Dia após dia, os pés suportam o peso do nosso corpo e, por serem o nosso ponto de contacto com o solo, são os principais recetores de impactos, estando submetidos a uma grande tensão e desgaste. Fundamentais para a execução de diversas tarefas, em contexto desportivo e profissional, os pés estão assim vulneráveis à ocorrência de lesões e alterações.

Se várias são as profissões que implicam que os colaboradores estejam sentados à secretária durante as várias horas do dia, podendo o sedentarismo traduzir-se em impactos significativos na mobilidade da pessoa e na saúde dos seus pés, várias são as atividades profissionais que envolvem ficar em pé ou caminhar em superfícies duras por longos períodos. O que está, por exemplo, associado a um maior risco de fasceíte plantar, uma condição dolorosa que se deve à inflamação da fáscia plantar, uma banda de tecido fibroso que liga o calcanhar aos dedos. Por vezes, o trabalho poderá ainda exigir o uso de sapatos de salto alto, que conduzem a um aumento da pressão na parte da frente do pé, ou o uso de calçado apertado ou bicudo que, além das dores, pode potenciar o aparecimento de bolhas, calosidades, unhas encravadas, joanetes e deformações nos dedos.

Contudo, apesar das férias significarem possivelmente dias de descanso, o verão não significa que esteja imune ao surgimento de problemas podológicos. Pelo contrário, com uma maior exposição dos pés, o aumento das temperaturas e a alteração das nossas rotinas, os riscos aumentam e os cuidados a ter com os nossos pés também.

Sendo esta a época do ano mais propícia ao surgimento de micoses, face ao risco de concentração de transpiração no calçado e à tendência de passarmos os dias nas praias e piscinas, sítios que facilitam a proliferação de fungos, é crucial evitar o seu contágio através do contacto direto com a pele infetada ou com superfícies ou objetos contaminados, tendo o cuidado de utilizar chinelos nas zonas de banho e de não partilhar objetos de higiene ou de cuidado pessoal, como toalhas, corta-unhas, meias e calçado. Por outro lado, é preciso contrariar o desenvolvimento de condições favoráveis à sua proliferação, privilegiando um calçado arejado e que permita a ventilação do pé, como sandálias, de preferência, em pele.

Manter uma higiene cuidada, que inclui lavar os pés diariamente com água morna e um sabão de pH neutro, bem como secá-los com uma toalha macia, sem esquecer os espaços entre os dedos, trocar de meias, sempre que estas estiverem húmidas, para prevenir a concentração de humidade e o desenvolvimento de fungos e bactérias, recorrer a antitranspirantes e antissépticos e ainda colocar o calçado a arejar, num local ventilado, são medidas essenciais.

Na sequência de uma barreira lipídica comprometida, que não é capaz de reter água suficiente, a pele seca manifesta-se como áspera, irritada e sem flexibilidade. Os pés estão entre as partes do corpo mais frequentemente afetadas, existindo fatores instigadores, tais como mudanças sazonais, ar seco e contacto prolongado com a água, na sequência de banhos prolongados no mar, rio e piscina, que removem os óleos naturais que compõem a barreira da pele. Adicionalmente, a vulnerabilidade da pele seca pode representar riscos para a saúde, uma vez que esta torna-se frágil e perde elasticidade, podendo levar ao aparecimento de fissuras, especialmente em torno do calcanhar, que, em casos mais graves, podem causar dor e inflamação e que funcionam como uma porta de entrada para agentes patogénicos. Neste sentido, prevenir as queimaduras solares, tomar um duche com água doce, depois de um mergulho, e aplicar diariamente um creme ou loção hidratante é fundamental.

Os pés são também sensíveis à excessiva exposição solar, muito pelo facto de estarem “escondidos” a maior parte do ano pelo uso de calçado fechado. Assim, para evitar queimaduras solares, é necessário evitar a exposição ao sol nas horas de maior calor e aplicar protetor solar, com fator elevado de proteção, nos pés.

Alguns hábitos de verão podem também ser prejudiciais, tais como: a utilização regular/diária de chinelos de dedo, que pode potenciar a inflamação da fáscia plantar e o surgimento de problemas nos joelhos, ancas ou costas; utilizar verniz nas unhas dos pés por mais de 15 dias; e o uso de sapatos sem meias, dado que estas protegem os pés das bolhas e da fricção do pé contra o sapato e contribuem para o controlo da humidade.

Não comprometa as suas férias! Siga estes cuidados e vigie diariamente os seus pés e unhas. Além do aparecimento de manchas, vermelhidão, prurido (comichão) e mau odor, que podem ser sinais de micoses no pé, deve ficar atento ao surgimento de bolhas, descamação, calosidades, fissuras e feridas, bem como observar regularmente a coloração, formato e textura das suas unhas. Lembre-se de que a deteção atempada de alterações, permite um diagnóstico precoce e um acompanhamento adequado, por parte do seu Podologista.

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