A Ribeira Grande comemorou, no passado dia 29 de junho, no Teatro Ribeiragrandense, o seu 41º aniversário de elevação a cidade. Esta data foi festejada junto da comunidade ribeiragrandense, com um programa recheado de atividades, que decorreram de 25 de junho a 3 de julho e incluíram as tão ansiadas Festas da Cidade, que regressaram, depois de dois anos de interregno, fruto da pandemia que assolou o país e o mundo. A tradicional sessão solene, que se realizou no dia de São Pedro, padroeiro do concelho, e do Feriado Municipal, foi um dos pontos altos das celebrações e culminou com a entrega da Medalha Municipal de Mérito a José Carreiro de Almeida, professor, filantropo e benemérito, a título póstumo, e da distinção de Cidadão Honorário a Liliana Lopes e Luís Silva, responsáveis pela Praça do Emigrante.

 

A celebração do 41º aniversário da elevação da Ribeira Grande a cidade culminou com uma sessão solene, que decorreu no passado dia 29 de junho, no Teatro Ribeiragrandense. A cerimónia ficou marcada pela presença de Nelson Moreira, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, em Cabo-Verde, cidade irmã do concelho ribeiragrandense, José Gomes da Veiga, presidente da Assembleia Municipal da Ribeira Grande de Santiago, Zuzana Vieira, cônsul honorária da República Eslovaca nos Açores, Danko Já, presidente da Câmara Municipal de Martin, na Eslováquia, Duarte Freitas, secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, João Bosco Mota Amaral, antigo presidente da Assembleia da República, antigo presidente do Governo dos Açores e cidadão honorário da Ribeira Grande, José Luís Pontes, presidente da Assembleia Municipal da Ribeira Grande, Pedro Furtado, vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, vereadores e presidente de Junta da Ribeira Grande, assim como representantes de instituições, entidades civis e militares.

A Ribeira Grande afirma-se como sendo uma das principais cidades e concelhos regionais, assim como um caso de sucesso nacional, pelo crescimento e pela sua irreverência, ao transformar-se num local agradável e com plenas condições para se viver, trabalhar ou visitar.

Este que foi um dos pontos altos das comemorações do 41º aniversário da ascensão da vila criada no reinado de D. Manuel I, a 4 de agosto de 1507, à categoria de cidade, a 29 de junho de 1981, festejado no Dia de São Pedro e do Feriado Municipal, data em que se realizaram as tradicionais Cavalhadas e procissão, contemplou a distinção de três personalidades, que se destacaram pelos seus feitos em prol do município ribeiragrandense.

As intervenções protocolares foram inauguradas por Nelson Moreira, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, em Cabo Verde, cidade irmã do concelho ribeiragrandense, que fez questão de afirmar que “é uma grande honra e um grande privilégio estar aqui convosco neste instante, comungando da vossa amizade, da vossa essência e da vossa bravura”.

Assegurando que “podem contar comigo e com as forças vivas do município da Ribeira Grande de Santiago, não só para o fortalecimento dos laços históricos dos nossos municípios geminados, mas também para fazermos ecoar nos corações dos cabo-verdianos a essência, a dimensão deste povo irmão de Cabo Verde, porque, assim, fortalecemos uma nova agenda, uma agenda que inclua, ainda mais, as comunidades, mas, sobretudo, que inclua o setor privado de ambos os municípios, Ribeira Grande e Ribeira Grande de Santiago, de ambas as ilhas, São Miguel e Santiago, e de ambos os arquipélagos, Açores e Cabo Verde, bem como toda a nossa família atlântica. É hora de fortalecermos os nossos laços de irmandade e de pertença, que nos unem desde sempre e para sempre”.

Também José Luís Pontes, presidente da Assembleia Municipal da Ribeira Grande, foi convidado a dirigir algumas palavras aos presentes, salientando que “a nossa Ribeira Grande tem um passado de que se orgulha e um presente edificado a pulso, pelas pessoas que cá viveram e vivem, cabendo, agora, a nós, olhar para o futuro que se quer alcançar”.

