Numa altura em que o mundo atravessa uma pandemia, que está a provocar mudanças profundas na sociedade em que vivemos, o AUDIÊNCIA conversou com Manuel Azevedo, presidente da União de Freguesias de Sandim, Olival, Lever e Crestuma, que falou sobre a história da sua envolvência no mundo político, sobre os momentos mais importantes da vida autárquica e sobre os seus objetivos para o “cantinho do concelho que foi durante muitos anos esquecido”.

 

 

 

 

Como estão as freguesias de Sandim, Olival, Lever e Crestuma a lidar com esta situação pandémica?

Estão a adaptar-se a esta nova realidade, o que não é fácil. Aquilo que o executivo tem procurado aqui, juntamente com a Câmara Municipal de Gaia, mas dentro dos recursos que a Junta de Freguesia tem, é chegar o mais próximo possível da população, das IPSS, porque são esses os verdadeiros heróis de qualquer freguesia e que, a verdade tem de ser dita, nós, neste momento, neste cantinho do concelho, estamos bem servidos a nível de instituições de ação social, que acabaram por nos mostrar que estamos bem providos. É lógico que, a princípio tudo é possível, tudo chega, mas, na área social, o que está bem hoje, amanhã já é pouco e é o que se está a notar, porque cada vez há mais gente a procurar essas instituições, a procurar a Junta de Freguesia e a Junta de Freguesia dentro daquilo que pode tenta colaborar, mas desde sempre o que nos preocupa é colocar as pessoas dessa área na linha da frente, que são as IPSS e é isso o que nós temos feito, dentro de uma norma e eu acho que temos cumprido. É lógico que é sempre pouco, mas, mesmo assim, acho que temos cumprido. Nós, nestas quatro freguesias, não temos lares, temos unicamente centros de dia e a nossa preocupação quando isto aconteceu foi, junto das IPSS, tentar ajudar dentro daquilo que era possível para que as pessoas estivessem afastadas e, neste caso concreto, mais em casa e tivemos de movimentar mais as IPSS para que elas fizessem o apoio domiciliário, higiene e alimentação nas próprias casas das pessoas e, dentro disso, foi aquilo que nós pedimos às IPSS e foi aquilo que as IPSS cumpriram. Dentro daquilo que nós pudemos ajudar, nós fornecemos equipamento de proteção como máscaras, viseiras, luvas e tudo aquilo que foi possível dentro das nossas possibilidades e distribuímos mais do que uma vez esses equipamentos de proteção aos utentes e às colaboradoras das IPSS porque são, como eu disse anteriormente, os heróis. Agora, temos de compreender que hoje, mais do que nunca, o foco dessa área está a alargar, porque existem famílias que viviam de forma razoável, mas que por causa desta pandemia uns perderam o emprego, outros tiveram de vir para casa e as rendas continuam a ser as mesmas, ou seja, as despesas continuam a ser as mesmas, por isso existem muitas carências nesta área, mas dentro daquilo que é possível por parte da Junta de Freguesia, nós temos tentado colmatar. Nós temos, por exemplo, um problema grave nestas quatro freguesias que está relacionado com os transportes públicos e compreende-se que os transportes públicos são mais complicados neste cantinho do concelho, porque nós estamos mal servidos a nível de transportes públicos, por exemplo, agora no regresso à escola do 11º e 12º anos, não haviam transportes e a Junta de Freguesia aqui, automaticamente, foi para o terreno e está a fazer o transporte desses miúdos e dessas miúdas para a escola com carrinhas da Junta de Freguesia, com carrinhas de uma IPSS e com um autocarro da Câmara Municipal, por isso, tudo o que é possível e aquilo com que nós nos preocupamos sempre é em trabalhar em parceria e quando se trabalha em parceria envolve-se logo instituições, envolve-se logo Câmaras, envolve-se tudo e só assim é que conseguimos. Não é por acaso que nós dizemos a qualquer hora «todos juntos vamos vencer», porque nós sós não conseguimos nada. Nós estamos bem servidos nestas quatro freguesias a nível de instituições, IPSS, e a nível de coletividades. Ainda não houve uma única vez que nós, executivo, tenhamos pedido qualquer coisa a qualquer coletividade das quatro freguesias e que estas nos tenham dito que não, no fundo elas vêm e fazem o que nós necessitamos e o que nós pedimos a troco de zero.

