A atriz Mariema tinha 75 anos e faleceu, na noite do passado dia 7 de outubro, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

O Teatro Politeama e o encenador Filipe La Féria lamentaram profundamente o “falecimento da grande atriz e cantora Mariema que, durante décadas, foi vedeta absoluta do Parque Mayer e por diversas vezes premiada como «Melhor Atriz de Revista».

“No musical «Amália», Mariema teve uma das suas melhores interpretações, no papel de Lucinda Rebordão, mãe de Amália. Esta interpretação teve os maiores elogios em toda a imprensa francesa, nomeadamente no «Le Monde», que considerou Mariema uma atriz de exceção comparando-a a Anna Magnani”, destacaram o encenador Filipe La Féria e o Teatro Politeama.

Hélder Freire Costa, produtor e empresário do Teatro Maria Vitória, afirmou que a atriz “começou, viu e venceu” e relembrou o sucesso da sua estreia na revista “É Regar e Pôr ao Luar”, no antigo Pavilhão Português, que fez com que a atriz passasse, desde logo, “a fazer parte das vozes do povo”.

O produtor e empresário contou ao AUDIÊNCIA que “quando a Mariema veio trabalhar pela primeira vez com Giuseppe Bastos, eu era o secretário e braço direito daquele saudoso empresário. Aliás, a Mariema foi contratada por Giuseppe Bastos na antiga esplanada do Parque Eduardo VII (junto a um lago com cisnes), eu acompanhei-o pois salvaguardava-se a confidencialidade do negócio; levava comigo uma máquina de escrever portátil, marca «Messa» e logo ali se fez e se assinou o contrato, ao ar livre. É uma curiosidade teatral. Mas logo ali ficou assente que ninguém falaria sobre o assunto, pois a Mariema ainda estava a trabalhar com o empresário do Teatro ABC (José Miguel). Só quando ele lhe falasse sobre uma possível extensão do contrato para a nova revista, ela então lhe diria que estava em negociações para o Teatro Maria Vitória. E assim foi”.

Hélder Freire Costa enalteceu que Mariema “espalhou talento e popularidade por onde quer que tenha passado” e que a última vez que a atriz “trabalhou em palco foi, exatamente, no Teatro Maria Vitória, em «Revista Quer é Parque Mayer», que estreou a 28 de outubro de 2015 e esteve em cartaz, no «Maria Vitória», até ao dia 29 de maio de 2016. Daí para cá, a Mariema não fez mais teatro”.

A atriz foi distinguida por Hélder Freire Costa, no dia 27 de março de 2016, no Dia Mundial do Teatro, com as “Máscaras de Ouro” do Teatro Maria Vitória.

O encenador Filipe La Féria e o Teatro Politeama salientaram ainda que “Mariema, que se celebrou com a canção «O Fado Mora em Lisboa», foi uma das maiores atrizes do Teatro de Revista em Portugal participando também em muitos programas de televisão, nomeadamente em «Grande Noite», «Cabaret» e «Conta-me como foi», onde ficaram registadas algumas das suas melhores criações”.