essa proximidade, até porque nem sou de Seixezelo e, naturalmente, Pedroso requer mais tempo. É a realidade, é como tudo na vida. Quando ganhei a Junta a primeira vez, o PS ganhou em Pedroso, perdeu em Seixezelo. Eu fazia o atendimento às pessoas de Seixezelo lá, ia lá quando era preciso, mas tinha a regra de ir um dia por semana, mas havia muito aquele discurso de “vem aí o presidente de Pedroso”. Hoje, aliás, a partir de 2016, as pessoas começaram a ver, com o investimento que fizemos, com o que a freguesia ganhou, com a proximidade, que era diferente, não uma proximidade de estar ali todos os dias, mas uma proximidade de resolver os problemas. Eu prefiro ter um presidente de Junta que em vez de estar todos os dias a tomar café comigo, resolva os problemas, do que um que esteja a tomar café comigo todos os dias, mas não me resolva os problemas. Eu prefiro isso e acho que as pessoas também preferem. Tanto é que, em 2017, o PS teve a maioria em Seixezelo, coisa que não tinha já há muitos anos. Acho que isso foi o melhor resultado e a melhor prova de que, em quatro anos, conseguimos, não estar todos os dias lá, porque isso era impossível, mas com trabalho, com um “eu faço” e fazer ou um “eu não posso”, porque não se pode fazer tudo, ser próximos a esse nível. Às vezes, isso é mais importante do que tomar café todos os dias com as pessoas.

 

Como é que foi o seu primeiro dia como Presidente da União de Freguesias de Pedroso e Seixezelo? Como foi quando entrou aqui neste gabinete pela primeira vez?

Foi um misto de confiança, de que iriamos levar a carta à Garcia, como eu gosto de dizer, mas também receio. Receio da inexperiência autárquica, apesar de que, profissionalmente, já desempenhava um cargo com mais responsabilidade que este, geria um orçamento cinco vezes maior que este, mas é diferente. Era um misto de “vou poder servir a minha terra”, essa era a parte reconfortante, mas ao mesmo tempo um conjunto de pequenos receios “como é que estará financeiramente? Será que vou ter dinheiro para isto ou para aquilo?”. E foi tomar posse no dia 16 de outubro de 2013, ao fim do dia, e no dia 17 começar com uma reunião com os funcionários, dizer que vinha para cá para aprender, para ver como eles faziam, não vinha para mudar tudo, queria ver e observar. Houve procedimentos de trabalho que só ao fim de quatro anos é que mudei, no segundo mandato. Muitas vezes o erro é esse, quando chegamos a um sítio queremos, rapidamente, pôr o nosso carimbo. Nós temos de chegar e ver, aprender com quem está cá, e depois ir fazendo aquilo que, no nosso entender, é o mais correto. Acho que a ideia que eu tinha dos funcionários públicos mudou, completamente. Se me disserem que tenho um ou dois que se pudesse despachava, claro, mas isso, até no privado temos sempre um ou dois que se pudéssemos despachávamos. Mas, para mandar um mau embora, temos de ir buscar um melhor e, às vezes, é difícil ir buscar um melhor. Aqui, de uma forma geral, são pessoas dedicadas, que se adaptaram à mudança, porque houve muitas mudanças, quer na forma de trabalhar, quer nos procedimentos de controlo, muitas coisas que mudaram e tiveram de mudar, isto era quase uma mercearia que não tinha rei nem roque quando aqui cheguei. Todos eles se adaptaram, a maior prova disso é que certificamos a Junta pela norma da qualidade, que requer alguma adaptação, e todos eles, desde o mais novo ao mais velho, em idade e em tempo de casa, todos eles se adaptaram e todos tentam melhorar, são críticos e atentos, e isso é bom. Foi um misto de confiança e de responsabilidade, de estar contente por ter a oportunidade de servir a minha terra, mas com receios como “será que escolhi a equipa certa? Será que temos pedalada para isto?”. Receio, como é natural. Não vou dizer que cheguei aqui e isto foi tudo fácil, que chegamos aqui todos confiantes, de peito aberto, porque as coisas não são assim.

 

Passaram oito anos. Se tivesse de escolher apenas um momento, até hoje, qual destacaria como mais importante para si?