 

Que projetos foram adiados ou totalmente descartados devido à proliferação da covid-19?

Foram alguns e foram alguns por uma razão muito simples, porque nós ou havemos de atuar numa área ou havemos de atuar noutra e como nós, Governo, cancelamos todos os eventos que estavam agendados até ao dia 30 de setembro, foram-nos retiradas as festas de verão, foi-nos retirada a colónia balnear, foi-nos retirado o passeio da terceira idade, ou seja, tudo isto e aquilo que nós procuramos fazer foi canalizar todos estes recursos financeiros para as IPSS e para as coletividades. As IPSS conseguiram fazer muito mais e, como deve compreender, o país atravessa momentos difíceis derivado a muitas situações e, então, nós entendemos que vamos tentar encaminhar toda essa parte financeira para essa área. Isto leva-nos a que tivéssemos que parar com alguns projetos, porque a nossa ideia era avançar com capelas mortuárias, porque neste caso concreto, nós não temos capelas mortuárias nas quatro freguesias e estamo-nos a servir, e bem, pelas capelas religiosas. Nós temos estas dificuldades e queríamos também mexer na zona do cemitério, principalmente no Cemitério de Crestuma, porque está um caos e, a nível de alargamento, no Cemitério de Lever. Para além de que existem outros projetos que estamos a deixar para segunda fase, porque todo o encaminhamento vai ser para a área social.

 

Qual é a situação atual das coletividades, das associações e das instituições das quatro freguesias?

Essa área é uma área mais complicada, porque eu acho que há muito pouco, que existem muito poucas coletividades que, neste momento, não só nestas quatro freguesias, mas eu só tenho de falar das quatro freguesias, estejam a atravessar momentos mais ou menos ou bons. Eu acho que não conheço nenhuma e não conheço nenhuma, por diversas razões, nomeadamente porque a maior parte das coletividades tinham o seu programa feito, tinham as suas festas contratadas e todas elas foram anuladas, por isso, os poucos dias em que iam ganhar foram por água abaixo, a maior parte delas, porque algumas coletividades que têm sede própria com um bar ou um café, que iam rentabilizando para conseguirem pagar a água e a luz e até isso lhes foi cortado, derivado à covid-19, por isso, eu acho que as coletividades, aliás algumas já falaram comigo, estão a atravessar momentos difíceis. Dentro daquilo que é possível por parte do executivo, nós tentamos ajudar e já ajudamos algumas, mas tenho consciência de que não as consigo ajudar a todas, porque nós estamos a falar, nas quatro freguesias, de cinquenta coletividades, o que é muita coisa e como é muita coisa não é possível chegarmos a todos, daí eu ter dito que ia encaminhar a parte financeira mais para as IPSS, mas também vou encaminhar para as coletividades, só que, a verdade, é que vou dar mais prioridade às IPSS do que propriamente às coletividades, mas eu não quero, e quando eu digo não quero, nós não queremos que as coletividades fechem, nós queremos que as coletividades se mantenham, porque são a força-viva de qualquer freguesia. Por muito ou por pouco que uma coletividade faça, que, neste caso concreto, fazem muito, mas por pouco que façam são muito importantes para uma freguesia, porque dão a conhecer a freguesia e dão a conhecer o próprio concelho, porque temos coletividades fortes que vão ao estrangeiro muitas vezes e levam o nome da freguesia e do concelho muito longe, por isso mesmo eu acho que é muito importante manter, para além de promoverem as tradições, a cultura e o desporto.