Aproveitando a presença de Duarte Freitas, secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, o presidente da Assembleia Municipal da Ribeira Grande, deu voz aos anseios dos ribeiragrandenses, reclamando, junto do Governo Regional dos Açores, uma atenção especial pela Ribeira Grande. “Temos de ser audazes e saber agarrar as oportunidades, importa criar parcerias e estimular investimentos privados, abraçar o turismo e aproveitar bem as verbas comunitárias. Para finalizar, não posso deixar passar esta oportunidade para me dirigir aos mais jovens, deixando uma palavra de alento e confiança a estes: o futuro do concelho é vosso, o meu mais profundo agradecimento a todos os presentes, parabéns a todos os ribeiragrandenses”, concluiu José Luís Pontes.

Por outro lado, foi o discurso de Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, que roubou a atenção do público. “Após dois anos conturbados, devido à pandemia, que a todos nos obrigou a reconfiguramos este formato de cerimónia, é com redobrada alegria que estamos de novo juntos, para festejarmos mais este aniversário. Na preparação destes festejos, tivemos em conta uma série de pressupostos, entre os quais a organização das denominadas festas populares, para dar um claro sinal da retoma da atividade cultural, mas principalmente para dinamizar, de novo, a nossa cidade e o nosso tecido empresarial. Mais do que meras festas de rua, têm sido verdadeiros momentos de partilha e convívio, num claro sinal de sentimento de pertença à nossa terra”, sublinhou o edil.

Mencionou o plano turístico traçado, em 2015, para o concelho, e as dificuldades impostas pela proliferação da Covid-19 em Portugal e no mundo, o autarca ribeiragrandense ressaltou que “trabalhar em equipa, sem olhar a cores partidárias, a clubes de futebol, ou a quezílias pessoais, foi a grande lição que tiramos da pandemia. É no contexto do trabalho em equipa, que julgo que podemos ultrapassar as dificuldades que se avizinham”.

Evidenciando que “vivemos, claramente, num mundo de incertezas e temos de nos adaptar rapidamente às circunstâncias de eventos, como a guerra que está a decorrer, infelizmente, na Ucrânia, porque está a afetar o nosso dia a dia, principalmente o nosso poder de compra. É, por isso, determinante reagirmos rapidamente com sensatez, mas com um espírito de responsabilidade e de compromisso para com o presente, mas, acima de tudo, sem nunca comprometermos as gerações futuras”.

Para Alexandre Gaudêncio, “a sessão solene deste ano investe-se de uma particular importância, devido a este contexto internacional peculiar e nada melhor do que debruçarmos sobre este tema, tendo por base as nossas relações com as nossas cidades irmãs”.

Por conseguinte, o presidente da autarquia ribeiragrandense deu o exemplo da parceria “com a Ribeira Grande de Santiago, onde há já um acordo firmado há 12 anos, que merece ser trazido à luz dos novos tempos e partirmos para a ação, com objetivos muito concretos, que poderão ajudar a melhorar ambos os territórios. Falando particularmente de Cabo Verde e da Cidade Velha, como é particularmente conhecida esta nossa cidade irmã, há todo um potencial a tirar, a começar pela projeção turística. Queremos divulgar a nossa Ribeira Grande lá, porque é um mercado onde chegam, todos os anos, milhões de turistas, mas, também, ao nível dos nómadas digitais, onde já existe uma comunidade com excelentes condições proporcionadas pelas entidades locais. Neste âmbito, posso anunciar, que iremos lançar a nossa campanha, para atrair este público, nos próximos dias, também ao nível do ensino e do intercâmbio escolar, sem esquecer a agricultura e a divulgação dos nossos produtos no mercado de Cabo Verde, onde temos já uma porta aberta, através de empresários locais. Outro aspeto tem a ver com a proteção civil, onde os nossos bombeiros podem e devem ajudar os nossos irmãos, com formação e intercâmbio de conhecimentos. Como se vê, há todo um potencial de oportunidades por explorar e, (…) neste contexto, gostaria de enaltecer a presença, aqui, hoje, do presidente da Câmara Municipal de Martin, da República Eslovaca, que veio a convite do consulado daquele país. Fica o desafio e o desejo também, de estabelecermos pontes de ligação”.