Eu acho que houve vários momentos importantes, vários momentos marcantes. Há uma data, que é a da criação da Academia Sénior, a 5 de outubro de 2015, que é uma data marcante para mim. É um projeto que me marca muito, me diz muito, me toca muito. Agora não, devido à pandemia, mas é um projeto em que eu vejo, diariamente, os 400 alunos que temos, contentes por saírem de casa, aprenderem, interagirem uns com os outros. Por isso, essa foi uma data marcante, mas há outras. Também há datas marcantes pela negativa, como quando tive as contas penhoradas pela Civopal, fruto de responsabilidades do passado, isso foi marcante, ali o mês de abril/maio foi penoso, muito penoso para todos nós, Junta e funcionários. Depois há vários momentos marcantes. Houve inaugurações, fizemos de obras que há muitos anos, décadas, que eram esperadas, como a casa mortuária de Seixezelo, a sede da Associação Musical. Mas se eu tiver que dizer só uma data, eu digo a data da criação do projeto da Academia Sénior. Efetivamente, é a menina dos meus olhos, não vale a pena, por muitas piscinas que se possam fazer, por muitas feiras que se possam inaugurar, por muitos centros de saúde que se possam fazer, aquele é um projeto que me vai marcar e que vai ficar na comunidade. Uma feira nós fazemos, mas, daqui a vinte ou trinta anos, vamos ter de lá pôr mais uns paralelos e um asfalto porque aquilo vai-se desgastando, este é um projeto que fica. Um projeto de crescimento, para as pessoas. Depois temos momentos marcantes. A primeira edição da Festa do Caneco, é um momento engraçado, um momento que nos faz rir hoje a todos. Sem conhecimento, sem dinheiro, sem espaço físico adequado, nós lançamo-nos a fazer a Festa do Caneco em onze dias, depois veio uma tempestade, desmontou as tendas, a malta queria desistir. Foi uma coisa inacreditável. Eu não tenho muita paciência para esperar por resultados, ou seja, eu gosto de pensar numa coisa, fazer e ver, mas há projetos que não são assim, demoram o seu tempo e a Festa do Caneco é um exemplo disso, a Petrus Run também. O posto de enfermagem é um enorme exemplo disso. Nós criamos o posto de enfermagem e havia semanas em que não tínhamos nenhum utente e eu tinha colegas meus do executivo a dizer que o melhor era fechar. Eu disse que não, que tínhamos de queimar as várias etapas, fazer um flyer, meter porta a porta, fazer uns outdoors, pôr na revista. Queimar as etapas todas, se depois disso não desse, então fechava-se. Também não sou masoquista. Não podemos preocupar-nos com aquilo que não controlamos e eu preocupo-me com aquilo que controlo. Posso controlar, chegar ao fim e correr mal, inverte-se o caminho. Não é só por abrir um posto de enfermagem que aquilo vai encher por si só, temos de promover, divulgar, temos de ter um bom enfermeiro e boas condições, para que a pessoa vá lá, goste e diga ao vizinho. Hoje, o posto de enfermagem funciona impecavelmente bem, como, felizmente, todos os projetos que vamos lançando.

 

Gostava que falasse um pouco das obras mais marcantes destes oito anos.

Quando aqui chegamos havia duas prioridades muito fortes, evidentes: sanear, financeiramente a Junta, que estava num caos completo, e a rede viária. Eram essas as prioridades. No primeiro mandato, nós reabilitamos cerca de 50 ruas, com o apoio da Câmara que é indispensável, e saneamos a Junta naquilo que era possível, porque houve questões que só depois de decisão judicial é que se poderiam fazer acordos de pagamentos e pagar. E depois houve a bomba Civopal, que apareceu em 2018, finais de 2017, quando houve a decisão judicial. Em 2014, ou seja, no primeiro ano limpo, de janeiro a dezembro, que tivemos aqui, a principal obra que fizemos, além de pagar dívidas, foi adotar uma cadela que tinha sido abandonada aqui na porta, e que ainda hoje está no armazém da junta. Não fizemos mais obra nenhuma em 2014. Foi pagar dividas, fazer pequenas coisinhas e a Festa do Caneco. Por isso, o primeiro mandato, acho que se resume muito pela rede viária. Naturalmente, há um conjunto de obras que são marcantes. Temos a piscina Aurora Cunha, no Campo do Futebol Clube de Pedroso temos, desde a colocação do sintético, até agora, mais recentemente, a ampliação da bancada e a cobertura da mesma. Temos duas praças concretizadas aqui em Pedroso, a dos Combatentes e a da Saudade, temos a sede da Associação Musical que era uma ambição. Eu fui aluno da associação há 30 anos atrás e já havia a ambição de ter uma sede, conseguiu-se. Foi a casa mortuária e a Quinta do Padrão, em Seixezelo, foi o polo desportivo lá também. Há aqui um conjunto de grandes obras que se foram realizando ao longo destes oito anos, posso estar aqui a esquecer-me de algumas, mas as que tiveram mais impacto foram essas. Obras que se foram realizando, e depois todo o tipo de reabilitações de largos, espaços públicos, o Parque de São Bartolomeu. O quartel dos bombeiros, que foi recentemente inaugurada a primeira fase, e deve começar em breve a segunda. Há muita obra de betão e de asfalto feita. Devemos à Câmara Municipal quase toda, como quase todas as freguesias em Gaia. Felizmente conseguiu-se, temos muito investimento em infraestruturas.

 

E destas, qual foi aquela que a população mais ansiava? Porque, por vezes, as grandes obras, e aqui falo do ponto de vista do investimento, não são aquelas que a população mais quer.