 

O Manuel Azevedo referiu anteriormente que vai encaminhar uma fatia considerável do orçamento da União de Freguesias, que inclusivamente se destinava à realização de inúmeras iniciativas, para a Ação Social. Neste seguimento, quais são as medidas, ações e projetos implementados tendo em vista a promoção da qualidade de vida da população?

Existem diversas áreas em que nós mexemos. Primeiro, tentamos trabalhar o máximo possível com esse material de proteção e fornecê-lo às IPSS, como eu já disse anteriormente, e também trabalhamos com o Banco Alimentar. A Junta de Freguesia tem um papel importante para quase todas as IPSS, através da disponibilização de transporte, de mão-de-obra e de tudo o que for necessário. Também criamos um projeto em todas as secretarias que contempla deixar alguns alimentos, em que as pessoas podem retirar aquilo que precisarem e deixar aquilo que entenderem. Nós já temos esse projeto em funcionamento e está a ser um sucesso. Temos o aspeto de que, além disso tudo, ainda ajudamos na área da oftalmologia, da farmácia, que é o forte e dos bens alimentares, inclusivamente com a distribuição de cabazes. O que nos preocupa muito é que nós consigamos chegar a todos, porque a nossa grande preocupação são aqueles que se metem em casa, isolados, pessoas novas, mas com a vergonha, porque nunca passaram por esta fase, agora metem-se em casa sabe Deus como e isso preocupa-me, daí a razão de nós, ainda há pouco, mesmo antes da proliferação da covid-19 em Portugal, termos feito várias reuniões mais a nível de IPSS, Conferência São Vicente de Paulo, coletividades e um bolo grande, para que consigamos chegar mais depressa e muitas vezes nós não conseguimos, porque não temos conhecimento e o papel da Conferência São Vicente de Paulo, que temos nas quatro freguesias é um papel se calhar mais próximo do que o nosso, porque eles andam de porta em porta a incentivar as pessoas, para que as pessoas ajudem e para terem conhecimento das pessoas que precisam de ser ajudadas e nós servimo-nos dessa base de dados, a nível das quatro freguesias, exatamente para nos ser mais fácil, mas mesmo assim, eu acredito que não corremos tudo.

 

 

Quais são as apostas que o executivo tem feito nas áreas da educação, da saúde, do desporto e da cultura?

