O V Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono teve lugar no Parque de Exposições de São Miguel em Rabo de Peixe, de 23 a 25 de novembro, participando 190 animais de mais de 60 explorações.

Na inauguração oficial do concurso discursaram o presidente da Associação Agrícola, Jorge Rita, e o Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte.

Durante a inauguração oficial do evento, o presidente da Associação Agrícola afirmou que este concurso é uma demonstração daquilo que é “trabalhar com excelência”, destacando a forte adesão à iniciativa apesar das dificuldades encontradas pelos exploradores agrícolas. De acordo com Jorge Rita, os 190 animais a concurso representam a “autoestima e amor [dos produtores] pelo que fazem, porque só pode ter vacas quem tem paixão”, sendo este o motivo da capacidade de “resistência e resiliência” que os agricultores mostram ao passar pelas “dificuldades que são bem evidentes”.

Ainda que o preço médio do leite pago à produção tenha crescido 7,5%, para o presidente da Associação Agrícola isto não é o suficiente: “quando nós falamos de leite e falamos de preço, não há um consumidor que seja a dizer que um litro de leite da prateleira é caro. Comparativamente a qualquer outro produto, leite e pão são os dois produtos essenciais mais baratos no mercado. Mas produzir leite tem um custo, e esse custo não é devidamente remunerado”.

Na inauguração oficial do evento, ficou ainda a ideia de Jorge Rita em aliar o turismo e agricultura, afirmando que este conceito deveria ser mais explorado.

De João Ponte ficou a promessa de que o Governo Regional vai trabalhar “mais e melhor” em prol de criar melhores condições para os agricultores, afirmando ainda que é necessário aumentar o preço do leite pago ao produtor (que atualmente é de 30,3 cêntimos em São Miguel).

Ainda durante o V Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono, foi integrado o 39.º Concurso de Expo Aves 2018.

Declarações de Jorge Rita, presidente da Associação Agrícola de São Miguel

O balanço deste concurso é muito positivo a todos os níveis, começando pela qualidade e pela excelência dos animais, seguindo pela grande envolvência do público e pela dinâmica do concurso.

Esta é uma demonstração inequívoca do que é trabalhar com excelência e penso que ficou aqui bem evidenciado o que os nossos agricultores têm feito.

Os concursos servem precisamente para evidenciar aquilo que se faz de bom no nosso setor e isto é uma montra daquilo que se faz na região, que é o transporte a nível nacional e internacional por via das revistas próprias. Tivemos a felicidade de ter cá uma das jornalistas mais consagradas da especialidade com a revista também mais consagrada da especialidade, que é a “Holstein Internacional”.

Tudo o que foi visto por todos, os animais extraordinários, a envolvência das famílias, do público, dos jovens, das crianças… penso que ser agricultor e ter vacas nos Açores é um pouco isto.

Esta iniciativa é também um sinal de que temos demonstrado a tudo e a todos do que é trabalhar pela excelência. Nunca poderemos trabalhar pela quantidade mas pela qualidade e pela excelência. Nós gostamos muito de dar este exemplo nas vacas e em tudo o que nós fazemos. E o que compete a cada um, quer ao Governo Regional, quer às indústrias em matéria do leite ou da carne, é que temos de ter um trabalho conjunto de valorização. As vacas são um bom exemplo: temos no efetivo pecuário menos de um quinto a nível nacional, mas temos mais de 70% das vacas com a qualificação de excelente na Região Autónoma dos Açores.

É também importante dar os parabéns a todos os envolvidos, começando pela comunicação social, porque é um meio de transmissão do que nós fazemos. Obviamente que os patrocinadores são fundamentais. Se não fossem eles, não poderíamos fazer isto com esta dimensão nem com esta categoria.

Os juízes ficam impressionados em ver como é que uma ilha no meio do Atlântico consegue ter vacas tão boas e um concurso com esta qualidade, e portanto tenho de realçar que estão todos de parabéns, quem organiza, quem patrocina e quem tem os animais cá.
Concluindo, acho que o concurso foi extraordinário. Estamos a fazer dois concursos por ano e não é muito fácil, desde a logística à disponibilidade dos criadores.

Tivemos 190 animais e mais de 60 agricultores aqui presentes. O concurso nacional que aconteceu recentemente teve 120 animais e cerca de 30 concorrentes. Portanto, há diferença nas dinâmicas que existem na região e a nível nacional e, se calhar, mesmo a nível europeu.

Este é um setor que tem de ter paixão e emoção, e quando fazemos as coisas com paixão, emoção, mas também com alguma racionalidade, o sucesso está mais perto.

O que lamentamos sempre na Região Autónoma dos Açores é que não temos a devida valorização do que somos, do que fazemos e do que produzimos. E esse é o trabalho que tem de ser feito por todos. O meu desafio é para quem governa, para quem decide cá, no país e na União Europeia: todos, em conjunto, articular medidas, de forma a que a região e o setor cresçam cada vez mais de uma forma sustentável.

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