A venda do Novo Banco voltou à ordem do dia depois da polémica em torno da transferência de mais 850 milhões de euros dos cofres do Estado para o Fundo de Resolução, com destino à referida entidade bancária.

O Governo alegou que a transferência foi feita ao abrigo das condições assumidas no contrato de venda, frisando que não havia como negar o empréstimo do montante, embora o Primeiro Ministro tenha afirmado que o Fundo de Resolução podia reaver o dinheiro do Estado se a auditoria comprovasse má gestão no Banco.

Há documentos ou contratos no âmbito da venda do Banco, dois desses contratos serão públicos, outro terá dados confidenciais e ainda haverá outros de que nada se sabe, pois estão a bom recato no segredo dos deuses.

Um dos contratos divulgados, pelo menos na sua versão não confidencial, prevê uma rede de segurança para o Banco no caso de os rácios de capital ficarem aquém do exigido pelo Banco Central Europeu, esta no fundo ao que parece a entidade que tudo pode.

Neste cenário, Portugal irá providenciar capital adicional se não houver alternativas, nomeadamente interessados em investir e vai ter de cortar ainda mais nos postos de trabalho e nas sucursais num novo plano de reestruturação se tal vier a ser considerado vital.

O Novo Banco, vendido ao desbarato pelo governo PSD/CDS, constituiu para a Lone Star um chorudo negócio, num investimento sem risco que lhe permitiu receber um banco limpo de prejuízos, através de injecções de dinheiros públicos e com um quadro de pessoal diminuto.

No âmbito da Assembleia da República o PCP lembrou que, em 16 de Abril, o Ministro das Finanças questionado sobre «se pretendia manter a transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco» confirmou a realização da transferência porque «contratos são contratos», embora o deputado do PCP Duarte Alves ter lembrado que os 850 milhões de euros agora injectados no Novo Banco se somam aos milhares de milhões já «entregues pelos portugueses, desde a fraudulenta resolução decidida pelo Governo PSD/CDS, até à ruinosa privatização a custo zero, com garantias dadas pelo Estado».

O deputado comunista contestou o continuado enterrar de «milhões de euros dos portugueses, para que o banco fique nas mãos de privados», acabando muito provavelmente por ir parar ao «controlo espanhol», sublinhando que «o Novo Banco não pode continuar a ser um buraco sem fundo, pago por todos os portugueses, sem se garantir o seu controlo público».

No debate, o PS limitou-se a criticar a atribuição de prémios de gestão aos administradores do Novo Banco e a lembrar que PSD e CDS prometeram que este «seria um Banco bom», mas promessas leva-as o vento e o certo é que recentemente foi revelado o nome Nani Holdings na lista de compradores e esta empresa será detida a 100% pelo Fundo Lone Star que, por seu lado, é detido pela Nani Superholding, cuja sede é no paraíso fiscal das Bermudas, mas não ficamos por aqui, pois a Nani Superholding é também detida por uma diversidade de fundos geridos pela americana Lone Star, dona indirecta do Novo Banco e a Nani Holdings foi criada exclusivamente para a compra do Banco português.

No debate realizado na sequência da recente injecção de capital no Novo Banco e da evidente falta de articulação entre o ministro das Finanças e o Primeiro-Ministro, com alguma lavagem de roupa suja à mistura, PS, PSD e CDS trocaram acusações sobre relacionamentos com o antigo BES, actual Novo Banco, nomeadamente citando o caso Marquês e o processo de aquisição dos submarinos, ou seja, nestes meandros todos sobressai uma inadmissível falta de credibilidade e transparência que nos incomoda e indigna, pois verificamos a canalização de fundos para um negócio sem fundo, quando o País precisa de apoios fortes na Saúde, Educação, Segurança Social, Transportes e Habitação.

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