Separando o que a população mais ansiava e o que o Filipe Lopes mais acha lógico, vou dar a minha opinião. Em Seixezelo, eu acho que era a casa mortuária, porque era uma ambição de há muitos anos mesmo, mas a obra da Quinta do Padrão é uma obra que me marca em Seixezelo, porque era um terreno que tinha sido doado à Junta de Freguesia, que estava ao abandono. Quando entrei lá a primeira vez, com um funcionário, que até já se reformou, ele ia com uma enxada à minha frente para cortar o mato para eu poder entrar. Abrimos concurso, houve uma concessão/exploração daquele espaço. Hoje é uma quinta de eventos, faz-se lá comunhões, eu fiz lá a do meu filho, faz-se lá casamentos, um dos sócios do Jorge Mendes, empresário de futebol, fez lá a sua festa de 40 anos, por isso, projetou Seixezelo. Agora, para a população, claramente, não tenho dúvidas, que a casa mortuária foi mais importante. Aqui, em Pedroso, para as pessoas mais agarradas à música, foi a sede da Associação Musical, para as pessoas que gostam de piscina, foi a Piscina Aurora Cunha. Eu acho que, em Pedroso, quer aquela que as pessoas mais queriam, quer a que o Filipe Lopes acha que era mais precisa e fazia mais sentido, foi a melhoria da rede viária, porque estava um caos e acho que, no primeiro mandato, foi o que teve mais impacto.

 

É uma freguesia muito rica também a nível de projetos, como inclusive já teve a oportunidade de falar de alguns nas questões anteriores. Além dos que falou, como a Academia Sénior, “Um bebé… um futuro”, lembro-me de outros como “A Escola vai à Junta”. Fale-nos um pouco desta vertente da freguesia.

Há aquela ideia de que um presidente da Junta tapa buracos e corta as ervas da rua. Quando eu vim para a Junta, aliás, quando decidi ser candidato à Junta de Freguesia, sabia que não seria para essas funções, aliás, seria, mas não só. Quando aqui chegamos, havia projetos que estavam no nosso plano de 2013 e que os concretizamos, como a Petrus Run e a Festa do Caneco. Projetos que identificamos como prioridade e implementamos. Mas quando aqui chegamos, fomos sentindo que era uma freguesia envelhecida e que não era um passeio para a terceira idade que se traduzia em políticas ativas para os seniores, aquilo é um dia por ano. O que fizemos? A Academia Sénior. É um projeto brutal, acho que é um caso de estudo, e não falo por mim, falo pela minha equipa, porque aquilo sem os professores, sem as técnicas da Junta, sem os administrativos, não funcionava. Eu podia ter uma excelente ideia, que sem os recursos que tenho e as pessoas que tenho ao meu lado, não conseguiria resolver. Depois fomos crescendo. Posto de enfermagem, faz sentido? Faz. Criamos. O projeto “Um bebé…um futuro” que agora, recentemente, Grijó e Sermonde, Serzedo e Perosinho e São Félix da Marinha aderiram a algo parecido, já temos a funcionar desde 2019, fomos a primeira Junta em Gaia com um projeto desses. “A Escola vai à Junta”, o Ecodecorando numa vertente de educação e sustentabilidade ambiental, o “Regresso às Aulas” onde oferecemos um kit de material escolar a todos os alunos, o “SOS Casa” que é um projeto que temos onde fazemos pequenas reparações em casas de pessoas que não cumprindo, ou estando na fila de espera para uma habitação social, têm a casa a precisar de reabilitações. O projeto “Pedroso e Seixezelo Apoio Solidário”, que no fundo é um grande guarda-chuva, ou chapéu, de tudo o que fazemos a nível de ação social, dos protocolos que temos com as farmácias, dos protocolos que temos com as óticas, dos protocolos que temos com as dentárias. Recentemente, o “Juntos por Si”, para dar resposta à situação de pandemia. O “Cinema ao Ar Livre” que é um projeto que fazemos uma vez por ano e que, no último ano que fizemos, em 2019, tivemos mais de 1000 pessoas. A Caminhada do 25 de Abril, a Feira de Emprego, que criamos em 2019, não havia em Pedroso e Seixezelo, foi um sucesso, esteve sempre cheia, o Dr. Mira Paulo estava fascinado com a realização. Criamos a “Homenagem ao ex combatente”, o “Revelando Pedroso e Seixezelo”, fruto da pandemia, os projetos que tínhamos não se podiam realizar, tivemos de inovar. Por isso, temos um conjunto de projetos que fomos realizando e, muito honestamente, temos de ter uma estrutura para isto correr bem. Eu prefiro não fazer do que fazer mais ao menos, ou se faz bem, ou não se faz. Isso foi-se reforçando, mesmo a nível da equipa. Quando eu cheguei à Junta, não tínhamos nenhum técnico superior, neste momento temos três, porque estes projetos precisam de pessoas com capacidade para os desenvolver, se não as coisas não funcionam. Claro que todos os projetos, ou quase todos, são política, mas grande parte deles hoje são vitais na freguesia. Se vier para cá amanhã o Manuel e quiser acabar com a Academia Sénior, porque foi o nome que o Filipe deu, cria a Academia da Terceira Idade, não pode é acabar com o conceito, porque as pessoas precisam disso.

 

Também foram dos primeiros a aderir ao MOB+, um projeto de mobilidade interna. Numa freguesia com uma população maioritariamente envelhecida, este projeto é importante?

