Muitos jornalistas, por medo de despedimento, mas também por convicção pessoal e atropelo deontológico consciente, manipulam o público no interesse dos poderosos, sejam eles políticos, altas figuras de Estado ou fervorosos protagonistas do capital e das ideias neo liberais que o acompanham e promovem.

O jornalista Udo Ulfkotte sente-se hoje envergonhado por ter trabalhado para o Frankfurter Allgemeine Zeitung durante 17 anos, considerando que antes do autor revelar as redes secretas de poder, ele sempre deve exercer a autocrítica e nessa conformidade Ugo documenta pela primeira vez como foi subornado para exercer reportagens na FAZ, jornalismo «on line»,e como a corrupção foi promovida, revelando a razão pela qual os líderes de opinião relatam factos tendenciosamente e como o tentáculo  da assessoria de imprensa, por exemplo, da NATO prepara as guerras através dos mídia.

Naturalmente, o autor foi aceite nas redes das organizações de elite americanas e em troca de relatórios positivos relacionados com os Estados Unidos  ele até recebeu um certificado de cidadão honorário pelos seus abonativos trabalhos.

Udo Ulfkotte escreveu um livro onde narra toda esta situação levando-nos a observar  os nossos jornais com olhos completamente diferentes, a desligar a televisão com mais frequência e também a saber até onde ainda pode acreditar na rádio,  porque Ulfkotte também escreve meticulosamente sobre qual estação pertence a qual partido político e quais jornalistas são influenciados e como.

Os mecanismos da alienação potenciados pelos media, incluindo a propaganda do consumismo, são um meio do povo perder o controlo sobre as instituições democráticas e seus representantes, mas explicam ainda por que razão extractos populacionais sujeitos à exploração, pobreza e perda de direitos, votam em forças que promoveram e promovem   forças alinhadas à extrema direita que conseguem chegar ao poder mentindo, escondendo suas reais intenções e promovendo  golpes de Estado militares ou jurídicos,veja-se a subida ao poder do fascismo e do nazismo no século XX, com o resultado daí advindo, e agora em pleno século XXI o ascenso das referidas ideologias.

Não podemos deixar de responsabilizar as personalidades que no exercício do poder e outras com acesso aos media nos enchem os ouvidos e os olhos com pseudo intenções democráticas para branquear os caminhos enviezados e a permissão do acesso às funções parlamentares dessas forças antidemocráticas, com crescente espanto e indignação de muitos outros cidadãos, que sempre aguardam o cumprimento de promessas eleitorais e medidas efectivas para a criação de emprego com direitos e  o apoio às Funções Sociais do Estado, aliás, respeitando o conteúdo da nossa Constituição.

Não podemos esquecer que esta operação manipuladora de consciências vem sendo construída com poderosos meios financeiros que permitem sustentar gigantescas campanhas de  propaganda, as quais vão desde grandes «outdoors»  até uma utilização massiva das redes sociais, com dezenas de milhares de perfis falsos para assim promover a amplitude dos pretensos apoios à causa, passando ainda pela organização de autênticas campanhas de ódio, de amedrontamento físico e de homicídio de carácter, contra quem os queira confrontar.

Nesta onda, vemos figuras ligadas ao grande capital, aos movimentos e milícias antidemocracia activos nas ondas terroristas do ELP e MDLP, às igrejas, não só à católica, mas também às evangélicas pentecostais, as quais buscam afincadamente o poder político e social para obtenção de grandiosos ganhos económicos, designadamente através das isenções fiscais de que consigam passar a beneficiar.

Curiosamente, a Entidade Fiscalizadora das Contas dos Partidos Políticos, tão interessada em exigir que eles tenham uma contabilidade ao nível da de uma empresa cotada em bolsa e em saber quem terá pago uma bica que um dado candidato foi, numa sua acção de campanha, filmado a tomar, não se mostre minimamente empenhada em esclarecer devidamente de onde vêm os apoios financeiros que suportam a actividade, em particular a propagandística, do partido cujo dirigente e parlamentar da nossa Assembleia da República usufrui 193 mil euros anuais, continuando e sua actividade profissional embora tenha afirmado que iria para o Parlamento em exclusividade, partido que no Portugal de Abril  advoga no seu programa e na lógica aí afirmada de que as funções sociais do Estado devem ter carácter de mera «residualidade», que em 2019 ataca as minorias étnicas e os homossexuais e que defende o aumento desmesurado do poder das polícias, a «abolição das autorizações de residência para protecção humanitária» e a «redução drástica da presença islâmica na União Europeia”», partido cujo dirigente e parlamentar é o mesmo que, em 2013, para efeitos académicos e na respectiva tese de doutoramento apresentada na Universidade de Cork, na Irlanda, criticava com veemência a expansão dos poderes policiais, a «estigmatização e discriminação das minorias», as políticas «baseadas no medo» e o «populismo penal» e hoje se propõe privatizar por completo os Hospitais, as Universidades, as Escolas e as vias de comunicação, bem como todas as empresas públicas, diminuir os impostos sobre as grandes empresas e, pasme-se, criar uma taxa  única e igual de 15% quer para ricos e muito ricos, quer para pobres e muito pobres, com o inevitável lançamento destes últimos na miséria, na fome e na doença.

Os discursos pretensamente antisistema contra o «lamaçal da política» e a «palhaçada do parlamento» de que faz parte, do «murro no estômago dos acomodados», não passam assim da mais primária das demagogias e a ferocidade e o primarismo dos ataques contra os pretos, os ciganos, os emigrantes em geral e os homossexuais, está a par com teorias como a de Deus, Pátria e Família tão do gosto do fascismo nacional liderado por Salazar.

Concluindo e parafraseando o jornalista Udo Ulfkotte cumpre-nos estar atentos e repudiar veementemente quaisquer manipulações que nos levem àquilo que sabemos como começa, mas não sabemos como pode acabar, ou seja, não devemos ter memória curta.

 

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