Na área da saúde, nós temos interferência, mas não temos tanta quanto isso, mas dentro daquilo que nos é possível, nós intervimos. Nós temos tentado, e temos conseguido, o que às vezes não é fácil, manter os postos de saúde abertos nas quatro freguesias, não tem sido fácil, mas temos conseguido ir a bem, mas se me dizem a mim que talvez fosse melhor construir algo maior que servisse não uma, mas as quatro freguesias e estivesse em funcionamento 24 horas por dia, se calhar até era mais importante, que permitisse um atendimento melhor, mais rápido e mais eficaz, eu defendo isso, mas depois há outra parte que eu tenho de ser contra, porque para isso temos de ir primeiro aos transportes, porque não faz sentido ir uma pessoa de alguma idade de Sandim a Lever ou ir de Lever a Crestuma ou ir de Crestuma a Olival, não estamos aqui a discutir qual é o local, não é isso o que está em causa, o que está em causa é que não é possível enquanto não houver transportes e é por isso que nós não podemos concentrar tudo. Por isso, eu acho que manter os quatro postos médicos é muito importante e relativamente a isso, nós conseguimos repor e por a funcionar um gabinete onde era possível fazer o rastreio da covid-19 em Olival, porque foi onde eu tinha um edifício disponível e consegui servir as quatro freguesias, aliás eu quando faço alguma coisa é sempre com a intenção de manter as quatro freguesias, porque eu represento as quatro freguesias, ao contrário do que algumas pessoas dizem que eu defendo A ou B, não é verdade, eu defendo as quatro, no conjunto, porque é aquilo que eu defendo. O gabinete de rastreio não teve muito movimento, ainda bem, e já fechamos, porque chegou a hora e já não fazia sentido, para além disso, nós temos feito a higienização nos postos médicos, no interior e no exterior, com alguma regularidade, tenho feito a nível das igrejas e tenho ajudado ao nível do transporte dos idosos para se deslocarem ao Centro de Saúde, o que não é uma coisa frequente. Dentro da cultura, nós apoiamos nos festivais de folclore, que, normalmente, são cinco, que é o do Rancho de Crestuma, do Rancho de Sandim, são dois ranchos de Olival e, normalmente, o Rancho de Lever, em que nós ajudamos no apoio logístico e relativamente à parte financeira, nós também damos algum. Nós não temos por hábito dar um subsídio financeiro, nós ajudamos mais em obras do que em bolsa financeira, mas também damos a bolsa financeira, é lógico, mas, normalmente, é mais o apoio logístico, é mais o apoio da obra e é isso o que nós fazemos. No que diz respeito ao desporto, quando eu cá cheguei, os balneários do Lever estavam em tijolo, fizemos os balneários, colocamos relva e fizemos bancadas, tratamos da iluminação e ficou um estádio digno, nos Dragões Sandinenses fizemos igual, fizemos um campo novo, com relvado, bancadas, não interessa falar em números, mas gastou-se muito dinheiro, tanto num lado como no outro. Neste momento, estamos em Crestuma, Olival não, porque Olival não tem futebol, e andamos a preparar o campo de Crestuma, só que tudo isto que nós fizemos, de uma maneira geral, nós consideramos que é sempre pouco, porque durante muitos anos mesmo, este cantinho do concelho foi esquecido, estas quatro freguesias foram muito esquecidas e, por isso, automaticamente, por muito que se faça é sempre pouco para acompanhar as outras freguesias que se localizam mais no centro ou mais na frente mar, mas, mesmo assim, nós consideramos que tem sido um grande investimento para este cantinho do concelho, porque agora vamos fazer um pavilhão em Diogo Macedo, que já está lançado e que foi defendido na Escola Diogo Macedo porque, assim, eu consigo aproveitar o pavilhão para as quatro freguesias, para as crianças que andam naquela escola e que têm os mesmos direitos das crianças que estudam no centro de Gaia, em primeiro lugar e em segundo lugar, porque serve a escola diariamente durante o dia e, á noite, eu sirvo-me do pavilhão para as coletividades, por isso mesmo, deve-se procurar sempre trabalhar em conjunto, eu acho que deve ser assim, mas cada um entende conforme quer. A nossa maneira de ver é esta. No que diz respeito a outra obra grande, que também está em concurso neste momento, que é o Auditório de Lever, que é o Auditório da União e é lógico que é em Lever por uma razão muito simples, porque existe lá um espaço, que foi preparado para isso, mas que tem anos, contudo agora vai em frente e vamos concretizá-lo. As outras coletividades, de outras áreas ou de outros sítios, de outras freguesias, podem deslocar-se lá, é apenas uma questão de calendário, que é exatamente o que acontece no Auditório de Olival, que serve as quatro freguesias e serve sem ser as quatro freguesias. Nós devemos preocupar-nos sempre no conjunto e não em áreas separadas, porque se for em áreas separadas é sempre a velha história, não se consegue, sozinhos não conseguimos, nós só conseguimos se tivermos alguém para nos ajudar.

 

Como tem sido a interação entre a Junta de Freguesia e a  Câmara Municipal de Gaia? Acredita que a autarquia está atenta às diversas deficiências desta União de Freguesias?