É muitíssimo importante. Acho que quando este projeto apareceu, as pessoas torceram um pouco o nariz, como à boa moda portuguesa, mas acho que este projeto vai ter um impacto brutal, e já está a ter, e acho que a comunidade deve um agradecimento enorme a quem teve a ideia, que é o Eduardo Vítor Rodrigues. Ele apostou seriamente na mobilidade neste mandato e acho que visível. No âmbito deste projeto, quando foi inaugurada a viatura aqui em Pedroso, eu lembro-me de o presidente da Câmara dizer que numa freguesia como Pedroso e Seixezelo, daqui a algum tempo, iriamos sentir a necessidade de ter duas ou três carrinhas. Neste momento, porque eu gosto de controlar tudo, temos um mapa onde temos os pedidos e para que tipo de serviço é, para irmos monitorizando isso, e todos os dias temos a carrinha a funcionar. Neste momento está potencializado, porque transportamos para a unidade de vacinação. Quando criamos o projeto fizemos um regulamento onde estavam previstos quatro tipo de deslocações, não estava limitado à idade, era para todo o tipo de idades, e abrimos para a Junta de Freguesia, para os correios, para o centro de saúde da freguesia ou para transportar as pessoas de sua casa até uma paragem de autocarro que fizesse ligação para o hospital. Eram esses os serviços iniciais que cobria. Depois, percebemos que podíamos abrir mais. Abrimos, além desses quatro, a deslocação a clínicas dentárias, desde que não seja no Algarve, mas aqui não posso exigir que seja na freguesia, a clínicas de fisioterapia e tratamentos clínicos e a farmácias, aqui sim, da freguesia. Ao mesmo tempo, também abrimos para a vacinação. A carrinha é de nove lugares, o motorista mais oito, mas está limitado ao motorista mais cinco, agora devido à pandemia, por isso, já houve um dia, pelo menos um, que teve de ir o autocarro da Junta levar as pessoas à vacinação. Estamos a fazer esse serviço, acho que é para isso que serve uma Junta de Freguesia também.

 

Gostaria de falasse um pouco mais da Festa do Caneco, que se tornou um marco na freguesia, mas que, ao mesmo tempo, ultrapassa a mesma. Por vezes as pessoas não vêm estes como investimentos prioritários e esperam outras coisas do presidente, como dizia ainda há pouco?

A Festa do Caneco, quando nós criamos a primeira edição, eu recordo-me, perfeitamente, da oposição, na altura, dizer que era a festa do caneco e das canequinhas. Era uma crítica que a oposição fazia, outra das críticas é que era um evento feito para promover o presidente, também criticavam que se gastava uma pipa de massa do dinheiro da Junta, do orçamento. O que eu posso dizer são três ou quatro coisas muito simples. Primeiro, para mim, a Academia Sénior tem mais impacto, é mais vital do que a Festa do Caneco, para a comunidade, mas o projeto que promoveu a freguesia para lá dos limites, foi a Festa do Caneco, e depois a Petrus Run. Eu trabalho numa empresa no Porto e tenho colegas de Matosinhos que vêm à Festa do Caneco, e não é por mim, é pelo cartaz e porque gostam do conceito. Quando se começou a fazer a Feira Medieval de Santa Maria da Feira, se calhar foi da dimensão da primeira edição da Festa do Caneco. Eu não quero que a Festa do Caneco chegue a essa dimensão, acho que até perdia a piada, mas as coisas começam todas assim, e hoje a Festa do Caneco tem um peso brutal. A questão financeira, é preciso desmistificar esse mito. A Câmara Municipal de Gaia apoia os eventos culturais em todas as freguesias, atribui uma verba, quem vai para lá com uma barraquinha paga uma verba e a freguesia trabalha, que é a parte que as pessoas se calhar não percebem, para conseguir patrocínios locais para a festa. Essas três receitas cobrem a festa. Eu agora não consigo dizer de cabeça, mas se em 2019 a Junta pôs dois, três mil euros foi muito, nunca pus mais. Não deixo de fazer uma rua ou prestar apoio social para fazer a Festa do Caneco, porque no dia em que isso acontecer, cai o cartaz e caem os custos. A Festa do Caneco chegou a um ponto de maturidade que as pessoas vão à festa nem que seja a minha mãe a cantar. É lógico que se meter lá o Pedro Abrunhosa a cantar, enche, claro que enche mais, mas está sempre gente. Não há uma barraquinha que tenha ido numa edição e na seguinte não, não há. Fizemos o roteiro das coletividades, todos os anos damos apoio financeiro às coletividades, e fomos às sedes este ano, por causa a pandemia, optamos por um registo diferente, e o que ouvimos na maioria das coletividades é “senhor presidente, aquele dinheiro que ganhávamos na Festa do Caneco dava para fazermos esta obra, para arranjar a casa de banho e agora não temos”. A oposição criticava, mas no plano deles estava a manutenção da festa. Ninguém acredita numa oposição destas.

 

É também uma atividade que está já muito enraizada, seria impossível, tirando o contexto atual da pandemia, deixarmos de ter Festa do Caneco, em Pedroso?