Posteriormente, o edil dirigiu as suas palavras ao secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, apelando para o facto de haver “um novo quadro comunitário de apoio à porta, que tem sido fundamental para o desenvolvimento das vilas e das cidades. Sei que está sensível à agilização do funcionamento dos novos fundos, que aí vêm e, por isso, gostaria de reforçar essa importância. Não nos faltam ideias para projetos e até estratégias, o que nos falta mesmo é o financiamento e a rapidez da aprovação de verbas, que possam materializar os nossos objetivos. Fique, por favor, com essa nota, sob pena de se perder, novamente, uma excelente oportunidade de dotarmos as autarquias de recursos financeiros, para executarem as obras que são relevantes, para o desenvolvimento das terras. Até lá, aposte nas autarquias locais, para melhorar a execução orçamental da região e uma das soluções poderá passar, por exemplo, por delegar, nas Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais, projetos e obras ao abrigo dos contratos ARAAL. Desta forma, estará a potenciar, ainda mais, o investimento local e a salvaguardar o interesse de todos, porque um euro investido por uma Junta ou uma Câmara tem muito mais retorno, do que investido pela administração regional. Queira, por isso, olhar para estes desafios com o cuidado e sentido de responsabilidade que o caracteriza e que poderá ser uma imagem de marca do XIII Governo dos Açores”.

Neste seguimento, Duarte Freitas, afirmou durante a sua intervenção, em representação do presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, que o executivo está a fazer um esforço, para manter o montante destinado aos municípios, no novo quadro comunitário de apoio. “Quero dar nota que da parte do XIII Governo Regional, na fase em que estamos de negociação dos fundos plurianuais da União Europeia, para o horizonte de 2030, temos feito um enorme esforço, para saber corresponder àquilo que são os compromissos do Governo e do senhor presidente. Vamos destinar ao sistema de incentivos 360 milhões de euros no próximo quadro comunitário, mais 10 milhões do que no anterior quadro. Em relação às autarquias locais, no atual quadro que está finalizado tivemos 160 milhões de euros e, ainda que exista alguma dificuldade e a execução possa não chegar a este valor, o XIII Governo propôs que fossem alocados também às autarquias locais 160 milhões de euros. Saibamos todos aproveitar estas oportunidades”, asseverou o secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, aludindo que “é um enorme esfoço que estamos a fazer, porque vivemos momentos muito difíceis. (…) Temos de ser, e temos sido, resilientes, mas temos de ser ainda mais capazes, para não perdermos as oportunidades que vamos ter pela frente. (…) Temos de olhar para o futuro com uma estratégia que nos dê, também, esperança e mudança paradigmática, porque se continuarmos a fazer as mesmas coisas os resultados, tendencialmente, serão idênticos e nós queremos mais, nós temos mais ambição”.

Garantindo que se está a fazer mais e melhor na Ribeira Grande, o autarca mencionou, ainda, que Alexandre Gaudêncio “é bem a face de um concelho jovem, dinâmico, cheio de pujança, vontades e ânsias de futuro e é esse futuro que tem sido agarrado, aqui, na Ribeira Grande e que é um exemplo para todos os Açores”.

Após as mais diversas exposições, decorreu um momento, que brindou os presentes com as homenagens da Câmara da Ribeira Grande. O professor, filantropo e benemérito picopedrense José Carreiro de Almeida, foi agraciado com a Medalha Municipal de Mérito, a título póstumo, um galardão que lhe foi atribuído, segundo Alexandre Gaudêncio, “por ter sido um exemplo de dedicação e de entrega à causa pública, tendo sido inúmeros os atos que praticou durante a sua vida, para proporcionar melhores condições às nossas instituições e àqueles que mais precisavam. Esta recompensa foi recebida pelo seu sobrinho, professor Onésimo Teotónio de Almeida, pelas mãos de Duarte Freitas.

Neste âmbito, Liliana Lopes, natural de Bucelas e radicada em Ponta Delgada desde 1970, e Luís Silva, oriundo de Água Retorta, foram honrados com o Diploma de Cidadão Honorário da Ribeira Grande, por, de acordo com o autarca ribeiragrandense, “terem liderado um projeto que a todos nos honra, que foi a nossa Praça do Emigrante. Não há reconhecimento que pague o vosso trabalho, que irá perpetuar o vosso nome e a nossa Praça, no tema da emigração, para o futuro”.

Depois do tributo às individualidades que contribuíram, inequivocamente, para a comunidade, promoção e prestígio da Ribeira Grande, o público foi presenteado com um momento musical, protagonizado pelo jovem Luís Martins, aluno do Conservatório Regional de Ponta Delgada, que encerrou a sessão, ao piano.

No final, todos se reuniram no foyer do Teatro Ribeiragrandense para brindarem e comemorarem os 41 anos da elevação da Ribeira Grande a cidade.