Há um bom relacionamento entre o executivo da Junta de Freguesia e a Câmara de Gaia, melhor do que há, eu acho que seria impossível. No que diz respeito a este entendimento, nós com a Câmara Municipal não temos qualquer problema, porque eu estive oito anos, noutros tempos, na Junta de Freguesia e não sabia o que era ter uma conversa e, por muitas vezes que eu pedisse reuniões com o ex-presidente da Câmara, eu nunca tive o acesso a ter uma reunião com o ex-presidente da Câmara, aliás, em oito anos, o ex-presidente da Câmara veio uma vez há freguesia durante uma manhã, onde esteve reunido comigo, onde eu fiz diversos pedidos e eu ainda hoje estou à espera desses pedidos, ainda hoje estou à espera de ter sido recebido mais vezes pelo ex-presidente da Câmara e eu não tinha acesso, porque era de uma cor partidária diferente da do executivo camarário e aquilo que eu noto nesta Câmara e aquilo que esta Câmara faz são coisas diferentes e são diferentes porque, em primeiro lugar, trata toda a gente de igual forma e em segundo lugar o presidente da Câmara já veio a estas quatro freguesias tantas vezes que não tem conta, o relacionamento é quase direto, nós nem precisamos de marcar, com ele ou com qualquer pessoa camarária, mas é ele quem dá essas instruções, por isso mau relacionamento não há, nem pode haver, aliás, parte das obras que foram feitas e que ainda se vão concretizar até ao fim deste mandato, que é o que está mais ou menos em calendário, são graças à Câmara Municipal e eu acho que também mais do que o que eles têm feito não é possível, mas isto vai ao encontro daquilo que eu disse há pouco, por muito que eles façam para nós é sempre pouco, isso é verdade, mas também tem que se reconhecer que por muito que eles façam, para a população em geral, não mostra tanto como isso, por uma razão muito simples, porque foram muitos anos de esquecimento. Agora, nós temos outro problema grave, é que nós temos uma área geográfica muito grande nas quatro freguesias e a verdade tem que ser dita, primeiro porque o executivo preocupa-se mais em fazer o trabalho do que em mostrar as obras feitas, porque não é muito o hábito deste executivo fazer inaugurações, não é muito o hábito e é essa a mensagem que nos está a custar passar, porque é lógico que as pessoas de Sandim não sabem o que é que se anda a fazer em Lever, eu dou sempre os extremos, mas as pessoas de Lever não sabem o que é que se está a fazer em Crestuma, porque são áreas muito grandes e por muito trabalho que se faça, as pessoas quase que nem se apercebem. Ao contrário de muitos presidentes de Junta de Freguesia, não estou a criticar, que quando põem uma lâmpada fazem uma inauguração ou põem na página da Junta de Freguesia ou numa revista, nós não fazemos isso, é uma verdade, vamos ter de começar a pensar em passar essa mensagem, porque mesmo assim, o facto de não passarmos a nossa mensagem, também não estamos a passar a mensagem da Câmara. Falando de Lever, a Rua Central de Lever era um pandemónio e nós chegamos lá e comprometemo-nos a fazer até tal parte e cumprimos, já estamos a lançar o concurso para o resto da outra parte da rua, mas isso aconteceu em Santa Isabel, na Rua da Rainha Santa entre o município de Vila Nova de Gaia e Santa Maria da Feira e antigamente as duas câmaras eram da mesma cor partidária e nunca chegaram a um acordo, foi preciso este presidente da Câmara chegar para começarmos a negociar com a Câmara de Santa Maria da Feira e uns pagaram uma coisa e outros pagaram outra e a obra foi feita. Esta rua é uma rua muito importante para as quatro freguesias, porque é uma rua que atravessa Santa Maria da Feira, passa em Gaia e depois vai para Castelo de Paiva, Entre-os-Rios e por aí adiante. Eu acho que na parte da