Eu acho que sim. Amanhã, não vou sair de Pedroso, não vou andar fugido quando deixar de ser presidente da Junta. Vou continuar a viver em Pedroso e quero ir beber um caneco à Festa do Caneco, quero bater palmas e ver os meus amigos na festa. É um marco na freguesia. Todo o conceito que criamos, a Caneco Bus. Ainda há pouco coloquei uma publicação no Facebook, porque ele lembra as memórias, e se não houvesse esta brincadeira da pandemia, a Festa do Caneco tinha sido agora recentemente, e tenho lá pessoas que disseram que, se para o ano se puder fazer, tem de durar três semanas. As pessoas estão ansiosas, gostam daquele convívio. Há a barraquinha do Jaca e as pessoas do Jaca vão lá consumir, a malta do Pedroso ia à barraquinha do Pedroso, quer dizer, é um espírito incrível, e só quem dorme mal ou tem sonhos pesados é que pensa que aquilo é um arrombo nas contas da Junta. Nós podemos dizer o que queremos, o 25 de abril deu-nos essa liberdade, mas temos de dizer “ok, o Filipe agora faz a Festa do Caneco, mas em quanto é que a Junta apoia, em valor, a ação social?” e comparamos com o passado, quando não se fazia a Festa do Caneco, para ver se lá se apoiava mais. Não, apoiava-se com zero a ação social. Este mandato já vai quase em 100 mil euros. Dizem que na política vale tudo, mas eu como não sou político, a mim cabe-me a missão de explicar às pessoas, fazer vê-las com factos que isso não é bem assim.

 

Este último mandato acabou por ficar marcado pela pandemia, porque em quatro, dois dele viram a Covid-19 tomar conta da vida das pessoas. De que forma é que a Covid-19 afetou Pedroso e Seixezelo? Ficou alguma coisa por fazer por causa da pandemia?

Eu acho que a nível de investimento, obra, não houve nada que tivesse ficado por fazer. Nós, o ano passado, repavimentamos 13 ruas, reabilitamos o salão nobre da Junta, colocamos um elevador, estamos agora em Seixezelo, a obra da Feira dos Carvalhos arrancou, as rotundas arrancaram, a obra do quartel da GNR arrancou. Estamos, agora, fruto de um protocolo com a Câmara, a pavimentar ruas que ainda estavam em terra. Por isso, eu acho que a nível de investimento, não houve nada que fosse afetado. A esse nível não, a outros níveis sim. A nível de projetos, claramente, houve um impacto, mas é como tudo, as coisas menos boas que nos vão surgindo na vida, fazem-nos, muitas vezes, recalibrar opções, faz-nos ver o espírito e os valores de uma comunidade. É nos momentos maus que se vê as pessoas e as qualidades das pessoas e eu costumo dizer que aqui em Pedroso e Seixezelo, Gaia até em geral, esta pandemia mostrou uma comunidade solidária. Nós criamos o projeto “Juntos por Si”, pedimos a adesão de voluntários para ir levar medicação a casa das pessoas de maior risco e tivemos, se não estou em erro, 29 voluntários, equipas a funcionar, empresas que se associaram à Junta para dar donativos financeiros para dar reforço de capacitação para ajudar pessoas mais carenciadas. Não é normal ver uma empresa a vir a uma Junta dar um donativo. É uma credibilidade que se foi ganhando, ao longo destes oito anos, que as pessoas sabem que a Junta é uma entidade credível. Nós tivemos quase dez mil euros de donativos de empresas, no final do ano passado, para reforço de ação social, para dar resposta à Covid. Tivemos esse momento triste para nós e, numa freguesia com tantos projetos, foi desanimador. Pensamos “que azar que tivemos, criamos os projetos todos e agora tivemos de parar”, mas ao mesmo tempo foi reconfortante ver a união da comunidade, começando nos funcionários da Junta, e isso é importante referir. Foi exemplar a atitude deles, e começando nos funcionários da Junta, extrapolando para os voluntários, para as empresas, para as escolas, para tudo, foi brutal o que vimos aqui em Pedroso e Seixezelo.

 

Estamos, mais ao menos, a três meses das eleições. Que projetos tem a União de Freguesias em andamento e que pretende ver terminados até lá?

