Os Media são a mão de todos os cidadãos num só. A mistura de interpretações, que vemos no grande ecran, de Meryl Streep e Tom Hanks, com a direcção de Steven Spielberg, está absolutamente brilhante. São, provavelmente, os dois melhores actores vivos que caminham pelos corredores de Hollywood.

Gostei muito de The Post, sobretudo por tudo aquilo que significa para os nossos dias. Pergunto-me onde andam os jornalistas de investigação portugueses…

Conhecemos o nome de Ana Leal, Felicia Cabrita e pouco mais… Não é que não existam, mas a verdade é que poucos cidadãos terão presentes mais nomes para além dos supracitados…

Ana Leal fez-nos recentemente viajar até ao escândalo Raríssimas e ao escândalo das adopções da IURD… Felícia Cabrita trouxe até nós os escândalos mediáticos como a Casa Pia, o Face Oculta, a Operação Marquês entre outros.
The Post relembra-nos a importância dos Media estarem ao serviço dos governados e não dos governantes. Esta foi, aliás, a passagem que mais me marcou do guião de todo o filme, bem como a problemática da igualdade de género.
A personagem que Meryl Streep interpreta sai do tribunal e quem é entrevistado é o director do New York Times, ao invés dela, que passa pela multidão com um sorriso no rosto.

Foi esta grande mulher que esteve, na realidade, por detrás da vitória dos Media contra Nixon no escândalo dos “papéis do Pentágono”.

A força do quarto poder, aliada à vontade dos cidadãos, foi capaz de arruinar toda uma governação ardilosa e corrupta.

Vivemos num mundo digital, onde as notícias caminham tantas vezes à frente dos próprios acontecimentos, manipulando a nossa opinião e a forma como vemos o mundo que, cada vez, se faz mais através de um ecran, como aquele indivíduo que viaja para um mundo novo e fotografa tudo à volta e quando chega a casa recorda que não viu aquele mundo sem a lente…

Fazemos cada vez mais isto, não vemos o que está à nossa frente porque vivemos numa sociedade que estimula o imediato e trata a informação em quantidade e não em qualidade. O cidadão nem se apercebe, mas são muitas as vezes em que deixa de pensar e permite que as Fake News proliferem com elevado sucesso… E é aqui que entra a importância de The Post nas nossas vidas.

A energia avassaladora daquela redacção, que retrata homens e mulheres revoltados pelos enganos provocados a uma nação inteira, cujos filhos partiram para uma guerra desnecessária, da qual nunca mais voltariam…
A energia da justiça naquelas máquinas que imprimiam a justiça da verdade, a justiça de um povo, contra aqueles que julgam que tudo podem através da cadeira do Poder Institucional.

O amor daqueles homens e mulheres a uma profissão nobre que é absolutamente apaixonante.
Os Media servem os seus consumidores, a sua sociedade ou os poderosos e os distintos lobbies económicos?

Palavras como liberdade de imprensa, jornalismo de investigação com romantismo e justiça são, claramente, um bom resumo do que nos deixa The Post.

The Post destaca-se assim, claramente, doutros filmes que abordaram o impacto do quarto poder na sociedade americana, tais como os Homens do Presidente de 1976, e Spotlight, vencedor do Óscar de Melhor Filme há dois anos, que retrata o escândalo de abuso de menores por membros da Igreja.