divulgação eu não tenho feito um bom papel nem para a Junta de Freguesia nem para a própria Câmara Municipal, que não merece que façamos isso, por aquilo que tem feito. Nós estamos agora a tratar do Auditório de Lever, estamos a tratar da Rua Central e isto falando de obras. Nós também fizemos o saneamento que há 20 anos me foi prometido em Olival da Urbanização do Wilson e conseguimos no outro mandato, agora falta-me completar a obra. Conseguimos uma coisa, e é esta parte que me dá um bocadinho de prazer, que contemplou a resolução de um problema que tínhamos em Lever, que tinha mais de vinte anos, que era na Barragem de Lever – Crestuma ou Crestuma – Lever, não é isso que estamos a discutir, mas sim o bairro que lá estava em que a Câmara e a Junta de Freguesia fizeram um papel importantíssimo, mas, mesmo assim, nem a Câmara, nem a Junta, quiseram ficar com o ónus, ou seja, fizemos a negociação toda e demos a uma IPSS, por isso mesmo, aquilo não é nosso, nem é da Junta, nem é da Câmara, é de uma IPSS, porque entendemos que era a melhor forma de essa IPSS ter pernas para andar, para servir a freguesia e, por acaso, essa IPSS, para além de estar a servir a freguesia, está a fazer um trabalho extraordinário, mas está a servir muito Gondomar, porque é só atravessar a Barragem e há muita gente de Gondomar e da Lomba que estão lá no Centro de Dia e nós entendemos que era essa a parte que deveria ser feita. Relativamente ao Estádio de Crestuma, está tudo pronto já para arrancar, tivemos alguns atrasos que estiveram relacionados com documentos, mas a Câmara e a Junta de Freguesia já investiram lá muito dinheiro, estamos a falar de quase 200 mil euros, mas agora sim, agora já se pode começar a trabalhar. Se formos a ver todas estas obras são obras da Câmara, porque uma Junta de Freguesia não tem orçamento, não tem receita para fazer grandes obras. O orçamento que uma Junta de Freguesia tem é para a conta corrente, é despesa corrente, no fundo, no fundo, um dos problemas que existe e que não é de agora, não é deste presidente, não é da outra Câmara, é no geral, é haver muito pessoal, por isso a despesa corrente é de tal ordem e isto é um assunto que eu também venho sempre a discutir, porque faz-se, por exemplo, uma obra que tem o custo de um milhão, mas o problema é que no dia a seguir começa a entrar a manutenção e ao começar a entrar a manutenção já não é o orçamento, já é uma despesa e essa despesa não está contabilizada, como não está contabilizada automaticamente vai encarecer, quer dizer, eu acho que a parte de dinheiros, de ser despesa corrente ou não ser, eu acho que aí está muito mal explicado, mas as leis são assim. Não é qualquer Junta que consegue ter no seu próprio orçamento dinheiro para grandes obras, porque o dinheiro que vem diretamente do Governo é diretamente para pagar ao pessoal, mas não chega, venha quem vier e é fácil fazer contas, não chega e é do orçamento da Junta que tem de sair o resto. Se me dizem a mim que esta Junta ou aquela que têm fundo de maneio para poderem fazer uma obra aqui ou uma obra acolá, eu concordo e aceito, mas de uma maneira geral, tem para tapar um buraco, para meter uns paralelos e para pintar uns cemitérios. Nós aqui, nas quatro freguesias, temos vinte pessoas de secretaria, eu posso dar outro exemplo, nós tomamos conta dos correios, preocupamo-nos a fazer o serviço dos correios a troco de zero, mas fazemo-lo porque é um serviço de proximidade, porque é um serviço que nós entendemos que devemos continuar a prestar à população e eu acho que é importante. Relativamente às obras nossas, são pequenas obras, pequenos arranjos, mas que acontecem e o que acontece às vezes é que a Câmara está na disposição de me ajudar ou de fazer um protocolo comigo.