Nós temos, neste momento, a decorrer a obra da Feira dos Carvalhos, que é uma obra importantíssima, porque vai reabilitar aquele espaço, vai permitir dignidade aos feirantes, dignidade a quem visita a feira, mas, ao mesmo tempo, vai permitir a criação de um espaço que pode ser aproveitado para outros momentos, não só um dia por semana. Por isso, desde a necessária reflexão se vale a pena ter mais um dia ou mais uma manhã, não para a feira naquela dimensão, mas para produtores e agricultores locais, perceber se faz sentido, é algo a que teremos de dispensar alguma atenção, mas também para projetos culturais. Vamos ter ali um recinto para fazer uma Feira do Livro, o “Cinema ao Ar Livre”, vamos ter um recinto para fazer ali um conjunto de eventos. Temos o objetivo de criar a Noite Branca aqui em Pedroso e Seixezelo, já era uma ideia do ano passado, veio a Covid e não aconteceu, era para ser este ano, mas a Covid não deixa, por isso, estamos aqui com aquele sentimento, queremos muito fazer a primeira Noite Branca em Gaia, mas estamos com azar. Para o próximo ano, temos esse desejo, é um dos projetos que temos, se cá estivermos, como é lógico. Esse recinto vai dar resposta a muitas questões. Depois temos as rotundas na Nacional 1. As previsões apontam para que ambas as obras terminem ainda este mandato. O que temos mais a decorrer? As obras no edifício sede de Seixezelo também terminam. Teremos um edifício com outra dignidade para quem lá vai, o que é importante, desde coisas pequenas, como a colocação de ar condicionado, pequenas coisas que fomos fazendo e que fizeram com que, hoje, tanto o edifício de Pedroso, como o de Seixezelo, não tenham nada a ver com o que era quando chegamos. Depois, nós temos feito, ao longo destes oito anos, a recuperação do Património da freguesia, quer a nível de fontanários, lavadouros, porque é muito rico, mas não naquela vertente de fazer por fazer, fazer sim, mas onde tem utilidade. Temos de ser racionais e a Junta não tem recursos ilimitados, e estar a recuperar todos os lavadouros só porque é bonito dizer que fizemos mais uma obra, quando ninguém vai lá lavar ou utilizar, não vale a pena. Vamos construir mais 24 ossários, já compramos, já foram entregues, serão construídos pelo nosso pessoal. Por isso, temos muitas coisas para fazer, estas e muitas outras pequenas, mas de forma geral, será isso que estará a acontecer nestes meses.

 

O Filipe Lopes é candidato. A ganhar, porque acredito que quando se entra numa “luta” destas, a intenção é sempre ganhar, por isso, a ganhar quais são os projetos e sonhos que ainda tem para realizar em Pedroso e Seixezelo? Falou da Noite Branca, por exemplo, mas acredito que tenha mais coisas em carteira, certo?

Eu acho que há uma obra, que eu não perdoaria a mim próprio se não a deixasse na freguesia, que é o Centro de Saúde. É uma obra que é muito desejada pela população. As atuais condições do Centro de Saúde são miseráveis, a começar pelos profissionais, coitados, que, diariamente, lá trabalham. Eu tive a oportunidade de visitar, recentemente, uma das unidades e percebi isso. Este é um exemplo de como não se devem fazer as coisas. Há uns anos atrás mudou-se das antigas instalações para estas, melhorou-se na qualidade, certo, piorou-se em algumas coisas, certo, mas há uma coisa que não é discutível: o que já se pagou em rendas naquele espaço, dava para ter construído dois centros de saúde. Por isso, quem na altura tinha o poder da decisão, decidiu mal e não decidiu em benefício dos contribuintes que descontam todos os meses para nós fazermos opções. Há o centro de saúde, que eu acho que é a obra que a população mais quer. Apesar que, eu não vivo com essa pressão, eu vivo com a pressão de que eu não me perdoaria se não deixasse essa obra na freguesia. Claramente, acho que há todas as condições para que, no próximo ano, a obra ande. Aliás, eu até corro o risco de dizer, e se calhar com isto até perco votos, é que, independentemente de quem seja o presidente da Junta, essa obra já não corre o risco de não ser feita. Há um trabalho que está feito, há um concurso que será lançado, aparentemente, em breve, e acho que, independentemente do presidente que aqui estiver no próximo ano, a obra já não correrá riscos. Depois, há outro desafio, que é a Senhora da Saúde. É um recurso natural, que não há idêntico em Vila Nova de Gaia. Eu fui desafiado, pelo presidente da Câmara, a pensar num projeto integrado e global para todo aquele recinto. Contruímos uma equipa de trabalho, aqui na freguesia, onde estão pessoas da Confraria, pessoas da Junta, pessoas que conhecem bem o espaço, equipa essa onde está também um arqueólogo, um arquiteto, e fizemos um esboço de um programa que entregamos, há poucas semanas, com aquelas ideias que, para nós, são vitais para o espaço, desde a criação de trilhos, a reabilitação do parque das merendas, desde tornar aquilo mais apelativo, bonito e atual, a aproveitar os recursos arqueológicos que existem, fazendo mesmo lá uma estação arqueológica, como temos em Conimbriga, não naquela dimensão, mas há ali algo para fazer uma coisa parecida. Por isso, criar um Centro Interpretativo, fazer a ligação pedonal do São Bartolomeu à Senhora da Saúde, através de trilhos. Há ali muitos terrenos particulares, que pertencem à Congregação dos Clareterianos que já deu o aval de que estão abertos para fazermos isso. Ou seja, criar ali um conjunto de atrações para que qualquer pessoa possa ir lá, independentemente do seu gosto. Eu quero ir lá pela parte religiosa, vou. Eu quero ir lá para fazer desporto, tenho condições. Eu quero ir lá pela parte da arqueologia, tenho condições. Eu quero ir lá só fazer um lanche, um piquenique, consigo. Por isso, ter ali um conjunto de opções, em que consigamos fidelizar as pessoas da freguesia. Durante os anos não foi um espaço muito bem cuidado, não se foi atualizando, foi-se deixando estar, aquilo tem sempre muita procura, as pessoas também foram-se acomodando, mas temos de olhar para aquilo de forma diferente. Em 2013, quando me candidatei, havia muito a ideia de tornar Pedroso uma freguesia family friendly, ou seja, a ideia de que é bom viver aqui, e é com esses espaços que se consegue isso. A Senhora da Saúde é um objetivo, criar o parque da freguesa é outro objetivo, está a ser construído, podíamos inaugurar daqui a um mês ou dois, mas a ideia não é inaugurar a correr, a ideia é inaugurar quando aquilo tiver tudo o que nós idealizamos desde o início. Por isso, será uma obra a inaugurar no próximo ano, independentemente de quem for o presidente da Junta de Freguesia.

 

Estamos a falar do parque que está a ser construído junto à Associação Musical de Pedroso?

Sim. É um parque que vai ter um lago, um parque infantil, máquinas de desporto, um bar de apoio. Vai ser um mini parque da cidade, que tem potencial para crescer porque na zona envolvente ao que está, agora, a ser feito, tem dois terrenos municipais, que vão permitir, se assim entendermos, e se as pessoas aderirem e houver a necessidade de aumentar área, pode crescer. Há o quartel da GNR, há a EB2/3 Padre António Luís Moreira, são obras que já estão comprometidas, temos de fazer o nosso trabalho, claro, mas são obras que já têm projeto, que as coisas estão a avançar. Isso tem vindo a ser trabalhado. Há a continua recuperação da rede viária, que apesar de, hoje, Pedroso e Seixezelo ter uma rede viária estável, é sempre preciso arranjar a rua A ou a rua B, e daqui a algum tempo temos de voltar a repavimentar o que pavimentamos em 2014, pela primeira vez, porque as ruas têm o seu desgaste. Depois, há um desafio muito grande, que eu acho que é o principal desafio do próximo mandato, que é recuperar todos os projetos que tínhamos. Tudo bem que as pessoas podem pensar que a máquina estava bem oleada, que parou dois anos, e é fácil pegar de novo, mas é preciso recuperar, pôr a equipa dos profissionais da Junta, outra vez, focados, determinados e disponíveis para esses projetos, como é preciso recuperar a comunidade para voltar a participar neles. Falo de projetos como a Petrus Run, a Festa do Caneco, a Academia Sénior que vai reabrir em outubro, vamos agora a abrir inscrições. É esse desafio que é importante ter e manter tudo aquilo que temos vindo a fazer. Dar atenção às pequenas coisas, perceber que essas pequenas coisas, por vezes, têm impacto para as pessoas, muito maior do que as grandes coisas. Estar atento ao património da Junta, muitas vezes o pessoal cuida da rua e está a deixar o prédio cair aos bocados. Quem vem hoje ao edifício da Junta vê um edifício novo, parece que foi inaugurado há dias. Ter atenção ao parque automóvel, que é praticamente novo, todo ele. E a parte que é importante, porque isto não é uma empresa privada, por isso não queremos ter bons resultados financeiros, isto não é para distribuir pelos acionistas, mas só conseguimos ajudar as pessoas se tivermos capacidade financeira para o fazer. Temos de ter as contas arrumadas, temos de ter a transparência, o rigor.

 

Se calhar aproveitava agora que falou da importância das contas arrumadas, para falarmos da dívida que a Junta está a pagar, e que afeta o orçamento anual.

Infelizmente, o próximo mandato ainda vai ter essa dívida até ao fim, acaba em 2025 o acordo que fizemos, mas neste momento já pagamos quase 700 mil euros de um milhão, 170 mil, que fomos condenados a pagar. Estamos a falar de um acordo a sete anos, que isto caiu em 2017, portanto, acaba em 2025, por isso, neste momento ainda não percorremos metade do tempo que tínhamos para pagar e já pagamos 60% da dívida. Houve aqui um esforço, uma necessidade de pagar grande parte da dívida no início, e estamos a pagar. Por ano, com a Civopal são 120 mil euros. Estamos a pagar, também, 90 mil euros à Prozinco, uma dívida que também fomos condenados, da cobertura do Estádio Jorge Sampaio, que foi inaugurado em 2013. Até fomos condenados a pagar mais, mas depois houve um acordo, e houve um perdão de juros. Já pagamos 60 mil, falta 30, temos de pagar até abril de 2022, fica pago. Eu acho que em 2025, se eu cá estiver, deixarei o Centro de Saúde, mas, espero, também deixar a freguesia sem dividas, financeiramente estável, aliás, muito estável mesmo, acho que é das poucas freguesias de Gaia que tem robustez financeira para ter opção política de fazer isto ou aquilo, e acho isso muito importante. Não é que seja o meu objetivo deixar aqui as contas espetaculares, porque não foi para isso que vim para cá, vim para pegar no dinheiro e coloca-lo na comunidade, naquilo que entendo que é o melhor para a comunidade, mas é importante, porque sem dinheiro não se consegue fazer nada.