 

Ter um filho vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia ajuda?

Não, pelo contrário. Posso dizer-lhe que, por vezes, eu antes não queria ter um filho vice-presidente da Câmara, não é porque tenha algo contra, mas porque é o maior crítico que eu tenho. Das quatro freguesias, o maior crítico que eu tenho é o meu filho. Ele aproveita todos os bocadinhos que pode para me dar cabo da cabeça e por uma razão muito simples, porque o jardim em tal parte está mal limpo, porque a rua em tal parte não está bem, porque em tal parte há um buraco, e eu não vejo ele a fazer isso aos outros presidentes de Junta, isso é um caso, o outro caso é o facto de me custar às vezes pedir-lhe alguma coisa, por uma razão muito simples, porque eu entendo que os outros presidente de Junta quando se apercebem que eu estou a pedir alguma coisa, dizem porque é pai, porque não sei que mais, e eu gosto de separar as coisas, não gosto de misturas e essa é a parte negativa que eu considero. Agora há outra parte que é positiva, é lógico que para mim é um orgulho ter um filho vice-presidente e eu fico contente quando a maior parte dos presidentes de Junta comentam comigo que o meu filho é um espetáculo é óbvio que eu fico muito orgulhoso, não vou estar aqui a esconder, ainda para mais é do meu sangue.

 

Como presidente de Junta, qual foi o momento mais importante para si?

Eu tenho muitos, mas eu vou-lhe dizer dois momentos muito importantes. Um momento foi quando eu ganhei a Junta de Olival pela primeira vez e foi por uma razão muito simples, porque habituaram-me a ser um cidadão humilde, a saber medir distâncias e, nessa altura, o meu falecido pai dizia «filho meu não pode ser presidente de Junta e não pode por diversas razões, porque é filho de pessoas pobres, mas humildes e trabalhadoras» e eu entendi que tinha o mesmo direito, como os outros e concorri e perdi e nas outras eleições concorri e ganhei e eu acho que foi importante, dado ao passado dos meus falecidos pais, o qual eu respeito muito, e eu acho que foi um momento muito, muito importante, porque eu lutei contra uma pessoa que lá estava há anos como presidente de Junta e que dizia que ninguém o convencia ou vencia e foi este triste e humilde trabalhador que venceu as eleições, é lógico que se eu vou esconder isso eu estou a mentir, portanto não vou esconder. Outro momento muito importante para mim foi quando eu ganhei as quatro freguesias, porque nessa altura o ex-presidente da Câmara mais a comitiva dele, que na minha opinião está mal, mas pronto, quiseram unir as quatro freguesias. Eu acho, na minha opinião, que foi um malato, eu acho que não esteve correto, mas o objetivo deles foi outro, aquilo foi regra e esquadro, e daí a razão de eu, publicamente e em mais do que um sitio, ter defendido que não deveriam ser as quatro freguesias, mas sim manter o que estava, o máximo seria duas a duas e quando eu digo duas a duas, eu estou sempre bem, porque eu estou, no fundo, numa freguesia que se encosta a um lado ou se encosta a outro, por isso eu não tinha problemas nenhuns, mas eu defendia primeiro uma a uma, segundo, mal por mal, duas a duas, mas o cálculo deles é que falhou, porque eles quiseram fazer tudo isso, porque existiam três juntas que eram do PSD e só havia uma que era PS, que era a minha e eles convenceram-se que era eu que ia perder a Junta de Freguesia ao unir as quatro freguesias, e eu cheguei cá, contra tudo e contra todos, mas com a minha humildade e com a minha honestidade, corri as três freguesias, porque uma eu conhecia e quando acabei de correr as três freguesias disse a alguém que estava comigo, que me acompanhou e que ainda hoje está comigo, «eu ganhei» e a resposta foi «temos muito que trabalhar», e eu disse «tudo bem, eu ganhei», foi a sondagem que eu fiz. Pronto, chegou-se à hora e eu ganhei com uma vantagem muito grande, mediante aquilo que era previsto, porque eram três freguesias PSD, veio a segunda vez e ganhei na mesma. Não estou a dizer que vou ganhar na próxima, porque eu também não sei se na próxima me vou candidatar, mas há uma coisa que eu não escondo, eu gosto disto e irei, enquanto cá estiver, fazer tudo por tudo para sair pela porta grande quando chegar a minha hora de sair, mas também começo a ficar cansado e eu acho que existem pessoas mais novas, que têm sangue muito mais quente que eu e que está na hora deles também avançarem, mas agora eu acho que trabalhar conforme eu estou a trabalhar ou conforme nós estamos a trabalhar, por uma causa, é muito importante, e eu acho que é muito bonito. Eu fui eleito para as quatro freguesias, defendi que não deveriam ser quatro, mas que deveria ser mantido o que estava, mas não foi possível, não consegui, impuseram-me as quatro freguesias, eu ganhei e se eu ganhei, até à lei mudar, eu defendo as quatro freguesias. Contudo eu acho que, quando a lei mudar, as pessoas que têm de intervir devem intervir e devem discutir bem as coisas para não voltar a acontecer o que aconteceu, mas, na minha opinião, vai haver muita coisa a discutir e não vai ser fácil. Também entendo que a lei foi mal feita, agora neste caso concreto a mudar por mudar que estudem bem o processo e quando eu digo «estudem bem o processo» não estou a dizer nem que assim está bem, nem que tem de mudar. Agora, não escondo que me sinto bem quando chego a qualquer lado e dizem está aqui o presidente da Junta de quatro freguesias, é lógico que sabe bem, mas não gosto de me valer dessa parte, eu acho que estou a dizer exatamente aquilo que nunca disse a ninguém, mas é a verdade.