 

Falávamos de projetos que já estão em andamento, como o do Centro de Saúde, e que, independentemente do próximo executivo, já é impossível não se realizar, uma vez que já existem concursos, por exemplo. As burocracias tornam difícil pensar-se numa obra e vê-la concluída no mesmo mandato?

A Feira dos Carvalhos é o melhor exemplo que lhe posso dar. É uma obra que vem sendo pensada desde 2013, estamos agora a concluir. Ali houve, numa parte inicial, indisponibilidade financeira da Câmara lançar um projeto daqueles, depois houve um projeto inicial que tinha algumas fragilidades e teve de se corrigir, depois houve concurso, as propostas, reclamações, tribunal de contas. Burocraticamente é pesado. Se nós pensarmos, agora nas eleições de 2021, num projeto, por exemplo, o da Senhora da Saúde, nem que se comece a trabalhar em outubro de 2021, no final do mandato, em 2025, pela parte arqueológica. Basta ir a qualquer sítio, tudo o que é investigação arqueológica demora décadas, não se faz num ano, nem dois, nem quatro, no caso. Agora, um Centro de Saúde, uma feira, havendo disponibilidade financeira, havendo capacidade orçamental para cabimentar, num mandato consegue-se fazer. Mas, efetivamente, a burocracia impede muito as coisas e mais, tira sentido às coisas. Passa por reclamação, não reclamação, visto, não visto, começar e tal, quando vamos fazer, já nem era bem aquilo que se queria. Esta é uma das maiores diferenças para o privado. Lá, queres fazer, tens dinheiro, fazes. Essa foi uma das coisas mais difíceis, para mim que vinha do privado, de me adaptar. Hoje estou adaptado, estou resignado, digamos assim, temos de cumprir os prazos, a lei.

 

Sr. presidente quais são as ambições para as próximas eleições? Ganhar com maioria, por exemplo?

Em 2013 ganhamos com maioria, com poucos votos, ali mesmo à rasquinha, tivemos 48 ou 49%. Há quatro anos tivemos 68%, portanto, tivemos uma maioria muito significativa. Eu costumo dizer que um péssimo resultado para o Partido Socialista, e para mim, claro, porque se perder a culpa é minha, um péssimo resultado era perder as eleições, um mau resultado é ganhar sem maioria, um bom resultado é ganhar com maioria, um excelente resultado é ter mais de 60%. O resultado para o qual o Filipe Lopes vai trabalhar, é para ter a mesma percentagem de votos de há quatro anos, mais um voto. É para isso que eu vou trabalhar, porque eu acho que nós devemos, em tudo o que fazemos, tentar melhorar, não devemos estagnar. Por isso, para o Partido Socialista, seria um excelente resultado ter mais de 60% em Pedroso e Seixezelo, para mim, fico extremamente contente, mas vou trabalhar para ter mais do que há quatro anos.

 

Terminávamos com uma mensagem para os habitantes de Pedroso e Seixezelo.

A minha mensagem é que as pessoas continuem como até aqui, a envolver-se com o que a Junta faz. Hoje, eu acho que a Junta de Freguesia faz parte do dia a dia das pessoas, pelos projetos que foi criando, as pessoas interagem muito com a Junta, acreditam, confiam. Sinto isso quando passo na rua. Não tenho problema nenhum de sair de casa e ir tomar café a qualquer lado. Há insatisfeitos, há aqueles insatisfeitos porque não gostam de mim ou do partido, há aqueles insatisfeitos porque há uma coisa que querem ver feita, mas eu não consigo, mas eles respeitam porque percebem que não há recursos ou há outras prioridades, porque se isto fosse discos pedidos, não precisava de estar aqui um presidente, mas sinto um ambiente muito bom na freguesia, um acreditar muito grande, sinto que as pessoas validam muito aquilo que a Junta promove. Por exemplo, mal lançamos o campo de férias, tivemos logo inscrições, ficamos logo com semanas cheias. As pessoas acreditam muito, olham para a Junta e sentem que é uma entidade credível, olham para nós e pensam que se nós dizemos que vamos fazer isto, é porque vamos fazer isto, mesmo que demore mais tempo. Eu quero que as pessoas continuem a confiar, e quem não confia, espero que tenha oportunidade de mudar. Eu acho que a pior coisa que pode acontecer é ter uma pessoa na Junta de Freguesia, que no fundo é um representante da freguesia, em que as pessoas não acreditam. Por isso, é isso que eu peço à população, é essa a mensagem que quero deixar. Primeiro, dar os parabéns e agradecer estes oito anos, foi brutal o carinho, a adesão, o respeito e a confiança que tiveram em mim e na minha equipa e isso irá sempre marcar-me, independentemente do resultado deste ano. Mas continuem a acreditar, continuem a exigir e continuem a estar atentas, a verificar, a ler a revista e se virem alguma coisa mal, reclamar. A pior coisa que pode acontecer é algum de nós ver alguma coisa mal e não reagir, isto faz com que a freguesia vá para onde esteve quando aqui chegamos. As pessoas sabem que, da parte da Junta, está sempre aqui um parceiro para ajudar em tudo o que é necessário.

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