 

Que mensagem gostaria de transmitir à população?

A mensagem que eu gostaria de transmitir à população é simples, ela pode ficar ciente e pode estar ciente e eu acho que tenho demonstrado e que irei demonstrar isso até ao último dia que eu cá estiver, que, acima de tudo, na política não vale tudo, mas há uma coisa que vale para mim, é a preocupação com as pessoas, porque há muita gente que me procura e que não tem nada a ver comigo, nem tem nada a ver com a Junta, mas é muito mais fácil virem ter comigo e fazerem-me algumas perguntas do que essas mesmas pessoas, sem ter transporte, sem conhecerem, sem terem conhecimento, irem para Gaia à procura de uma informação. Por isso, aquilo que eu faço é encaminhar as pessoas para o sítio certo, dentro daquilo que posso e daquilo que sei, para o sítio certo e, normalmente, quando encaminho para o sítio certo, digo sempre «tente falar com fulano ou tente falar com sicrano» porque é essa parte que as pessoas querem. As pessoas quando procuram um presidente de Junta, de uma maneira em geral, não é para pedirem dinheiro é, unicamente, para pedirem esclarecimentos, por isso eu acho que qualquer presidente de Junta, que se ponha à disposição, porque se um presidente de Junta entende que não quer ser incomodado quando está a comer, se entende que não quer incomodado quando está aqui ou acolá, que não vá para presidente de Junta, porque o que eu considero como presidente de Junta, é um criado da população, porque tem que haver essa parte da humildade, porque se não houver não é possível. Eu não estou a criticar, mas conheço alguns presidentes de Junta que fazem o atendimento naquele dia, àquela hora e, normalmente, querem saber qual é o assunto e não querem ser incomodados em mais dia nenhum a mais hora nenhuma. Eu tenho realmente dias de atendimento ao público, mas, ultimamente, nem tem aparecido ninguém e não aparece por uma razão muito simples, se eu estiver num café, tanto atendo uma pessoa como atendo dez e se eu estiver aqui eu atendo as pessoas, mesmo que esteja com muita pressa, ou seja, eu não procuro marcar, eu procuro desenrascar, porque é para isso que um presidente de Junta serve, caso contrário não vale a pena. O que eu quero transmitir à população é humildade e é honestidade enquanto eu cá estiver e dizer que não irei desfraldar as pessoas, porque eu tenho um compromisso com elas, tanto com as que votaram em mim, como com as que não votaram em mim, porque não há votos marcados. Eu sou o presidente de todos e tento colaborar com toda a gente. Aquilo que eu digo aos fregueses é que podem contar comigo para aquilo que for preciso e a mensagem que eu quero transmitir é essa, podem confiar.

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